Sweet Sacrifice
28 Capítulo 27
Notas iniciais

Desviei meus olhos, tentando encontrar um refúgio em minha mente. Minhas mãos suavam e meu corpo inteiro estava no mais completo estado de nervos. Meu desejo era gritar e sair correndo, as lágrimas ameaçaram sair dos meus olhos, mas eu tive de segurá-las. Não podia chorar, não ali, diante do povo, muito menos diante de Loki. Ainda assim ele estava parado na minha frente, imune as chamas que consumiam os demais, com os lábios entreabertos e os olhos fundos, olhavam fixamente para mim e me sussurrava: Monstro!
A única coisa que eu podia fazer, era escapar dentro de mim mesma. Realizei uma prece curta e repetitiva para que eu pudesse encontrar a razão de tudo aquilo. O motivo de estar em meio a um massacre causado por minha própria ordem. Tentei acalmar minha respiração, aparentemente meu maior medo se concentrava ali, naquela parte mais obscura e fria de Asgard, meu coração.
Eu estava plenamente consciente do olhar de todos sobre mim. Não me incomodava mais como antes, havia me tornado mais desinibida e confiante, mas ainda assim foi necessário que Guren e Mira repetissem cerca de trinta vezes o quanto eu estava bonita. Elas me vestiram com sedaria prateada, longa e leve, justo até a altura do busto e o restante solto. O que de fato eu era muito agradecida, afinal já estava no final da gestação e estava farta de roupas justas que me deixavam parecer tão gorda quanto uma das vacas que davam de comer a Fenrir. O vestido era sem mangas, com um espesso cordão o atando ao meu pescoço, elas insistiram em me presentear com um adorno que encontraram no mercado, dizendo ter sido feito em minha homenagem. Eram dois braceletes de couro marrom com a imagem de um dragão esculpido em cada.
Acabei por ceder a insistência e os coloquei em meus pulsos, o vestido era de uma prata mais escura que meus cabelos que naquela manhã pareciam mais claros que o normal, num puro branco. Meus dragões voavam ao meu redor, e tive a impressão de estar parecendo uma legitima e excepcional Targaryen, tal como meus antepassados foram um dia. Ao sair do quarto, segui no extenso corredor do palácio, acompanhada por uma corja de soldados asgardianos. No caminho acariciei meu ventre, oh, meu pequeno! Duvido que saberá algo sobre os Targaryen, seu sangue de dragão ou o quão destemidos foram seus bisavôs no passado, pensei tristemente, eles não me deixarão dizer nada, você nunca verá a terra e se vier a conhecê-la, não a amará como um lar. Pois não será a sua casa, como foi a minha.
Imersa em minhas divagações, não me dei conta de que tantos haviam comparecido. Tolice minha, era obvio que todos estariam aqui. Estavam ansiosos para verem de perto seus novos governantes. O que na minha opinião era totalmente desnecessário, Odin estava prestes a entrar em seu longo sono, mas ainda havia a Rainha Frigga que era perfeitamente capaz de governar. Eu e Loki assumirmos era algo desnecessário, só que eu não era louca de dizer isso em voz alta para que Loki me desse de presente ao seu cão louco.
Não era preciso ser um gênio ou feiticeiro para descobrir o que todos ali estavam pensando, provavelmente quando tapavam a boca e sussurravam algo ao companheiro do lado comentavam sobre a absurdamente gorda futura Rainha e quais eram as probabilidades de o trono vir a quebrar quando eu me sentasse, mais a frente estavam os excepcionalmente nobres que mais do que ninguém fingiam não me detestar, contudo eu sabia de seu ódio por mim. As belas filhas deles poderiam estar no meu lugar agora, tornando-se rainhas, tendo lindos filhos, mas não, a ralé midgardiana cortou a fila e deixou suas preciosas para trás.
Aos pés do trono estava ela. Não! Não! Não! Não! Deuses, por quê? Por que ela simplesmente não evapora? O sorriso cínico estava bem ali, estampado em sua cara odiosa, zombando de mim. Em seu lugar eu também estaria. Daenerys Targaryen podia ser a Rainha de Asgard ter três mortíferos dragões e ser esposa de Loki, mas continuava a ser um monte de nada que qualquer um poderia tirar sarro e humilhar. Raya me odiava, mas naquele momento quando nossos olhos se cruzaram detectei um outro sentimento vindo dela.... Ah, sim! Era a inconfundível pena. Quando foi que me tornei digna de pena? No mesmo instante em que meu marido trouxe sua amante para nossa coroação e a colocou justamente ao meu lado.
