São Francisco

25 Capítulo 24


Notas iniciais
Bom meninas, eu tenho uma notícia ruim e uma boa. Vou contar primeiro a ruim e depois a boa. A ruim é que esse é o PENÚLTIMO capítulo da fic. Pois é a estória já vai acabar. Mas a boa notícia é que na sequência desse capítulo já vou postar logo o ÚLTIMO. Ele já tá pronto há tempos, não vejo necessidade de segurá-lo. Vamos ao capítulo. Nos falamos mais nas notas do próximo.

O sábado foi sem grandes acontecimentos e passou tão veloz quanto a velocidade da luz. Logo já era domingo e pela manhã fomos a missa. Já de volta a pousada, Sara e eu ficamos no quintal de papo sob a sombra de um guarda-sol enquanto víamos duas duplas de hóspedes jogando vôlei na quadra de areia que havia ali.

—Eu queria saber jogar isso, sabia? Acho legal, mas sou um desastre com as mãos pra isso.

Ri das palavras de Sara e lhe confessei logo em seguida, que eu também queria saber jogar vôlei, mas não consigo aprender.

—Ah, mas você sabe perfeitamente que esporte não é a sua mesmo, Gil.

—Eu sei que não é, OK? Não precisa jogar na minha cara, viu?

—Ah, ele ficou nervosinho.

—Já vai começar com a zoação?

—Você é um estraga-prazer.

—E você não perde uma oportunidade de ficar implicando comigo.

—Ah, você sabe que eu gosto de fazer isso.

E como eu sei! Aquele era o passatempo preferido dela como Sara disse certa vez na casa de Catherine à mãe da minha amiga.

—Eu tava pensando em que a gente podia sair depois do almoço e ir pro apê da minha amiga, o que acha da ideia?

—Excelente! Pois lá a gente pode ficar namorando a vontade e aproveitando a companhia um do outro sem ter ninguém por perto nos observando.

—Você tá se mostrando muito saidinho pro meu gosto.

—Não fui eu quem propôs de ir para o apê.

—Ah, então não vamos mais também.

—Claro que a gente vai. Ficou louca? Temos que ter a nossa despedida ora.

Se eu pudesse queria fugir com ela dali e passar as horas todas que me restavam em São Francisco, grudado em Sara. Mas como isso não era possível de suceder, então eu me contentaria com algumas horas a sós com ela no apê de sua amiga onde a gente poderia ter a nossa despedida íntima.

—Que despedida se você só vai amanhã?

—Uma despedida que a gente não vai poder ter hoje a noite como foi na sua última noite que passou na minha casa.

—Ah, esse tipo de despedida?

—É! Esse tipo mesmo. — Afirmei abraçando Sara e lhe roubando um beijo depois disso.

Escutamos ao fundo a voz de Laura nos chamando da varanda pra gente almoçar.

—Vamos. Depois do almoço a gente vai para o apê.

Fomos almoçar e depois que acabamos disso, inventamos aos pais de Sara que íamos dar uma volta na cidade, e depois na praia. Enquanto Laura consentiu na boa, Otávio como não podia deixar de ser diferente não gostou muito da ideia de sua filha e eu saindo sozinhos. Todavia, ele também consentiu com a ressalva de que a gente não chegasse a noite. Seis horas, mais tardar seis e meia da tarde, ele nos queria de volta.

Acatamos na boa e logo já saíamos para ir ao apê. Minutos mais tarde nós já entrávamos no apartamento da amiga de Sara.

—Quando a sua amiga volta?

—Terça. Quer água?

—Não!

—Nossa tá fazendo um calor horrível nessa tarde, não acha?

Assenti em concordância e me escorrando ao batente da porta que interligava a sala à cozinha enquanto observava Sara se servir de água da geladeira. Realmente aquela tarde estava fazendo um calor absurdo.

—Que foi? Por que está me olhando assim?

—Assim como?

—Ah, não sei explicar. Mas você tá me olhando estranho.

