Syren
5 Capítulo 4
Notas iniciais
POV RILEY
Era sábado, dia da festa na piscina que toda a escola iria. Eu deveria estar animada para isso também, mas estava mais ansiosa para o encontro que teria com Sylena. Combinei com Henry que ele me buscaria em casa, iríamos falar com a mulher, e então curtiríamos o fim da festa.
Ele estacionou em frente à nossa casa pouco depois do almoço. Eu preferi fazer a refeição sozinha no meu quarto. Ainda estava ignorando Hailey. Não conseguia esquecer o que ela disse: “por que não pode ser como sua irmã?”. Foram as palavras mais cruéis que já ouvi por parte dela. Era como se eu não fosse boa o bastante. É claro. Não era sua filha de verdade.
Papai tentou conversas enquanto eu saía de casa, mas eu apenas forcei um sorriso.
— Está tudo bem. – menti. Se eu deixasse meus sentimentos falarem mais alto, acabaria gritando e perguntando o motivo de ter escondido sobre a existência de Sylena durante todos esses anos. Preferi evitar conflitos e saí de casa antes que perguntassem mais alguma coisa.
Henry abriu um sorriso quando entrei no carro. Beijou-me e me encarou, antes de questionar:
— Tem certeza de que é o que quer fazer?
Concordei com a cabeça.
— Por pior que a verdade possa ser, é a melhor escolha. – respondi.
Permaneci em silêncio enquanto ele dirigia. Henry também não tentou nenhuma vez puxar assunto. Fiquei agradecida por ele compreender que eu precisava de um tempo com meus próprios pensamentos. Não é fácil descobrir que sua mãe, na verdade, pode não ser sua verdadeira mãe, que seu pai é um traidor e mentiroso, que sua identidade pode estar em risco por isso...
Chegamos no lugar marcado em pouco tempo. Marcamos embaixo do píer. Era possível ouvir o barulho dos turistas animados com o pequeno parque de diversões lá em cima. Olhei para a praia. Havia tanta gente ali que não tive certeza que saberia dizer quem seria Sylena. Só então percebi o erro que cometi. Como nos reconheceríamos no meio dessa multidão de californianos e turistas?
Tentei não pensar nisso e iniciei uma conversa com Henry sobre a festa. O anfitrião era um dos garotos mais populares da escola, então todo mundo estaria lá. Eu, particularmente, não era muito ligada nessas coisas de popularidade, embora tivesse meu status na escola, e só compareceria àquela festa porque meu namorado queria muito ir. Não gostava de piscinas nem de gente bêbada.
Olhei para o relógio do meu celular. Já se passara uma hora. Nenhum sinal da mulher.
— Talvez ela não venha. – comentei, sentindo meu coração acelerar. Se ela não aparecesse, como eu descobriria a verdade?
— Calma. – Henry falou. – Vamos esperar mais um pouco. Ela deve estar a caminho.
Passei a próxima meia hora olhando para o relógio de dois em dois minutos. E a preocupação com a possibilidade de Sylena não aparecer se tornava cada vez mais forte. O aperto no coração se intensificou.
Então, finalmente eu a vi. Caminhava em nossa direção com uma expressão indecifrável. Não tive dúvidas de que era a minha mãe. Nossa aparência era extremamente parecida. Os mesmos cabelos castanhos, os mesmos olhos verdes... Até mesmo o sorriso. Notei, também, a semelhança entre Sylena e Hailey. Papai havia escolhido uma amante quase idêntica a esposa. Eu estava começando a ter raiva dele. Como pôde?
Henry segurou minha mão, conforme ela se aproximava. Era bom que ele estivesse ali para me dar apoio, eu precisava disso.
Quando ela chegou perto o bastante, sorriu.
— Sou Sylena. – falou.
— Sou Riley. – sorri de volta. – E esse é o meu namorado, Henry.
— Temos bastante o que conversar. – Sylena disse.
POV SYLENA
Estava muito atrasada para encontrar Riley, entre atrasos no voo e trânsito, pensei que não chegaria.
Enquanto caminhava até o píer, me lembrava de como havia deixado que a situação chegasse nesse extremo. Decidi que não tocaria nos reais motivos que me levaram a deixá-la, não hoje.
Comecei a procurar minha filha entre as pessoas, então eu a vi.
Não havia como confundir, era como se estivesse vendo uma versão feminina de Anthony. Ela estava de mãos dadas com um rapaz bonito, provavelmente o namorado que ela havia mencionado, Henry.
Me aproximei deles, ela parecia tão nervosa quanto eu, então dei um sorriso e me apresentei.
— Sou Sylena. – falei.
— Sou Riley. – ela sorriu de volta. – E esse é o meu namorado, Henry.
— Temos bastante o que conversar. – eu disse.
— Sim, tem um restaurante aqui perto, podemos conversar lá. – ela sugeriu.