Respirei fundo e parei em frente aos degraus em que Odin nos esperava, Loki estava a minha direita, abandonando o couro vestia-se com veludo verde e negro e em seus olhos havia um brilho especial, um fenomenal êxtase. Seria pela coroa ou pela amante recuperada? Eis o mistério. Não era o ambiente adequando para uma briga, então engoli o orgulho e me fiz de imponente. Odin se pôs a falar uma centena de palavras bonitas que eu fiz questão de ignorar, o detestava e me preocupei em examinar sua aparência destruída. Aparentava ter envelhecido uns duzentos anos desde que cheguei em Asgard, o sono estava se fazendo muito necessário.
Loki estava deveras concentrado nas palavras, nem piscava. Era de fato um cretino ambicioso. A minha esquerda, Raya o fitava com adoração, como eu deveria estar fazendo, porém não tinha a menor vontade. Ser a esposa perfeita estava longe de ser minha especialidade.
Sorrateiramente um som embargou meus ouvidos. Era a mesma música. A música de Rhaegan. Somente ele a tocava, talvez fosse Guren, não, ela estava a poucos centímetros de mim, me olhando com um olhar preocupado. O som ficava cada vez mais alto, tornando-se ensurdecedor. Era impossível ele estava morto. Apertei os olhos, tentando transparecer o mais serena possível, mas foi difícil quando voltei a olhar para o trono e o pequeno de cabelos dourados estava sob ele.
— Rhaegan, meu querido. — sussurrei a mim mesma. Sentindo meus olhos umedecerem, por um instante o silêncio prevaleceu, Odin calou-se e os cochichos cessaram. Ele estava como antes, pequeno e belo, tão jovem, tão puro e ainda muito amado por mim.
— Você deve partir. — ordenou, no tom de um rei, sentado como tal.
— O que? Não, eu não posso....
— Se um dia me amou fará o que eu peço. — sua voz era diferente, dura e fria. De repente uma mulher surgiu atrás dele, agarrou-lhe os cabelos e levou uma faca até seu pescoço. Os olhos azuis arregalaram-se e ele estendeu a mão — Se ficar, o sangue deles será derramado como o meu foi.
E ele se cegou, quando sua garganta ela cortou, o sangue espirrou e me manchou. A música voltou a soar em meus ouvidos aos confins de minha mente, roubando o meu juízo e o controle sob meu corpo. Eu o perdi, novamente, o assisti morrer. Não somente eu sofri, mas o bebê em mim também. Senti uma dor terrível e gritei com toda a minha força, desejando mandar a lembrança embora, aplacar a dor e silenciar a melodia.
— Dany, o que há de errado com você? — questionou Loki com um olhar impassível, seu tom de voz soava como se eu tivesse feito algo terrivelmente estupido de propósito. Todos estavam curiosos, apenas Guren e Mira tinham vindo em meu auxilio certificar-se de que eu estava bem.
— Eu... — voltei a olhar para o trono, ele estava vazio, meu vestido tão limpo quanto antes e não havia dor ou música. Fiz uma cena, ótimo — Não, nada, só tive uma leve contração. Nada de mais. — assegurei a ambas, que retomaram seus postos. Loki aproximou-se de mim.
— Leve contração? Faça-me a gentileza de manter o seu filho sob controle até o fim da cerimônia, certo? — e o velho Loki estava de volta, grosseiro e arrogante.
— Sim, senhor meu marido. — assenti, como devia, mas longe de ser o que queria dizer.
✖
A celebração se seguiu como esperado. Todos bebiam vinho incansavelmente, rodopiavam alegremente pelo salão — exceto eu, pois até Loki estava entre eles — Diziam que eu deveria me manter em repouso pelo bem da criança, em outras palavras ninguém queria uma midgardiana entre eles. Por mais que todos negassem eu sabia que não era propriamente bem-vinda naquela terra. Mas o que mais me intrigava era um presente dado á Loki por Odin, após colocar em nossas cabeças duas finas coroas douradas e ornamentadas com o que pareciam ser safiras azuis — Guren me dizia que era uma rara pedra Asgardiana, presente apenas em coroas — Prendeu ao pescoço de Loki um medalhão dourado, tive a impressão de ter um dragão negro cravejado nele, porém ele o escondeu por debaixo do colete e não o pude ver mais.
Obrigatoriamente os súditos nobres se apresentavam a mim com gracejos e presentes inúteis. Declarando seus votos de felicidade e prosperidade a mim e meu filho. Eu agradecia educadamente e permanecia sentada, como uma rainha comportada faria. Meus dragões haviam batido assas e partido para além dos muros do castelo e minhas aias se enturmavam com a demais serviçais. Loki dançava com uma princesa, acho que seu nome era Kalan, linda e graciosa a todo momento, com longos cabelos tão vermelho quanto fogo e olhos verdes como os de Loki. Formavam um belo par.
