Sweet little children.
1 Sweet summer child, listen to me.
Notas iniciais
Vou lembrar sutilmente que eu não posto para o nada e que comentários garantem a permanência disso neste plano existencial e não apenas no meu computador.
Espero, muito, muito mesmo, que gostem disso daqui e que deixem comentários, porque eles me fazem uma pessoa muito feliz.
Robb sentia as mãos duras e doloridas após tanto tempo esfregando as travessas usadas no banquete do dia anterior, entretanto, Jon, sentado ao seu lado, que também limpava as peças não emitia qualquer tipo de protesto, logo, o herdeiro calava as reclamações. Se seu irmão podia cumprir a punição sem evidenciar seu desconforto, ele, o futuro Lorde Protetor do Norte, também deveria. Seria um golpe amargo em seu ego infantil se não conseguisse.
Lembrou-se do motivo de estar ali e um sorriso orgulhoso quase surgiu em seu rosto. Não porque estava satisfeito em furtar alguns doces e duas espadas de madeira para brincar com Jon, mas porque sua mãe estaria furiosa em vê-lo aceitar o mesmo castigo de um bastardo. Robb, em geral, detestava desapontar qualquer um, contudo, antes mesmo que percebesse o que falava, começara a contestar furiosamente a decisão da Lady de Winterfell. Sem seu pai ali, o Snow era um alvo fácil para as provocações de Theon e as palavras duras de todos – não poderia deixar tal situação prosseguir sem nem ao menos tentar parar tudo aquilo.
Os olhos azuis celestes de Catelyn Stark brilhavam de ódio enquanto fitava o bastardo de seu marido. Jon estava calado com os olhos cinzentos voltados com firmeza para o chão de madeira polida. Robb também não se arriscava a dizer nada, porém, sua língua coçava com respostas malcriadas que ouvira muitas vezes. No entanto, quando o veredicto foi anunciado em alto e bom tom, não conseguiu pensar duas vezes antes de disparar frases indignadas. Por qual motivo ele seria impedido de brincar no pátio durante três dias e Jon precisaria lavar um número estupidamente alto de travessas, taças e talheres durante duas semanas?! Foi, para sua impulsividade de menino, impossível calar-se.
— A punição de Jon deveria ser a mesma que a minha! Então, por que, não é?!
Segundos após disparar a declaração, percebeu que fora uma decisão bastante precipitada e que apenas atiçara a raiva da senhora sua mãe. Todavia, seu senso de justiça pulsava e, por tudo o que aprendera e pela honra Stark, não pararia mesmo com os olhares exasperados de seu meio-irmão que diziam claramente para esquecer o assunto e deixa-lo fazer o que fora dito. Robb não permitiria, ou então, sofreria junto dele. Certamente, a Lady ficaria furiosa ao extremo, entretanto, o faria de qualquer modo.
— Se pensa que a punição do bastardo precisa ser a mesma que a sua, junte-se a ele nas cozinhas a partir de amanhã, Robb.
O herdeiro Stark a encarou com todo o desafio que poderia reunir e assentiu com o queixo erguido evidenciando um falso orgulho que não cabia em si. Os olhos de Catelyn se estreitaram em cólera e, com gestos apressados, deixou a sala onde se encontravam tendo o cuidado de não bater a pesada porta de madeira escura. Jon o fitou com a descrença estampada em sua expressão e quase abriu a boca para questiona-lo sobre a decisão, mas foi interrompido de imediato com um acenar de mãos despreocupado e um sorriso gentil.
— Você está cansado?
A pergunta do Snow era repleta de simpatia e um certo ar de quem tem razão. Provavelmente, já detinha do conhecimento de qual seria a resposta e, desde que começaram a esfregar, possuía aquele olhar de “eu te avisei”. O Stark assentiu com rapidez e massageou as mãos por apenas alguns segundos antes de retornar a tarefa que fazia anteriormente. Jon soltou um curto som de negação e também retornou sua atenção total para a tarefa. Quanto mais se esforçassem, mais cedo aquele dia terminaria e poderiam ir para a cama e descansar.
— Sabe que não precisava estar aqui comigo, não sabe? Esse é um dos castigos mais brandos de Lady Stark – Jon disse com um sorriso compreensivo.
— É óbvio que eu... – Robb começou o discurso que prepara já prevendo tal dizer, entretanto, se interrompeu – o quê?!
De repente, ergueu a cabeça com os lábios separados em uma súbita onda de indignação. Sua mãe realmente abusava de seu poder como senhora do castelo e de todo o Norte para punir duramente um garoto que não passava dos doze dias de nome completados? Por alguns segundos, mal conseguiu formular um pensamento coerente que pudesse culminar uma frase boa. Seu meio-irmão, em um rompante, notou o que falara e quase se bateu. Como pudera ser tão estúpido? Ninguém sabia das noites que virava para cumprir o que a Lady ordenara que fizesse, agora, Robb sabia.
— Por que você não me disse antes?! – Exclamou com mais raiva do que pretendia. Mas, em sua defesa, se controlar era uma visão distante.
Jon se encolheu com se tom de voz e negou com a cabeça, os olhos cinzentos gritando sem uma única palavra que aquilo era comum para si, e o Stark, por alguns momentos céleres, se questionou quão longe o Snow fora levado por causa do ódio ardente que sua mãe sentia dele. Logo, abanou a cabeça com os cachos ruivos caindo em uma confusão escarlate por seu rosto, nem um tantinho menos irritado, todavia, com uma melhor capacidade de racionar do que no início de seu pequeno surto.
— Porque não parecia nada demais...
Foi como se um incêndio houvesse sido acendido novamente dentro de seu peito. Não sabia o que ocorrera com seu irmão, porém, não conseguia apaziguar o temperamento destrutivo que se apoderara de si. Jon era seu companheiro e melhor amigo desde que se entendia por um garotinho chorão: dormiam juntos, comiam juntos, estudavam juntos, treinavam juntos, brincavam juntos e faziam tudo o que precisavam fazer juntos desde que chegaram em Winterfell como crianças de peito.
— Nada demais? Nada demais? Sete infernos, Jon! – Começou com um tom não muito suave. – Se isso voltar a acontecer, me avise, está entendendo? Me avise! E eu estarei aqui com você!
O Snow o olhou como quem buscava uma forma de rebater a afirmação dita, todavia, Robb apontou para as poucas taças que ainda repousavam sujas na bancada de pedra gelada e para a lua que subia pelo céu já mergulhado no manto azul-prussiano na clara mensagem de que não haveria mais qualquer brecha para discussões e que deveriam focar no trabalha que restava para que pudessem deitarem-se. Jon suspirou em derrota e voltou a esfregar, e assim fez o Stark sentindo, mais uma vez, as juntas protestarem com o esforço que conseguia ser pior do que a dor causada pelo cabo nodoso das espadas de madeira com que treinavam.
Por várias voltas de lua, Robb Stark manteve sua promessa. Entretanto, após algum tempo, não precisava mais fazer isso sozinho. Arya costumava os acompanhar. Mais por amor à Jon do que à Robb, e o irmão mais velho sabia disso e entendia.
Notas finais
Gostaram? Tem alguma crítica? Sugestão? Correção ortográfica? Quer me dizer alguma coisa? Deixa tudo nos comentários que me sentirei honrada em respondê-los.
Abraços,
Palavra Perdida.
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