Sweet Suicide
1 One-Shot, Suicide.
Você sofria em silêncio... Você nunca disse nada para ninguém, nunca disse o que sentia... Eu te observava todos os dias e me perguntava: Como as pessoas podiam ser tão cruéis com você?
Te xingavam na sua frente e mesmo assim seu doce sorriso continuava esboçado no seu rosto. Mas... quando olhava nos teus olhos via que a dor estava corroendo sua alma aos poucos. Eu queria fazer alguma coisa, mas você não deixava eu me aproximar... Por que? Porque queria me proteger de zoações, mas no momento que precisava de proteção era você.
Aos poucos seu sorriso angelical se transformava em um sorriso melancólico. Encostava a cabeça na parede da sala de aula e pude jurar ver uma lágrima escorrendo por sua face pálida, mas mesmo assim seu sorriso continuava lá, enganando todas as pessoas ao seu redor, menos eu...
Sua família faliu, e tudo piorou para você. Agora era xingada com mais frequência... Você podia tentar esconder mas eu via, eu via as cicatrizes em seus pulsos. Queria lhe abraçar e dizer que te amava, que não importava o que eles diziam, você era especial.
Fui um covarde, devia ter feito isso antes não é? No momento em que deram a notícia de sua morte todos fingiam lamentar, eu só queria... Estar contigo mais uma vez. Mesmo que fosse só para lhe observar de longe novamente.
O ódio e a dor corroiam a minha alma, sentia toda a sua dor, parece que seus sentimentos foram passados para mim...
— Graças a Deus, ela finalmente se foi! Tomara que tenha partido desta para melhor! — dizia um garoto da classe, não pude controlar meu corpo, comecei a esmurrar sua cara. Sua face já estava inchada e com cortes, o garoto estava quase inconsciente.
Fui a diretoria, levei uma suspensão depois de xingar algumas meninas e bater nos garotos, pude ter minha vingança quase completa quando fiz isso.
Eu fui até o banheiro masculino e sem hesitar me tranquei lá dentro, me sentei no chão e comecei a olhar ao meu redor. Tinha uma arma em mãos, a arma estava carregada, tinha certeza que quando apontasse-a para minha cabeça não ia hesitar em puxar o gatilho.
Botei a arma no chão e puxei um pequeno papel e uma caneta do meu bolso.
"Lembra daquele dia de verão que jurei amor eterno por ti e disse que nem a morte nos separaria? Você chorou e me abraçou, disse que me amava mas que não poderia ficar com você, disse que queria me proteger... Selou seus lábios avermelhados nos meus, nos separamos e você apenas murmurou de maneira triste um curto "Adeus"... Se eu soubesse o que aquilo significava podia ter te impedido, mas fui muito burro... Bo, não fique chateada comigo mas lembra quando disse que nem a morte nos separaria? Então, ela não irá nos separar, em breve iremos nos encontrar...
De alguém que sempre te amou e sempre irá te amar..."
Apontei a arma para minha cabeça, ela parecia mais pesada... Botei o dedo no gatilho e sem hesitar o puxei. Senti uma dor em minha cabeça, minha visão ia ficando escurecida e eu apaguei. A última coisa que me lembro de ter visto eram as paredes manchadas com meu sangue e os alunos tentando desesperadamente arrombar a porta do banheiro.
Vi tua silhueta na escuridão chorando, veio correndo em minha direção e me abraçou, naquele momento não senti mais dor alguma, tudo havia acabado, estava ao lado dela novamente num lugar que ninguém iria nos impedir de ficar juntos, e desta vez EU iria protegê-la.
Fale com o autor