Depois de ter nos ditado o que mais parecia ser uma lista de ordens a se cumprir, Odin despediu-se de seu povo e seguiu para o seu tão aguardado sono, acompanhado por sua esposa. Agora estávamos por nossa conta e risco. Por algum motivo eu me sentia extremamente sozinha e assustada.
— Não se esqueça de quem você é.... — uma voz sussurrou para mim, virei a cabeça a sua procura, mas não havia mais ninguém próximo de mim. Eu estava só e enlouquecendo.
— Khaleesi. — pensei ser outra alucinação, contudo logo vi um rapaz esguio e ansioso ajoelhado nos degraus.
— É Sua Alteza agora, estupido. — avisou Loki em um tom ameaçador, ao subir as escadas e sentar-se ao meu lado.
— Perdão, Alteza, mas houve um caso de emergência. — levantou os assustados olhos claros em direção a Loki, como que pedindo autorização para prosseguir, ele o deu — Uma invasão, cerca de quinze ou vinte midgardianos entraram em Asgard e atearam fogo em partes do mercado e em casas de algumas famílias. Muitos morreram. — meu marido voltou um olhar furioso para mim, como se a culpa fosse minha.
— Eles foram capturados? — o rapaz assentiu — Ótimo, mostraremos a estes insetos a punição real. — estendeu a mão para mim e a segurei receosa quanto as suas palavras.
O dia estava excepcional. Perfumado e ensolarado. Com um límpido céu azul, onde meus três filhos mergulhavam ao passo que vinham em nossa direção, o grande mar brilhava e Bifrost estava mais colorida que o normal. Tudo parecia tão calmo, deveria ter sido um dia maravilhoso, mas ao longe, em direção ao mercado o fogo ainda subia e as famílias ainda gritavam pelos entes queridos perdidos.
Os vintes homens estavam acorrentados uns aos outros. Feridos e sangrando, um deles havia perdido uma das mãos e o sangue gotejava em seus pés. Vestiam-se como escravos, mas eram homens livres eu conhecia um punhado deles. Não nos aproximamos demais, permanecemos em uma sacada bem mais elevada do lugar em que eles estavam. Loki os olhou como vermes.
— Como se atrevem a invadir meu reino e atacar meu povo? Eu sou o deus de vocês e me devem respeito e obediência. — até mesmo um surdo podia ouvir a arrogância e soberba na voz de Loki.
— Falso deus! Você e os outros da sua laia. — gritou o rapaz mais novo, deveria ser um pouco mais velho que Rhaegan — Mataram toda a minha família por diversão. — lágrimas escaparam de seus olhos.
— Do que estão falando? — indaguei aos homens, contrariando meu rei.
— Há duas luas atrás eles vieram, com grandes armaduras mais duras que pedra e com armas tão grandes quanto o pequeno aqui e a força nem se fala.... Nada disseram apenas arrancaram-nos de nossas casas, abriram gargantas de bebês em seus berços, esfolaram os idosos e se divertiram desmembrando os homens e crianças, enquanto as mulheres foram estupradas até implorarem por sua morte. Pedra do Dragão foi apagada do mapa e nem sabemos o porquê. Para isso estamos aqui Rainha, nos diga o porquê de tudo isso.
Eu o conhecia era um sábio ancião que costumava contar histórias para as crianças da vila. Eu não sabia o que lhe responder, nem imaginava que algo tão terrível pudesse estar acontecendo, afinal eu estava em Asgard justamente para proteger Midgard e agora descubro que a minha terra, o lugar onde eu nasci não existia mais. A voz voltou a me assombrar.
— Ele a traiu.
Desta vez ela tinha razão, fui traída, feita de tola. Olhei para Loki, era a calma em pessoa com uma pitada especial de ira. Era um soberano agora e estava prestes a encenar o falso deus justo que adorava fingir ser.
— Seus velhos, crianças, homens e mulheres não valem a vida de um asgardiano. Eu o condeno a morte. — sem lhes dar a oportunidade de um julgamento justo, simplesmente fez sinal para que Raya e seus homens avançassem. Me pus no caminho deles, perplexa.
— Não seja covarde, meu rei. — disse em alto e bom som, chocando aos nossos convidados, ele me olhou de soslaio — Nunca lhe disseram que o homem que dita a sentença deve manejar a espada?
