Sweet Temptation
36 Capítulo Trinta e Cinco - Together
Notas iniciais
Espero que gostem (;
Edward POV.
Não demorou muito e logo estávamos próximos à casa de Sam. Charlie parou um pouco antes, seus olhos procurando por qualquer movimento suspeito. Nós procuramos também, mas a rua parecia incrivelmente calma, vazia.
Ele ainda não tinha chegado ali.
Não tínhamos muito tempo para mandados, nem planejamento. Só montamos um plano rápido – e um reserva, caso o primeiro desse errado – e descemos do carro, dando a volta na casa, olhando pelas janelas, somente para encontrar tudo ali escuro.
Depois de conseguirmos arrombar a porta dos fundos, entramos, nós quatro em silêncio, procurando por algum sinal de que havia alguém ali dentro, mas a casa estava vazia.
- Devemos nos separar? – Phillipe, o amigo de Charlie, indagou, seus olhos à procura de algum computador.
- Não – eu respondi. – Melhor ficarmos perto um do outro. Vamos apenas começar por aqui e se não acharmos nada, vamos para o segundo andar.
Sabendo que tínhamos que terminar ali antes que Sam voltasse para casa, procuramos ser rápidos, e, no segundo andar, encontramos no quarto de Sam, um notebook jogado na cama.
Enquanto Phillipe tentava descobrir a senha de Sam, eu e Charlie ficamos olhando pela janela do quarto dele, atentos a qualquer movimento.
- Consegui! – Phillipe disse, alguns minutos depois. – Certo, agora eu só preciso pesquisar...
Eu sentia meu coração batendo contra o meu peito a toda velocidade, me sentindo a cada minuto mais nervoso. Se Phillipe conseguisse encontrar algo que pudesse nos ajudar, dentro de algum tempo eu poderia estar a caminho de resgatar minha garota.
Eu precisava dela em meus braços o mais rápido possível. O quanto antes.
- Anda logo, Phillipe, por favor – eu me ouvi dizendo, antes que me desse conta. – Só… encontre logo.
- Ele andou pesquisando por várias casas, calma – murmurou. – Eu só preciso de um minuto...
Mexi minhas mãos de forma nervosa. Eu sentia meu coração quase parando de bater quando via um carro entrar na rua, com medo de que fosse Sam.
- Consegui! – ele disse, por fim, para o meu alívio. – Ele alugou uma mansão há pouco mais de uma semana, mas não foi no seu nome... Ela fica afastada da cidade...
Tinha que ser essa.
Observei meu chefe anotando o endereço e depois pedindo que saíssemos de lá o mais rápido possível. Phillipe pegou o notebook com ele, e tão rápido quanto entramos, logo estávamos saindo do local.
Por mim, iríamos direto para a mansão, mas eu sabia que não podíamos. John já tinha nos enganado uma vez, ele não poderia fazer tal coisa novamente. E também tínhamos que nos certificar que Bella estava segura.
Só então poderíamos invadir o local.
E eu não via a hora de tal coisa acontecer.
Fomos direto para a sala de interrogatório quando chegamos. Sam ainda não tinha aparecido, então Charlie ligou para ele, pedindo que ele fosse urgente até a delegacia. Ele ainda tentou nos enrolar um pouco, dizendo que só precisava passar em casa, mas Charlie o enganou, dizendo que tinha descoberto quem era o traidor e que eu o iria interrogar naquele momento.
Acho que isso serviu para fazê-lo desistir de ir até sua casa naquele momento.
- Preparados? – Gerandy perguntou. – Vamos fazer tudo conforme combinamos. Precisamos garantir que ele não telefone para John nem nada do tipo. Nossa prioridade é manter Bella segura.
Eu e Charlie assentimos.
Sam chegou poucos minutos depois, parecendo mais alegre e animado do que nunca. Pedimos que se sentasse, que nosso colega traidor já tinha sido chamado e estava a caminho.
E então, assim que Charlie fechou a porta do interrogatório, eu me virei para Sam com um sorriso no rosto.
- Você realmente acha que somos idiotas – eu comecei. – Sabe, Sam, ligar para John logo após sair da delegacia e dizer que eles descobriram que há um traidor… não foi muito inteligente. Não fui muito inteligente deixar seu computador desprotegido na sua casa também...
