Notas iniciais
Oi, pessoal! Demorei, mas voltei. Espero que gostem!

Olá.

Bem, eu nem sei o que dizer. Já faz tanto tempo, não é? Acho que deveria contar-lhe sobre os fatos mais recentes. Como lhe escrevi na última carta estou há poucas luas de dar à luz. Meu pequeno Rhaegan, eu rezo para que ele seja tão bondoso como o garotinho que carregava este nome. Tudo parece ter ficado mais simples entre nós, desde que o aceitei e abri meu coração para ele, agora posso dizer com todas as letras: Eu amo meu filho. Já sinto que o sentimento é reciproco.

Os últimos meses em Asgard tem sido no mais completo ócio. Loki poderia permanecer demasiadamente insano, no entanto controla-se ao máximo em minha presença. Aos poucos ele está se tornando um bom marido, mas ainda está longe de ser um bom homem. Em meu íntimo, por mais que eu o ame, não desejo de forma alguma que nosso filho seja como ele.

O ruim é que eu acho pouco provável que serei capaz de isentar nosso filho de sua má influência, ele aparentemente tem um dom de nos influenciar para o mal. Você mais do que ninguém sabe do meu coração e dos bons sentimentos que sempre cultivei, contudo eu sinto que não sou mais a mesma. Cada célula do meu corpo luta contra o inevitável, meu coração se endurece com o passar dos dias, a bondade se esvai dando lugar a soberba e egoísmo. Mira vive me dizendo que isto é normal, principalmente agora que Odin entrará em seu sono.

Loki será rei e eu consequentemente serei sua Rainha. Rainha, já imaginou tal coisa para mim? Uma ninguém de Westeros, vinda de uma família há muito esquecida, tornando-se nada mais, nada menos, do que a Rainha de Asgard. Às vezes em meus devaneios solitários pergunto-me se escreverão livros sobre mim. O que acha que dirão ao meu respeito?

Acredito que Viserys teria um ataque ao descobrir que não era ele o dragão e sim eu. Com certeza queimaria todos os livros para que não descobrissem isto. Eu particularmente não o julgo, afinal quem poderia imaginar que coisas tão grandiosas estavam sendo reservadas para mim. Por outro lado, eu temo que não me vejam como a “ Rainha Dragão”, mas sim como uma messalina odiosa, que deixou seu primeiro amor morrer diante de seus olhos e agora vive feliz, esperando o filho de seu assassino.

Quando vou dormir eu costumo vê-lo, seu rosto tão sereno, como sempre. Suas palavras doces e seu sorriso acalentador, mas quando ele estende seus braços e tenciona me tocar, uma espada lhe atravessa a garganta e o assisto engasgar-se com seu próprio sangue. Uma cena grotesca, sempre orquestrada pelas mãos de Loki. Já perdi as contas de quantas vezes acordei histérica, mas no fim não é um sonho é a realidade. Loki o matou.

Ora, aqui estou eu novamente com lamurias. Deve odiar quando eu faço isto, prometo que será a última vez. Em breve as coisas irão mudar, creio eu que seja para melhor. A Rainha Frigga está me esperando, quando tiver mais tempo prometo que lhe escreverei uma carta com triplo do tamanho desta, está bem?

Dê um beijo em todos e diga que estou morrendo de saudades. Todos vocês estão em meus pensamentos, jamais os esquecerei. Principalmente você, mamãe.

Com amor, Daenerys.

Dobrei o papel e o coloquei dentro de um envelope. Como sempre eu ansiei por mandar que alguém o entregasse até ela, porém não podia. Eu sabia perfeitamente o que estava fazendo, quando decidi permanecer com Loki em Asgard sabia das consequências. De agora em diante eu teria de cortar quaisquer relações com Midgard, isto incluía minha família. Dei um breve beijo na carta e a guardei na gaveta da escrivaninha, juntamente com as outras dezenas de cartas que vinha escrevendo nos meses anteriores. Algumas eram para minha mãe e outras para Daario. Eram cartas que jamais seria m entregues, muito menos lidas por seus destinatários. Eu gostava da sensação de escrevê-las, era como se de alguma forma estivéssemos realmente conversando, nos reaproximando.

Como de costume, a visita á Frigga fora extremamente breve. Ela tinha muitos preparativos para realizar em relação a coroação e o sono de Odin. Ainda assim havia feito questão de ter uma audiência comigo, era ela quem acompanhava pessoalmente minha gravidez. A Rainha insistia em dizer que apenas fazia isto para garantir o bem-estar da criança, mas eu sabia que ela, assim como todos, temia que Rhaegan fosse um gigante azul e selvagem. Isto era uma possibilidade já que seu pai, misteriosamente, era um. Muitas coisas á respeito de Loki permaneciam no mais absoluto sigilo, eu desejava desvendar cada um destes segredos, mas precisava dar tempo ao tempo.

Hoje era a sua tão estimada coroação e havia exigido de minhas servas que minha deixassem simplesmente esplendorosa. Elas me vestiam como uma legitima rainha. Uma rainha asgardiana. Asgardiana era isso o que eu havia me tornado. Naquele dia em que o escolhi eu abandonei tudo, deixei para trás aqueles que amava, minhas origens terráqueas e me tornei um deles. Até mesmo haviam parado de se referirem a mim como “ A Humana”, nem isto eu era mais.

