Sweet Sacrifice
9 Capítulo 8
Notas iniciais

Fechei meus olhos ao passo que via o fim do abismo se aproximar. Cai contra o chão e senti uma dor tremenda mas para minha surpresa eu ainda vivia. Eu não compreendia o que havia acontecido, abri meus olhos observando o lugar em que havia caído, enfim percebi o porquê de ter sobrevivido. Eu não havia caído no chão.
Ainda deitada, deslizei cautelosamente uma de minhas mãos pelo lugar em que havia repousava. Era áspero e tão duro quanto uma rocha, eu não conseguia identificar o que era, repentinamente o senti se mover, me levantei o mais rápido possível.
Corri a procura de uma saída mas havia apenas uma grande muralha de pedra, tentei pensar em uma maneira de sair daquele lugar mas um estranho barulho me chamou a atenção. Parecia ser um rosnar. Me virei receosa me deparando com o que tanto temia. Um monstro. Um monstro horrendo e gigantesco estava diante de mim. Ao observar aquela fera sinistra na minha frente senti o ar em meus pulmões desaparecer.
Agora eu entendia o porquê de Loki ter me perguntando se eu conhecia histórias a seu respeito, ele queria que eu pudesse reconhecer aquele que acabaria com minha vida. Fenrir, um cão enorme, com dentes afiados, seus olhos demoníacos me examinavam como um predador aprecia sua presa que está prestes a ser devorada.
— Loki, me tire daqui! — gritei na esperança de que aquilo fosse apenas para me assustar e não realmente me matar.
— Então, Daenerys, o que achou de Fenrir? Não se preocupe ele é inofensivo. — neste momento Fenrir deu um latido que fez com que o ar se tornasse cortante, as rochas atrás de mim se racharam e alguns cortes foram feitos por meu corpo — Ou talvez não. — zombou Loki rindo.
Eu sentia como se tivesse recebido várias facadas pelos lugares a onde ele havia me ferido. Se apenas com um latido ele tinha conseguido me machucar daquela maneira imagine o que aconteceria comigo quando ele me tocasse. Ele deu um rosnar ensurdecedor e pulou, jogando aquele imenso corpo em minha direção. Corri para o outro lado do poço, escapando por pouco de seu ataque.
— Loki, já chega! Me tire daqui. — pedi mais uma vez, eu não poderia fugir daquele monstro pelo resto da minha vida. Eu precisava sair daquele lugar imediatamente.
— Eu adoraria ajudá-la, mas ele anda um pouco rebelde. Não me obedeceria nem se eu quisesse. — pude notar o sarcasmo em sua voz. Ele mentia descaradamente para mim.
— Loki, por favor! — supliquei ao ver Fenrir se virando para mim.
— Desculpe, querida. — foi a última coisa que pude ouvir.
Era como se tudo ao meu redor se silenciasse e eu pudesse ver Fenrir mover lentamente sua pata contra mim. Eu sabia que deveria fugir, mas simplesmente não conseguia, era como se meus pés estivessem presos ao chão. Pude sentir a dor imensurável de suas garras sendo fincadas em minha barriga e em seguida me jogando contra as rochas.
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Eu me esforçava ao máximo para manter meus olhos abertos, por um momento toda a dor que sentia desapareceu. Se aqueles ovos já tivessem se quebrado, e eu possuísse poderosos dragões venceria aquela fera e voltaria para o meu mundo. Porém, eles ainda permaneciam adormecidos e eu estava só, enfrentando um ser invencível.
Ele aproximava-se cada vez mais de mim, a morte estava diante de mim e me olhava de braços abertos, desejando que eu fosse com ela. De repente, Fenrir deu um grito desesperado de dor, ao olhar para ele me deparei com uma cena surreal. Fenrir tinha uma espada atravessada em sua cabeça, ele estava deitado completamente rendido mas ainda vivia, uma mulher estava sobre ele segurando a espada. Ela havia milagrosamente salvado a minha vida.
— Khaleesi, você está bem? — indagou ela recolhendo sua espada e caminhando em minha direção.
— Eu... — mesmo ferido Fenrir levantou-se tencionando atacá-la. Ela novamente empunhou sua espada e virou-se para ele.
— Já chega, Fenrir! — ordenou Loki, imediatamente o animal que anteriormente ele disse não poder controlar parou de se mover e deitou-se em um canto isolado, como um cão obediente ao seu dono.