Pela primeira vez desde que ele tinha sido chamado ali, o vi parecer um pouco preocupado, mas nem por isso parei. Inclinei-me na mesa e o fitei nos olhos. Estava sendo difícil – e muito – resistir a vontade de voar na sua cara e fazê-lo me dizer como eu fazia para invadir a mansão, quantos capangas estavam cuidando da segurança da minha Bella.
Mas eu sabia que não conseguiria as coisas desse jeito.
E sabia que precisava me acalmar também.
- Não sei do que você está falando, Edward – ele soltou uma risada nervosa. – Não sei mesmo. Eu vim aqui pensando que vocês tinham encontrado um traidor e você me acusa?
Foi a minha vez de rir.
- Estamos conseguindo um mandado para efetuar sua prisão nesse momento – eu disse. – Você sabe, com os dois chefes da delegacia ao nosso lado e a terceira estando desaparecida, além de todas as provas que temos contra você, não vai demorar muito... E bem, você já efetuou muitas prisões, já estragou, por assim dizer, a vida de muita gente... Acha que ninguém vai querer se vingar quando você for preso?
Ele engoliu em seco.
- Por que você fez isso, Sam? – Charlie se pronunciou pela primeira vez. – Por que se juntou ao John? Logo você, que eu pensei que era um bom amigo, um bom policial...
- Charlie... – ele começou, mas Charlie ergueu a mão, o silenciando.
- É de minha filha que estamos falando – murmurou. – Minha garotinha... Como você espera que eu aja? John quer sair do país com a minha filha... Eu não posso deixar isso acontecer...
- Então, vamos fazer uma proposta para você – eu disse. – Você pode nos ajudar e nos contar como estão fazendo a segurança da mansão, e podemos deixá-lo ficar preso em uma cela individual até o julgamento… ou você pode resistir e negar, como vem fazendo, e bem, nós não poderemos fazer nada por você.
Balancei minha perna de forma frenética, enquanto esperava pela sua resposta. Sam olhou para o meu pai, para mim e para Gerandy, até que por fim assentiu.
- Eu vou ajudar.
Pelos próximos minutos, anotamos tudo o que ele tinha para falar. Tiramos sua arma, distintivo e celular, e o revistamos, antes de trancá-lo na sala de interrogatórios e deixarmos dois guardas tomando conta dele, além de um que ficaria o olhando através do vidro o tempo todo.
- Não se afastem daqui, não o deixem sozinho – eu os alertei. – Se precisarem ir ao banheiro ou comerem algo, revezem, ok?
Pela próxima hora, juntamos policiais de diversas delegacias, montando uma operação para entrar na mansão de madrugada, quando a maioria do pessoal estaria dormindo.
Quando tudo estava pronto, seguimos em direção à mansão. Seria difícil, eu sabia, e não tinha ideia do que iria acontecer.
Mas pelo menos eu tinha certeza de algo.
Era a hora de buscar a minha garota.
Bella POV.
As horas pareciam se arrastar, embora eu não pudesse ter certeza deste fato, já que não havia um relógio naquele quarto. Quando ficar sentada na cama, encarando o nada ou pensando em uma forma de fugir, não era o suficiente, eu apenas começava a andar de um lado para o outro.
Mas eu me cansava disto rapidamente também.
Eventualmente, alguém entraria no quarto – sejam as duas garotas que me vestiram ou os guardas que pareciam cuidar exclusivamente da minha segurança – e deixaria um prato de comida ou algo assim para mim. Eu mal tocava neles, me forçando comer só um pouco – já que não queria desmaiar nem nada do tipo –, mas deixando a maioria da comida no prato.
Tudo o que eu queria era sair logo dali.
Mas eu nem mesmo tinha notícias de meu pai, de Edward... Edward...
Será que ele sentia minha falta?
Meu peito sempre se apertava quando eu pensava nele e nas palavras que ele tinha me dito, no que parecia ser meses atrás, na cozinha da casa do meu pai. O modo que seus olhos me fitavam, a profundidade de suas palavras... Eu ainda estava um pouco magoada com ele e, caso voltássemos, sabia que teríamos muito o que arrumar e teríamos de começar de novo, mas… eu o queria. Eu queria estar perto dele.
