Syren
3 Capítulo 2
Notas iniciais
POV RILEY
No dia seguinte, não consegui tirar a carta dos pensamentos, mesmo quando fui para a escola. Henry tentou chamar minha atenção a manhã inteira, mas estava com os pensamentos tão longe que não adiantou. Esperava, sinceramente, que não o tivesse magoado.
Cheguei em casa e a primeira coisa que ouvi foi minha mãe reclamando do meu novo estilo de cabelo: Mechas roxas. Pintei no final de semana passado e desde então ela vinha fazendo comentários maldosos todos os dias sobre isso, como se eu precisasse da aprovação dela.
— Ry, ainda não tirou essa coisa do cabelo?
— Mamãe... – respirei fundo e evitei revirar os olhos
— É uma cor tão fora de moda, querida. Além disso, não é algo apropriado para alguém do seu patamar. – Hailey comentou. Havia certo desprezo em sua voz.
Pensei em argumentar, mas decidi que seria melhor nem perder tempo, então só a ignorei e subi as escadas. Entrei no quarto e bati a porta com força. Era extremamente irritante ter pessoas reclamando de seu cabelo o tempo todo. Ally também me aborrecia com esse assunto. Ao menos, meu pai parecia gostar do novo estilo.
— Riley Blake! – ouvi a voz de Hailey vinda do andar de baixo. Os saltos dela fizeram barulhos conforme ela se aproximava.
Minha mãe abriu a porta do quarto e começou a reclamar sobre a minha “falta de respeito”, desde quando ter cabelo colorido era desrespeitoso? Revirei os olhos, o que a deixou ainda mais nervosa. Foi impossível evitar a discussão e, quando percebi, estávamos gritando uma com a outra. A discussão ficou tão alta que meu pai teve que entrar no quarto e interromper a briga.
— O que está acontecendo? – ele perguntou.
— Mamãe não sabe respeitar minhas escolhas! – gritei, estava tão irritada que por muito pouco não joguei algo nela.
— Veja o que ela fez no cabelo, Anthony! – Hailey argumentou. – Ela sabe que eu não apoio isso e mesmo assim...
— Mas... – ele tentou falar, mas ela o cortou.
— Por que não pode ser como sua irmã? – minha mãe perguntou, olhando-me fixamente.
E então o silêncio dominou o ambiente. A expressão dela mudou, conforme notava o que acabara de falar. Ela... me mandou ser igual a minha irmã.... Indiretamente, deixando claro que considerava Alycia melhor. Era algo cruel de se dizer, principalmente para uma filha.
Foi nesse momento que a ficha caiu: Eu era a filha de Sylena. Por isso Hailey sempre preferira Ally. E Anthony sempre me dera mais atenção, como se quisesse compensar o fato de que eu e a minha “mãe” não tínhamos uma conexão sanguínea, na verdade, nunca tivemos nenhuma conexão.
— Vai com a sua garotinha, se a prefere. – foi tudo o que consegui dizer, enquanto tentava não chorar. Não iria deixar ela saber o quanto seu comentário havia me magoado.
— Riley, eu... – ela tentou falar.
— Sai daqui. – cortei qualquer desculpa que ela pudesse inventar.
Meu pai tentou se aproximar, mas desviei e caminhei até a porta, abrindo-a e fazendo um gesto em direção ao corredor, expulsando-os.
— Saiam! Os dois! – gritei, querendo desesperadamente ficar sozinha.
Em outras ocasiões, eles até teriam tentado argumentar, mas notaram que o comentário me magoou. Então saíram, sem dizer mais nada.
Me sentei na cama, tentando não chorar. Minha vida era uma mentira. Mas isso mudaria... Peguei caneta, uma folha e comecei a escrever, respondendo a carta de Sylena. Iria me encontrar com ela e descobrir a verdade, custe o que custar.
POV ALYCIA
Depois das aulas, decidi falar com Henry sobre Riley e tentar descobrir o que estava acontecendo. Quando o sinal tocou, corri até o estacionamento e o encontrei conversando com seu irmão, Tyler.
— Olá, meninos. – me virei para Henry. – Será que podemos conversar? Prometo que te deixo em casa inteiro depois. – ri um pouco, lembrando de como ele ficava assustado com minha pequena paixão por velocidade.
Ele me encarou, arqueando as sobrancelhas.
— Claro. – respondeu, com incerteza na voz. Entregou as chaves do carro para seu irmão e no despedimos de Tyler.
Dirigi por alguns minutos em silêncio ao lado do meu (secretamente) cunhado até um ponto tranquilo da praia. Saímos do carro, tirei meus saltos e começamos a caminhar pela areia, até a beira da água. A calma do mar sempre me ajudava a pensar.
—Você e a Ry terminaram? – perguntei, pegando Henry de surpresa.
— Não. Mas, para ser sincero, mal nos falamos nos últimos dois dias. – passou a mão nos cabelos em um gesto de frustração. – Achei que tivessem com problemas em casa e ela precisasse de espaço.
Comecei a chutar a água, estava preocupada com o comportamento estranho de Riley. Se não era Henry, o que era?
— Não estamos com problemas. Bem, mamãe e ela anda brigando por causa das mechas coloridas, mas nada tão grave. – dei de ombros. – E por que você está usando tênis na praia? – reparei que ele não tinha tirado os sapatos, como eu fiz. – Vocês precisam parar de serem estranhos. – ri e bati no ombro dele.
— Não gosto de praia, você sabe. – sorriu sem jeito. – Coisa de gente estranha.
— Claro, claro – continuei dando chutes na água.
De repente, senti as pernas fraquejarem e quase perdi o equilibro. Por sorte, Henry me segurou antes que caísse.
— Tá tudo bem, Ally? – perguntou, preocupado.
— Sim, acho que a rotina diária da ginástica finalmente conseguiu me esgotar... – dei um sorriso forçado, ainda sentindo minhas pernas tremendo levemente. Precisava descansar. – Hora de ir pra casa?
— Hora de ir pra casa – Henry concordou, me ajudando a caminhar até o carro.
Deixei Henry dirigir até a casa dos Jones, deixando-o vivo depois da conversa, como tinha prometido.
— Você consegue ir sozinha? – ele questionou, antes de descer do carro.
Concordei com a cabeça.
— Estou bem. – garanti. – Prometo que falarei com você assim que descobrir o que há de errado com a Ry.
Nos despedimos e dirigi até em casa. Não senti mais tontura, mas decidi que não iria treinar amanhã. Talvez fizesse compras, isso sempre ajudava.
Assim que entrei na sala de estar, ouvi Riley gritando do segundo andar. O que estava acontecendo? Corri pela escada e encontrei meus pais do lado de fora do quarto de Ry. Minha mãe passou rapidamente por mim, parecendo a ponto de chorar.
— O que houve? A Ry tá bem? – perguntei ao pai, enquanto observava minha mãe descer as escadas, com as mãos no rosto.
— Sim, sua irmã só precisa de um tempo sozinha. Vá tomar um banho, em breve o jantar será servido. – deu um beijo em minha testa e desceu a escada também.
Olhei para a porta fechada e pensei em bater, mas depois de ver meus pais tão perturbados, acho que Ry não estaria com humor para conversar. Iria esperar até depois do jantar, então ela ia contar o motivo de estar agindo mais estranho que o normal.
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