Sorri.

Na verdade, eu estava olhando pra ela e pensando que depois de amanhã não a teria mais do meu lado de novo. Mas dessa vez não esperaria seis meses pra revê-la. Minhas aulas começariam no final do mês que vem e eu só teria que esperar pouco mais de um mês pra estar de volta a São Francisco e revendo minha namorada novamente.

—Eu vou sentir sua falta. — Confessei.

Sara sorriu-me e após depositar o copo na pia, veio até mim deixando uma mísera distância entre nossos corpos.

—E eu a sua, nerd sem graça!

—Ainda bem que dessa vez não teremos que esperar tantos meses pra nos vermos de novo. Não sei se aguentaria caso tivesse que passar mais meses sem te ver pessoalmente como passei depois que você voltou pra cá.

—Sabe que nem eu acho que aguentaria? Sentiria falta de implicar com você e te zoar.

—Ah, só por isso que não ia aguentar, é? — Abracei minha namorada e lhe prensei contra o batente da porta, a qual eu me escorava segundos atrás.

—É! — Ela confirmou e sorriu. _Por qual outro motivo seria?

—Você só pode tá zoando com a minha cara, né?

Os lábios dela se espremeram um ao outro numa tentativa frustrada de conter o sorriso que ela segurar, mas que falhou. E diante disso, eu entendi perfeitamente que era pura zoação dela o que me disse anteriormente.

—Você gosta de curtir com a minha cara, não é?

—É o meu passatempo preferido!

Eu ia rebater suas palavras prontamente, mas não deu tempo porque Sara me beijou e eu me perdi no beijo dela no instante seguinte em que sua língua pediu passagem e invadiu a minha boca com ânsia de aprofundar nosso beijo.

Foram longos segundos de um beijo que eu podia jurar que havia durado minutos, tamanha tinha sido a intensidade e profundidade a qual ele me submeteu. Eu até perdi a noção de tempo e espaço!

Depois desse beijo vieram outros que acabaram ascendendo o desejo em mim e Sara de irmos muito além daqueles beijos que já havíamos trocado ali.

Fomos para o quarto e pelo caminho deixamos pra trás uma trilha com nossas roupas que íamos tirando enquanto íamos trocando beijos e nos dirigíamos para o quarto. Minha camisa, a blusa de Sara, meu tênis surrado e o dela, minha bermuda, o short dela, essas peças todas ficaram pelo corredor que levava para o quarto. Quando entramos no cômodo usávamos apenas nossas roupas íntimas, que também foram sacadas de nossos corpos antes de nos acomodarmos sobre o colchão macio da cama.

E naquela tarde calorosa, tão calorosa quanto meu corpo e do Sara estavam um pelo outro, nós fizemos amor pela última vez ali. Foi a nossa despedida, já que acredito que não teríamos outra chance de fazer amor de novo antes da minha partida amanhã.

Foi uma excelente despedida. Regada a sorrisos, a declarações de amor e tantas promessas trocadas através de nossos olhares. Não foi uma despedida melancólica como havia sido a primeira que tivemos lá na minha casa. Foi bem diferente.

—Sabe o que eu tava pensando, Sara?

—O quê?

Ela cessou os beijos que dava pela extensão do meu peito e me encarou. Ela estava linda com o cabelo bagunçado, rosto corado e levemente suado por conta de nossa recente atividade ali na cama, e um sorriso largo enfeitava seus lábios.

—Uma hora o seu pai vai ter que saber sobre a gente já ter tido relações. Eu sei que isso não é uma boa de fazer, mas não podemos ficar escondendo isso por muito tempo.

—Eu sei. Inclusive, minha mãe me contou ontem que ele perguntou pra ela outro dia se por acaso eu já tinha contado a ela sobre a gente já ter tido relações. Óbvio que ela não contou a verdade pra ele.

—Mas certamente, ele já deve estar desconfiado disso.

