Notas iniciais
E ae pessoal! Tudo bem com vocês? Bem, espero que sim. Obrigado a todos aqueles que comentaram e estão acompanhando. Alerta de Personagem Novo :O

— A situação não poderia estar pior. Eles se aglomeram em frente ao castelo e suplicam por justiça. – dizia o velho gordo, enrolado em uma túnica roxa brilhante, com a cabeça calva rosada e uma longa barba branca.

Loki mudou mais uma vez sua posição no trono. Estava impaciente e nervoso, jogou as pernas para cada lado e debruçou o rosto sobre a mão. Qualquer um que o visse podia imaginar o perigo que se seguia quando ele se empertigava de alguma coisa, infelizmente neste momento era do seu povo.

— O que seria justiça para eles? A cabeça de minha esposa numa estaca. Nesta questão não poderei lhes dar a justiça que tanto desejam. – disse Loki decidido, seus olhos procuraram os meus. Fiz questão de ignorá-lo, está era a primeira vez que nos víamos depois do ocorrido, nenhum de nós havia perdoado as traições de ambas as partes.

— Não pode culpar o povo, senhor. Esposas perderam os maridos, crianças nunca mais verão os pais. Tudo o que eles pedem é que haja alguma punição para o causador de tanta desgraça. – o velho conselheiro, Mestre Einees, narrava a situação como se não soubesse que a causadora de tanta desgraça havia sido eu, sua rainha soberana. Respirei fundo, fiquei ereta e apertei os braços da cadeira.

— Eu também jamais voltarei a ver meus pais. – retruquei, o ancião pareceu um tanto sem jeito, alisou o tecido macio que cobria seu peito. Me incline para frente, afim de que meu olhar fosse claro o bastante, repleto de desejo de sangue – Acha justo que eu dê uma punição adequada ao responsável?

— Bem, minha rainha... – podia ser velho, mas estava longe de ser tolo, o rosto redondo empalideceu.

— Creio que seria uma ação bastante razoável se fosse até o quarto real e cortasse Odin ao meio e assim vingar minha família, não acha? – não imaginava o quanto me alegrava ao pensar na cena até aquele momento, dei um sorriso tão diabólico quanto me era permitido. A vingança era uma questão interessante de se lidar.

— Senhora, sei de seus infortúnios, mas Odin é o pai de todos. Sendo uma dama tão forte e bela, a rainha mais jovem de todos....

— Não me venha com lisonjas, velho, quero que resolva o problema. – suspirei, voltando a recostar na cadeira do trono, ultimamente tudo me cansava, Guren dizia que era por estar a poucos dias de dar a luz. Eu não via a hora de tê-lo em meus braços e recuperar a minha força.

— Mande Volstagg para assustar o povo e matar aqueles que quiserem bancar o herói. – o rei expeliu aquelas palavras como se fosse atitude mais óbvia e que lhe desse mais prazer. Para Loki todos eram fáceis de se controlar quando mortos.

— Mas... – Einees tentou argumentar, no entanto a expressão gélida de Loki o fez se calar rapidamente.

— Ainda me impressiono em ver o quão tolo pode ser um rei. Gosta tanto dos mortos, Loki, por que não vai reinar em Valhala? – percebi que ele teve um sobressalto ao me ouvir, mas nada disse, porém os arregalados olhos aguados do velho revelavam o choque com minha impertinência – Meu bom conselheiro, convoque Sif ao invés de Volstagg, ela é gentil e acalmará o povo. Faça com que ela explique que os mortos eram blasfemadores que desrespeitavam Odin e a seu filho, o rei, por isso foram castigados. Sei que não me amarão, mas talvez sirva para aplacar seu ódio por mim.

– De fato, minha doce rainha, poderíamos também.... – ele curvou em reverência, em extrema empolgação, minha ideia foi acolhida com mais felicidade que a anterior, o que de fato irritou Loki.

— Já chega, velho gordo! Me infernizou durante a manhã inteira com suas lamurias. Conseguiu o que queria, agora vá e faça, estou farto de ver essa sua cara feia. Saia já. Do contrário a arrancarei de seu maldito pescoço de cavalo e a pregarei nos portões de Asgard para espantar visitantes indesejados. – bravejou Loki, num súbito ataque de ira, ele se levantou em sua postura ameaçadora.

