Sweet blasphemy
4 Capitulo 4 - best friends
Lucas percebe que Diana e sua mãe saíram do carro e que o táxi está parado frente a sua casa. Sua mente volta de seu transe reflexivo como quem liga um motor a combustão interna em um dia frio. Rafael pega sua mochila, desafivela o cinto-de-segurança e sai do táxi, Diana abre a porta para ele que despedindo do taxista educadamente.
Os dois amigos passam rapidamente pelo pátio e os cômodos da casa até chegar ao quarto de Rafael sem ater a detalhes, como um vento minuano que sopra forte levantando as folhas sem se importar com os obstáculos. Fecham a porta e o estrondo assusta Rafael, pois não imagina ter empregado tanto força no ato.
– Não vão quebrar a porta. Grita a mãe que entra segundos depois dos adolescentes. Rafael se joga na cama de barriga para baixo abraçando o travesseiro.
– Rafa!
Rafael se vira. Senta na cama colocando o travesseiro na guarda da cama para se escorar. Cruza as pernas e olha para Diana sem nada dizer e exibindo uma expressão neutra.
– Rafael o que aconteceu contigo meu amigo. — Diana senta ao lado de Rafael na cama e gentilmente passa sua mão em suas costas.
– Eu não sei... Sei lá... Vai ver esse desmaio seja uma punição.
– Punição do que?
– De eu ser diferente.
– Mas todo mundo é diferente.
– Mas sei lá, Di... Eu faço tudo errado. Quando penso que esta tudo indo bem, acontece algo que me deixa mal. Sempre brigando. A culpa é minha é isso, seria melhor não ter nascido. — Dos olhos de Rafael escorrem lágrimas tímidas.
– Ta Rafa para com isso. É melhor agora agente não pensar nisso.
Rafael, sentado na cama com as pernas cruzadas, puxa seu travesseiro colocado-o meio ao vão das pernas e joga seus braços sobre ele, seus olhos castanhos são ternos e distantes.
– Ta bom. – Rafael faz uma pausa – Você quer jogar “Bomberman”? To com a ROM dele no PC.
– Quero!
Rafael tira do roupeiro o seu notebook e liga ele após colocar encima de uma pequena mesa de desenho bege.
– Você joga no controle e eu no teclado.
– OK.
– Droga!
– O que foi?
– Meu controle não ta aqui, o Miguel deve ter pegado.
– Ta e agora?
– Vo lá pegar com ele.
Rafael sai do seu quarto e vai a direção do quarto de seu irmão. A porta esta aberta. Rafael entra e vê seu irmão jogando com seu controle. Seu irmão o olha de canto de olho.
– Eae dodói, não quebrou a cabeça não?
– Eu só desmaiei.
– Atá.
– Mi, eu preciso do meu controle.
– Pra que? Pro teus joguinhos bobos, usa o teclado.
– A Diana ta ai e vo emprestar pra ela jogar comigo.
– Bomberman, né?
– É.
– Não, com tanto jogo legal vão jogar Bomberman... Brincadeira isso.
– O meu chatinho para de enrolar e me dá o meu controle.
Rafael põem a mão na cintura. Seu irmão percebe e afia a língua.
– Ta, mas vê se não vai desatarraxar com essa mão na cintura Oh cosplay de bule.
Rafael baixa rapidamente o braço, e irritado insiste pelo controle. A mãe ouve a discussão dos filhos e se põe a porta do quarto a perguntar:
– O que ouve, em?
Rafael vira para mãe falando gesticulando com os braços.
– Nada, mãe. Eu só vim pegar meu controle com o Mi. E o chato não quer me entregar.
– Meu filho, dá o controle para o teu irmão e para com essa briga.
– Ta, mas, só ele parar com a bichisse dele. Parece uma menininha gritando.
– Miguel!!
– Ta os dois parem já com isso ou ninguém mais vai jogar nada.
Os dois irmãos se calam e Miguel entrega o controle para Rafael.
– Vou ter que pedir aluguel do controle.– Ironiza Miguel ao desengatar o controle da entrada USB de seu Notebook.
– Acho que é o contrário, né maninho?
– Os dois, por favor, parem de bater boca.
