Sweetheart
3 Banana Split
– Quer que eu pegue pra você? – Marshall pousou a mão suavemente no ombro de Gumball, inclinando-se para sussurrar em seu ouvido.
O garoto tentava alcançar um livro de física na penúltima prateleira na meia ponta dos pés. Ele tremeu sob seu toque, recolhendo o braço erguido.
– Me deu um susto...
– Foi a intenção – Marshall apanhou o livro com um riso rouco. – Nunca tinha percebido que você é tão pequeno.
– Não sou pequeno – Gumball bufou, tomando o livro de suas mãos. – Sou só um pouco mais baixo do que você.
Estavam na área dos livros de estudos na biblioteca, metidos entre as estantes de física e de química. Não era o lugar favorito de Marshall, mas ele podia aguentar se fosse para escapar da conversa sobre maquiagens e o capitão do time de futebol com Lumps e Melissa.
Gumball tinha insistido para que os quatro fizessem a atividade de física juntos e Lee aceitara sem pensar duas vezes. Porém, dividir uma mesa com as princesas da tagarelice por duas aulas seguidas estava fazendo a atividade parecer pior do que realmente era.
– Já terminou a sua parte? – Gumball ergueu uma sobrancelha, escorando as costas contra os livros levemente.
Marshall suspirou, apoiando a mão na estante e prendendo Gumball ali.
– Se você fizer a Lumps e a Melissa calarem a boca, talvez eu consiga terminar.
– Não implique tanto com elas – Gumball riu. – Elas falam bastante, mas são boas pessoas.
Lee sorriu, inclinando-se para roubar-lhe um beijo rápido.
Os beijos tinham começado há duas semanas no quarto de Gumball, logo após os dois descobrirem que estiveram perdendo tempo demais. Ainda assim, Marshall não sentia como se tivesse sanado toda a vontade que vinha segurando – pelo contrário, ela só aumentava.
– É tentador ficar aqui até o sinal bater – ele roçou o nariz pelos cabelos tingidos de Gumball, inspirando a fragrância de morango do shampoo.
– Marshall, a Sra. Grof vai dar pela nossa falta.
– Não tenho culpa se a matéria dela é chata – ele descansou o queixo sobre a cabeça de Gumball, amassando seu topete.
Apesar de ter a certeza de que era correspondido e a segurança de que Lee vinha se mostrado mais paciente do que ele esperava, Bublegum ainda não possuía a ousadia necessária para tomar a iniciativa dos beijos, ou a habilidade de não corar por carícias simples. Situações como aquela ainda o inibiam e ele não sabia ao certo como reagir.
Porém, a ideia de que Lee poderia pensar que ele não estava tão apaixonado assim o assustava. Não poderia perdê-lo depois de todo aquele tempo se martirizando com sentimentos sufocantes.
– Talvez... Se você fizer a sua parte... – Gumball levou as mãos ao peito de Marshall, subindo-as lentamente até os ombros – nós podemos tomar um sorvete depois da aula.
Lee ficou em silêncio por um segundo, o que o deixou apreensivo o suficiente para engolir em seco.
– Parece justo, Bubbs. Mas eu tenho outro tipo de sorvete em mente – ele o beijou no pescoço, enquanto uma de suas mãos escorregava sutilmente para seu traseiro.
– Marshall! – Gumball esqueceu-se de falar baixo, corando fortemente.
Lee esboçou um sorriso matreiro ao se soltar dele, levando o indicador aos lábios em sinal de silêncio.
– É brincadeira, Bubbs. Só brincadeira.
Como se nada tivesse acontecido, enfiou as mãos nos bolsos dos jeans e saiu do corredor de volta para a área das mesas.
Gumball encarou seus mocassins com a respiração levemente descompassada. Perguntava-se se Bonnie também passava por aquele tipo de coisa com Marceline.
– Ai, meu Glob – suspirou, colocando uma mão sobre o coração que ainda batia acelerado. – Será que essas coisas passam com o tempo?