Eu nem sei mais quem eu sou. Vivo tão perdida ultimamente, minha única luz em meio a escuridão é esta pequena criatura que cresce em meu ventre. Ergui os olhos, fitando meu reflexo no enorme espelho, como pedido elas tinham me deixado deslumbrante. Vestia um majestoso vestido de musselina marfim, divinamente ajustado a lateral do meu corpo e solto na parte da frente, confortando minha barriga. Repleto de detalhes elegantes com fios de ouro e safiras. Esta era uma das raríssimas ocasiões em que Mira não bolava um penteado trançado, ela apenas o penteou e permitiu que ele cascateasse com cachos sobre meus ombros. Dei um sorriso maravilhada com seu ótimo trabalho.

Elas terminavam de atar alguns laços em meu vestido e estavam estranhamente quietas demais, nenhuma delas costumava ser silenciosa. Ainda mais se tratando de Mira. A fitei com o canto do olho, ela observava disfarçadamente minha barriga e repentinamente algumas lágrimas escaparam de seus olhos, que ela prontamente fez questão de secar.

— O que houve? — indaguei, a olhando perplexa. Mira nunca chorava.

— Não é nada, Khaleesi. — garantiu ela, esboçando um falso sorriso. Dei um passo a frente, tencionando aproximar-me dela, porém fui impedida por Guren, que discordara com a cabeça.

— Por favor, deixe-a, senhora. — suplicou ela. Eu simplesmente não conseguia compreender o que estava havendo — Em épocas assim Mira não fica bem.

Épocas assim? Do que ela estava falando? Me virei para a minha dama e a notei segurando um pequeno manto, era um manto de bebê. Ele não pertencia a mim, eu nunca o havia visto. Deveria ser dela então, seus olhos ainda eram tomados por lágrimas. Será que...?

— Mira. — me desvencilhei de Guren e caminhei até ela, porém Mira estava longe de querer ter qualquer contato comigo e saiu às pressas em direção a porta. Neste exato momento, Loki a adentrara e ambos se cruzaram. Só agora eu me dava conta de que esta era a primeira vez em que eles estavam frente a frente. Seus sombrios olhos verdes foram de encontro a íris castanha dela. Senti um aperto no peito. Aquele não era um simples olhar, eu pude notar a faísca que emanava dali. Talvez um vestígio de amor.

Ela prontamente se desculpou e se retirou, sendo seguido por Guren. Eu nada disse, permaneci em silêncio, completamente imóvel. Tentando apenas assimilar o que meus olhos haviam acabado de presenciar. Enfim, retomando minha consciência o fitei, ele estava examinando o manto que fora abandonado por Mira. Como costumeiro trajava vestes negras de couro e os cabelos escuros estavam penteados para trás, em seu rosto havia um sorriso malicioso e eu senti uma súbita vontade de chorar ao me deparar com meus pensamentos sombrios.

— A onde estão os seus bastardos, Loki? — minha voz soou dura e fria, ele pareceu estranhar e me olhou com um ar de surpresa.

— Bastardos? O que faz minha rainha achar que possuo algum? — seu rosto enrijeceu e logo me dei conta de que ele mentia.

— Porque você é um canalha. Deita-se com qualquer uma. Eu não sou cega, muito menos burra. Se deseja mentir para mim é melhor que faça direito. — rosnei, sentindo meu sangue queimar. Ele se aproximou e cerrei os punhos, irada ao dar um passo para trás — Como pode? Me entregou como serva uma de suas amantes? Eu a amo como uma irmã e..... Agora descubro que vocês dois...

— O quê? Não seja louca, Daenerys! Eu jamais me deitaria com uma escrava e muito menos faria uma amante minha sua serva. Creio que esteja com uma imaginação muito fértil. Devem ser estas porcarias de livros, não deveria ter permitido que os trouxesse de Midgard. — vociferou Loki, derrubando a pilha de livros sob uma estante. Ele estava irritado, irritado demais para alguém inocente.

— Maldição! Eu não posso acreditar nisto. Você não passa de um mentiroso desgraçado. — gritei, sentindo minha cabeça girar — E ainda tiveram um filho.

— Um filho? — ele gargalhou com deboche — De fato você está insana, mulher. Eu malmente vejo está escrava e agora botou na cabeça que além de termos transado ainda temos um filho. O que mais pretende inventar? Que vivemos em um castelo cor de rosa, repleto de fadas e unicórnios e que temos não um, mas centenas de filhinhos de cabelos negros.

— Eu não suporto a sua ironia. Eu não suporto mais você, ou suas mentiras. — murmurei, vagueando pelo quarto, enquanto lágrimas brotavam de meus olhos e minha visão se enuviava, no instante seguinte eu estava sem o controle de minhas pernas e indo de encontro ao chão. Se não fosse por Loki.

— Você está bem? — questionou ele, sentando-me sobre um sofá — Suas loucuras vão acabar matando você e nosso filho.

— Tire suas malditas mãos de mim. — rosnei, o empurrando para longe de mim.

— Eu sei que não presto, não existe uma gota sequer de caráter em mim, mas acredite, Daenerys, eu te amo. Amo com todas as minhas forças, você é tudo para mim. Por mais diabolicamente insuportável e ciumenta que você seja eu continuo tão hipnotizado por você, quanto da primeira vez em que me beijou. — ele suspirou e tornou-se brevemente cabisbaixo, ambos haviam sido amaldiçoados com o amor incondicional um pelo outro — Não há amante alguma, muito menos filhos. Só você e o Rhaegan, vocês são a minha família, a única coisa que realmente importa. — eu começava a pensar que minha imaginação tivesse sido aflorada demais.

— Importa mais do que você ser rei? — um sorriso perverso surgiu em seus lábios e ele inclinou-se sobre mim e mordeu meu lábios inferior.

— Jogos sentimentais são coisas de humanos, querida. Nós somos deuses.

Notas finais
Gostaram?