Notas iniciais
Oláaaaa, nesse cap nossa Ry vai começar a ler o diário. O que será que tem nele? Boa leitura!

POV RILEY

O diário era fino, com poucas páginas preenchidas e algumas fotos entre as folhas. Decidi lê-lo depois de alguns dias que Sylena me entregara ele. Escolhi um horário que não tivesse ninguém em casa, de modo que não me perturbassem. Sentei no balcão da cozinha, coloquei meus fones e uma música bem alta e relaxante e iniciei a leitura.

“#1

Lily tinha enlouquecido. É a única explicação para ela ter posto todo o clã em risco contando nosso segredo para um humano. Para eles sereias são mitos e devemos continuar assim.”

Interrompi a leitura. Sereias? Como assim? As sereias que vemos no filme? Tipo a da Disney? Céus, então minha suposta mãe acredita ser uma sereia? Será que ela é louca e tudo não passa de uma mentira?

Antes de tirar mais conclusões, continuei lendo:

“Só temos três regras importantes e ela conseguiu quebrá-las de uma vez:

1- Não revelar nosso segredo

2- Não se envolver com humanos além do necessário

3- Só se casar com um dos nossos

Eu até entendo ela ter se apaixonado, mas não compreendo como ela simplesmente nos deu as costas e foi embora. Será que o amor é tão poderoso assim? Espero descobrir um dia...”

Aquela história era realmente maluca. Assim que eu terminasse de ler aquilo, ligaria para o Henry. Precisava conversar sobre esse diário com alguém.

“#2

Fazia apenas alguns meses desde que Lily se fora e Lyana descobriu que estava grávida, foi a distração que precisávamos para que pudéssemos seguir em frente. Eu sentia muita falta dela, mas pelo menos sabia que estava bem e feliz, isso era a única coisa que me importava.

#3

Recebi uma carta hoje, contendo apenas a foto de um bebê e com a seguinte frase:

“Queria que pelo menos por foto conhecesse seu sobrinho. Sinto saudades. Com amor, Lily”

Isso me fez pensar que, de alguma forma, eu poderia encontrar a felicidade, ainda que longe daqui.

#4

Lyana teve uma menina linda, ela era tão pequena e fofa que meu desejo era segurá-la para sempre. Talvez eu devesse passar um tempo no continente, e quem sabe, ter meu próprio bebê.

#5

Eu não poderia estar mais feliz! De algum modo Lily descobriu que eu estava indo passar um tempo longe e me convidou para ficar com eles. Ela estava tão radiante com a nova família que me fez desejar aquilo também, e isso era perigosamente ruim.”

Soltei um suspiro e levantei a cabeça. Então... Minha mãe fazia parte de um clã de sereias, e eu tinha várias tias e primos que nunca conheci? Por que então eu nunca desenvolvi uma calda nem nada do tipo?

Peguei as fotos e olhei-as. Uma delas era Sylena, sorrindo com uma praia ao fundo; outra, mostravam várias garotas, incluindo minha possível mãe. Elas se abraçavam em um píer, com os cabelos esvoaçado ao vento; a terceira, era um bebê. Atrás da foto havia uma legenda indicando que aquele era o sobrinho de Sylena. Meu priminho; havia algumas outras, dela com suas amigas (deduzo que fossem as “sereias do clã”).

Voltei a olhar para o diário. A próxima anotação chamou minha atenção:

“#6

Lily havia me levado para vários lugares. Era muito bom passar um tempo com ela, como nos velhos tempos. Eu sabia o quanto era importante garantir a sobrevivência do clã, mas gerar um filho não é algo que se faz com qualquer um.

Já estávamos indo embora quando o avistei, estava debruçado no balcão o cara mais perfeito que já tinha visto na vida: alto, cabelos castanhos meio bagunçados e os olhos eram de um azul tão lindo quanto o mar do caribe. Estava decidida, era ele.”

Papai. Ela se referia ao papai. A descrição era totalmente ele.

