Syreni
2 Capítulo um.
Ajeitei o batom, passado em excesso nos meus lábios, pelo retrovisor do carro, enquanto Derek falava qualquer babaquice de lobisomem para mim.
— Você sabe mesmo o que fazer Luna? – indagava pela milésima vez.
— Sim, eu sei! – exclamei, voltando a me posicionar confortavelmente no banco. Olhei-o calma, para tentar amenizar sua ansiedade. – Não se preocupe tudo ocorrerá bem.
— Você sabe o quanto considero sua mãe, não sabe? Se você quer conquistar esse garoto para acudi-la, terá de ser rápida. Uma mordida de lobisomem pode ser a dor mais forte que alguém já sentiu.
— Obrigada pelas palavras reconfortantes. – disse sarcástica.
Eu sabia que minha mãe estava morrendo, e eu também sabia que teria de ser rápida para não perdê-la. Eu a amava mais do que tudo, e doía ter de ouvir isso como confirmação de seus pensamentos a cada segundo por um cara que teria de conviver durante um tempo.
Derek parecia estar brigado com Scott, e por isso não tinha como pedir para que ele doasse um pouco de sangue (e com certeza, não sou o tipo de gente que gosta de ser a razão para uma briga de metamorfos).
Minha mãe, bom, esta tinha poucas semanas de vida (isso se eu não arranjasse uma maneira de retirar, no mínimo, um litro de sangue daquele malformado lobisomem).
— Eu sei que você está sofrendo. – senti uma mão quente pousar no meu ombro. Ignorei a lágrima que havia caído e Derek, em um gesto quase que fraterno, passou seu polegar no lugar em que ela havia percorrido.
Fitei-o com um sorriso fraco; respirei profundamente e então, entortei-me para abraçá-lo.
— Deseje-me sorte. – pedi já me separando do abraço e abrindo a porta do carro.
— Boa sorte. – ouvi o som de uma risada amigável, enquanto já saia do automóvel. – Ei!
Olhei para trás e logo me aproximei da janela semiaberta.
— Não se esqueça, o Stiles é o magrelo de cabelo curto.
Ri, sem querer, e assenti, afastando-me novamente e o observando ir embora.
Meu pai vivia para dizer o quão antipático Derek era, – por mais que fosse amigo do pai dele – tanto que tentou me impedir de encontrá-lo quando viemos para cá. Contudo, eu nunca pensei e provavelmente nunca iria pensar isso dele. Digo, ele era um lobisomem, um dos mais perigosos da cidade, vivia sozinho (já que sua família morrera em um incêndio que não procurei me informar sobre) e nem por isso foi mão fechada na hora em que eu, uma garota que ele mal conhecia, o pediu ajuda.
Ou ele tinha certa afeição por mim, ou estava fingindo. E sinceramente? Preferia acreditar na primeira opção.
Girei meu corpo e tive uma visão ampla do Beacon Hills High School. Certamente não era do tipo anormal de escola, como eu esperaria (já que passei praticamente uma vida ouvindo o quão emblemático Beacon Hills era), tinha um ar medieval, e por incrível que pareça, os alunos não eram divididos em grupinhos de personalidades. Todos andavam juntos, independente se eram góticos, jogadores, patricinhas; aquilo me surpreendeu, mas não pude deixar de sentir um alivio. Não seria um problema tão grande se enturmar... Todavia, eu ainda deveria me focar somente em Stiles: o garoto de mais ou menos um e setenta e oito de altura, com pele branca, cabelo exageradamente curto, olhos castanhos claros e corpo magro, segundo Derek.
Ele seria meu, ele teria que ser meu.
Entrei na escola, finalmente, e senti alguns olhares sobre mim. Tentei ignorar, balançando levemente minha cabeça e indo, com passos rápidos, para a secretaria. Torcia para que toda aquela chatice acabasse logo; era quase insuportável ser uma novata, principalmente no meio do ano... Eu não gostava de atenção, e acreditava que o motivo era minha mãe, já que sempre procurou me alertar a parecer o mais discreta possível devido a minha espécie.
— Posso ajudar? – uma mulher de cabelos tingidos de vermelho perguntou.
— Sim, sou novata e preciso de um horário.
— Uma novata? – ela levantou uma de suas sobrancelhas. – Espere aqui.
A mulher se levantou e entrou na sala do diretor.
Pois bem, acho que não seria tão fácil parecer discreta naquela escola.
Batucava meus dedos no balcão, já impaciente. O sinal bateria a qualquer momento, e eu não queria me atrasar no primeiro dia de aula. Sim, eu poderia estar na cidade por motivos pessoais, porém, ainda era uma adolescente vivendo novas experiências... E, é claro, ainda precisava estudar.
Ouvi um rangido na porta, e parei imediatamente de me mover. Um senhor de cabelos grisalhos e terno completamente preto sorriu a me ver. Sorri de volta, meio estranha. Algo nele não havia me afagado, e eu realmente não queria saber o que era.
— Ah, sim, que bela jovem você é! – falou, vindo me cumprimentar.
— Obrigada. – agradeci, apertando sua mão.
— Qual seria seu nome?
— Luna. Luna Galadriel.
Seu olhar pareceu curioso. Tentei me controlar para não navegar por dentro de sua mente. Estava tentando aparentar o mais normal possível, e não acreditava que ficar parada com uma cara totalmente em transe iria fazer com que aquilo acontecesse.
— Vamos, então, Luna... Irei apresentá-la a classe.
— Mas ainda não bateu o sinal. – falei, enquanto ele enganchava seu braço no meu.
— Um... Dois... – e o sinal bateu. O diretor riu, e eu forcei uma risada. Ele, com certeza, não havia me agradado. – Victoria, — olhou para a secretária. — Dê o horário de Luna Gala... Gala...
— Galadriel.
— Sim! Luna Galadriel.
Esperei alguns minutos até a tal Victoria me entregar um papel recém-impresso com o meu horário.
Segui os passos para fora, com o homem ao meu lado, enquanto lia com atenção as aulas que teria. O diretor falava de coisas como “o quanto iria gostar de fazer parte da família Beacon Hills School”. Eu apenas assentia, pronunciando breves comentários como “oh, sim” ou “com certeza”.
A primeira aula seria Biologia. Que ótimo! Minha matéria favorita... E talvez a única que eu verdadeiramente entendia de algo.
— Ai! – não pensei duas vezes antes de bradar.
Algum estúpido havia me empurrado, e obviamente, fazendo com que meu material caísse. Tudo bem, eu deveria estar prestando atenção no caminho... mas, afinal, estava com o diretor! Quem em sã consciência trombaria em uma garota que estava junto a autoridade? Era como trombar em um dos Cardeais do Papa.
— Desculpa, desculpa! – uma voz rouca falava enquanto apanhava meus cadernos do chão. Pelo menos, o que tinha de burrice, tinha de educação.
— Tudo bem. – resolvi ajudá-lo. Desprendi meu braço do outro homem e agachei-me.
— Stiles Stilinski, de novo atrasado?
Meu coração gelou.
Então era ele. Mas é claro que era ele! O cabelo, o jeito, e de tanto que Derek havia falado dele, podia jurar que reconhecia o cheiro daquele garoto.
— Houve um problema com o carro, Gerard.
— Sr. Argent para você.
Argent. Senti como se já tivesse ouvido aquele nome.
— Agora faça o favor de entrar na sala, Stilinski. Vou apresentar essa senhorita para os alunos.
Minha primeira aula seria de Biologia, e logo com o Stiles. O dia começara bem.
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