Syren
10 Capítulo 9
Notas iniciais
POV SYLENA
A briga no escritório de Anthony ainda me deixava furiosa, mesmo após alguns dias, aquele idiota egoísta achava que eu iria sair da vida de Riley por que a querida esposa dele não sabia sobre nós? Me poupe. Essa situação estava ficando cada vez mais insustentável e tinha medo do quanto isso afetaria minha filha, ela não merecia pagar ainda mais pelas minhas escolhas. Já passei tempo demais longe dela, e não vou permitir que nos afastemos novamente.
Peguei um táxi e fui para a praia, as ondas sempre me ajudavam a relaxar. Mas dessa vez não funcionou. Quando sentei na areia, tentei pensar no que fazer, mas tudo parecia acabar em caos.
Precisava falar com alguém, mas nenhuma das minhas irmãs me ajudaria, eu saíra de lá e elas não ficaram muito felizes com essa decisão.
Depois de algum tempo, lembrei de alguém que poderia me ajudar a clarear os pensamentos. Além disso, eu bem que lhe devia uma visita.
Parei em frente à casa de Lily, sentido uma nostalgia enorme. Lembrei-me da época em que vivi em Santa Monica também.
Toquei a campainha. Quando ela abriu a porta, parecia ter visto um fantasma. Era de se esperar. Fazia mesmo muito tempo...
— Oi mana, não vai me dar um abraço? – sabia que não era a maneira ideal de começar uma conversa, ainda mais depois de ter me negado a voltar aqui por tantos anos. Lily provavelmente estava brava, mas torci para que pudesse me perdoar.
Lentamente, ela me puxou para um abraço. Apertou os braços ao meu redor, e ambas começamos a chorar.
— Senti sua falta, Ly. – falei.
Ao me soltar, vi que limpava suas lágrimas. Senti-me senti uma péssima irmã por ter ficado tanto tempo sem vê-la.
— Eu também, mana. – ela me puxou para dentro. – Vamos entrar, vou fazer um café para nós e você pode me dar algumas explicações. – disse com aquele olhar sério que eu não via há tanto.
— Claro, mas deveríamos substituir o café por vinho. – eu ri.
— Você nunca deixa nada simples, né? – ela riu também e caminhamos até a cozinha.
Enquanto ela enchia duas taças de vinho, sentei-me em uma cadeira e comecei a resumir o que acontecera na vida de nossas irmãs nos últimos tempos. Nada demais, para ser honesta. Apenas algumas filhas para desbravarem o mar conosco. Lily ouviu tudo atentamente. Em seguida, contou-me um pouco sobre sua vida. Seus olhos se encheram de lágrima quando me disse sobre a morte de seu marido, há alguns anos. Eu não sabia daquilo. Céus, como pude deixá-la sozinha em um momento como aquele? Mas logo se recuperou, e me deu uma notícia ainda mais surpreendente: eu não tinha apenas um sobrinho. Na verdade, ela engravidara novamente, mas nunca teve a chance de me mandar uma carta contando, devido a nossa distância.
— Eles devem chegar em casa logo. – Lily disse. – Então você finalmente os verá. Aliás, você descobrirá algo um pouco... Estranho. Sugiro que beba mais um pouco para se preparar.
Eu o fiz. Enchi mais uma taça de vinho. Suspirei. Precisava contar o motivo de estar aqui antes que os garotos chegassem. Falei da carta sobre minha filha, e a discussão com Anthony.
Ela me encarou por alguns instantes, como se estivesse tentando decifrar algo.
— Você ainda gosta dele.
— Claro que não. – neguei. – Só quero a minha filha.
— Isso não foi uma pergunta, e você sabe disso, Sy. – antes que pudesse retrucar, ouvimos o barulho da porta.
— Deve ser um dos meninos. – ela olhou para o relógio. – Está na hora deles chegarem.
Um garoto apareceu na entrada da cozinha.
— Mãe, o Ty mandou uma mensagem, ele passará a noite na casa... – ele se calou ao me ver.
Para a minha surpresa, o sobrinho da carta que recebi há anos de Lily, aquele que eu não via há anos era o namorado de Riley.
POV RILEY
Aquele jantar desastroso deixara toda a casa com um clima tenso. Assim que mamãe se levantou, tentei focar na comida, ignorando Ally e sua expressão chocada, não queria que ela me fizesse perguntas. Anthony se levantou rapidamente, provavelmente indo atrás de Hailey. Nenhuma de nós terminou o jantar.
No dia seguinte, papai e mamãe pareciam melhores um com o outro, então ele deve ter inventado alguma baboseira para ela. Preferi não tomar o café-da-manhã em casa. Não queria viver presa naquele monte de mentiras de Anthony, mas também não cabia a mim revelar toda a verdade. Pelo menos, não ainda.
Dirigi até uma lanchonete perto da escola e comi sozinha. Precisava de um tempo só para mim, para pensar no rumo maluco que minha vida tinha tomado desde que Anthony recebera aquela carta.
Decidi caminhar até a escola. Dizem que andar ajuda a refrescar a mente. Não funcionou muito. Decidi que não queria conversar com ninguém, então coloquei os fones e liguei a música alta. Quando Henry veio me cumprimentar, olhou para os fones e apenas lançou um sorriso, afastando-se. Ele conhecia esse sinal: afaste-se, preciso ficar sozinha.
Passei as primeiras aulas encarando o professor e desejando ir embora. Droga, onde foi que minha vida perdeu tanto o rumo? Era para tudo estar bem. Papai e mamãe tinham dinheiro, não costumavam brigar, minhas notas eram boas e meu namoro estava dando certo. Mas desde aquela carta e a aparição de Sylena, tudo está virando de cabeça para baixo. Se Anthony ao menos não tivesse mentido...
Quando o sinal bateu, indicando que era hora do almoço, fui procurar Ally. Eu não a vi desde ontem, e sabia que ainda havia algo errado com ela. Mesmo que eu estivesse com a cabeça cheia de problemas, ela ainda era minha irmã (ou meia irmã), e eu a amava.
Alycia não estava no lugar de sempre, na mesa dos populares, ao lado de Ryan e de suas amigas. Eles ainda estavam lá. O namorado de Ally tinha uma expressão vazia, enquanto todos os outros na mesa sorriam e conversavam animados.
Caminhei até o gramado da escola e encontrei minha irmã, perto de uma árvore, comendo sozinha. Ajoelhei ao seu lado.
— Ei. – chamei. – Tudo bem?
— Como acha que estou? – foi como respondeu.
— Deduzo que isso seja um não.
— O que está acontecendo, Ry? – ela perguntou. – Por que minha vida está essa confusão?
Encarei-a, em silêncio. Não parecia estar falando só da briga entre nossos pais.
— O que houve? Desde aquela festa... – toquei seu ombro.
— Eu não quero falar daquela festa! – ela gritou. Algumas pessoas ao redor nos encararam, mas logo voltaram para suas vidas. – Desculpe. – Ally controlou o tom de voz. – Eu só... Prefiro deixar isso para lá.
— Vai me contar um dia? – perguntei. – Quando estiver pronta?
Ela concordou com a cabeça.
— Certo. Estarei aqui para ouvir.
Alycia voltou a comer, sem me responder.
— Tenho mais uma pergunta. – falei. Ela continuou em silêncio, então eu prossegui: – O que aconteceu entre você e o Ryan?
Minha irmã suspirou.
— Brigamos. Espero conseguir me acertar com ele hoje.
— Boa sorte. – falei.
Sentei ao seu lado e terminamos nosso almoço juntas, em silêncio.
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