— Acho que estou morrendo. — murmurei observando meus ferimentos enquanto ela me ajudava a levantar — Quem é você?
— Meu nome é Sif. Não se preocupe, você irá ficar bem. — afirmou ela fazendo com que eu me apoiasse nela, eu sabia que se tentasse me manter em pé sozinha acabaria caindo.
Caminhamos até o local onde eu havia caído, ela olhou para cima e flexionou os joelhos como se estivesse tomando impulso para pular, e para a minha surpresa ela realmente pulou, tão alto que nos fez parar no lugar onde Loki e seus amigos estavam.
— O que aconteceu? — indagou Sif os olhando indignada, ela provavelmente já havia descoberto o que tinha acontecido.
— Ela caiu. — respondeu Loki secamente — Nós acabamos de chegar e a salvaríamos se você não tivesse se intrometido, Sif.
— Eu duvido muito. — retrucou Sif, ela não parecia gostar de Loki e muito menos temê-lo, ela era a primeira pessoa que eu via enfrentando Loki. Talvez se eu fosse como ela as coisas seriam diferentes.
— Não me importa o que você acha ou deixa de achar. Minha esposa está ferida e é a ela que devemos dar prioridade. — Loki se aproximou tencionando me tocar mas Sif recuou imediatamente o impedindo. Minha vontade era rir diante de tamanho cinismo mas infelizmente as dores de meus ferimentos começaram a se revelar e elas eram insuportáveis.
— Eu levarei a Khaleesi. — ouvi a voz de Sif se distanciando. Meus olhos foram se fechando pouco a pouco, enquanto eu perdia por completo o controle sobre meu corpo e desmaiasse.
✖
Eu ouvia vozes longínquas falando sem parar. Eu sentia uma brisa suave tocar minha pele, abrindo lentamente meus olhos fitei o sol que entrava pela janela iluminando grande parte do quarto, me fazia lembrar de minha antiga vida. Eu costumava ficar horas apenas apreciando a vista da janela de meu quarto, mas de repente tudo aquilo que vivi parecia ter se tornado uma lembrança. Uma lembrança distante demais.
Desde que cheguei eu só me lamentei, amaldiçoei meu destino e temi Loki. Não houve um dia em que eu tenha tido coragem, neste tempo todo eu venho sendo covarde. Como um animal assustado que foge dos mais fortes e se submete as suas vontades.
Eu nunca pensei em força ou coragem, para mim isto sempre foi algo necessário apenas para os homens mas eu estava terrivelmente enganada. Se não fosse pela força e coragem de Sif eu estaria morta agora, eu preciso encontrar uma maneira de vencer Loki.
Sentei-me na cama, notando que meus machucados haviam desaparecido. De alguma maneira eu estava completamente curada, Guren e Mira estavam no quarto e ao notarem que eu havia despertado correram animadamente em minha direção.
— Enfim, acordou! — exclamou Guren segurando minhas mãos — Como se sente?
— Eu não sei porquê mas estou bem. — respondi ainda sem entender como aquilo era possível. Mira sentou-se ao meu lado sorridente.
— Foi a rainha quem a curou. — agora eu sabia o porquê de ter sobrevivido a rainha havia conseguido me curar. Loki deveria estar furioso por eu ter sobrevivido.
— Deve tomar mais cuidado, Daenerys. Por conta de sua curiosidade esteve à beira da morte hoje. — disse Guren, eu não queria acreditar no que estava ouvindo todos acreditavam que eu havia simplesmente caído.
— Guren tem razão, Fenrir é um monstro terrível. O que deu em você para sair pelo castelo procurando por ele? — as palavras de Mira me tiraram do sério.
Me levantei impaciente, andando de um lado para o outro, depois de ter me jogado dentro de um poço para ser devorada por seu lobo ele ainda convenceu a todos que fui eu quem caiu sozinha.
— Quanto tempo eu dormi?
— Desde o meio-dia de ontem, senhora. — respondeu Guren.
Suspirei. Eu não podia continuar naquele lugar vivendo daquela maneira, eu precisava fazer algo e sabia exatamente o que seria. Caminhei para fora de meu quarto, passando pelos longos corredores do castelo, Guren e Mira me seguiam atordoadas sem entender o que eu pretendia.
Passei pelos portões do castelo de Odin e todos os asgardianos que estavam próximos curvaram-se ao ver sua Khaleesi mas eu não os dei importância. Eu possuía apenas um objetivo, segui caminhando até Bifrost. Eu iria embora de Asgard.
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