Fiquei ali durante horas e horas, sem nenhum sinal de John. Eu já tinha desistido, e estava acabando de sair do banho, quando o vi sentado na minha cama.
E ele não parecia nada feliz.
- Seus coleguinhas – debochou –, são espertos demais. Infelizmente, para eles, eu sou ainda mais.
Ele soltou uma gargalhada e balançou a cabeça, seus olhos avaliando a roupa que eu usava. Era uma calça de flanela – a mais larga e feia que eu tinha encontrado ali – e uma camiseta um pouco larga. Mas John me olhava como se eu estivesse com uma camisola de seda.
- Até com roupas feias você consegue ficar linda – ele riu.
- O que você quer dizer com o fato de meus colegas serem muito espertos? – eu indaguei, cruzando os braços em frente aos meus seios, querendo escondê-los dos olhos de John.
Ele fez outra careta.
- Eles descobriram que tem alguém na delegacia me ajudando – disse. Eu arregalei os olhos. – Nem mesmo você, que é tão inteligente, cara mia, sabia disso... Mas eles descobriram. É Sam, o detetive, sabe? Ele estava cansado de viver com a mixaria que vocês ganham na delegacia, e ter que pagar pensão para uma esposa que o traiu e seus dois filhos... Eu o ofereci o trabalho no momento certo, e hoje ele é um dos mais espertos e fieis homens que eu tenho.
Engoli em seco. Eu nunca tinha imaginado que Sam, aquele que parecia estar sempre ali para ajudar, podia fazer algo assim comigo. Conosco. Com meu pai, a quem ele considerava um amigo...
- Mas você não tem que se preocupar com nada, Bella mia – riu. – Amanhã, à essa hora, estaremos bem longe daqui, e poderemos começar nossas vidas...
Eu o fitei sem dizer nada, simplesmente porque não havia nada que eu pudesse dizer. Sam tinha nos traído… durante todo o tempo... Era por isso que John tinha conseguido fugir da delegacia... Tudo parecia se encaixar com tanta facilidade agora que eu me perguntei como nunca poderia ter notado isso antes.
Suspirando, John se levantou da cama e caminhou para perto de mim, sorrindo.
- Vou cuidar de você, bella mia – ele sussurrou. – Vai ser um pouco difícil no começo, eu sei disso, mas logo você vai saber que fomos feitos um para o outro.
Afastei-me quando ele se aproximou, erguendo a mão para acariciar meu rosto, e ele tornou a suspirar, dizendo algo tão baixo que eu não pude escutar. Depois de dizer que viriam me acordar logo pela manhã, para tomarmos café da manhã juntos, ele deixou um beijo no ar e saiu do quarto, deixando-me sozinha novamente.
Caminhei até a cama e sentei na ponta da mesma, tentando colocar meus pensamentos em ordem. Todos na delegacia confiavam em Sam... Se eles não descobrissem que era ele quem nos traía logo, algo poderia dar muito errado.
E eu tremia só de pensar em tal coisa.
Dormir naquela noite foi algo impossível. Toda vez que eu fechava os olhos, me lembrava de Edward, dos meus pais, amigos, dos meus colegas de trabalho... John tinha dito que viajaríamos no dia seguinte.
E a possibilidade de eu conseguir vê-los novamente algum dia se tornaria muito pequena.
Deixei que as lágrimas escorressem pelo meu rosto, odiando o fato de que, ali, sem nada para me proteger, eu me sentia muito vulnerável. Esfreguei meu rosto alguns minutos depois, querendo tentar descansar um pouco, mas antes que pudesse fechar os olhos, ouvi um barulho muito estranho e muito próximo dali.
Fiquei deitada na cama, quieta durante algum tempo, sem saber se deveria me mexer ou se tinha sido coisa da minha cabeça. Tornei a escutar outro barulho, algum tempo, depois, e me sentei na cama, olhando confusa ao meu redor.
Eu não sabia quantas horas eram, embora pudesse chutar que era de madrugada.
Levantei-me, devagar, e caminhei até a porta do quarto. Para a minha surpresa, ela estava destrancada. Abri-a devagar e espiei o corredor, encontrando-o vazio. Sem saber porque eu estava criando coragem de fazer aquilo depois de estar ali pelo que pareciam vidas, saí, tomando cuidado para não fazer nenhum barulho, sentindo meu coração bater forte contra o meu peito.
