Notas iniciais
bem, esse é um projeto que apareceu do nada na minha mente, não tenho certeza se vai ser longo ou curto, ou se eu vou sempre atualizar ou demorar muito... só espero que vocês gostem.

“se está lendo isso, é por que já estou morto, joguei esse pequeno bilhete para baixo deste prédio de 15 andares, nem sei direito por que escrevi isso, acho que precisava achar uma forma de não sair como o cara que se matou por que era fraco e não agüentou viver em um mundo como esse. Em parte isso é verdade, mas primeiro quero que saiba que tudo tem uma historia por trás.

Estou cansado, cansado de decepcionar as pessoas a minha volta, tentando fazer o bem e sempre falhando miseravelmente, e só machucando todos a minha volta, e ainda mais machucando a mim mesmo. Quando montava algum plano perfeito para agradar a minha família, acontece algo absurdo, e todos se decepcionavam comigo. A pressão estava ficando cada vez mais alta, a falha na faculdade, as várias entrevistas de emprego que não deram certo, a namorada que me traiu com o meu, até então, melhor amigo. A descoberta que na verdade, ninguém mais realmente se importa comigo, posso estar sendo egoísta, só pensando em mim mesmo, mas sabe, eu criava grandes expectativas a todos a minha volta, ficava alegre, sorridente, quando a vida então me puxava o tapete novamente, e então, aqueles olhares me deixavam louco, não eram olhares de desprezo ou de ódio, mas sim de pena. Eu não quero ser uma pessoa digna de pena, não é para isso que me esforcei tanto, mesmo que a vida tenha sido cruel, eu queria ter força para sempre levantar a cabeça, mas essa força acabou...

Sei o que você deve estar pensando, ‘Oh, pobre coitado!’, mas eu não quero nem saber o que você pensa, não quero a sua culpa nem nada assim, só quero mostrar para a vida, que ao menos sou eu que irei decidir quando e como vou morrer, e não vou esperar ela me matar, ah aquele demônio, finalmente vou me ver livre de você. Mesmo que eu vá para o inferno, sofrer o sofrimento eterno, eu não me importo, pois vou estar rindo de como eu consegui sacanear a vida e morrer antes que ela pudesse fazer algo para me machucar ainda mais.

Adeus estranho... a gente se encontra no inferno!

Alex Kindle”

Mais a frente de onde essa carta fora encontrada, uma multidão observava um garoto de aparência bem jovem que parecia que ia pular do alto de um prédio, muitos gritavam para ele não fazer isso, outros estavam loucos para ver a desgraça alheia, sem muita demora após ele se pendurar no parapeito do prédio, ele pulou.

A queda era longa, maior do que ele esperava, arriscou abrir os olhos para ver se o chão estava próximo, mas aquele lugar não se parecia mais com o centro da cidade, era escuro com algumas placas flutuando no meio do nada, Alex conseguiu ler algumas: “reencarnação (espíritas, budistas, etc) pela direita”, “campos Elíseos, sentido norte”, “valhalla, mais abaixo, antes do final” e por fim a que mais lhe parecia conveniente para a sua pessoa “Inferno”, pouco a pouco conseguia ver algo que parecia ser um piso quadriculado mais abaixo, cada ficando mais próximo, até finalmente cair em algo firme, a queda não o machucara, já era de se imaginar o porquê, ele já estava morto.

Ao se levantar, notou uma mesa mais a frente com uma garota pálida com cabelos negros e curtos, usando óculos e com uma roupa que lembrava a de uma secretaria, ela o olhou com um visível tédio no olhar, então com uma voz doce proferiu
— Alex Kindle, certo? – Alex não estava entendo nada, mas confirmou com a cabeça. – ótimo, bem vindo ao inferno, antes de prosseguirmos, você tem que responder algumas perguntas, se achar melhor, sente-se – nesse momento aparece uma cadeira em frente a mesa da secretaria. Alex se aproxima e se senta na cadeira. – certo, vamos começar, responda tudo corretamente e não teremos nenhum problema. Primeira, você tem alguma religião ou foi batizado quando nasceu?