A mãe sai em direção da cozinha para aprontar os últimos detalhes do almoço. Rafael pega seu controle e sai esboçando uma leve indignação com o irmão. Porém ainda não satisfeito Miguel brinca mais uma vez com seu irmão dizendo-lhe que ao sair não desmunhecasse tanto, pois estava “dando na vista” e ri de sua própria piada, e por fim resmunga que teria que jogar outro jogo, um que adaptá-se melhor ao teclado. Rafael entra em seu quarto, porém desta vez toma cuidado para que a porta não batesse novamente. Ainda um pouco indignado com irmão. Entrega o controle a Diana, que o engata no computador. -
Di, eu juro! Amo meu irmão, mas ele me irrita.
– Mas Rafa, você sabe, que apesar dele pegar pesado contigo, ele tem razão em dizer que você ta “dando pinta”. Pra tua própria segurança toma cuidado.
– Como assim?
– Rafa, sério agora! Qual foi a ultima garota que você ficou?
– To trabalhando nisso.
– Mas o que é “nisso”?
– Ta, eu sei... Mas é estranho, na verdade eu to só tentando ser eu mesmo.
– OK, mas toma cuidado. Não quero te ver machucado que nem hoje. Teu pai e teu irmão são bem machistas e vão te infernizar.
– Então eu tenho que deixar de ser eu, de novo e ser o que eles querem que eu seja? Não, isso não!
– Não to falando isso Rafael eu to falando que tem outras formas.
– Ta, mas o que faço então?
– Agora deixa assim. Só cuidado pra não exagerar na frente deles. Longe você pode ser o que quiser.
Rafael inicia o jogo enquanto Diana olha para ele em seus movimentos delicados.
– Além disso, amanhã agente vai sair, lembra?
– Sim e daí.
– E daí vai ser uma festa temática e eu... – Diana baixa o volume de sua voz – consegui umas roupas de Lolitas pra nós.
Rafael se afasta e arregala os olhos. Assombrado. Seus braços rígidos ao corpo.
– Eu devia ter desconfiado quando você me deu aquele par de brincos.
– Deixa de ser bobo que você gostou da idéia.
– É, mas eu não sei se vou ter coragem.
– Deixa isso pra amanhã. Amanhã agente pensa no que vamos fazer.
Rafael respira fundo afastando a idéia maluca dos dois saírem de lolita para a festa do dia seguinte. O garoto inicia o jogo e os dois começam no típico dialogo de jogares: vai para lá, ú pra cá, um palavrão de vez em quando. Assim passam um tentando destruir o avatar do outro no cenário do jogo. Os Muitos bipes, explosões agudas e musicas mecanizada em 16bits divertem e empolga os dois. Uma parte da mente de Rafael devaga sobre as vezes que lhe perguntaram: como eles, jovens e adolescentes, conseguiam gostar tanto desses “joguinhos”. A resposta sempre é a mesma “é porque é bom”.
– Olha o almoço gente, ta pronto, não vou chamar duas vezes.
Grita a mãe da cozinha.
– Oba, comida. Vamos Di!
Rafael desliga o jogo e se levanta arrastando a amiga para a cozinha. A mãe observa os dois amigos vindo em sua direção zombando um do outro.
– Filho, chama teu irmão pra mim, que pra ele desligar daquele computador é um parto.
– Sim, mãe...
Rafael volta pelo corredor até chegar à porta do quarto do seu irmão, coloca a cabeça para dentro do quarto e indaga
– Miguel, é pra você desligar o vídeo game e te servir, que a mãe ta mandando.
– É computador, Rafa.
– Miguel lança seu sarcasmo sem desgrudar os olhos da tela do computador.
– Da na mesma, você só ta usando a plataforma pc.
Miguel não retruca, só faz cara feia para a afirmação do irmão, mas não move as mãos do teclado e nem tira os olhos da tela.
– Ta Miguel, a mãe ta esperando.
– Ta já vou, que coisa.
Miguel fala enfurecido, enquanto tenta não perder a concentração no jogo. Rafael sai antes que seu irmão se exaltar, pois detesta quando gritam com ele.