— Que belo ditado, porém existe uma pequena falha nisso. — Loki caminhou em minha direção, os homens lhe deram passagem, ele parou diante de mim e me olhou de cima, como se fosse muito superior a mim — Não vou sujar minhas mãos com escoria. Eu sou um deus. Eu mando, você obedece. — não sei porquê, mas suas palavras fizeram meu corpo tremer, era como se eu reagisse a elas — Por sua audácia em me enfrentar me servirá de carrasco.
Contra minha vontade, meu corpo se virou em direção aos homens. Não sabia o que estava fazendo, eu queria parar, mas de repente uma de minhas mãos estava levantada e Loki estava atrás de mim com as mãos sob meu ombro, em incentivo para que eu continuasse. Eu não queria, não sou e nunca serei um carrasco. Eu não quero ser uma assassina.
Drogon, Viserion e Rhaegal passaram acima de suas cabeças, com um bater de assas sombrio, ao sol eles pareciam todos negros e gigantescos. Os homens levantaram o olhar alguns assustados, outros conformados, o velho ancião era o único que nada revelava em seu rosto, ele os observou e depois voltou um sorriso em minha direção.
— Você cresceu, Dany. É uma pena que seus pais tenham partido antes de vê-la.
Foi como uma facada, seguida de mais um milhão. A palavra escapou de meus lábios e as chamas foram arremessadas contra aqueles pobres e inocentes homens que nada fizeram além de procurar justiça em meio ao seu desespero. Então era isso, além de matarem meus pais ainda sorriam vitoriosos. Os ditos valiosos e cruéis asgardianos gargalhavam enquanto meus irmãos queimavam em agonia. Não podia permitir, eles zombavam de suas mortes, da morte meus pais.... Minha adorada mãe.
Uma lágrima vermelha escorregou de meu rosto. Eu senti meu coração endurecer quando dei a ordem, os risos cessaram e se transformaram em gritos desesperados repletos de dor. Não importava o quão superior eles eram, quando o fogo os consumiu se transformaram em pó exatamente como os outros. A população gritou e eu teria prosseguido, eliminando todos aqueles animais sanguinários, não fosse por Loki me virar em sua direção.
Me senti tão poderosa a ponto de imaginar e saber que Drogon me escutara. Ele soltou seu fogo em minhas costas, desejei com todas as forças que daquela vez eu morresse e levasse Loki comigo, mas ele ainda era muito mais poderoso que eu e parou as chamas antes que me acertassem. Eu não sei como, mas ele as fez voltarem direto para a garganta de Drogon, que pareceu engasgar-se e perder por completo a consciência, caindo junto ao amontoado de cadáveres carbonizados.
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Loki me segurou e eu fui arrastada para longe de todos. Estava desolada com a morte de meus pais. Preocupada com Drogon. Culpada por ter agido contra a minha vontade e com ódio por Loki ser incapaz de mudar um fio de cabelo sequer. A porta de nosso quarto veio a terra quando ele a dilacerou e me jogou para dentro, por uma fração de segundos não perdi o equilíbrio, no entanto fiquei em pé por pouco tempo. Sua mão atingiu em cheio meu rosto e graças ao meu braço não cai de barriga no chão. Meu rosto ardeu e senti o gosto do sangue em minha boca.
— Sua vadia louca. Eu estou farto disso. Estou farto de você. Deveria jogá-la por aquela janela e acabar de vez com essa perturbação. — praguejou irada, mas também preocupado comigo quando me levantei, cambaleando.
— Você pode tentar, só não se esqueça que os dragões também voam. — zombei, apanhando um lenço em minha penteadeira e limpando o sangue.
— Está zombando de mim. — murmurou, o vi se aproximar pelo reflexo no espelho — Você é um caso perdido.
— Assim como você. Carniceiro! — notei meus olhos mudarem de cor, o lenço se desfazia em meus dedos, meu sangue o pulverizara. Era quente — Traiu minha confiança, mandou que matassem pessoas inocentes, até os meus pais.
— Não dei a ordem. Foi meu pai. — respondeu seco, frio como gelo, não foi apenas eu quem mudou, os olhos dele estavam avermelhados e a pele mais empalidecida que o normal — Mas você não é muito diferente de mim, não pensou duas vezes em carbonizar aquelas pessoas que nada tinham com a morte deles.
— Eles riram e zombaram deles. Mereciam a morte.
— Você acha que tem o direito de mata-los? — um sorriso sombrio surgiu em seu rosto, me provocando.
— Apenas o sangue paga o sangue. — suspirei com a voz rouca, dei as costas para a penteadeira e fitei seus olhos, segurei seu ombro, minha mão derreteu o veludo que o cobria e chegou a sua pele, queimando-a — Como conseguiu me controlar naquela hora?