—É. Você já quer arriscar e contar pra ele sobre a gente já transar? Olha que eu ainda não recomendo a gente fazer isso mesmo o meu pai já começando a desconfiar disso.

—Não, agora não. Mas lá pra frente sim. Acredito que ele vai surtar quando souber e querer a minha cabeça a prêmio, mas será inevitável isso.

—Tá preparado pra uma reação nada agradável dele quando souber?

—Nenhum pouco!

A gente riu.

Horas mais tarde, a gente saia do apê pra ir a praia. Chegando lá nós caminhamos um pouco pela orla e fizemos o caminho inverso pela areia como foi na primeira vez que estive ali com Sara.

Então depois da nossa longa caminhada nos acomodamos na areia e ficamos observando a paisagem do fim de tarde e algumas pessoas que passavam por ali pela praia.

Haviam algumas famílias naquela tarde passeando por ali. E de repente passou uma que me fez sorrir e atrair a atenção de Sara.

—Que foi?

O casal com duas crianças e um cachorro avelã me fez querer exatamente aquilo pra mim com Sara daqui há alguns anos. Eu, ela, um casal de filhos e um cachorro.

—Como você se vê daqui há uns quinze anos, Sara?

Ela franziu a testa com a pergunta, pra logo em seguida me disparar:

—Quinze anos mais velha!

Um sorriso sarcástico enfeitou seu rosto após sua resposta.

—Engraçadinha! Como vê sua vida daqui há quinze anos?

— Hum... Eu me vejo trabalhando em um laboratório de Criminalística. Já te falei que quero ser perita, não já?

—Já!

Quando ela me falou isso pela primeira vez meses atrás, eu achei a princípio que fosse zoação dela. Mas depois, eu percebi que ela estava falando sério quando me contou sobre a carreira que queria seguir. Ela pretendia se formar em física e usar os conhecimentos adquiridos na sua formação pra trabalhar como perita criminal.

—Pois então, eu me vejo trabalhando como perita num grande laboratório e sendo muito bem sucedida no meu trabalho.

—Hum... E no lado pessoal, como se vê?

—Ah, não sei. Solteira. Ou talvez com alguém, sei lá.

Solteira???

Talvez com alguém??

Confesso que essas respostas dela me deixaram bem decepcionado. Não era isso que eu queria ouvir dela.

—Puxa! Pelo visto, eu não faço parte do seu futuro, não é?

Havia uma pitada de amargura na minha fala.

Durante minha estadia em São Francisco, por duas vezes eu deixei subentendido a Sara que me via com ela pelo resto da vida. Entretanto, ela com essa resposta me fez ver que ela não se via comigo da mesma forma que eu a via comigo. Isso foi decepcionante e doído pra mim.

—Não é isso, Gil. É...

—Não, tudo bem. Não precisa se explicar. — Cortei Sara e sua embolada explicação. _Quer saber como eu me vejo daqui há quinze anos?

—Como?

—Profissionalmente eu me vejo trabalhando como pesquisador. Catalogando e descobrindo novas espécies de insetos por aí.

—E pessoalmente?

Eu desviei o olhar dela pra fitar o mar diante de gente.

—Eu me vejo casado com uma mulher linda chamada Sara. A gente terá dois filhos.

—Eu nem sei se quero ter um filho, quem dirá dois. — Ela resmungou em tom divertido.

—E quem disse que é você a Sara em questão? — Olhei na mesma hora pra ela. _Existem muitas Sara's por aí, sabia?

O sorriso que ela me exibia sumiu no mesmo instante após essa minha fala. Eu tinha me ressentido com ela pelo fato dela me deixar de fora do seu futuro, e quis pagar na mesma moeda com ela.

—Eu sou a única que você conhece.

—Por enquanto. Mas eu posso muito bem conhecer outra amanhã ou depois e me apaixonar por ela. E com a minha futura esposa vou ter um casal de filho. O menino vai se chamar Anthony, em homenagem ao meu pai. A menina, eu vou deixar pra Sara escolher o nome dela.