O velho conselheiro não perdeu tempo e se pôr de pé, correndo desesperadamente em direção a grande porta dourada que se fechou assim que saiu. Estávamos sozinhos e Loki estava mais do que furioso e eu sabia que tudo isso era graças a mim. Nosso casamento havia se reduzido unicamente a isto. Eu o irritava, ele se enfurecia e me afastava ainda mais dele. Ainda carregava a leve vermelhidão no rosto de nosso último confronto. Voltei a beber do vinho que Mira tinha me trazido há alguns minutos atrás, tão tranquilamente, como se ele não fosse ameaça suficiente.

— Quantos dias faltam? – perguntou, em pé a minha frente, ainda de costas.

— Quatro. – murmurei o observando, ele era de fato uma ameaça. Loki era alto e forte, sob os ombros largos pendia um manto escuro, quase tão negros quanto os cabelos que lhe atingiam a altura do pescoço. Ele era pura frieza e rigidez, tinha o poder de nos assustar apenas com sua respiração, fazia tempo que eu não tinha aquela sensação. O pavor retornava.

— Daqui há cinco dias, seus três dragões serão mandados para um castelo na terra dos gigantes, onde ficarão até suas mortes. Nosso filho jamais ouvirá falar sobre eles, ou Midgard, o nome Targaryen nunca mais sairá de seus lábios, senão tratarei para que fique muda. Raya a acompanhará a todo momento e terá permissão para lhe impedir a todo custo que atente contra a vida de qualquer asgardiano. Mira e Guren deixarão de ser suas aias, novas servas estão sendo providenciadas.

— Não pode manda-las embora. – disse, assustada com todos os seus decretos, principalmente com a parte de perder minhas amigas – Não tem esse direito.

— Estou farto de ter de lhe dizer o obvio. – sua voz era gelada e automaticamente, tudo ao nosso redor tomou o mesmo aspecto, ele fez com que um ar congelante arrebatasse a sala. Já tinha percebido que o frio entrava em colapso com o sangue de dragão em mim – Eu posso tudo. Você é quem esquece seu lugar aqui. Não é porque você é minha esposa e carrega o meu filho que lhe darei liberdade para me humilhar. – ele se virou e me olhou com escárnio, meu coração tremeu – Você é a visão mais bela que tive em toda a minha existência, mas sei que deve haver alguém que a supere. Com certeza há e eu a encontrarei e farei dela minha esposa.

— Pretende se casar novamente? – minha voz saiu num sussurro e me detestei por ter dito aquilo como uma criança que teme dividir seu brinquedo favorito.

— Sim. Esperava ser como meu pai, ter feito a escolha certa, bem minha mãe é única e você é uma decepção interminável. Afinal, não fui eu quem lhe escolhi, tomarei a decisão certa desta vez. – seus olhos pousaram sobre mim como se eu realmente o tivesse decepcionado incontáveis vezes, tive uma inesperada vontade de chorar – Minha paixão doentia por você tem me cegado por muito tempo, está na hora de acabar com isso. Não sou mais um príncipe caprichoso, sou um deus-rei e como tal não posso ter de viver uma batalha interminável com minha própria esposa. Minha mãe lhe providenciará o castelo que desejar em Asgard e será uma ótima mãe para Rhaegan e aos olhos dos outros também será uma esposa exemplar.

— Vai nos mandar embora para que possa viver feliz ao lado de uma linda esposa-marionete? Que poético. – virei a taça de vinho e me senti tonta ao repousá-la sob o braço da cadeira.

— O amor e o ódio sempre estará presente em nós dois. Um deles terá de ganhar em algum momento, quero impedir que o ódio vença e para isso é melhor que mantenhamos distância. – ele apertou os dedos, como se lutasse contra alguma vontade reprimida e desviou o olhar de mim – Tudo poderia ter sido diferente se você tivesse permitido, Daenerys. A proposito essa foi a última vez que passou por cima de uma ordem minha, fui claro?

— Sim, senhor. – respondi, cabisbaixa. Não o vi, apenas ouvi seus passos quando ele se retirou da sala. No silêncio e na imensidão do salão real soube que não havia com o que me preocupar, ninguém me ouviria e caso ouvisse ninguém mais se importava. Abri meu coração e me entreguei ao meu desejo ardente de libertar minha dor, lágrimas quentes escorreram por meu rosto e eu sofria amargamente ao saber que aquele era o fim. Em quatro dias eu não o teria mais, por mais que eu o odiasse, ainda assim eu o queria com toda a minha alma.

