Syren
14 Capítulo 13
Notas iniciais
POV ALYCIA
Ryan havia mandado mensagem dizendo que queria conversar comigo depois da aula. Passei a manhã inteira pensando no que ele iria me dizer, não estava preparada para ouvir um “não podemos mais ficar juntos” dele, não queria ouvir isso.
Esperei Ryan na saída quando o vi chegando com Kaya. Precisava conversar com ela também, estava sendo uma péssima amiga. Eles se despediram e ela acenou para mim, indo em direção ao seu carro. Nós decidimos que seria melhor ter essa conversa num lugar privado e fomos para sua casa.
Seus pais estavam viajando e Kaya iria passar o dia no shopping, então ninguém iria nos interromper.
— Eu andei pensando sobre... Bem, sobre essa situação. – Ryan falou, surpreendendo-me. – Acho que fui um babaca. A culpa não era sua e mesmo assim fui grosso com você...
Encarei-o, sem saber o que dizer.
— Desculpe. Você não merecia isso.
— Está tudo bem. – falei, encolhendo os ombros. – Eu também reagi assim quando descobri.
— Queria que tudo voltasse a ficar bem. – tinha um sorriso hesitante que o deixava extremamente fofo. – Estarei ao seu lado dessa vez.
Sorri.
— Como se eu conseguisse ficar brava com você.
Puxei-o para um abraço.
— Amo você. – falei.
— Também te amo. – então ele me beijou, me fazendo ter esperanças de que tudo ia dar certo.
Passamos o resto da tarde namorando e conversando sobre os últimos (e estranhos acontecimentos). Era bom tê-lo de volta. Tinha sido uma volta meio repentina, mas não reclamei. Meu telefone começou a tocar insistentemente e nos interrompeu. Era minha mãe.
— Venha para casa agora. – ela parecia extremamente nervosa. – Temos assuntos familiares para resolver e preciso de você aqui e agora.
A ligação me assustou. Respondi, meio sem reação:
— Ok, já estou indo.
— Não demore. – pediu. E desligou.
O que será que aconteceu?
POV ANTHONY
Estava trabalhando em um caso grande e complicado, meu cliente cometeu várias fraudes em contratos e não havia nenhuma maneira de ganharmos.
Meu celular começou a tocar, era Hailey novamente. Estava me sentindo mal por não ter almoçado com ela, mas precisava tentar fazer uma defesa no mínimo aceitável.
— Oi, amor. – atendi.
— Preciso que venha para casa agora. – ela parecia brava.
— Não posso, ainda não consegui terminar a defesa do caso. – expliquei.
— Não me interessa o que você está fazendo. Venha agora para casa. Precisamos conversar.
— É algo com as meninas? – comecei a me preocupar. Um milhão de coisas passaram pela minha cabeça, e nenhuma delas era boa.
— Sim, venha logo. – e desligou.
Mandei Lucy cancelar todos os meus compromissos e corri para casa, nada era mais importante que minhas filhas.
Entrei em casa e encontrei Hailey sentada no sofá, com os braços cruzado e uma expressão assassina no rosto.
— O que houve? – olhei ao redor e não havia sinal das meninas.
— Isso aqui foi o que houve. – me entregou uma folha de papel que reconheci imediatamente. Era a carta de Sylena.
— Não venha com desculpas. – ela falou. – Quero a verdade dessa vez.
— Onde você conseguiu isso? – poucas vezes senti que estava sem saída, essa foi uma delas.
Hailey se levantou e se aproximou.
— Isso é o de menos. – ela parou tão perto que conseguia sentir sua respiração. – Que história? O que ela quis dizer com "nossa"? Achei que Ally fosse da sua falecida irmã!
Respirei fundo, não adiantava mentir sobre isso, não agora.
— Você não teria aceitado de outra forma. Eu não podia deixar ela sozinha e Sylena não queria ficar com ela. Eu não tive outra opção. – respondi.
Ela se afastou, com os olhos arregalados. Parecia ter sido apunhalada.
— Então você admite? Você realmente me traiu? – ela começou a gritar. Nossos vizinhos não ouviriam, graças ao grande quintal e piscina que rodeavam a casa. – Como pôde? Depois de tudo o que eu fiz por você? Depois de todas as mudanças na minha vida só para ficarmos juntos?
— E todas as mudanças que eu fiz na minha vida? – não acreditava que ela estava realmente falando isso. – Você acha que eu queria ter me casado por pura pressão dos nossos pais? Que eu queria ter desistido de estudar em Londres porquê você não queria se mudar? Não, Hailey. Ficar com ela foi a decisão mais espontânea que fiz naquela época, foi antes de você descobrir que estava grávida. – dei de ombros. – Terminei tudo, mas ela simplesmente deixou a Ally na nossa porta, como se fosse um cachorro e me disse que não podia ficar com ela. Jenny que me perdoe, mas foi a única coisa que eu pensei. Você não mandaria minha sobrinha embora, mas já a filha da minha amante...
Os olhos dela se encheram de lágrimas. Por um momento, pensei em me desculpar pelo que acabei de falar, mas não tive tempo.
— Você é ridículo, Anthony. – ela disse. – Foi baixo a ponto de usar a morte de Jenny para que eu não descobrisse da sua amante. Se estava tão infeliz comigo, por que não foi com a Sylena?
— As coisas começaram a se ajeitar, você engravidou da Riley. Eu resolvi tentar fazer esse casamento funcionar, mas aparentemente esse erro ia me perseguir para sempre. – odiava fazê-la chorar, mas ela merecia a verdade. – Eu sei que não muda nada, mas eu realmente sinto muito. Eu não queria magoar ninguém, de verdade.