Ele desconfiava que não.
—-x—
– Pensei que iríamos tomar sorvete – Gumball fechou o sobrecenho, tirando as mãos da cintura de Marshall.
A moto parara em frente ao prédio dos Abadeer, enquanto Marshall esperava para que o porteiro o deixasse entrar na garagem.
– E vamos, Bubbs. Por acaso eu já menti para você?
Marshall acelerou a moto quando o portão da garagem subterrânea se abriu, obrigando Gumball a agarrá-lo novamente.
– Olha, teve aquela vez que...
– Foi uma pergunta retórica – Marshall o interrompeu, retirando o capacete e balançando os cabelos pretos.
– Engraçadinho – Gumball pulou para fora da moto assim que Lee a estacionou na vaga e desceu o pedal. – Não sei a que sorveterias vocês está acostumado a ir, mas seu prédio não se parece nem um pouco com uma.
Lee o ignorou, descendo da moto e o tomando pela mão para seguir até o elevador.
Duas garotas que desciam de um carro próximo a eles o olharam com suspeita e logo torceram os lábios. Uma delas cochichou algo para a outra, torcendo os lábios em repulsa logo em seguida. Marshall estancou seus passos de supetão para encará-las de volta, fazendo com que Gumball batesse em suas costas.
– O que raios...
Lee o enlaçou pela cintura e lhe beijou os lábios com intensidade, deixando-o sem reação.
– Perderam alguma coisa? – Ele quebrou o contato com brusquidão para provocar as meninas.
As duas apressaram-se em sair do estacionamento, cochichando de modo afetado.
– Ridículas – Marshall bufou, ajeitado a mochila no ombro e voltando a entrelaçar os dedos nos de Gumball.
– Você vai fazer isso sempre que alguém reagir assim? – Bubblegum recostou-se à parede do elevador, levemente acanhado.
Marshall apertou o botão do sexto andar e ajeitou os cabelos no espelho. Gumball esperava por sua resposta com os olhos postos no piso acarpetado, apertando a alça da bolsa tiracolo nervosamente.
– Alguma objeção? – Ele beijou sua fronte delicadamente. – Eu prometo não fazer mais isso se você não quiser.
– As câmeras, Lee – Gumball murmurou, virando o rosto.
– Você tem vergonha? – Marshall recuou, erguendo as sobrancelhas numa careta de decepção. – Sério, Bubbs? Olha, a linha discreto e comedido não é a minha. Se eu gosto de alguém, quero mostrar para os outros que estamos vivendo isso, não importa o que pensem.
Bubblegum remexeu os pés sem jeito. Estava pronto para desfazer o mal-entendido, mas o elevador parou no segundo andar para duas mulheres entrarem. Marshall deslizou para ficar ao seu lado, notavelmente menos animado do que minutos atrás.
Uma das moças cumprimentou Lee e apertou o botão do oitavo andar, voltando a conversar com sua amiga.
O painel do elevador indicava que a próxima parada seria no andar deles. Quando o número mudou para cinco, Gumball engoliu uma parcela dura de receio e procurou a mão de Marshall
discretamente. Quando o elevador parou no sexto andar, ele mesmo deu o primeiro passo para fora, levando o namorado junto consigo.
– Hm, Bubbs? – Lee o chamou, mas ele estava determinado demais a provar que poderia superar aquela vergonha infundada. – Não é por aí não.
Gumball os levou até o final do corredor parcamente iluminado e respirou fundo. Ele soltou a mão de Lee para lhe emoldurar o rosto com as suas.
– Bubbs? – Marshall balbuciou com os olhos rubros arregalados.
– Você é completamente irritante, sabia? – Gumball bufou antes de puxá-lo para um beijo.
Os lábios de ambos ficaram simplesmente selados por um momento – durante o qual Marshall não pôde fechar os olhos, tamanha era sua perplexidade.