Depois de cinco horas tendo de olhar para aquele rosto antipático e desprezível tive uma séria crise de enjoos, falavam que era pela gravidez, só que eu sabia que tudo aquilo se devia ao fato de ter de conviver com aquela cara azeda me olhando com o mais violento ódio. Raya me odiava e estar perto de mim parecia ser o maior sacrifício que fez em toda a sua vida. Eu havia insistido para que Guren e Mira permanecessem ao meu lado o tempo todo, não que eu a temesse, mas sem meus dragões eu era inofensiva e Raya não precisaria fazer muito esforço para me matar. No tempo em que tive de permanecer sentada, a observando parada a minha porta como uma sentinela me dei conta do quão belíssima ela era. Com certeza era sobre ela que Loki falava. Em quatro dias ela viria a ser a amada segunda esposa de meu marido e uma chama ardente de ciúmes queimava dentro de mim.

Após tanto tempo de desprezo e ódio mutuo desejei ir ao mercado. As três não aceitaram bem minha vontade, mas não havia escolha. Loki estava fora, Frigga recebia algumas velhas amigas e todas já estavam mais do que fartas de ficarem trancafiadas naquele maldito quarto. Guren me fez uma lista riscos que eu iria correr ao sair, nenhum deles me importava eu só tinha aquele enorme desejo de ir até lá.

Quando saímos do palácio, uma carruagem nos esperava. Era discreta, eu me vesti com um longo vestido negro e uma capa da mesma cor com capuz para esconder meus diferentes cabelos prateados, sem adornos ou quaisquer enfeites, não queria que descobrissem quem eu era. Sabia que os asgardianos não estavam felizes comigo e me encontrarem ao ar livre, tão desprotegida seria uma oportunidade imperdível para eles.

Raya guiou a carruagem, acompanhada de Mira. Enquanto Guren ficou ao meu lado, durante todo o trajeto examinei todas as paisagens de Asgard, as montanhas, a grama verde, o perfume das variadas flores, o som das cachoeiras e rios, os cascos dos cavalos e os risos e vozes que se espalhavam. Havia também o cheiro das especiarias, não eram muito diferentes das de Midgard, as multidões andando de um lado para o outro. Os camponeses e os nobres interagindo entre si como se não houvesse distinção.

O céu estava nublado e uma leve garoa começava. Minha mente vagueou para longe, lembrando da vez em que minha mãe contou que no dia em que nasci houve uma grande tempestade, a mais terrível de todas as tempestades de Westeros, por isso fui apelidada de Daenerys Nascida da Tormenta, talvez por isso eu devesse gostar da chuva pois ela me acompanhou desde o início. Porém algo ruim sempre me vinha a mente quando tempestades grandiosas se aproximavam, era como um mal presságio.

Eu sentia falta deles. De cada um que se foi, Aerys Targaryen podia ser um homem excêntrico e de juízo duvidoso, mas era o meu pai, ele sempre cuidou de mim e me amou a sua própria maneira e era doloroso demais saber que nunca mais o veria de novo. Rhaella Targaryen foi a pessoa mais doce e dedicada que eu conheci em toda a minha vida, eu seria a pessoa mais feliz do mundo se pudesse ser a mãe que ela foi para mim. Rhaegan Odinson, sua lembrança ainda me deixava acordada a noite, eu sentia que tinha falhado com ele e isso só fazia com que a ferida fosse mais difícil de cicatrizar e por fim Daario Naharis, eu lutava, mas não conseguia deixar de imaginar como as coisas seriam se eu tivesse casado com ele...

Por tanto tempo estive distante que não consegui entender ao certo o que houve de errado, suspeitava que tivessem reconhecido Raya. Ela era conhecida como um dos soldados pessoais de Loki, então não deve ter sido difícil constatar que eu era sua rainha e com a memória do massacre ainda tão fresca a revolta foi imediata. Apenas vi de relance a longa espada prateada do rapaz que pulou sobre nós sendo impedido de nos acertar por Raya, sua força continuava esmagadora e com a espada em mãos era invencível o rapaz quase não sentiu quando ela arrancou-lhe a cabeça. O sacrifício só serviu de incentivo e muitos outros vieram, Guren e Mira se puseram em minha frente, tentando me proteger, enquanto Raya os segurava.