Ele franziu o cenho, sentindo a dor que o calor de meu toque provocava. Suspirou e sua pele tornou-se gelo e os olhos tão vermelhos quanto o sangue que manchava minha mão. Segurou-me pelos ombros e uma súbita onda de frio atravessou meu corpo, apagando o fogo que queimava em mim.
— Somos gelo e fogo. Pode me crucificar o quanto quiser, mas no fim das contas eu sei e você também sabe... Você é tão cruel e sanguinária quanto eu, Daenerys. — seu toque me causava calafrios e por um instante senti que algo dentro de mim reagia a aquelas palavras. Eu sabia que era verdade, porém me negava a ceder a tais sentimentos, eu precisava ser melhor que isso.
— Não... eu não quero ser assim. Não posso. — tremi em seus braços, ele recuou um passo — Termos nascido diferentes não nos obriga a sermos monstros. Você tem sangue de gigante e eu de dragão, mas ainda podemos ir contra a nossa natureza perversa.
— Sangue de gigante, boa teoria. E por que faríamos isso? — sua aparência voltava ao normal, os olhos verdes e a pele clara estava de volta, o ferimento em seu ombro não havia sido curado. O que me pareceu muito estranho.
— Ora, pelo nosso filho. — Rhaegan estava imóvel dentro de mim. Tentei mover uma das mãos para tocar minha barriga, me dando conta de que meu braço parecia congelado, não por fora e sim por dentro. Loki não reagiu as minhas palavras, como se aquilo não lhe soasse como um motivo plausível.
— Ele não ama o menino. Nunca o amará. — uma mulher idosa, de longos cabelos prateados tal como os meus e olhos violetas, trajando imundas e pesadas roupas negras surgiu ao meu lado. A voz rouca e cansada não era ouvida por Loki. Apenas eu a via e ouvia — O dragão de gelo cresce em seu ventre e ele teme seu poder.
— Dragão de gelo? — indaguei a olhando, confusa. Imediatamente ele se virou em minha direção, com os olhos arregalados e assustados.
— O que disse?
— Vê. — ela deu um sorriso amargo — O pai o envenenou com o ódio e a desconfiança pelos Targaryen. Além dos grandes mares existem outros deuses, nas cidades de pedra contam a história sobre um grandioso deus que temia seus próprios filhos. Ele sabia que entre eles havia um poderoso o bastante para destruí-lo e por isso devorava as crias. O mesmo acontece com seu marido, ele se apavora com a possibilidade de seu sangue o superar, Odin mandou que ele matasse o menino em seu primeiro suspiro.
— Não. — gritei, levando as mãos a boca, a lembrando das palavras de Loki há muito proferidas aos amigos “ Eu o mato com minhas próprias mãos. “ Marchei em sua direção e o segurei pelo colete, o dragão estava prestes a despertar — Você o teme por achar que será mais forte do que você? — ele parecia ler minha mente.
— Não, mas não desejo de forma alguma ser superado e se o garoto for semelhante a você, em sua impulsividade e rebeldia... Por Odin! Será incontrolável e eu não sei se quero lidar com algo assim. — não teve sequer a coragem de me encarrar, apertou os lábios e abaixou o olhar.
— Rhaegan será poderoso, disso não haverá dúvidas. Será o Dragão de Gelo, talvez seja rebelde e impulsivo e você não quer um filho assim, então eu lhe pergunto, o que fará? Vai mata-lo? Jogá-lo da Bifrost? Ou será mais piedoso e lhe cortará a garganta antes de dar o primeiro suspiro? — as possibilidades não lhe eram agradáveis, nunca o vi tão quieto e confuso. Deveria ser difícil estar preso a tanta ambição e insegurança. O soltei e segurei uma de suas mãos, coloquei em minha garganta — Se o teme tanto e planeja sua morte e melhor que faça agora.
— Deixe de ser estupida, eu não a matarei. Nem a ninguém que carrega o meu sangue, nunca mais. — rapidamente afastou a mão de mim e correu os longos dedos pelos cabelos, nervosamente, sabia que não estava seguro do que dizia.
— Lamento lhe informar que perdeu sua chance. Reze a Freia, peça que lhe conceda a graça de que eu venha a morrer durante o parto, porque se eu sobreviver.... Não tocará num fio de cabelo do garoto, não chegará nem perto dele.
— Ele é meu filho. — disse ele, enfim se recordando daquele pequeno detalhe.
— Não. Ele é meu filho. Apenas meu. Toque nele e eu o mato.
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