Ela soltou um riso. Seus olhos me lançaram um olhar frio, gélido.
— Jura, Anthony? – Hay debochou. – Magoou. E sabe do que mais? Acabou tudo entre nós. Vá embora. Não quero te ver nunca mais.
—Hailey, por favor. – eu não queria que nosso casamento acabasse assim, apesar de tudo, eu a amava. – Podemos resolver isso, me dê uma chance.
— Chance de que, Anthony Blake? – ela gritou. – De destruir nossa família de novo? Eu te dei a sua chance quando casei com você!
— Eu cometi um erro quase vinte anos atrás e você não quer nem pensar em me dar uma chance? Isso é injusto, sabe disso. – me aproximei dela. – Eu nunca quis magoar você ou as meninas, entendo que está brava, mas não posso mudar o passado.
Ela se afastou como se eu tivesse com alguma doença contagiosa.
— Não encoste em mim! – ameaçou. – Um erro de vinte anos atrás ainda é um erro. E um bem grave, eu diria. Você me traiu! Isso não tem perdão!
— Eu era jovem, egoísta e cometi o maior erro da minha vida. Então, passei o resto dela tentando concertar isso e não perder a mulher que eu amo. – olhei em seus olhos. – Me dê uma chance Hay, por favor. – implorei
Ela me lançou um olhar frio.
— Vá fazer sua mala. – ela disse, a voz fria como gelo. – Eu vou ligar pras meninas e você contará o motivo do nosso divórcio.
Dito isso, virou as costas e pegou o telefone.
Subi as escadas e fui em direção ao nosso quarto. Meu casamento tinha acabado, minhas filhas provavelmente me odiariam pelo que eu estava prestes a contar. Maldita hora em que Sylena apareceu.
POV HAILEY
Meu coração doía tanto. Eu queria chorar. Não podia acreditar que meu marido tivera a capacidade de me trair... E ainda me fazer acreditar que a filha da sua amante era o bebê da falecida Jenny.
Quando pensei em Ally, não consegui ter raiva dela. Criei a garota como se fosse minha. E realmente era, mesmo que não biologicamente.
Depois de ligar para as duas, esperei na sala de estar. Eu ainda queria chorar, mas seria forte pelas minhas meninas.
Anthony desceu as escadas e se sentou no sofá, me segurei para não gritar com ele de novo.
— As meninas estão chegando. – disse.
Ele só acenou com a cabeça e não disse nada, isso me irritou ainda mais.
Ry chegou primeiro. Parecia assustada. Pedi que esperasse a irmã chegar. Levou uma eternidade até que as duas finalmente se sentassem para que pudéssemos conversar.
— O pai de vocês precisa contar algumas coisas. – falei. – Mas antes, quero que saibam que isso não muda o que sinto por nenhuma das duas.
— O que está acontecendo? – Riley me olhou, a voz baixa.
Encarei Anthony, esperando que ele falasse.
— Nós estamos nos divorciando. – ele me olhou como se estivesse procurando algo – Eu a traí muito anos atrás e isso finalmente veio à tona. – ele respirou fundo e olhou para Alycia – Eu sinto muito, querida.
— Isso o que? – Riley se levantou, raivosa. – Você está falando da carta da Sylena?
Ally parecia confusa, perplexa.
— Do que estão falando? – perguntou. – O que eu perdi?
Anthony entregou a carta para que Ally pudesse ler.
— Eu sinto muito... – pediu. Usou as mesmas desculpas com as meninas, falando que foi o pior erro da sua vida e que queria uma segunda chance. Baboseiras.
Riley parecia a ponto de socar o pai.
— Ela é a filha da Sylena? Ela é a sereia? Você sabe o que isso quer dizer?
Encarei-a, assustada, enquanto ela berrava sobre nunca poder namorar Henry porque não fazia parte do clã de sereias. Ally continuava encarando a carta.
— Você conhece a Sylena? – Anthony estava perplexo, assim como eu.
Ela contou sobre como respondeu a carta, pensando ser a filha dela e que se encontraram para conversar. Eu não sabia o que dizer.
Alycia colocou a carta na mesa e me encarou.
— Isso não muda nada para mim, você é a minha mãe. – ela estava chorando e isso partiu meu coração.
Encarei minha menininha. Puxei Ally para um abraço.
— Você é a minha filha. Isso não muda o que sinto por você. E nem por você, Ry. – encarei minha outra filha. – Vocês são minhas filhas, biológicas ou não. E eu amo ambas.
Riley ainda tinha uma expressão raivosa, mas não gritava mais.
Anthony tentou falar, mas eu o interrompi.
— Mas isso muda as coisas entre seu pai e eu. – olhei para as meninas. – Estamos nos divorciando. Eu não quero vê-lo nunca mais, porém não vou impedir vocês de terem contato com ele.
As duas me encararam, e então olharam para Anthony.
— Eu amo vocês duas, jamais quis causar dor ou magoar vocês. – ele estava com os olhos marejados – Espero que possam me perdoar. – ele olhou de uma para a outra, esperando uma resposta.
Elas se olharam e por um momento, não falaram nada.
Ally levantou e começou a se afastar, caminhando para as escadas.
— Preciso de um tempo. – falou, e correu para o quarto.
Riley balançou a cabeça e olhou com desprezo para o pai.
— Vou passar a noite fora. – sem mais explicações, saiu pela porta de entrada.
Encarei meu (ex) marido.
— Vá embora. – falei, antes de subir as escadas.
O quarto de Ally estava fechado. Eu conseguia ouvir seu choro. Ela precisava desse momento. E eu também. Tinha muitas lágrimas guardadas.
Tranquei-me no quarto de hóspedes para não precisar ver Anthony.
Chorei.
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