‘Hyung...’


‘Hyung...!’


SungJong logo de manhã chacoalhava MyungSoo de um lado pro outro, na tentativa de acordá-lo.

MyungSoo de remexia para o lado oposto do mais jovem, cobrindo a cabeça com o próprio travesseiro e o resto do corpo com o edredom negro e pesado – de MyungSoo só se ouvia alguns murmúrios, pedindo para que SungJong saísse de seu quarto e o deixasse sozinho.

‘Hyung... Levanta!’ – SungJong era teimoso... Para o azar do mais velho, sempre fora. Quando punha algo em mente, não tinha quem tirasse, e era capaz de fazer qualquer coisa até que conseguisse o que desejava – coisa que muitas vezes deixava MyungSoo confuso sobre sua personalidade, pensando que, num futuro não muito distante, SungJong pudesse se transformar num terrível psicopata e sair matando todos que não concordassem com sua decisão.


‘O que é?! Está cedo, é inverno, eu estou de férias e quero dormir! Sai!’ – Foi só ouvir a voz áspera do mais velho, que SungJong se levantou. Estava furioso pela forma como fora tratado, afinal, não era nenhum cachorrinho para ser mandado embora daquela forma.

Os lábios carnudos se entreabriram, mas nada fora dito ou feito, apenas o ar que fora puxado no que os dentes se chocavam uns contra os outros causando um rangido.


SungJong virou-se de costas e caminhou rapidamente até a porta parando antes mesmo de abri-la. Virou-se novamente e viu o mais velho todo coberto pelo edredom e com a cabeça por sob o travesseiro.


‘Esse maldito me paga!’ – Pensou o menor que novamente voltou a se aproximar da cama, porém, corria como um tigre atrás de sua presa. – ‘MYUNGSOO!!!’ — E SungJong pulou sobre o colchão equilibrando-se em apenas uma perna, ao que a outra tomava impulso e voltava rapidamente acertando em cheio as costas do oriental mais velho.


O rapaz na mesma hora retirou o travesseiro da cabeça, olhando assustado a figura furiosa do mais jovem que se sentava sobre seu corpo e com as mãos buscava pela gola da blusa fina de tom branco de MyungSoo e a segurava fortemente entre os dedos. – ‘LEVANTA. AGORA. E VAI. ME COMPRAR. DOCES!’ – As palavras saíram pausadas num tom incrivelmente escandaloso.


MyungSoo já podia imaginar que hoje seria um dia longo...


XX


Há alguns minutos estava a andar pelas ruas de Seul. Trajava uma calça jeans saruel preta, um tênis de botinha do mesmo tom e uma blusa, larga e pesada de tom marrom.

Os olhos ainda estavam inchados, afinal, havia saído da cama a força, e o cabelo curto completamente despenteado.

Andava rápido, contra o vento gelado e a cada segundo que se passava, lamentava ainda mais por não ter aceitado ir viajar junto com seus pais e ter se responsabilizado por cuidar do pequeno mandão, se tivesse aceitado, há essa hora não estaria com dor nas costas, e sim deitado sobre a cama de algum hotel enquanto o garoto se divertia gastando o dinheiro que não tinha.


Desde que seu pai se casara novamente, sua vida tem sido praticamente controlada 24hrs por dia pelo garoto mais novo.


Não era assim antes, na verdade... Ele era fofo, inocente e completamente meigo.

Era de fato uma criança! Uma criança de 10 anos que nas noites em que fazia muito frio invadia o quarto do mais velho sem que ele percebesse e se deitava encolhido ao seu lado e passava o resto da noite dessa forma.


Uma adorável criança que pedia para que MyungSoo o protegesse sempre que sentia medo de algo.


MyungSoo era completamente encantado por ele, adorava aquele jeito inocente e assustado do mais jovem ver o mundo... Mas, foi só chegar aos seus 15 anos que sua personalidade mudou drasticamente de uma pessoa inocente a um soberano sem dó!

Aos 18 anos o mais velho tinha que dar satisfações ao menor de todos os lugares em que ia... Dar-lhe explicações pelos atrasos, e quando seus pais não estavam em casa, era cruelmente escravizado por SungJong que o fazia limpar a casa inteira, fazer seus deveres escolares, cozinhar e fazer as compras.


Era mais forte, mais alto, mas ainda assim... Por alguma razão sempre acabava cedendo e obedecendo ao mais jovem... Talvez ainda tivesse esperanças de que aquele SungJong de cinco anos atrás voltasse, ou talvez fosse mesmo o fato do jovem ter crescido e se tornado alguém, por vezes, assustador.