– Grosso... –
Indaga Rafael. O Rapaz volta para cozinha e se senta à mesa. Diana esta sendo servida por sua mãe. Rafael pega seu prato e se serve, logo, senta ao lado de Diana que come feliz a sua porção. A tv da sala dá noticia da região, um temporal que se aproxima da costa e trará fortes ventos a cidade. O volume alto da tv deixa a noticia nítida para quem está na cozinha. A mãe de Rafael não senta, ainda esta indo e vindo de vários pontos da cozinha, pegando uma coisa e guardando outra, deixando sua comida de lado.
– E o Miguel, em?
– Ele disse que já vem.
– Mas esse ai não para nem pra comer com esses jogos. – Suspiro – — Problema é dele. A mãe sai da cozinha e vai ao corredor gritando ao filho – Miguel vem comer de uma vez que a comida ta esfriando.
– Já vou... Que coisa.
A mãe inconsolada volta à cozinha. Serve-se de uma pequena porção de comida. Um breve silencio entre os que se alimentam é quebrado com a chegada de Miguel.
– Que coisa, eu tava quase terminado a fase.
– E a sua comida já deve estar fria.
– Que fria mãe, tá saindo vapor.
Rafael e Diana só observam enquanto Miguel terminava de se servir, e volta para o quarto com o prato de comida numa mão e na outra um copo grande cheio de refrigerante. Típica cena daquela família em particular.
– Vê se não esquece o seu prato sujo no quarto.
– Ta mãe.
Miguel some no corredor dando de ombros para as palavras da mãe. Rafael e Diana terminam de comer, põem a mão na barriga e dizem para o ale “obrigado pela comida”, fazendo referencia a palavra “itadakimasu” que é forma japonesa de dizer que estão satisfeitos e agradecendo a benção de poder comer. Rafael levanta carregando sua louça e de sua amiga para lavar. Abre a torneira, a água respinga quando bate nas demais louças que sobraram do preparo da comida. Rafael decide lavar tudo que está a sua frente. Antes de terminar com a lavagem, sua mãe deixa o prato junto a pia e pede a Rafael para o lavar. Rafael concorda emitindo um esquisito som de aprovação, ao mesmo tempo em que balança suavemente sua cabeça positivamente. Sua mãe deixa a cozinha em direção ao banheiro, logo, volta com uma trouxa de roupas sujas, passando pela cozinha e chegando até a área de serviço, onde as deixa no taque, separa-as por tonalidades, jogando as claras na maquina de lavar roupas primeiramente, ajusta o tempo para a lavagem completa e liga, antes separa em um balde as escuras, que na maioria eram do Rafael, e no outro as coloridas.
– Viu Diana como uma mãe sofre em casa. A mãe passa pela cozinha mexendo com Diana.
– Oh, se vi.
Diana sorri carismática para a mãe de Rafael.
– Pronto terminei.
– Não precisa secar, Rafa?
– Não, é só deixar no escorredor de louças.
– Ta bom.
– Rafa, não esquece de secar a pia também.
Passa a mãe com mais roupa para lavar, dessa vez tirado dos armários. Rafael e Miguel às vezes, por descuido ou simples preguiça, guardavam suas camisetas úmidas de chuva ou suor no armário sem estender previamente. O pai dos meninos também aprontava, costumava deixar roupa espalhada pelo quarto e sala. A pobre mãe brigava, porém não conseguia por em pratica a cooperação na casa, então se sujeitava a gerenciar e executar as tarefas pesadas do lar.
– Eu já sequei mãe. Rafael seca suas mãos enquanto responde para sua mãe e ao sair em direção à sala sua mãe chama sua atenção.
– Filho, vê se seu irmão já terminou de comer e traz a louça dele. Não precisa lavar se não quiser. É só pra não deixar louça suja espalhada, porque se depender de seu irmão ele faz uma coleção de pratos e copos sujos em seu quarto.
– Pode deixar, mãe.
Frente ao seu quarto, Rafael pede para Diana esperar-lhe ali que já voltava. Seguiu pelo corredor, entrou sem se manifestar pela porta do quarto do irmão, pegou o prato e o copo usado por seu irmão e sai em direção à cozinha sem dar muita atenção aos xingos que seu irmão fala a cada momento difícil do seu jogo. Voltando para cozinha, Rafael, lava a louça usada por seu irmão, além de alguns talheres que faltavam lavar. Terminado, abre a geladeira e pega duas cremeiras cheias de mingau de chocolate e leva consigo.