— não tenho religião, mas fui batizado na igreja católica.

— certo — ela escrevia em uma folha que parecia uma ficha enquanto falava – católico... teve algum ensino religioso quando mais novo?

— não.

— causa da morte?

— suicídio, me joguei de um prédio. – ela o encarou por alguns segundos, depois voltou-se a ficha.

— homossexual?

— não, pelo menos até onde eu saiba.

— traiu a esposa em algum momento da vida?

— nem cheguei a me casar, e fui traído, isso sim.

— já matou alguém?

— não.

— é virgem?

— não. – nesse momento, Alex já estava começando a achar as perguntas um pouco demais, mesmo para quem vai para o inferno, será que a sua punição começava já naquele momento?

— já roubou, estuprou, torturou ou abusou de algum outro humano?

— não.

— já fez sexo com animais?

— já não acha que essas perguntas estão sendo demais?

— simplesmente responda. – ela o encara entediada, como se fizesse isso direto

— argh, não... Nunca fiz nada demais, meu motivo de ter vindo para cá é por causa do suicídio mesmo... que droga!

— hmm... certo, vou lhe dar uma prévia de como funciona o inferno. Este lugar não é exatamente um mundo de sofrimento onde você terá o castigo eterno por tudo o que você fez de ruim, simplesmente é uma forma de puni-lo antes de ser enviado para algum outro lugar que nem eu sei como que é. Resumindo, vais ter que trabalhar para comprar sua vaga no paraíso, céu ou qualquer coisa assim. Pela sua ficha, um serviço simples por alguns séculos já seria o suficiente para a sua “salvação”, mas infelizmente o suicídio tornou tudo bem mais difícil para você, simplesmente por que é um crime muito grave acabar com sua própria vida, e isso o setor superior não aceita de forma nenhuma. Portanto, você não vai poder sair daqui, o que eu posso fazer por você é te enviar ao chefe e ver o que ele consegue resolver com a parte da salvação. Você faz bem o tipo dele, acho que ele vai gostar de você, lembra bastante ele quando chegou aqui, só que o crime dele foi algo um pouco mais grave...

Alex não conseguia documentar tudo ainda, “então quer dizer que eu vou continuar vivendo minha vidinha aqui, trabalhando pra um dia sabe se lá deus quando, eu ir para o céu ter um descanso eterno? Se eu soubesse disso, já teria me matado a tempos!”

— bem, para encontrar o chefe, siga este corredor, ignore as outras pessoas e não entre em nenhuma porta, no final dele, haverá uma porta em ouro maciço com alguns desenhos legais, de três batidas na porta e então abra-a com calma, a partir daí é com você garotão – ela pela primeira vez deu um leve sorriso, Alex não conseguia saber se era um sorriso sincero ou sarcástico, aquela garota era estranha, isso ele tinha certeza.

— certo, vou até lá... esqueci de perguntar seu nome...

— é Lilith, agora vai logo que eu tenho mais gente pra atender – nesse momento Alex vê mais um cara, carregando a cabeça em mãos entrando na sala, rezava que estivesse inteiro, estava começando a se preocupar como que ele ficou depois da queda.

Seguiu pelo corredor, tomando um extra cuidado para não esbarrar em ninguém, aquele lugar parecia estar lotado, havia vários tipos por ali, desde pessoas de aparência normal até criaturas que lembravam os clássicos demônios que são representados em livros e filmes. Finalmente quando chegou no final do corredor, encontrou a tal porta de ouro maciço, com desenhos de pessoas sendo empaladas, chicoteadas e queimadas vivas entre chamas esmeraldas, ficou meio nervoso, imaginando como seria a pessoa que comandava todo aquele lugar, seguindo as instruções, deu três batidas na porta e logo em seguida abriu a grande porta.

Qual foi a sua surpresa quando ao adentrar no recinto, encontrar uma sala enorme porém bem típica de um grande escritório, tirando alguns itens de tortura medieval próximos as paredes, e uma estranha musica que ele tinha certeza de que conhecia de algum lugar, mas não tinha muita certeza de onde exatamente, ficou parado em frente a porta observando a sala estupefato, quando ouviu uma voz forte, porém jovem vindo da outra ponta da sala.