– Não quero que pense que meus sentimentos são menores que os seus – Gumball desviou os olhos, recolhendo as mãos para as laterais do corpo. – Se quer saber, eles são bem grandes. Tanto que sobreviveram por todo o tempo que eu passei os evitando, e agora estão abrindo mais espaço às forças dentro do meu coração pequeno.
Ele arriscou uma olhada de soslaio para Marshall, sentindo-se extremamente bobo.
– Eu ainda não consigo tomar a iniciativa, ou reagir às suas provocações do modo como você gostaria, mas... – respirou fundo, mordendo o lábio inferior e voltando as pupilas magenta para o namorado. – Eu vou conseguir, Lee. Prometo. Só não desista de mim.
No segundo seguinte, o mundo de Gumball deu uma guinada que o deixou ligeiramente tonto. Marshall o prendera contra a parede de supetão com uma expressão séria.
– Você é inacreditável, Gumball Bubblegum – seus lábios se partiram num sorriso de canto malicioso.
Sem hesitar, tomou ergueu o queixo dele para si e o beijou como se quisesse roubar-lhe todo ar dos pulmões. Marshall achava que poderiam ficar ali por todo o tempo do mundo, trocando beijos e apertando-se contra a parede. Porém, sabia como o namorado reagiria se algum vizinho topasse com os dois. Então interrompeu o beijo a contragosto e levou a mão de Gumball ao lado esquerdo de seu peito.
– Eu sei como você é, Bubbs. Sei que precisa de tempo com essas coisas – ele sorriu gentilmente, acariciando a pele suavemente rosada do rosto de Gumball. – Não é do meu feitio, mas vou ser paciente porque gosto de você. De verdade – brincalhão, estalou um beijo na bochecha alheia. – Arrisco a dizer que te amo.
Uma das portas próximas a eles foi destrancada. O som da fechadura se abrindo sobressaltou Gumball, fazendo-o retesar os músculos.
Marshall riu, revirando os olhos. Ainda precisaria de muitos beijos e paciência para que o namorado deixasse de ser tão tímido.
– Vem – ele o puxou para o lado certo do corredor.
Assim que entraram no loft, Marshall largou a mochila ao lado do aparador e chutou os tênis para fora dos pés. Ele esperou que Gumball tirasse os sapatos e ignorou a careta que recebeu por ser tão descuidado.
– A Marcy e a minha mãe só vão chegar à noite, então não precisa se conter – comentou com indiferença, enquanto seguiam para o seu quarto.
– Hm, Lee, e o sorvete? – Gumball arqueou as sobrancelhas quando chegaram a uma porta coberta por adesivos de bandas de rock.
– Eu disse que tinha outro tipo de sorvete em mente, Bubbs – Marshall abriu a porta e lhe deu um olhar repleto de malícia.
– Você também disse que era brincadeira – Gumball cruzou os braços.
– Eu menti – Lee deu de ombros, sorrindo torto. – Mas não vamos fazer nada que você não queira, é claro.
Bubblegum pensou duas vezes antes de descruzar os braços.
Só tinham duas semanas de namoro para contar, mas ambos haviam enfrentado um ano e meio reprimindo as vontades. Ele não queria perder ainda mais tempo tendo que lutar contra suas próprias inseguranças. Se Marshall estava disposto, queria prová-lo de todas as maneiras possíveis.
– Bom, então espero que esteja pronto para fazer tudo o que eu quiser – ele esforçou-se para devolver o sorriso e andou para dentro do quarto.
– Sério? Fácil assim? – Marshall o observou surpreso.
Gumball despiu-se do moletom do colégio e cada camiseta que usava por baixo.
– Quero meu sorvete depois.
Marshall fechou a porta apressadamente, lutando para livrar-se logo da camisa.
– O que você quiser, Bubbs – de maneira selvagem, jogou o namorado na cama desarrumada e o beijou. – Tudo o que você quiser.
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