Não fazia ideia de que quase o planeta inteiro estivesse me odiando tanto naquele momento. Elas me cercaram, na tentativa de me levar de volta a carruagem, mas ela já tinha sido destruída pelos rebeldes que ao me verem correram fervorosamente em minha direção. Pensei que aquele seria o meu fim, até que uma jovem vestida em cota de malha, com longos cabelos louros trançados e uma grossa espada escura se pôs entre nós. Mas eram duas contra duzentos e como era de se esperar, algum deles iria me alcançar.

Ele deveria ter a idade de Viserys e a força de Volstagg, o homem conseguiu facilmente passar pela moça que batalhava com dois brutamontes, empurrou Guren e esbofeteou Mira e sem pestanejar cravou uma adaga afiada em meu peito, não sei como, mas sabia que fora atingida a pouco mais de um centímetro do coração. Já era o bastante para me matar, ele teria terminado o serviço se a jovem não o tivesse decapitado e me segurado.

Devíamos ter a mesma idade, só que ela me parecia bem mais persistente do que eu. Estava com os olhos semicerrados e observava a poça de sangue que trilhava a cada passo que dava, meu cérebro estava parando de funcionar e eu malmente conseguia me manter em pé, já podia me considerar um peso morto. Só que a garota não desistia de mim e continuava a dizer que eu deveria ser forte e que estávamos quase chegando. Estava quase cega quando ela me arrastou para dentro de uma tenda vermelha, me sentou sobre uma manta de couro de urso, o lugar cheirava a incensos e morte, levantei a mão e ela a segurou.

— Acalme-se, Khaleesi. Você ficará bem, minha tia cuidará bem de você e de seu bebê. – ela deu um sorriso confiante e tive um pouco de alivio. Podia ver os braços da morte se abrindo para mim, eu queria abraça-los.

— Qual.... qual é o seu...n.... – murmurei, mas a voz não saia, era fraca demais.

— Meu nome é Sigyn, minha rainha. – respondeu com orgulho de seu próprio nome, ela me lembrou alguém, ah, sim ela era parecida comigo, uma Targaryen?

— Obrigado, Sigyn. – foi a última coisa que disse antes de adormecer para talvez nunca mais acordar.

— Daenerys Targaryen, Rainha de Meeren, Rainha dos Ândalos, Roinares e Primeiros Homens, Senhora dos Sete Reinos, Protetora do Domínio, Princesa de Pedra do Dragão, Khaleesi, chamada A Não Queimada, Mãe dos Dragões, Quebradora de Correntes e a Rainha de Asgard. – ouvia todos aqueles títulos sem entender metade deles, pensei estar sonhando, porém sabia que conhecia aquela voz de algum lugar. Quando abri os olhos ela estava ali, bem mais real do que da última vez, pessoalmente era muito mais jovem e bela, não haviam mais cabelos prateados, apenas olhos violetas, mas nem por isso menos assustadora ou misteriosa.

— Você é a mulher que tem aparecido para mim. – ela assentiu, calmamente, tocando em meu ferimento que eu julgava ser fatal, ele não estava sangrando ainda doía, porém eu estava viva – Foi você. Por que me ajudou?

— Porque você é sangue do meu sangue, assim como a menina que a trouxe até mim. – respondeu, dando um sorriso triste ao acariciar meu rosto. Meu olhar era desconfiado e receoso.

— Sigyn Targaryen e.... – ela me mostrou um punhal com seu nome gravado nela – Rhaena Targaryen. Eu... eu conheço você, meu pai falava sobre você, era chamada de “ O Dragão Negro”. A mais poderosa de todos os Targaryen.

— Sim, eu costumava ser, faz muito tempo. Porém quando nosso povo perdeu a guerra contra os deuses, eu perdi tudo, inclusive o dragão que vivia em mim. Muitos de nós fomos feitos escravos e exterminados ao longo dos séculos. Restam poucos de nós em Asgard e em Midgard. – ela se aninhou a minha frente com uma expressão cansada, era surpreendente ter uma lenda como aquela em sua frente e saber que tudo não passava de passado.

— Bem, acho que não resta mais nenhum em Midgard. – ela negou com a cabeça.

— Se engana, criança, Viserys Targaryen, seu irmão ainda vive. Ele não tem sangue de dragão e é fraco demais, precisa muito de você, Daenerys.

— Ele vive! Por que tem estado na minha mente? Por que ditou todos aqueles títulos? – estava voltando a me sentir forte de novo e repleta de curiosidade.

