Syren
13 Capítulo 12
Notas iniciais
POV Hailey
Saí cedo para o ateliê, não podia negligenciar mais meu trabalho. Consegui resolver tudo até a hora do almoço, havia finalmente terminado um vestido para uma cliente especial. Conversamos por email, ela me disse que amava meus trabalhos e mandou a foto de um vestido que fiz no início da minha carreira, dizendo que usou ele no dia mais especial de sua vida e que o novo precisava superá-lo. Era definitivamente um dos meus melhores modelos, esperava que ela gostasse. Deixei-o com Alexy para que fosse entregue o mais breve possível.
Com tudo pronto, me despedi de minha equipe e prometi que estaria mais presente nos próximos dias. Mandei mensagem para Ally e Ry para ver se poderíamos almoçar e fui totalmente ignorada. Liguei para Anthony, ele alegou que estava trabalhando em um caso difícil e não poderia sair do escritório. Já estava ficando cansada disso, desisti do almoço e dirigi direto para casa.
As meninas não estavam em casa quando cheguei. Era um cenário completamente diferente de alguns meses atrás, onde eu chegaria com Anthony e almoçaríamos todos juntos. Nossos escritórios eram perto de casa justamente para que pudéssemos passar mais tempo em família, mas infelizmente, parecia que isso não aconteceria mais. Como as coisas chegaram nesse ponto?
Fiz um lanche rápido e subi para trocar de roupa. Passando pelo corredor, vi que o quarto de Riley estava uma completa bagunça. Meu TOC falou mais alto e entrei, começando a dobrar todas as roupas e colocando as coisas no lugar. Enquanto arrumava sua cama, percebi que havia um diário debaixo do travesseiro. Eu nunca iria mexer nas coisas pessoais dela, mas quando caiu um papel de dentro dela, a curiosidade levou a melhor.
"Anthony,
Sei que se passaram anos desde que deixei nossa filha com você, mas tive meus motivos para fazer o que fiz e você sabe disso. Achei que era o certo e acabei perdendo a coisa mais preciosa da minha vida. Eu realmente gostaria de conhecê-la, saber como ela é, qual nome deu a ela? Se parece comigo ou com você? Tem muitos amigos? Namorado? E principalmente, ela é feliz?
Penso que não tenha falando de mim para ela, e se falou, imagino que não tenha sido nada de bom. Mas sabe que ela merece criar uma opinião própria sobre mim, você deve isso a ela.
Me avise quando puder ir encontrá-la, eu realmente quero corrigir as coisas.
Até breve, Sylena"
Filha? Como assim “nossa filha”? Quando Anthony me disse que sua meia irmã havia morrido e deixado a filha sem mais ninguém eu não desconfiei nem por um minuto de sua história. Quando ele sugeriu que a criássemos como nossa eu aceitei na hora, tinha acabado de dar à luz e me senti tão feliz, não teria só uma, mas duas meninas. E toda aquela história sobre Sylena ser só uma ex com problemas? Como eu pude ser tão burra? Eu não podia acreditar.
Peguei a carta e saí do quarto, precisava tirar essa história a limpo. Dessa vez, Anthony não teria perdão.
POV RILEY
As últimas semanas realmente foram uma loucura, e viraram minha vida do avesso. Eu poderia ser uma sereia, minha mãe biológica aparentemente era Sylena e não a Hailey, e para ficar com o amor da minha vida, eu precisaria me mudar para uma ilha com o resto do clã.
Eu sabia que meu namorado também estava passando por momentos complicados. Henry me disse que tentaria convencer a mãe a ficar, não queria sair dali, toda a sua vida estava em Santa Monica. E também não se sentiria bem se eu me mudasse só para ficar com ele.
Hoje, depois da aula, fui até sua casa. Taylor e Sylena não estavam, mas eu recebi uma mensagem no celular, informando que elas formam buscar uma surpresa para me dar mais tarde. Fiquei curiosa. Quem diria que minha sogra finalmente estava me tratando bem.
Sentei-me ao lado de Henry na sala de estar e passamos algumas horas conversando. Ele disse que o clã não gostava muito de lidar com pessoas de fora, mas ele me garantiu que se eu fosse uma sereia, aceitariam minha presença lá e aprenderiam a gostar de mim. Eu faria parte do clã, afinal. Também me contou que a ilha Jost Van Dyke tem aproximadamente 8 km², e é composta majoritariamente por sereias e tritões (sim, meu namorado era um tritão). A maioria deles tinham casas perto da praia.
— Como funciona a transformação? – perguntei, no meio da tarde. – Já vi filmes sobre isso, mas como... Como isso acontece de verdade?