O parágrafo seguinte confirmou minhas suspeitas:

“#7

Anthony é perfeito! Leva-me para jantares românticos, passeios ao luar e até vimos o pôr do sol juntos. Eu o amava tanto, sabia que com ele teria aquilo que fez Lily desistir de tudo, uma família.”

Peguei novamente a foto de Sylena. Ela era realmente parecida comigo (consequentemente, com Ally), e, estranhamente, com Hailey. Qualquer uma daquelas mulheres poderia ser minha mãe. Eu conseguia enxergar meus traços em ambas...

Meu pensamento foi interrompido quando alguém arrancou a foto das minhas mãos.

— O que é isso? – Hailey tinha uma expressão severa.

Tirei os fones de ouvido e não soube o que dizer.

— Eu... – tentei recuperar a foto, mas mamãe me impediu. Tentei inventar uma mentira o mais rápido possível: – Eu não sei. Achei-a por aí.

Ela estreitou os olhos e virou as costas, saindo pela porta da frente.

— Meu Deus. – foi tudo o que consegui falar.

O que ela faria com aquela foto?

Antes de entrar em pânico, corri para o meu quarto e liguei para a única pessoa capaz de me acalmar sempre: Henry. Assim que ele atendeu, fui direto ao ponto. Expliquei que Hailey pegara uma foto de Sylena, enquanto eu a via. Falei também do estranho papo de sereia.

O mais estranho foi que ele não se surpreendeu.

— Talvez isso exista mesmo, afinal. – foi o que disse.

Passamos quase duas horas conversando no telefone, até que eu me acalmasse e conseguisse encarar minha família para o jantar. Ele era o melhor namorado do mundo, sempre me ajudando quando preciso.

Desci as escadas e adentrei a cozinha. Todo mundo já estava lá, mas o único que pareceu notar minha chegada foi papai, que sorriu. Mamãe encarava o prato, com um olhar irritado. E Ally parecia no mundo da lua, como se sua mente estivesse presa nos próprios problemas.

Sentei-me e comecei a comer, em silêncio, evitando olhar para minha família. Imaginei que o clima ficaria daquele jeito o jantar todo, que não havia como tudo ficar mais tenso.

Eu estava errada.

Pouco antes do jantar acabar, mamãe bateu na mesa, assustando todo mundo. Jogou uma foto no centro da mesa, de modo que todos pudessem ver. Sylena.

— Que droga é essa, Anthony? – ela falou.

Papai ficou pálido. Encarou Ally, e então a mim.

— Querida, vamos conversar em particular... – ele tentou, mas Hailey deu outro tapa na mesa.

— O que você está escondendo? – gritou. – Quem é essa mulher? O que ela anda fazendo no seu escritório e por que nossa filha tinha uma foto dela? – mamãe apontou para mim.

Gelei. Todos os olhos se voltaram na minha direção. Papai arqueou as sobrancelhas, parecendo confuso e apavorado ao mesmo tempo. Ally cobriu a boca com as duas mãos.

— Eu achei a foto... – falei. – No corredor. Caída no chão.

Senti-me mal por mentir, mas não havia outra alternativa. Anthony mentiu e eu não iria sofrer as consequências por seus atos.

Hailey, então, encarou o marido.

— Explique-se. – seu tom era frio agora.

Ele permaneceu em silêncio, mas seus olhos andavam de um lado para o outro. Ally continuava em choque.

— É só uma cliente. – respondeu. – Não sei como Ry achou essa foto.

— Sério? – Hailey ironizou. – É essa a sua explicação?

— Querida, por que eu mentiria? – papai falou. – Amo nossa família. Não tenho motivos...

Hailey se levantou.

— Perdi a fome.

Saiu do cômodo, deixando papai com uma expressão ilegível e Ally estupefata. Voltei a encarar minha comida, tentando não pensar na confusão que acabara de acontecer. Minha família parecia ruir aos poucos.

Notas finais
Eita, DR na hora do jantar, hahaha. O que acharam do começo do diário? Ainda tem mais um pouquinho. Lembrando que opiniões são bem-vindas, então comentem, favoritem e recomendem. Isso nos anima bastante. Até a próxima. :)