— entre... você é..? – a voz vinha de uma grande poltrona que estava virada de costas, impedindo que fosse vista a face do chefe de todo o inferno.

— Alex Kindle, Lilith disse para eu vir te ver... – ele entrou timidamente parando em frente a grande mesa de mármore negro que o separava da cadeira do “chefe”. Nesse momento a cadeira se virou, mostrando um homem com no máximo seus 28 anos, cabelos negros e longos, amarrados em um rabo de cavalo meio solto, olhos de uma cor verde, que lembrava a cor que era retratado coisas radioativas, ele tinha um porte forte, mas não algo exagerado, se certa forma, ele exalava um charme próprio, que era indescritível.

— muito bem, prazer, sou Lúcifer, já deve ter ouvido falar muito de mim na terra, é uma pena que dêem uma idéia tão errônea do inferno, mas mesmo assim, a maioria das pessoas vem para cá, querendo elas ou não. Mas me diga, qual o seu problema?

— erm, bem... eu cometi suicídio, e segundo a Lilith, eu não tenho praticamente chance nenhuma de ir para o paraíso, sem conta que não sei em que posso trabalhar aqui.

— interessante... então você quer achar uma forma de se salvar, certo?

— é, pode se dizer que sim. – alex finalmente reconhecera a musica que estava tocando, pelo simples fato de ter chegado ao refrão... ah, se os Rowling Stones soubessem que o próprio diabo está escutando suas musicas, eles ficariam orgulhosos.

— bem, vamos ver sua ficha... – nesse momento uma chama negra se forma em cima da mesa de mármore e depois disso desaparece, com uma folha de papel no lugar – hmm, você foi um bom garoto mesmo quando vivo... se matou por quê? Não tava agüentando a pressão do mundo real?

— foram uma séries de eventos que me fizeram me jogar de um prédio...

— bem, não quero nem saber, sua vida terrena agora é o que menos me importa... – ele faz uma pausa, acendendo um cigarro que soltava uma fumaça meio amentolada – você fuma? – recebeu uma negativa com a cabeça – ah, é bom começar, isso já não vai mais te matar, se é que você me entende... – ele fuma com calma lendo mais uma vez a ficha, enquanto outras pastas iam aparecendo em cima de sua mesa, provenientes da mesma chama negra. – acho melhor você se sentar, vou demorar um pouco ainda – ele aponta para uma cadeira, no qual Alex se senta de imediato, minutos se passam, e Lúcifer vai olhando as pastas com calma, até estender um papel na direção de Alex. – vai ser meio difícil você conseguir a salvação, então o máximo que eu posso lhe fazer é lhe dar um emprego não muito ruim, considerando que você foi de fato, uma boa pessoa, tolo, mas uma boa pessoa. Tem essa vaga como meu assistente pessoal, o meu ultimo subiu há algumas horas e Lilith já têm o seu cargo, você vai fazer o mesmo que um secretário, anotar algumas coisas, me trazer café e cigarros, copiar alguns documentos, um serviço simples, mas que recebe consideravelmente bem.

Alex não acreditava no que ele estava ouvindo, seria isso um milagre? No inferno? O papel a sua frente se mostrava ser um contrato de trabalho, ele leu rapidamente vendo que era aquilo mesmo que Lúcifer havia lhe explicado, contente, olhou para o chefe com um sorriso no rosto – onde que eu arranjo uma caneta? – lúcifer retirou uma do bolso e lhe entregou, logo o papel era devolvido, já assinado – quando que eu começo?

— amanhã, por hoje procure algum lugar para viver, volte e converse com Lilith, ela vai lhe ajudar nesses últimos detalhes. – logo Alex saia do recinto, Lúcifer olhava para a porta fechada com um sorriso divertido e malicioso no rosto – Alex hun... Gostei desse garoto...

Notas finais
só pra constar, alguns "pecados" que foram usados na entrevista do Alex foram seguidos de acordo com a biblia, não por opinião pessoal, portanto não se sintam ofendidos comigo >_<
reviews? 8D