Do outro lado da rua, havia avistado uma loja de conveniências e aproveitou a falta de carros para que correndo pudesse atravessar e, rapidamente adentrar o local.


Em outras ocasiões enrolaria no lado de fora, mas, dessa vez o próprio MyungSoo sentia pressa de voltar para casa. Estava frio e dia frio era sinônimo de cama... Pelo menos no ponto de vista do maior.


Logo na porta, pegou uma cestinha e então fora direto para sessão de doces.


‘Ele não deve comer muito...’ Pensou ao que pegava uma, duas... Três barras de chocolates e colocava dentro da pequena cesta. ‘E se... Ele me pedir para voltar novamente...’ – MyungSoo moveu de uma forma rápida a cabeça como se negasse o próprio pensamento... Foi só cogitar a hipótese que o mais velho levou a mão novamente para o local onde se encontrava os chocolates e a passou por ali, derrubando várias barras sobre a cesta.


Olhou para o outro lado do corredor, correu em direção à outra prateleira e pegou sacos de todos os tipos de bala possíveis, e alguns puxa-puxa também.


A cesta havia ficado tão cheia que fora preciso levar alguns dos doces na outra mão. E riu mentalmente, quando chegou ao caixa e viu o olhar de surpresa da atendente. ‘SungJong... Você vai morrer de diabetes’ Pensou.

XX



SungJong estava deitado sobre o sofá da sala, coberto pelo edredom de seu hyung enquanto assistia algum desenho animado já que o mais velho não voltava.

Havia acabado de voltar da cozinha – aproveitou que MyungSoo saíra para comprar os doces e tratou de fazer duas canecas de chocolate quente com chantilly – que agora estavam sobre a mesinha de centro da sala.

Na hora em que as fizera, as canecas estavam fervendo, mas já havia se passado algum tempo, portanto elas provavelmente estariam apenas quentes.


‘Cheguei!’

O oriental mais jovem, não disse nada quando ouvir a porta se fechar e os passos vindos em direção à sala. Nem ao menos se virou para cumprimentá-lo. Estava sério com o olhar fixo ao desenho que passava na TV.


MyungSoo pensou em largar as sacolas de doce na cozinha e apenas voltar para seu quarto e dormir... Mas não havia ouvido resposta alguma do menor, coisa que o deixou preocupado já que normalmente ele o receberia aos gritos e pancadas, reclamando da demora. E por tal, levou as duas sacolas cheias para a sala, atravessando a cozinha e parando bem em sua divisória. Via dali o oriental mais novo sério... Parecia concentrado no desenho.


‘SungJong.. Trouxe seu doces..’


‘Deixe em cima da mesinha.’


MyungSoo arqueou uma de suas sobrancelha , porém não ousou dizer uma única palavra. Aproximou-se lentamente da mesinha de centro deixando as duas sacolas cheias sobre a mesma, surpreendendo o jovem que apenas levou os olhos em direção aos doces mas também não disse nada.


‘Certo.. Então, vou voltar pro meu quarto. Qualquer coisa..’


‘Fica aqui!’ – Ordenou o menor, que segundos depois de ter percebido o tom que havia usado, tratou de se desculpar e tentar concertar o pedido. ‘Hyung... Fica um pouco aqui.. Eu estou com o seu edredom também.. Então... Fica vai...!’ – e foi apenas aí que SungJong voltou o olhar ao mais velho. Havia um bico em seus lábios e mesmo que soubesse que o rapaz não negaria, ainda torcia para que ele realmente aceitasse.


O maior não disse nada. Ainda estranhava a situação, mas de fato não negou e rapidamente se sentou ao lado do adolescente que se desenrolava do edredom e esticava o corpo esguio em direção a mesinha de centro, capturando entre os dedos uma das canetas com o chocolate. ‘Olha... Eu fiz enquanto não chegava hyung...! Já que está frio, imaginei que gostaria de um chocolate quente!’


É hoje que eu morro... Tenho certeza! – Pensava o maior que talvez pela surpresa de estar sendo bem tratado pelo mais jovem, não conseguira pronunciar uma única palavra, mas ao menos pode sorrir e assentir positivamente com a cabeça ao pegar a caneca e dar seu primeiro gole. E SungJong aproveitava para que pudesse apanhar a sua própria e saborear o líquido quentinho e doce também.