– Mãe! Peguei dois cremes na geladeira, pra mim e pra Diana!
– Ta filho.
Rafael sem demora chega ao quarto e ao entrar encosta a porta com o pé. Diana esta mexendo nas pastas de mp3 de Rafael no computador. Variando de pasta em pasta adicionando musicas a lista de reprodução do winamp, que reproduz no momento “The last Day on Earth” de “Marylin Manson”. Rafael olha por cima do ombro de Diana bem a tempo de vê-la adicionar “Ascedead Master” de “Versailles”.
– Bela lista.
– Toma, trousse pra ti.
Rafael entrega uma das cremeiras à Diana.
– Brigada, mas e a colher?
– Esqueci.
– É um bobo.
Rafael rapidamente sai em busca das colheres esquecidas. Logo após pegar as colheres na cozinha, o telefone toca na sala. Rafael que passava ao lado, não se faz de rogado e atende.
– Alo?
– Eae Rafa, quer dizer que então que já ta um ancião.
– Oi Lucio... Que isso to fazendo apenas 15 anos.
– Então, velho, já passou por um quarto da sua expectativa de vida.
– Lucio... Esqueceu que você nasceu no mesmo ano que eu e ainda faz aniversario por primeiro?
– Por isso!
– Eu mereço...
– Então vai ter festa amanhã?
– Olha meu pai vai fazer um churrasco pra nós, se quiser aparecer mais cedo do que de costume e almoçar com agente.
– Claro, vou avisar o Rodrigo também, ta?
– Certo...
– Aquela tua amiga bonitinha vai tar?
– A Di, já ta aqui Lucio...
– Opa...
– Lucio, sossega...
– Que, tu ta pegando?
– Claro que não, ela é minha amiga, lembra?
– Veado.
– Ta... Ta... Ta... você ligou pra falar com o Miguel, né?
– Isso.
– Ta. Já vou passar ele.
– Valeu ai.
Rafael leva o telefone sem fio consigo. Entra no seu quarto e dá as colheres para Diana.
– Já, volto, Di.
Depois segue em direção ao quarto de seu irmão para entregar-lhe o telefone. Tropeça no carpete do corredor e xinga-o. Entra quarto à dentro estendendo o telefone para seu irmão. Seu irmão ao perceber a cena pausa o jogo.
– Toma. É o Lucio.
Miguel toma o telefone da mão do irmão sem cerimônias. Rafael sai do quarto. Lucio era o melhor amigo de Miguel, os dois estavam sempre enfurnados um na casa do outro travando batalhas épicas em seus jogos de vídeo games, seja em consoles ou nos computadores, às vezes se juntavam com mais amigos e jogavam todos em rede, fazendo uma grande festa com jogos e comidas gordurosas e como sempre sem nem uma menina por perto. Rafael não dividia a mesma euforia de Miguel e Lucio tinham por vídeo game, ele gostava apenas, mas nem por isso deixava de ter Lucio como um bom amigo, pois além dele sempre demonstrar ser um parceiro para todos os momentos, ele participava do mesmo grupo onde Rafael, Miguel e mais outros amigos que jogavam aventuras em RPG. Rafael deixa seu irmão falar com o amigo e volta para fazer companhia a Diana.
– Rafael se você demorasse mais um pouco eu ia comer o seu creme.
– A é, engraçadinha.
Rafael senta na cama ao lado de Diana, que esta diante do computado em um mocho alto com os cotovelos apoiados na mesinha que esta o computado. Rafael começa a saborear sua sobremesa, sua cara esbanja satisfação do toque do doce em sua boca. O computador reproduz a musica “wakure” de “Kaya”, uma das musicas favoritas de Rafael por seu estilo melódico e vibrante, que consegue combinar obscuridão com entusiasmo. Rafael lembra de encostar a porta para que a musica não incomode os demais moradores da casa. Levantasse, fecha a porta e rapidamente esta de volta ao seu lugar. Diana passa o dedo no creme de chocolate de Rafael e leva a sua boca.
– Diana... Esse é meu!
– Mas roubado é mais gostoso.