Cheguei até as escadas e já ia descê-las quando vi um grupo de pessoas se movendo lá embaixo. Não parei para olhar para elas uma segunda vez. Escondi-me atrás de uma pilastra, respirando de forma ofegante devido ao susto. Depois que os passos pareceram ter diminuído, eu me inclinei, pronta para olhar para o primeiro andar e ver se tinha mais alguém ali...
Senti uma mão cobrir minha boca e gritei, o som saindo abafado. Um corpo forte se moldou às minhas costas, e por mais que meu subconsciente dissesse para eu relaxar, eu lutei.
Fui levada de volta ao quarto que eu ocupava e finalmente a pessoa me virou.
E era Edward.
Lágrimas imediatamente tomaram conta dos meus olhos quando eu o vi ali, parado diante de mim. Ele sorria imensamente e me olhava como se eu fosse a coisa mais importante no seu mundo, o que me fez sorrir de volta. Eu andei até a ele, sem importar com o fato de eu estar parecendo uma bagunça e com o fato de que eu sabia que tínhamos muito o que conversar, e o abracei, enterrando minha cabeça em seu peito e respirando fundo ali.
Meio segundo depois, senti seus braços me rodearem, trazendo a segurança que eu queria tanto sentir, desde que chegara ali.
- Bella – ele respirou fundo, seu rosto enterrado em meus cabelos –, você está bem? Ele te machucou? Ele… tocou em você?
Eu neguei imediatamente, incapaz de dizer qualquer coisa.
Até que eu me lembrei de onde estávamos. E que John, ou algum de seus capangas, poderia chegar a qualquer momento.
- Edward, você tem que sair daqui – eu murmurei, me afastando um pouco. – John pode chegar aqui a qualquer momento, e eu não quero que nada aconteça a vo-
Ele colocou o dedo indicador em meus lábios, me calando e provocando arrepios em meu corpo ao mesmo tempo.
- Shhh – sorriu. – Não estou sozinho. Vários de nós estão espalhados pela casa e grande parte dos capangas de John já foi nocauteada. Só precisamos encontrá-lo e garantir que você está segura, e poderemos ir, ok?
Eu assenti.
Ficamos em silêncio durante alguns minutos, apenas olhando um nos olhos do outro. Naquele momento, comigo ali sozinha com ele, pouco me importei com tudo o que tinha acontecido, com ele tendo mentido para mim, ter me traído, me sabotado...
Eu estava com Edward, eu estava segura com ele.
E tudo o que eu queria era beijá-lo, mesmo que não fosse o lugar certo para eu fazer isso.
Puxei seu rosto para perto do meu e encostei nossas testas, novas lágrimas chegando aos meus olhos. Eu sentia que meu coração iria saltar pelo meu peito, de tão forte que ele batia.
E ele só batia daquela maneira por Edward.
- Você me assustou tanto – ele sussurrou, sua voz não passando de um sussurro. – Não saber onde você estava, se estava bem... Por favor, nunca mais faça isso comigo.
Eu sorri.
Sem dizer nada, encostei nossos lábios, apenas roçando de forma suave, antecipando aquele momento que eu sabia que seria arrebatador. Dei diversos selinhos nele, meus olhos fechados, sabendo que eu poderia ficar ali, nos seus braços para sempre.
Entretanto, antes que eu pudesse aprofundar o beijo e matar as saudades, eu escutei a porta abrindo e fechando atrás de mim.
- Eu sabia que iria encontrá-lo aqui, Cullen.
Antes que eu pudesse piscar, Edward tinha girado e me escondido atrás de seu corpo, protegendo-me. Sua arma foi apontada para a cabeça de John, que também empunhava uma arma, mas ele nem parecia notar. Seus olhos brilhavam de fúria enquanto observava a forma possessiva com que Edward me segurava, com a sua mão livre.
- Solte-a – ele rosnou, avançando um pouco, automaticamente fazendo com que retrocedêssemos. – Suma daqui. Ela é minha, Cullen. Temo que você tenha chegado tarde demais.
Edward soltou uma gargalhada. Se eu não o conhecesse bem, poderia até dizer que ele tinha, de fato, achado graça no que John havia dito. Mas ele estava furioso.