XX


Já havia se passado algum tempo desde que MyungSoo voltara da loja de conveniências. Uma hora... Uma hora e meia no máximo, e agora se encontrava enrolado de baixo da coberta junto com o jovem que deixava o corpo praticamente colado ao de seu hyung.


Os doces que havia comprado, já estavam pela metade – haviam comido juntos enquanto assistiam a um filme de comédia – e MyungSoo se encontrava tão distraído que até mesmo havia esquecido da possibilidade de um assassinato por parte do menor.


‘Hyung.. Se eu jogar essa bala para o alto... Você pega?’ – Perguntou SungJong pegando uma bala de morango que se encontrava dentro do pacote e após desembrulhada, o menor a jogou para cima. MyungSoo a olhou e rapidamente entreabriu os lábios fazendo com que ela acertasse em cheio sua cavidade.


Ambos riram divertidamente, e o menor aproveitou para se arrumar sobre o corpo tão mais forte que o seu.


MyungSoo ajeitou os braços sobre o corpo do rapaz e o menor procurou rapidamente pelas mãos de seu hyung, segurando-as assim que pode e entrelaçando os dedos aos dele.


‘Hyung...’


‘Sim?’


‘Eu sou muito chato?’


Myung levou os olhos rapidamente para a cabeça recostada em seu peitoral. Havia um arquear engraçado em suas sobrancelhas, afinal, se perguntava mentalmente por que ele decidira fazer uma pergunta dessas agora.


‘Não... Não muito... Ás vezes, sabe? Apenas quando quer. ’


‘Hm.. Hyung...’


‘O que?’


‘Nós... Eu e você... Nós não somos irmãos de verdade, não é?’


‘Obviamente que não. Não nascemos da mesma mãe e nem do mesmo pai. Mas nossos pais se apaixonaram e se casaram. ’


‘Eu... Eu já não sou mais uma criança, mas você ainda me protegeria?’


‘Protegeria sim...’


‘Até quando?’


‘Até se cansar de mim...’


No mesmo segundo em que o maior terminara sua frase, SungJong se desencostou do peitoral alheio e ergueu a cabeça para que pudesse observar a figura do mais velho. Uma de suas mãos se soltara da mão tão maior que a sua, sendo essa posta contra a coxa de MyungSoo que o olhava com curiosidade.


A única mão que se encontrava entrelaçada a sua semelhante, a apertou fortemente, e então SungJong tomou a pouca coragem que tinha, e aproximou rapidamente o rosto ao de seu hyung... Iria beijá-lo, mas foi só sentir a respiração do maior contra sua pele que praticamente travou. Parou tão próximo a ele que agora lhe faltava coragem para se afastar.


O coração de MyungSoo nunca esteve tão acelerado em toda sua vida! Havia sido pego de surpresa pela ação do dongsaeng e agora, com a pequena distância que tinha do rosto alheio seus olhos arregalados fitavam os lábios do outro oriental.


Ainda assustado, recuou a cabeça para trás sem nem ao menos perceber que o havia feito. Apenas quando SungJong abrira novamente os lábios na intenção de se desculpar com o mais velho – porém, gaguejava tanto que a palavra mal saia de sua boca – foi que notou e numa reação quase que automática, prendeu o corpo menor em seus braços, não permitindo que ele se afastasse mais como havia tentado fazer segundos antes.


SungJong já não olhava para o rapaz, e sim para o edredom que os cobria, porém, MyungSoo ainda fitava a figura alheia, sem pronunciar uma única palavra...


Sem pensar em nada mais... Os olhos do oriental mais velho foram se fechando, e SungJong apenas reerguera o rosto quando viu que seu hyung estava tão próximo como a segundos atrás, e agora, colava os lábios bem delineados contra os do mais jovem.


Passaram um pequeno tempo daquele jeito... Pequeno tempo que parecia ter durado séculos.


SungJong pela primeira vez em sua vida, sentiu aquela estranha sensação de estar flutuando com borboletas em sua barriga... Era exatamente como haviam lhe dito... Tão incrível.


MyungSoo apartou o selar então... Os olhos se abriram ao longo que os lábios se distorciam num sorriso discreto escondido no canto direito dos mesmos.


Via a figura tímida do mais jovem olhá-lo sem saber exatamente o que fazer, mas assim como o maior, sorria de uma forma completamente boba.


‘Até que se canse completamente de mim...’ Disse o maior, depositando uma pequena caricia sobre a única mão que segura tão fortemente a sua.


‘Eu te am...’

‘Shhiu!’


E voltariam novamente para mais um beijo... Um longo, e demorado.


Você chegou ao fim do livro. Parabéns!