Notas iniciais
oi queridos, mais um capítulo!!

Alexandre Vero

Fazia quase um mês que eu tinha sido informado da notícia sobre a exigência do Emiliano, e desde então venho procurado um jeito de tentar resolver, alguma brecha que poderia ser usada ao meu favor, mas não encontrei nada, dias trabalhando falando com detetives para achar algum deslize dele e nada, simplesmente não achei nada. Quando o Lúcio desconfiou tive que inventar uma mentira, e depois dizer que já tinha resolvido, por sorte ele acreditou

A Júlia sempre foi a mais corajosa de nós, e muito intrometida também, andou com as próprias pernas, descobriu tudo e ainda me enfrentou de igual para igual. Acho que já não temos mais uma criança na família. Hoje é o dia que ela vem aqui para acertamos a sua contratação, já formada, começa a trabalhar em três dias

—-Sr Vero—Vivian adentra a minha sala—O Ser Montaware está aqui fora e exige falar com o senhor

—-Peça que entre

Ela sai e arrumo minha postura na cadeira. Entra na minha sala um velho de uns sessenta anos, com um terno brega azul e um charuto na boca. Suspiro. Ele me sorri, mas não é retribuído e senta à minha frente

—-Você me lembra o Petrônio sentado nessa cadeira—Emiliano diz

—-O que quer? —Falo—Por que quer casar com a minha irmã? Não se satisfeita com as mulheres de programa que deve ter?

Ele ri

—-Não estou atrás de sexo, Alexandre

—-Então o que é?

—-A Júlia agora é uma mulher, e muito bonita por sinal, de boa influência na cidade. Se aparecer comigo como minha mulher vai melhorar muito a minha imagem. Me levar a ser reconhecido novamente e vou poder me lançar com mais firmeza nos negócios outra vez

—-Não tem vergonha? —Meu punho se fecha e tento manter a calma—Usar uma pessoa para ter sucesso? Destruir a vida dela para se vangloriar na mídia?

—-Você é jovem—ele volta a fumar o charuto e impregna minha sala com aquele cheiro horrível—Não entende ainda de negócios

—-Entendo de valores humanos, caráter e índole

—-Tolo—ele sopra a fumaça—Fala igual ao seu pai. Vai acabar como ele

—-Não fala do meu pai. Você não tem moral para isso!

Ele levanta e ajeita seu terno

—-Vou mandar um e-mail para a Júlia convidando para visitar meu escritório e acertamos o casamento. Se ela não aparecer o que vai aparecer é um carro de polícia em frente à casa de vocês—depois que solta a bomba ele sai da minha sala e volto a ficar sozinho

—-Droga! —Bato na mesa

Depois de preencher alguns relatórios e encaminhar contratos para o Lúcio, Vivian me avisa que a Júlia já chegou para o nosso encontro, mando que ela entre. Uns minutos depois a Júlia aparece na minha sala. Tem o rostinho meio triste, deve ter chorado, os brilhos dos seus olhos foram apagados, e isso me parte o coração. Não somos tão próximos pois eu só foco no trabalho, mas ainda sim me preocupo com ela, com cada um deles

—-Oi irmão—ela senta à minha frente

—-Como está?

—-Estava tentando achar um jeito de...sei lá, rebater essa ameaça

—-Júlia, eu estive trabalhando nisso, contratei detetives, fiz tudo que podia, mas não achei. Me desculpe

Ela dá um longo suspiro

—-Eu preciso conversar com esse Emiliano

—-Ele esteve aqui hoje—digo—Pediu para que você fosse ao seu escritório

—-Ótimo, vou lá assim que terminamos aqui

—-Júlia...