— Tem muitas perguntas. Apenas lhe direi que são assuntos do futuro, o dragão que há em você pede por minha ajuda, ele quer que eu cuide de você. Ele sabe que os deuses a trouxeram por teme-la. Vão lhe aprisionar em um castelo de gelo e irão te separar de seus dragões. Irão enfraquecer e domesticar você, Não Queimada. – a voz rouca endureceu de repente, ela apanhou uma de minhas mãos, me entregando um pequeno frasco – Você sabe mais do que se lembra, o mago fez isso com você. Se quiser proteger suas crianças terá de ser forte.

— As crianças? Não, esta enganada. Espero um menino, Rhaegan. – confirmei, a olhando completamente confusa.

– Além do dragão de gelo, existe outra. Uma menina de cabelos negros e olhos verdes. A cópia fiel do pai, no corpo e na alma. – foi o suficiente para me tirar o ar, respirei fundo, não estava em condições de me assustar naquele momento.

— Que coisas foram escondidas de mim? O que quer que eu faça com esse liquido? – solucei, segurando o pequeno frasco com as mãos trêmulas.

— Beba, Daenerys. – suas palavras caíram sobre mim como um feitiço.

Eu o bebi. De repente, uma imensa fraqueza me abateu, minha visão escureceu por completo. Meu corpo deslizou sobre o grosso tapete e senti a cabeça latejar, imagens e mais imagens vinham a minha mente, coisas que eu não me recordava de ter visto ou vivido, palavras que eu jamais ouvi. A maioria delas tinha Loki. Ele me hipnotizara por várias vezes. Na realidade eu o havia flagrado com outras mulheres além de Raya, ele me torturou e feriu por mais vezes do que eu podia me recordar, muitos massacres haviam sido realizados diante dos meus olhos.

Em todas estas ocasiões ele me enfeitiçou para que eu não me desse conta do monstro que ele era. Uma das lembranças fez com que eu sentisse como se um punhal rasgasse o meu peito, na verdade nossa primeira noite especial e apaixonante, não tinha sequer sido a primeira. Eu já tinha estado com ele antes, contra a minha vontade. Não havia tido paixão ou respeito, ele simplesmente me jogou na cama, rasgou minhas roupas e me tomou a força. Foi horrível e humilhante. Tão traumatizante que eu mesma implorei para que ele me fizesse esquecê-la.

Por fim, a última vez em que ele me hipnotizou surgiu, fora no ataque dos gigantes de gelo, tudo maravilhosamente arquitetado por Loki. Apenas para se tornar rei. Muitas pessoas morreram durante seu plano sádico, eu mesma seria uma vítima se não possuísse meus dragões. Eu estava disposta a mata-lo na época, era o que eu devia ter feito.

— Titia, o que fez com ela? – senti alguém me puxar e me ajudar a levantar – O rei está aqui.

Suas palavras me fizeram despertar e rapidamente me desvencilhei de Sigyn que passou a me seguir cautelosamente, enquanto eu arrancava as cortinas da minha frente, abrindo passagem para fora da tenda. Não haviam mais rebeldes, apenas corpos e sangue por toda a parte, agora enxergava com clareza o meu rastro. Guren e Mira ajudavam Raya com um grande ferimento no braço e os guardas do palácio dominavam o que costumava ser o mercado. Vacilei por um segundo e pensei que iria desabar, mas Sigyn me ajudou a permanecer em pé.

— Seja forte, Khaleesi. – ela sorriu e me alegrei ao pensar que éramos parentes. Gostaria de ser tão forte como ela e saber lutar, assim não dependeria tanto dos meus dragões.

— Daenerys! – gritou alguém que vinha em minha direção, abrindo caminho pela multidão. Eu mal vi seu rosto quando ele me tomou em seus braços e me apertou contra seu peito, fervorosamente – Me disseram que você havia morrido, mas eu sabia que era mentira, você é forte demais para morrer. Ah, eu te amo tanto.

Em seus braços me senti tão fraca e pequena. Horas antes eu teria me desmanchado de amor por aquela demonstração de afeto, porém eu me sentia dura e fria, impotente de fazer qualquer coisa contra ele, mas minha mente pensava em alguma forma de feri-lo de verdade. Acariciei seu braço com uma das mãos e o senti me abraçar ainda mais forte.

— Seu amor será a sua ruína. – disse a mim mesma, baixo demais para que ele pudesse ouvir em meio as suas incansáveis declarações de amor.

Notas finais
Sigyn Chegou :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.