Swords

3 3 - Confusão


Tinha decidido ficar em casa nos últimos dias. Estava meio deprimida para me deparar com a dura realidade do mundo em que vivia. Como se o tempo me estivesse ajudando, discordando com os meus pensamentos, desatou a chover. Agora sim, não havia motivos para eu sair de casa. Tería de ficar, pelo menos até a chuva passar.

Segundo dia de Janeiro. Eu sei que falta pouco para recomeçarem as aulas, mas acho que vou continuar em casa nessa altura. Não tenho ninguém em casa para cuidar de mim, asssim que não faz mal. Assim que ninguém se vai importar.

Me levantei da cama. Eram 7:00 da manhã, precisamente quando eu acordava sempre quando tinha um pesadelo. Minhas memórias tinham a capacidade de aparecerem sempre antes de eu adormecer, me lembrando dos momentos mais tenebrosos e obscuros da minha vida. Ontem foi o único dia livre de lágrimas, as únicas que escorreram foram no banho, derivadas ao meu único sonho no meio de tantos pesadelos. O primeiro sonho do ano.

Ri-me de mim mesma por meus pensamentos terem voltado à estaca zero. Ano novo... O ano em que eu prometi finalmente voltar àquele local, voltar a observar aquele mesmo mar da minha infância. Talvês apenas tivesse feito essa promessa com o intuito estúpido de a ver novamente, e poder apreciar novamente o seu tímido, mas sincero sorriso. Estava na hora de eu parar de me acobardar e aceitar os factos: eu tenho que voltar. Tenho andado fugindo tempo demais. Quero voltar a viver, ou pelo menos tentar. Quero voltar a ver o meu sol.

Voltei a me deitar na cama. Meus pensamentos vieram parar nela outra vez, no seu sorriso, no seu cabelo azul esverdeado. Tentei imaginar como ela estaría agora, já que a última vez que estivémos juntas foi há onze anos, quando ambas tinhamos 5 anos. Quando ambas éramos duas humanas, felizes e sem preocupações. E quando não havía nenhum ELE nas nossas vidas, eramos apenas ela e eu. Duas garotas abandonadas pelo mundo.

Ouvi o despertador: 7:30. Horas de acordar.Atirei-o para o chão e este se partiu, continuando ainda a tocar. Ignorei e desisti de voltar a dormir. Não havia maneira de eu poder dormir com todos estes pensamentos toldando minhas ideias e meu sono também. Decidi sair um pouco. Esfriar a cabeça, sabe como é? Talvês a chuva me deixe menos embriagada com meu próprio raciocínio.

– ONEE-CHAN! ACORDA! — alguém me chamava. Como assim onee-chan? Eu nunca tive irmãos... e que voz era aquela que me estava chamando?

E de repente tudo parou.

Corri até ao espelho do banheiro. Aquela não era eu, não podia ser. Meus cabelos eram loiros e meus olhos eram azuis, tal como eu os conhecia, mas aquela não podia ser eu, apesar daquele ser o meu rosto. Droga, não estou fazendo sentido! Será que estou elouquecendo?

Corri pelas escadas abaixo. Olhei aquela pessoa que me chamava de onee-chan, era um rapaz de cabelos castanhos e olhos da mesma cor. Estranhamente, eu o conhecia.

Mas como assim? Como eu o reconheci se eu nunca tive irmãos? Não me lembro de o ter visto antes, como eu posso o reconhecer como sendo meu irmão? Até onde sei eu sou uma garota filha de pais separados, que foi obviamente um acidente. Não tinha como eu ter um irmão!

O rosto do garoto que estava à minha frente de repente mudou. A sua expressão passou de sorridente a uma mais preocupada. Como assim, preocupada? Ele estava preocupado comigo? Porquê?

Uns brilhos estranhos emanavam do meu corpo. Eu reconheci a sua cor... a cor do mar... daquele mar. Continuei olhando, e só aí eu percebi de onde vinha a preocupação do estranho garoto de cabelos castanhos. Meu peito estava sangrando, meu sangue estava escorrendo pela minha roupa, se misturando com aquele brilho sobrenatural que parecia sair do meu corpo.

E aí eu caí no esquecimento. Minha visão apagou e senti o chão desaparecer debaixo dos meus pés e alguém me segurando. O que está acontecendo? O que estava acontecendo comigo?


Notas finais
Mereço reviews? :)