Ambos estavam furiosos. E eu não fazia ideia do que iria acontecer.
- Afaste-se. – Edward disse. – Se você não se afastar...
John voltou seus olhos para mim, fitando-me com fúria.
- Se você não se afastar dele, você vai se arrepender, Isabella – ele soltou. – Eu lhe disse que você tinha que esquecê-lo! Vai precisar vê-lo morrer para entender isso?
John tinha sua arma apontada para a cabeça de Edward e Edward tinha a dele apontada para a cabeça de John. Mas John já tinha engatilhado a arma, ele só precisava atirar… e Edward não.
Estávamos em desvantagem.
- Está tudo bem, Edward – murmurei, apertando seu braço com um pouco de força. – Eu vou com ele, ok?
Edward me segurou mais próximo de si, impedindo-me de me afastar.
- Não, Bella – ele murmurou, nunca desviando seus olhos de John, que por sua vez nunca desviava os olhos de mim. – Fique quieta aí.
John soltou uma risada.
- Ela quer vir comigo, não com você – disse, ainda sorrindo. – Por que não aceita logo o fato de que perdeu?
Tornei a apertar o braço de Edward e me estiquei um pouco, falando próximo ao seu ouvido, sem desviar os olhos de Carter.
- Confie em mim, por favor – sussurrei.
Ele relutou um pouco, mas me soltou, permitindo que eu caminhasse até John, que não deixava de sorrir nem um pouco. Ele imediatamente me puxou para si, desviando a arma de Edward e a apontando diretamente para a minha cabeça.
Senti meu coração acelerar.
- Não nos siga, ex-namoradinho – ele riu, andando de costas até chegarmos à porta, levando-me junto com ele.
Tão logo John fechou a porta atrás de si, ele começou a correr pela casa, arrastando-me com ele. Eu tentei tirar minha mão da sua algumas vezes, mas ele apenas me puxava mais forte.
Até que eu ver que estávamos cercados.
Assim que percebeu tal coisa, John voltou a me fazer de refém, a arma apontada para a minha cabeça. Eu olhei todos aqueles policiais, apontando suas armas para ele, e enxerguei meu pai depois de um tempo.
Foi quase impossível controlar as lágrimas.
- Largue a arma, John. – Gerandy disse, dando um passo para frente. – Se você fizer um mal a ela, vai se arrepender...
Ele riu.
- Saia de perto de mim – disse, agarrando-me mais forte. – Deixe-me passar com ela, deixe-nos fugir. Se eu não posso tê-la, ninguém mais terá, então não pense por um minuto que eu não atiraria em sua cabeça.
- John, largue a minha garota. – Edward surgiu próximo a nós, sua arma apontada diretamente para John. – Agora!
- Ela não é a sua garota – ele cuspiu. – Eu vou ter que te ma...
As coisas aconteceram muito rápido para que eu as entendesse perfeitamente depois disso. Alguém atirou na perna de John, fazendo-o dobrar um pouco o corpo e afrouxar seu aperto em mim. Ele gritou de raiva e apontou a arma, soltando um tiro, que bateu no teto. Escutei um terceiro então, e quando me dei conta, John estava caído em cima de mim, sangue escorrendo pela sua cabeça, seus olhos abertos.
Ele estava morto.
Escutei meu pai e Edward me chamando ao mesmo tempo, mas não respondi. Alguém puxou o corpo de John e me colocou de pé. Tentei tirar aquele sangue de mim, fazendo uma careta, mas fui impedida pelo meu pai, que me abraçou forte. Eu retribuí ao abraço dele, soltando lágrimas de alívio.
John estava morto, tudo estava acabado.
Ele nunca iria me incomodar novamente.
_
Uma semana depois.
Eu suspirei pesadamente enquanto brincava com a manta do sofá, meus dedos enrolando-a e desenrolando, já que não havia mais nada para fazer. Uma semana havia se passado desde a morte de John e minha vida tinha sido uma loucura desde então. Eu havia feito uma declaração, tinha me afastado um pouco da delegacia – e só poderia voltar depois que freqüentasse umas sessões com um psicólogo. Minha mãe ficara uns dias instalada em Seattle – assim como Phil, Alice e Jasper –, querendo se certificar que eu estava bem.
Eu estava.