Rafael mostra a língua para Diana e termina em poucas colheradas o que restou da sobremesa que comia. — Rafa, agora que você está mais calmo. Me conta o que aconteceu com você quando foi buscar suas coisas na biblioteca?
– O que me aconteceu!
– Sim, menino... Você estava super normal até o momento que entrou no colégio e voltou pro táxi transtornado.
– É estanho.
– Como assim?
Rafael tirou a colher da boca e juntou ao prato, colocou-os delicadamente ao lado do computador, olha para tela do monitor que exibe um plano de fundo do anime “neo geneses evangelico”, onde, se vê a personagem principal “Ikari Shinji” a frente de sua unidade “eva” em berserker ao fundo, junto um enorme logotipo da NERV. O computador reproduz audivelmente “Wind” de “Akeboshi”. Ao chegar no refrão, com olhar distante, Rafael canta baixinho junto com o interprete “becose you hate your self in the end”. Aperta fortes os olhos, na tentativa de segurar suas lagrimas. Volta à si e olhando profundamente para os olhos de Diana conta tudo que lhe aconteceu na biblioteca, sem esquecer um detalhe, as vezes voltando uma parte ou outra para melhor enfatizar sua história.
– Que coisa doida, Rafa. Não é à toa que você voltou tão assustado pro carro. — Pois é...
– Ta... Mas ele te machucou?
– Não... Porem...
– O que?
– Sabe quando eu desmaiei?
O telefone toca, era o celular de Diana, o toque era uma versão do tema de vitória do jogo Final Fantasy VII. Diana atende, Sua mãe preocupada pergunta porque ela não ligou, esquecida, Diana pede mil desculpas e que isso não ia mais acontece, porém a mãe sabia que essa era uma promessa que a filha nunca ia cumprir, como todos os filhos fazem com suas mães desesperadas por noticias. A mãe antes de despedir disse lhe que estava tudo pronto para leva-os à festa que planejaram para fim do dia seguinte, Diana agradeceu, animada, o esforço da mãe para ajuda-a nessa festa. As duas começam quase interminável momento de despedidas que toda mãe zelosa tem com o filho ao telefone, depois de alguns segundos Diana desliga a ligação.
– Desculpa, Rafa... Mas o que você tava falando.
– Não, é que com tudo isso eu não consegui tirar o nome que me veio à cabeça quando eu acordei na biblioteca.
– Que nome?
– Harziel.
– Nossa... Você lembrando um nome. Você está bem impressionado.
– Pois é, e acho, cada vez mais, que isso tem a ver com o desenho que eu fiz na aula. Eu to muito confuso... Assustador.
Diana abraçou fortemente Rafael, dizendo que tudo irá terminar bem.
– Eu to com medo Di.
– Olha só, segunda agente conversa mais com a Carmem sobre o assunto, aposto que ela vai poder te ajudar, como me ajudou.
– Ta, mas eu não consigo esquecer. — Rafael se põem a chorar.
– Rafa, calma, tudo tem jeito.
Rafael se joga na cama, suas lagrimas não escorrem mais, porém está pensativo. Os pensamentos de Rafael voam tão longe que nem percebe que “Le ciel” sua musica favorita da “Malice Mizer” começa a tocar na lista de mp3 que Diana compôs no computador.
– Rafa, você baixou Gravitation, seu safadinho. Rafael sai de seu transe.
– A minha sorte que o Miguel não sabe o que é um yaoi e nem que existe esse anime. Porque com o grito que você deu ele com certeza ouviu do quarto dele.
– É seu irmão nunca repara o que não faz parte do mundo dele.
– Pois é. Sorte minha.
– Rafa tu já viu todos os episódios?
– Só não vi o ova que ta ai na pasta.
– Hm, quero ver.
Rafael ajeitou o computar de forma que os dois pudessem ficar sentados na cama vendo o anime. Pegou algumas almofadas na sala para eles se escorarem nelas, um saco de pipoca de microondas sabor amanteigado, e uma jarra de suco instantâneo sabor uva (seu favorito). Ao passar pela sala novamente olhou para o relógio, quinze para às cinco marcava, Rafael indagou que já estava ficando tarde.
– Pronto, Di!