—-Se você não for comigo não tente me impedir

—-Estamos juntos nessa—dou um meio sorriso

—-Obrigada, irmão

Falamos sobre a sua contratação, ela assina uns papeis, eu explico sobre questões da empresa que falo a todos os funcionários, ela tira algumas dúvidas e conseguimos que ela tenha seu emprego na empresa Vero

—-Vamos almoçar antes de irmos—convido e ela aceita

Pego minha pasta e saímos, aviso a Vivian que ficarei fora por umas duas horas. Fazemos todo o caminho em silencio até o restaurante, sempre que posso como lá, eles têm uma ótima refeição. Escolhemos uma mesa e pegamos o menu

—-O que você mais gosta de comer? —Júlia me pergunta sem tirar os olhos do cardápio

—-Hãm?

—-Qual é, Alex. Todo mundo tem um prato favorito e eu não sei o seu

A garçonete chega e nos pergunta:

—-Posso anotar o pedido?

—-Vou querer o mesmo que ele—Júlia diz e tenho dois pares de olhos me encarando, faço o pedido

Enquanto a refeição não chega, conversamos algumas coisas. Realmente estava precisando de um momento como esse, a Júlia é uma ótima companhia, não deixa a conversa acabar e é uma boa ouvinte, não sabia disso. Esse é o momento em que noto que passo muito pouco tempo com a minha família sempre dou tanta prioridade ao trabalho...

—-Deveríamos sair mais vezes—ela diz por fim—Amei o almoço, você tem bom gosto

—-Achou que eu comia o que? Sopa de olhos?

Ela ri

—-Imaginei mais ou menos isso, é sempre fechado

Pago a conta, entramos no carro e dirijo até o escritório do Emiliano. Assim que estaciono descemos do carro, falo com a secretaria dele e ela libera a nossa entrada

—-Estou aqui—aperto a mão da minha irmã—Você não está sozinha

Ela aperta a minha mão de volta e entramos. Emiliano está sentado na sua cadeira segurando seu charuto. Pede que nos sentemos e assim fazemos

—-Você é mesmo muito bonita de perto—ele diz olhando para a Júlia

—-Dispenso os seus elogios, Sr Montaware—ela diz ríspida e fico orgulhoso—Vamos ao que interessa, como vai funcionar esse acordo?

Ele sorri

—-Tenho monitorado sua vida há algum tempo, esperei o momento certo para mandar o e-mail de cobrança para o seu irmão, sei que já está formada e isso é ótimo

—-Nojento—digo ele me olha depois volta seu olhar para a Júlia

—-Sei que você tem um namoradinho inglês—ele se reveza entre fumar e falar—Quero que termine com ele. Vou anunciar nosso noivado em cinco dias

—-Cinco dias? —Júlia se espanta

—-Já esperei demais, está decidido, você escolhe isso ou a sua querida família atrás das grades

—-Júlia, olha para mim—seguro suas mãos—Você não precisa...

—-Aceito—ela olha para Emiliano—Aceito o acordo

—-Muito bem—ele sorri vitorioso e posso sentir mais nojo ainda—Mandarei informações

Júlia levanta e faço o mesmo, sem dizermos uma só palavra saímos dali ela entra no carro e baixa a cabeça, eu entro do outro lado e a abraço

—-Ele vai destruir tudo—ela soluça—Meu emprego, minha família e o Isaac

Não sei nem o que dizer, apenas a abraço mais forte e a trago para que encoste em meu peito, continuo alisando seus cabelos. Ela vai chorando por um bom tempo e depois vai se acalmando e respirando mais devagar

—-Mais calma? —Pergunto e ela balança a cabeça em um sinal positivo

—-Desculpa—ela levanta a cabeça—Surtei

—-Não precisa se desculpar—enxugo suas lágrimas—Sou seu irmão, as vezes ou quase sempre sou distante, mais estou sempre aqui para te apoiar em tudo que precisar

Ela me sorri e uma lágrima cai

—-Vamos manter isso entre nós, está bem? —Ela pede

—-Júlia...

—-Por favor, Alex

—-Isso é loucura...—suspiro—Tudo bem, segredo nosso

Notas finais
o que acharam??