Sweetheart
1 My life, my love, my only.
Notas iniciais
Se perguntassem para Kagene Rei se ele realmente tinha uma mania de limpeza, ele responderia que não. Mas tinham certas ocasiões que ele simplesmente gostava de ter o seu quarto bem arrumado.
Ocasião 1: Visitas.
Ocasião 2: Visita do próprio namorado.
"Agora é só ajeitar os livros. Eu não devia ter deixado tudo largado de ontem pra hoje." Pensou.
E a parte engraçada, era que eles nem ao menos ficariam no quarto ao todo. Respirou fundo e guardou o último livro na estante, agora com tudo pronto. Quando se virou, finalmente encarou a irmã.
Sabia que Rui o encarava por um tempo desde que fazia aquilo, mas não pensava exatamente em parar para pedir por uma explicação. Ia o fazer agora, mas ela decidiu que simplesmente teria a primeira palavra.
— Rei, você realmente tá se esforçando, isso é tão bonitinho! — Ela deu uma risada, se aproximando do irmão para passar a mão direita em seu cabelo, arrumando uma mecha deste,
— É o mínimo que eu posso fazer, né.
— Rei, é o Len! Vocês nem vão sair nem nada.
— .. Huh. Mas ainda assim.
— Você só quer fazer hora até ele chegar, né?
— Talvez.
— Sabia. — Ela realmente o conhecia com a palma da mão. Os dois liam um ao outro como um livro, então nunca tinha muito que eles conseguiam esconder um do outro, e o meio sorriso que se formava no rosto de Rei basicamente o denunciava. Rui riu. Ela realmente estava feliz pela felicidade do irmão e de seu amigo. — Não quer assistir qualquer coisa por enquanto, então?
— É uma ótima ideia.
E assim o fizeram. Mas acabaram não prestando tanta atenção na TV ao todo, e sim, conversaram. Eles podiam passar o dia inteiro em conversa, mas sempre teriam mais assunto. Mas agora.. Ele não poderia se prolongar tanto assim. Já era mais ou menos perto do tempo que Len chegaria, então Rei foi colocar alguma outra coisa para vestir, mas simplista como sempre, decidiu ir pelo básico. Seu casaco, sua calça, e não usava sapatos em casa. Ninguém usava. Estes, ficavam na porta.
Ah, e falando em porta, ouviu alguém batendo nela. Deduziu que era Len.
— Boa sorte, nii-chan. — Rui comentou, antes de entrar no próprio quarto para que não pudesse atrapalhar os dois.
E com esse encorajamento, foi atender a porta. Parecia inexpressivo, mas por dentro estava feliz. Sentia saudades dele. E sabia que ele sentia o mesmo.
Quando a abriu, só confirmou sua certeza.
— Oi, Rei! — O namorado sorriu, antes de o cumprimentar com um abraço. Tal que eles não se separaram durante um tempo, rindo no meio deste. Era sempre assim, até mesmo quando passavam o mínimo de tempo separados um do outro. — Com licença. — Ele disse, antes de entrar na casa por completo. — Eeh, você demorou pra atender!
Rei já preparava suas desculpas. — Foi mal.
— Era brincadeira, bobão.
Len já estava acostumado com o ambiente, então não precisou andar atrás de Rei para ser guiado ou coisa do tipo. Mas se virou para que pudesse o ver, de qualquer maneira. E assim que o fez, Rei se aproximou do loiro e beijou o canto dos seus lábios. Era pra ser sua bochecha, mas acabou perto demais. Quem se importa, não é mesmo? Mas isso também fez sorrir. E Rei percebeu, e confirmou que essa era uma das coisas mais bonitas que vê.
— Uh, Rei? Eu perguntei o que nós vamos fazer.
Ele realmente tinha perguntado isso? Por quanto tempo ficou pensando, de novo?
— Ah, desculpa. Eu já arrumo um afazer super interessante pra gente em um instante, mas por enquanto eu quero te mostrar uma coisa. Espera aí, eu já vou pegar.
Quando saiu, adentrou o quarto que dividia com Rui por um instante para que pudesse pegar seu caderno de música. Os dois trocaram um oi, e quando Rei saía em passos apressados, Rui disse sem som um "força, força!" Enquanto levantava um dos braços com a mão fechada em punho, e Rei só revirou os olhos e riu antes de fechar a porta e voltar para onde o namorado estava.
Ele brincava com um dos botões do casaco até perceber que Rei tinha voltado, e deu dois tapinhas de leve no lugar ao seu lado no sofá onde estava, para que Rei se sentasse do lado. E o moreno foi e se sentou, abrindo o caderno e despertando a curiosidade do loiro.
— Uma música nova?
— Uhum. Mas é pra você. É essa aqui. — Apontou para a página do caderno.
Len sorriu e o pegou da mão de Rei quando teve a permissão, para que pudesse ler a letra. Não demorou muito para que o seu sorriso se abobasse completamente.
Rei era simplesmente, ugh, perfeito. Ele conseguia fazer Len se derreter em segundos, com o talento, e com o jeito que ele amava Len por inteiro.
A música basicamente dizia isso. O quanto alguém amava outra pessoa. Era de romance, e como Rei tinha mencionado antes, era para Len, e apenas pra ele. E isso fazia com que seu coração fosse a mil e logo, as costas de sua mão direita já estavam na frente de sua boca, tentando esconder seu sorriso e impedir algumas risadas de saírem. Não que tivesse achado graça, ele só.. Releu a frase em que dizia 'você é minha vida e eu não te mereço, mas você me ama por igual', e.. Céus, ele amava tanto o Rei! Como ele podia dizer que não merecia Len?! Estava mais para o completo contrário! — Meu Deus, Rei.. Você- meu Deus.
— O que foi?
— Eu te amo. Só- eu te amo demais, ok?
— Então você gostou?
— Claro que eu gostei! Olha o que você escreveu pra mim! Você é tão talentoso, Rei..
— Você vai começar a me elogiar agora, né?
— Você sabe que não dá pra não te elogiar agora, Rei! — Ele riu e beijou o namorado, que retribuiu logo em seguida. E o beijo, apaixonado e não breve, disse o que não estava conseguindo pôr em palavras para agradecer a ele por isso.
Agradecer pela música, agradecer por Rei existir e por Rei o amar.
Quando se separaram, não sabiam mais como usar palavras para se comunicar. Deixaram os pequenos gestos falarem por eles, como as mãos que se seguravam e os dedos que entrelaçavam aos poucos, e a cabeça de Len que se apoiava no ombro do Rei enquanto este cantarolava uma parte da música a pedido do loiro.
E assim o dia ia seguir. Com que pudessem trocar esses carinhos sem que ninguém os atrapalhassem, e botar claro em palavras e gestos o como se amavam.
Fale com o autor