Ele ajeitou com desdém seus mantimentos e as almofadas. Os dois se jogaram na cama e apertaram o botão de início no “mídia player” do PC. Diana e Rafael se aninharam um no outro para assistir a animação. Risos, choros, cumplicidade provocava o emocionante desenho nos dois. Aquilo realizava uma parte muito intima de cada um. O tempo passa voando depois disso. O pai de Rafael chegou em casa e como sempre passou reto pelo quarto de Rafael e se ateve a brincar e mexer com Miguel, sempre falando de jogos de futebol, virtuais e reais, porém só entrou no quarto de Rafael por perceber que Diana estava lá, cumprimentou-a com todo desdém e volúpia. Rafael se sentia enojado quando percebia a volúpia do pai à sua amiga. Ao Rafael um simples comprimento seco ele teve. Como já dito antes, eles eram de mundos diferentes, e por mais que eles quisessem se aproximar, sempre teria uma textura incomoda e superficial entre eles. Não era culpa de ninguém, apenas era algo acima da compreensão de cada um. Porém aquilo matava Rafael por dentro, amar alguém e não se sentir amado e nem correspondido. Passado esse embaraço diário, seu pai se jogou no sofá a fim de ver seus programas favoritos, que na maioria envolvia futebol, ou simplesmente passar de canal em canal sem ter algo definido em mente. A janta foi servida logo depois da chegado do pai. Todos comeram em peças diferentes da casa. Era pastel e Rafael procurava pegar os de queijo, mais saborosos ao seu paladar. Diana sempre reparou que Rafael era outra pessoa quando seu pai entrava em casa, ele ficava mais calado, baixava a musica e som do que estivesse assistindo. Diana via-o se escondendo dentro de si, inseguro, pálido e frio, diferente do Rafael que era com ela, meigo, brincalhão, carinhoso e prestativo. Porém Diana pensava que era melhor respeitar o momento do amigo, que se tentasse fazer alguma coisa poderia o expor de tal forma que o prejudicaria e o magoaria.
– Adoro pastel de Queijo.
– To vendo, Rafa. Toma, troco dois de queijos meus por dois de carne seus.
– Oba. Eu já disse que te amo? Risos.
– Eu vou pegar mais refrigerante, quer?
– Sim.
Rafael vai rapidamente para cozinha para aplacar sua vontade. Repara que sobrará dois pasteis de queijo na bandeja de pasteis.
– Mãe. Posso pegar um desses pasteis de queijo.
– Pode pegar os dois, meu filho, a mãe não quer, já ta cheia.
Diana esperava Rafael ansiosa para beber mais um gole de refrigerante. Seu atrapalhado amigo entra pela porta quase emborcando o copo ao passar pela porta. Pois tentava equilibrar os dois copos numa mão, apoiados pela outra que trazia um dos pasteis e o outro sendo segurado pela boca. Diana não resiste e captura a cena com a câmera do seu telefone celular.
– Nossa Rafael, cada dia você me convence mais que saíste de um desenho animado.
Rafael entrega o copo da amiga fazendo uma careta fingindo descontentamento com o dito. Rafael devora rapidamente os pasteis e recolhe seu prato e o de Diana para levara à cozinha. Volta rapidamente para o quarto. Reativa o computador entregando o controle para Diana.
– Toma, vamos jogar D&D para ARCADE.
– Sério que você tem esse jogo?
– Sim, os meninos baixaram no meu PC no finde passado. Claro que o único meio de virar ele é por emulador, nossa Di, você morre muito nesse jogo. — Nossa. Rafael abre o aplicativo para jogarem e iniciam o jogo. As horas passam. Diana começa esfregar os olhos de sono.
– Rafa, eu vou dormi.
– Ta, eu vou arrumar sua cama.
Rafael puxa um colchão de baixo de sua cama com um pequeno travesseiro, lençol e coberta dobrados em cima. Ajeita da melhor forma que pode o lençol sobre o colchão e afofa o travesseiro para sua amiga deitar-se. Rafael olha no aplicativo de horas no computador que marca uma e meia da manhã. Decide deitar-se também. Os dois, já ajeitados em suas camas riem juntos de bobagens que contam um para o outro, até que ambos caem no sono. Porém Diana acaba adormecendo primeiro, Rafael se debate por mais meia hora até o abraço de morpheus o levar para o reino sombrio dos sonhos. ...
Fale com o autor