Então, depois de dizer a eles isso cerca de quinhentas vezes, eles concordaram em me dar espaço e tinham ido embora para as suas casas ontem à noite.
Mas tinha uma pessoa que não havia me procurado ainda.
Edward.
Na noite em que eu tinha sido resgatada, ele me levara até o carro, abraçado a mim, sem parecer se importar com todo o sangue que me cobria. Ficara abraçado durante toda a viagem até a delegacia e enquanto eu esperava a minha vez de dar o depoimento, ele tinha ido buscar roupas limpas para mim. Ficou ao meu lado durante todo o depoimento, como eu pedira, segurando minha mão. Depois, me levara para casa, junto de Charlie, e me dera um beijo na testa ao desejar boa noite.
Mas tinha sido só.
Nenhuma mensagem, nenhuma ligação, nada disso.
Às vezes eu pegava o celular e o fitava durante alguns minutos, querendo criar coragem para telefonar e pedir a ele para vir até aqui, somente para conversarmos. Depois daquele quase beijo que trocamos, uma semana atrás também, eu pensei que iríamos resolver as coisas mais rapidamente, mas não.
Nada. Até agora.
Joguei-me contra o sofá e fechei os olhos, me perguntando por que Charlie estava demorando naquela noite. Ele tinha voltado a trabalhar levemente, ficando só resolvendo problemas, sem fazer rondas nem nada do tipo. Sua recuperação já estava 100%, mas eu ainda tinha um pouco de medo de ele voltar a trabalhar como antes. E por mim, ele estava levando as coisas com calma.
Escutei o barulho de chaves e soltei um suspiro de alívio. Ficar sozinha sem nada para fazer o dia todo era um saco. Eu já tinha limpado a casa, arrumado meu guarda-roupa, feito a comida, tomado um banho… e tudo o que eu esperava era o meu pai chegar para que pudéssemos comer.
Levantei-me do sofá em um pulo e me virei.
- Ainda bem, pai, eu pensei que... – Parei de falar imediatamente assim que percebi Edward ali, um pequeno sorriso no rosto.
- Oi, Bella – ele murmurou, parecendo um pouco envergonhado.
- Oi... – sussurrei de volta, sentindo meu coração acelerar de repente. – Eu, hmmm… onde está Charlie?
Edward deu de ombros.
- Ele está resolvendo uns probleminhas na delegacia – respondeu. – Disse que vai demorar, então… pediu que eu viesse fazer companhia a você no jantar, espero que não tenha problema.
Senti meu sorriso morrer. Ele tinha vindo só porque meu pai pedira, não porque queria.
- Ah, não, tudo bem – eu disse. – Eu, hmmmm... Pode usar o banheiro, se quiser. Eu vou esperar por você na cozinha.
Comemos em um silêncio desconfortável. Trocávamos olhares e alguns sorrisos envergonhados, mas só. Quando terminamos, arrumamos juntos a cozinha, ainda em silêncio. Depois de eu guardar o último prato, eu fiquei parada, encarando a bancada, sem saber o que fazer.
E então, senti o dedo de Edward tocando e erguendo meu queixo.
Cada pelo em meu corpo se arrepiou e eu ofeguei, olhando aqueles olhos verdes. Ele sorriu um pouco e se aproximou mais, soltando um suspiro.
- Eu lutei todos os dias para evitar de vir aqui e te encher de mais problemas – murmurou. – Queria te dar um tempo para relaxar, para descansar e esquecer de tudo o que aconteceu na semana passada, mas… hoje foi demais. Aproveitei que Charlie estava atrasado e me ofereci para vir aqui. Tudo uma desculpa para te ver.
Eu sorri.
- Bem, não quero me esquecer de tudo – sussurrei de volta. – Quase tudo, mas há certo quase beijo que não sai da minha cabeça...
Edward sorriu de volta, e nós dois rimos como dois adolescentes.
- Será que podemos conversar? – ele pediu, ficando sério de repente. – Eu meio que gostaria de explicar algumas coisas para você...
Eu assenti.
Nós caminhamos até o sofá e sentamos um ao lado do outro, ambos sem saber como reagir. Eu me sentia uma idiota por estar agindo daquela maneira, mas o que eu poderia fazer? Desde que eu tinha assumido o que sentia por Edward, eu estava me sentindo daquela maneira... E embora ainda me assustasse um pouco e eu tivesse medo de sair machucada novamente, eu sabia que ficar sem ele também não era uma opção.