—Chega dessa palhaçada, Grissom! — Olhei novamente pra ela e a encontrei bem irritada. Quem devia estar irritado era eu pela falta de sensibilidade dela comigo ao me responder que se via solteira, quando eu estou ao lado dela. _Eu sei que essa Sara aí sou eu. Você já me disse antes que não se vê com outra garota que não seja eu. E eu também não me vejo com outro cara que não seja você.

—Não foi bem isso que me pareceu. Você sequer me mencionou no seu futuro. Disse que se via solteira ou talvez com alguém que não deve ser eu.

—Desculpa. Se eu não te mencionei, foi porque não tive coragem. Você sabe como eu sou Grissom, me conhece. Ser romântica não é comigo.

—Mas isso não ter a ver com ser romântica ou não.

—Ok!... Olha, eu me vejo com você no futuro, OK?

—Vê mesmo ou só está dizendo isso pra me agradar?

—É claro que eu vejo Grissom. — Ela segurou na minha mão entrelaçando seus dedos aos meus. _E quanto ao nome de menina, eu gosto de Mel.

—Você não disse ainda pouco que não queria filhos, quanto mais dois?

—Falei de zoação.

Eu sorri.

—Ok!... Mas é Mel de Melissa ou Mel de Melanie??

—É Mel de... Mel, simplesmente!

—Só Mel??

—Isso! Acho esse nome curto, doce e lindo.

—Se é assim... Então vai ser Mel o nome da filha que tivermos. E a gente vai ter um cachorro chamado Hank.

—Esse nome não é o do cara que vivia implicando com você na escola?

Eu tinha contado pra ele sobre meu "inimigo" na escola.

—Sim!

—E você vai colocar o nome desse cara no nosso futuro cachorro?

—Vou. Hank me parece um perfeito nome de cachorro.

Vi Sara sorrir e balançar a cabeça.

—Tá bom. Hank vai ser o nome do nosso cachorro. E onde a gente vai morar, senhor vidente?

—Vegas! Numa casa bem bonita, grande, com jardim e piscina para as crianças.

—Fala sério que você acha que vai estar assim a nossa vida daqui há quinze anos?

—Eu acho!

—Ah, tá, senhor vidente.

—Você não acredita?

—Não.

—Por quê?

—Muita coisa pode acontecer pelo caminho e nada disso aí que você disse vir a acontecer.

—Pode ser. Mas eu quero acreditar que vai acontecer o que eu vejo pra gente. E que saber? Tive uma ideia.

—Que ideia, Grissom?

—Vamos registrar esse momento.

Eu puxei meu celular do bolso da bermuda e colando meu rosto no de Sara, tirei uma selfie da gente.

—Amanhã de manhã... — Comecei a falar após a foto ser tirada. _... A gente vai num desses quiosques que imprimem fotos de celular e vamos imprimir duas fotos dessa que acabamos de tirar agora. Uma foto fica comigo e outra com você. E no verso dessa foto, a gente escreve o seguinte: "Daqui a 15 anos quando olharmos essa foto, exatamente na mesma data de hoje, nós estaremos: casados, com dois filhos chamados Anthony e Mel, um cachorro de nome Hank e morando numa linda casa em Vegas."

—E se nada disso acontecer?

—Eu quero acreditar que vai acontecer! — Afirmei guardando o celular no bolso pra em seguida dar um demorado beijo na minha namorada.

Ela podia estar certa e nada daquilo acontecer mesmo, mas sonhar não custa nada. E além do mais, eu podia estar certo nas minhas "previsões" e ela errada em não acreditar em mim. Ou o contrário. Porém, só o tempo ia nos mostrar quem tava certo ali. Eu torcia muito pra mim estar certo naquilo tudo. Mas caso isso não acontecesse, a gente ainda podia correr atrás e tornar real aquela minha "visão" da gente.

Notas finais
Será que nosso quatro olhos vai acertar nas suas previsões? O que acham? Indo para o próximo e último capítulo pra descobrirem isso --------------->