— Seria ótimo. – sorri. – E me desculpem pelo atraso, tinha esquecido de como as coisas são loucas por aqui.
— Não se preocupe, o importante é que está aqui. – ela disse.
Conversamos trivialidades até chegar ao restaurante, o nervosismo era palpável. Sentamos e pedimos refrigerantes, queria ter pedido algo mais forte, mas não achei que causaria uma boa impressão.
— Então, você deve ter algumas perguntas para mim.
— Sim. – ela mordeu o lábio, como se estivesse tentando pensar se deveria dizer aquilo.
— Pode perguntar o que quiser, serei totalmente honesta com você. – coloquei minha mão em cima da dela e dei um sorriso encorajador.
Ela respirou fundo antes de me encarar.
— Quantos anos a senhora tem?
— Não o suficiente para ser chamada de senhora. – eu ri. – Tenho 40.
— Realmente, você não parece velha. – ela riu também.
— Nasceu onde?
— Jost Van Dyke, é uma ilha caribenha. – dei de ombros, tomando um gole de coca.
— Sério? – ela parecia realmente surpresa. – Sempre quis conhecer o Caribe, mas meu pai nunca... – ela interrompeu a frase no meio, sacudindo a cabeça.
— Você poderá me visitar sempre que quiser, adoraria te mostrar como lá é lindo. – sorri para ela, odiando pensar em como Anthony havia privado nossa filha de uma viagem que ela queria tanto só pela possibilidade de me encontrar por lá.
— Poderia ir durante as férias, pegar um bronzeado. – Henry brincou.
Riley revirou os olhos, mas sorriu mesmo assim. Eles ficavam bem juntos.
— Há quanto tempo vocês namoram? – me lembrei que ela mencionou que o relacionamento deles era escondido, ele parecia um bom rapaz, não entendi o motivo.
— Quase seis meses, mas não é como se pudéssemos realmente “namorar”. – ela deu de ombros. – Em geral, nossas saídas são encobertas pelos nossos irmãos.
— Precisamos dar um bom presente de natal para eles. – Henry riu. – Também tem irmãos? – ele me perguntou.
— Tenho várias irmãs, mas nenhuma de sangue. – respondi, pensando em como fazia tempo que não via várias delas.
— E seus pais? – perguntou Riley.
— Não conheci meu pai, e minha mãe morreu antes de você nascer. – não iria contar a ela que sua avó havia se matado quando eu tinha 12 anos, não faria diferença.
— Sinto muito. – ela disse. – Deve ter sido difícil crescer sozinha...
— Tive pessoas que me ajudaram muito, mas não foi a mesma coisa. – respondi.
— Foi por isso que você me deixou com o meu pai? Por que não tinha condições de ficar comigo?
Ela estava com uma expressão tão triste, queria mentir e dizer que tinha sido por isso, mas ela merecia honestidade, pelo menos da minha parte.
— Não, não foi por isso. – respirei fundo e peguei meu antigo diário no fundo da bolsa. – Comecei a escrever esse diário antes de conhecer o seu pai e terminei ele um pouco depois que você nasceu. – respirei fundo mais uma vez, tentando não chorar. – Quero que fique com ele, leia, tire suas conclusões e talvez no fim você entenda os meus motivos e me perdoe. Eu sei que nada vai mudar o que eu fiz, mas saiba que eu sempre pensei que isso seria o melhor. – entreguei o diário a ela.
Ela ficou muda, olhando aquela capa de couro gasta. Eu esperava sinceramente que ela entendesse, não queria perder minha filha sem ao menos conhecê-la.
— Eu irei, muito obrigada, Sylena. – ela parecia emocionada também.
O celular de Henry tocou e pudemos nos recompor.
— Era Tyler, precisamos ir. – ele disse olhando entre nós duas.
Riley me olhou tão triste, como se não fosse me ver nunca mais.
— Vá, querida. Combinaremos de nos encontrar outro dia. – sorri.
— Quanto tempo vai ficar aqui? – ela ainda não parecia convencida.
— O tempo que você quiser, agora vão encontrar seu amigo. – nos levantamos e lhe dei um abraço. – Qualquer coisa é só me ligar, não importa a hora.
— Olha que eu ligo mesmo. – ela riu um pouco. – Obrigada por ter vindo.
— Eu que deveria agradecer por ter respondido minha carta. – dei um beijo em sua testa e me virei para abraçar Henry.
— Cuide da minha menina. – sussurrei em seu ouvido.
— Sempre. – pude sentir o amor na voz dele e prometi a mim mesma que ajudaria esses dois a ficarem juntos.
Henry pegou Riley pela mão e a guiou para fora do restaurante. Foi difícil vê-la indo embora, mas sabia que nos veríamos em breve.
Paguei a conta e peguei um taxi rumo ao hotel, sabia que poderia colocar tudo a perder dando o diário a Ry, mas preferia arriscar. Não deixaria que o medo me tirasse de perto da minha filha outra vez.
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