Syreni
1 Prólogo.
O grito de minha mãe me fez despertar de meu sono. Meu pai estava intacto ao lado da cama, enquanto ela contorcia de dor. Minha irmã a segurava pela cabeça, tentando mobilizá-la. Sai do quarto tendo em vista o fato de que algo teria de ser feito imediatamente.
Lá estava eu me coçando pela milésima vez, em apenas um minuto. Florestas me davam um calafrio, principalmente de noite. O lago parecia estar distante, o que me deixava ainda mais inquieta. Ouvi um galho ser destroçado, e me esquivei, assustada.
— Volte aqui! – ouvi uma voz rouca me chamar. – Por que sua espécie é tão covarde assim?
— Derek Hale e sua simpatia. – não pude me conter em falar. Fui até sua direção e estendi minha mão, um gesto em vão já que ele pareceu nem notar a mesma. – Ótimo te rever.
— Não confio que você lembre-se de mim. Era apenas uma criança.
— Sim, você tem razão. Mas esqueceu de que sou uma...
— Ah, sim, prodígio.
Sorri orgulhosa. Derek virou os olhos e me puxou para um abraço. Ri enquanto me ajeitava em seu peito e logo voltei a minha posição normal.
— Como está Daisy?
Minha expressão alegre se acabou. Encarei meus pés e espremi os lábios antes de falar:
— Ela está morrendo, Derek.
Senti um rancor em seu olhar. Ele pegou na minha mão e olhou brevemente para onde estávamos.
— Aqui não é seguro, Luna. – fitou-me, preocupado. – Devemos ter essa conversa em outro lugar. Venha.
Estranhei o tom de sua voz, e então o acompanhei por de dentro da floresta. Parecia que ele estava fugindo ao invés de me guiando, o que me causou certo medo.
Queria conseguir ler a mente dele. Mas não era tão simples assim invadir o intimo de um lobisomem, principalmente quando este está sendo tão gentil comigo... Seria algo rude e doloroso, e depois de tantos problemas, não queria mais um.
Chegamos, finalmente, em uma casa abandonada. Ele teve de contorná-la para ter certeza que estávamos sozinhos. Não o conhecia direito, mas já podia afirmar que odiava o quão misterioso ele era.
A última vez que vi Derek pessoalmente tinha apenas quatro anos, e ele já era quase um adolescente, seu pai era amigo de meu pai. Algumas vezes eu conversava com o mesmo no telefone (como havia feito há três dias, tentando buscar ajuda), a fim de preservar a amizade entre minha família e a dele. Não sei por que, mas eu sentia que ele era confiável... E também, minha única esperança.
— Vamos. – ele voltou a segurar em minha mão, me arrastando para dentro da casa.
A casa? Velha, acabada e tinha um cheiro ruim de rato morto. Parecia habitual para lobos, entretanto.
— E então... O que está havendo com sua mãe? – ele voltava a perguntar, enquanto empurrava uma cadeira para perto de mim.
— Como eu havia lhe contado... Ela foi mordida por um lobisomem. – sentei-me.
— Você tem ideia de quem ele era?
— Bom, não... Quer dizer... – fiz uma pausa tentando lembrar-me de algo. – Houve alguns boatos que Finn Gale, um garoto da minha sala, era um...
— Metamorfo?
— Isso. – suspirei. – Não sei se era exatamente um lobisomem. E se for, por que teve de morder minha mãe?
— Quando estamos na forma de lobo, perdemos a noção de tudo. – pareceu melancólico ao dizer aquilo.
Derek andou de um lado por outro por alguns segundos, com as unhas sendo mordiscadas a cada passo. Apoiou-se na parede mórbida, e me observou curioso:
— Se esse tal de Finn foi quem mordeu sua mãe... A cura terá de ser feita com o sangue de um lobisomem jovem.
— Ah, que ótimo! – ri irônica, levantando-me da cadeira que parecia que iria quebrar a qualquer momento. – Onde acharei um lobisomem com minha idade?
— Não precisa ser exatamente da sua idade, apenas... Jovem. E se eu mandei você e sua família vir até Beacon Hills, é porque eu sei o que você deve fazer. – sua expressão mudou. Ele parecia menos pensativo e mais superior.
— E o que eu devo fazer? – cruzei os braços, o desafiando.
— Se aproximar de Stiles.
— Stiles? Quem seria esse?
— O melhor amigo do lobisomem, Scott.
— Mas por que de Stiles e não desse... Scott? Ele que é o lobisomem!
— Sim, porém ele está comprometido e acredite: nada vai fazer ele se separar da namorada. Nem ao menos você, que se me permite dizer... Está bem bonita.
Não pude deixar de sorrir.
— Está me cantando, Derek? – perguntei lasciva, já mudando de assunto.
Ele pareceu corar, e arregalou os olhos:
— Claro que não, estou apenas afirmando. Tenho idade para ser seu...
Franzi o cenho, esperando o que ele tinha para falar:
— Irmão mais velho.
Virei os olhos, rindo. Ele estava, com certeza, me cantando; mas se eu deveria me aproximar do tal do Stiles para salvar minha mãe, precisava me focar apenas nele.
— Mas é claro. – menti e aproximei-me. – Agora, por favor, diga-me tudo o que sabe a respeito de Stiles.
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