— Você quer ver? – ele sorriu, levantando-se.
Concordei com a cabeça. Fomos juntos até a beira da piscina. Ele tirou as calças e a camiseta, ficando apenas de roupa íntima.
Antes que eu pensasse em ficar corado, Henry pulou na piscina. Segundos depois, a água se agitou e as pernas dele pareceram se colar uma na outra, sendo cobertas por escamas... Ele... Ele tinha uma cauda agora.
— Uau. – foi tudo o que consegui dizer.
— Legal, né? – ele balançou sua cauda de tritão, fazendo água espirrar em mim.
Só então uma dúvida me ocorreu.
— Você não se transforma todas as vezes que encosta na água. – observei. – Pode controlar isso?
— Com o tempo, aprendemos. – ele respondeu, as escamas da cauda desaparecendo. Suas pernas voltaram ao normal.
Henry saiu da piscina, novamente de camiseta e roupa íntima.
— Também aprende a não perder pequenas peças de roupa, se é que me entende. – informou, enrolando uma toalha na cintura e tirando a camisa encharcada. – É mais difícil com calças, que geralmente se rasgam.
Olhei para meu vestido.
— Ele ficaria intacto. – ele pareceu ler meus pensamentos. – Só se concentre na calda, e em não destruir a peça menor embaixo do vestido.
— Cale a boca. – gargalhei.
Andei até a beira da piscina e encarei a água. Hora de descobrir.
Pulei, esperando que algo acontecesse. Concentrei-me em não rasgar minhas roupas, ao mesmo tempo que projetei as escamas surgindo e minha cauda surgindo. Mas nada aconteceu.
— Por que não me transformei? – questionei. – Será que não sou...
— Calma. – Henry me deu a mão, ajudando-me a sair da água. – Leva algum tempo para aprender.
Concordei com a cabeça. Talvez mais algumas tentativas e eu teria minha cauda. Evitei pensar na possibilidade de não ser filha da Sylena, logo, não ser sereia. Isso poderia destruir meu relacionamento.
Torci a barra do vestido, agora totalmente molhado. Ele me entregou uma toalha e comecei a secar o cabelo.
— Por que você está sem roupa, filho? – uma voz gritou de dentro da casa, assustando nós dois.
Não notei que Taylor e Sylena estavam de volta. As duas nos encaravam desconfiadas pela porta de vidro que dava para a piscina. Droga.
— Estava só mostrando como funciona a transformação. – ele respondeu, lançando-me um sorriso. – Vou me trocar e já volto. – saiu, ignorando o olhar da mãe e de Sylena.
Tentei não corar quando as duas se aproximaram.
— Certo. – Sylena deu de ombros, ainda me olhando desconfiada. – Acho que a surpresa chegou em boa hora.
Arqueei as sobrancelhas. Taylor me entregou uma embalagem de presente vagamente familiar. Não me atentei a isso. Minha família fazia muitas compras, provavelmente era só uma das lojas pela qual já passamos.
— Sua mãe comprou. – explicou.
Quando abri, vi um vestido roxo, um pouco mais escuro que as mechas no meu cabelo. O modelo era vagamente familiar, também. Ignorei esse pensamento e sorri para as duas.
— É lindo. E combina com meu cabelo.
— Prove. – Sylena pediu. – Pedi essa cor pensando justamente nisso.
— Tome um banho no banheiro do andar de baixo e vista-o. – Taylor instruiu. – Esperaremos na sala de estar.
Concordei com a cabeça e fiz o que me foi pedido.
Quando voltei para a sala, Henry também estava sentado no sofá. Quando me viu, pareceu encantado. Trocamos um sorriso.
— Está linda. – Sylena se aproximou, abraçando-me.
Contou-me que decidiu comprar o vestido de uma estilista famosa da área. A mesma que fez um vestido que ela usava quando descobriu estar grávida de mim. Deduzi que Hailey não ficaria feliz ao saber que recebi uma peça de uma de suas concorrentes.
— Agora que sabe que é minha filha, achei que seria um bom presente. – finalizou.
— Eu amei. – fui sincera. O caimento era perfeito, o modelo realçava meu tipo de corpo e a cor era maravilhosa.
— Está realmente muito bonito. – até mesmo Taylor me elogiou. Eu ainda estava me acostumando com o fato de que ela era amiga da minha possível verdadeira mãe. E que não me odiava.
Meu celular tocou, atrapalhando o momento. Era Hailey. Quando atendi, nem tive tempo de falar nada.
— Venha para casa imediatamente. – ela mandou. Sua voz parecia urgente. – Assuntos familiares.
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