Algo me dizia que o tempo seria capaz de resolver tudo.
Demoraria um pouco para eu confiar nele totalmente, para que nosso relacionamento – se é que fôssemos ter um – decolasse ou algo assim, mas… tínhamos tempo, não tínhamos?
Edward tornou a falar aquilo que falara na cozinha, explicando tudo o que tinha acontecido na sua vida desde que eu mudara para Forks até que eu voltei. Ele explicou o que sentiu, por que agiu daquela maneira. Deixou-me fazer perguntas e fez algumas também. E quando terminamos de falar, ele olhou nos meus olhos e confessou que pediu ao chefe para dar o cargo a mim, contando que estava apaixonado.
- Eu sei que errei – ele murmurou. – Sei que vai ser difícil confiar totalmente em mim, vai demorar, mas… não posso ficar sem você, Bella, não posso. Eu só peço uma chance para te provar que podemos dar certo, que, se você quiser, podemos funcionar.
Eu me aproximei um pouco dele, sorrindo.
- Eu também estou apaixonada por você – confessei, fechando meus olhos por um momento, ainda sorrindo de forma boba. – E confesso que tenho medo do que pode acontecer, mas eu também não posso ficar sem você.
Eu escutei sua risada e ri também, me sentindo muito idiota naquele momento.
- E então, o que isso faz de nós? – Ele encostou sua testa na minha, seus braços me rodeando.
- Não sei – sussurrei. – Mas que tal se nós só deixássemos rolar e víssemos no que tudo isso vai dar? Funcionou da primeira vez, tirando a parte da sabotagem, é claro, então… por que não funcionaria agora?
Ele negou.
- Quero que todos saibam que você é minha garota, Bella. – Beijou-me na testa. – Quero que todos vejam nós dois nas ruas, fazendo aquelas estúpidas coisas de namorados. Quero dizer que você é minha.
Edward ia dizendo cada palavra deixando um beijo em meu rosto e finalizou me beijando na boca. Ele logo ia se afastar, provavelmente para saber minha resposta, mas eu não deixei. Puxei-o para um beijo mais profundo e, antes que eu me desse conta, estava sentada nas suas pernas, enquanto suas mãos subiam e desciam nas minhas costas, me acariciando por dentro da blusa.
Quebramos o beijo faminto um tempo depois, ambos ofegantes demais, mas com sorrisos extremamente patetas no rosto. Eu fitei aqueles olhos verdes que eu amava e resolvi chutar o balde.
Eu poderia arriscar, certo? Tal coisa não me mataria.
- E aceitando ser sua, vou ser exatamente o que? – eu indaguei, entrelaçando minhas mãos no seu pescoço.
Ele riu.
- Que tal começarmos pelo namorada? – ele indagou, voltando a me beijar rapidamente, e se afastando só para ouvir minha resposta.
- Bem, acho que sim... – brinquei.
Edward riu alto e me jogou no sofá, seu corpo caindo no meu. Não éramos perfeitos, tínhamos nossos erros, mas enquanto nos amassávamos no sofá, como fazíamos há alguns meses, sem ter sentimentos envolvidos, não éramos tão amadurecidos e não tínhamos passado por tanto. Teríamos muito o que aprender e muitas brigas, eu sabia, mas… bem, deixaríamos rolar.
- Eu te amo – ele sussurrou, me olhando profundamente.
E com um sorriso ridículo no rosto, eu enlacei minhas pernas em sua cintura e o puxei para mais perto, olhando em seus olhos também.
- Eu também te amo – murmurei, puxando seu rosto para mim, e fazendo-o parar de sorrir apenas para me beijar.
Não seriamos felizes para sempre e ainda teríamos nossas diferenças – e muitas –, eu sabia, mas ao menos… iríamos tentar.
E aquilo bastava por enquanto.
Fim.
Notas finais
John morto, tudo enfim concluído e tudo o mais.
Mas... semana que vem tem um epílogo e vocês vão poder ler mais um pouquinho desses dois.
Espero que tenham gostado.
E espero vê-las na semana que vem!
Até lá xx.
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