Sweet Sacrifice
24 Capítulo 23
Notas iniciais

Vazia. Era assim que eu me sentia, como se tivesse me tornado uma simples casca oca. Nada mais restava, não havia vida ou sentimento em mim. Haviam se passado algumas semanas e a dor em meu peito tornava-se cada vez mais forte, a cada segundo ela se tornava mais intensa e feroz. Ela já tinha conseguido me destruir completamente, espere, não era justo culpa-la por minha dor. O causador de todo o meu sofrimento era apenas ele, Loki. Meus olhos marejavam ao observar a imensidão azul do céu, antigamente eu me perderia com todo o fascínio daquela exuberante vista, mas agora aquilo me parecia tão artificial, frio e distante. Tudo em Asgard me enojava, eu preferia estar morta do que ter que passar mais um dia naquele maldito lugar.
Me levantei da cadeira em que repousava em frente a janela, há algum tempo eu havia começado a evitar espelhos, eles sempre me revelavam algo que eu me empenhava arduamente em esconder de mim mesma. Ainda estava no inicio, mas eu sabia bem o que brotava dentro de mim, até mesmo meu corpo tinha me traído. Em meu ventre crescia a semente de um monstro, minha mente era incapaz de vê-lo como um doce e frágil bebê, eu só pensava no monstro sanguinário e cruel como o pai.
Eu colocaria mais uma besta fera no mundo, como se Loki já não fosse o suficiente. Sob a penteadeira avistei uma pequena flauta de madeira, era de Rhaegan, durante o tempo em que estive recolhida em meus aposentos ele esteve presente, Guren constantemente o levava para me ver, sua música acalentava minha pobre alma. Involuntariamente me vi em prantos pela vigésima vez naquela manhã, tudo o que eu fazia ultimamente era chorar, mas eu não podia evitar. Como se sentiria se tudo o que mais amasse fosse tirado de você?
Eu amava Daario, era um amor sincero e doce, um amor que nunca mais terei. Um amor único e especial, que jamais vivenciei com Loki. Daario se foi, eu não tinha mais forças para lutar, eu estava derrotada e justamente agora nos é revelado a vinda de uma criança. Sequei minhas lágrimas unindo todas as minhas forças para encarar minha barriga. Eu sabia que ele não tinha culpa de absolutamente nada, era apenas um serzinho sem consciência de coisa alguma, mas por mais cruel que eu pudesse parecer ainda assim eu o odiava.
— Você foi amaldiçoado, pequenino! Você não foi feliz na escolha de pais, eu e Loki somos dois loucos desequilibrados. Seria melhor desistir enquanto há tempo, neste mundo só encontrará sofrimento, pois eu serei incapaz de amá-lo e seu pai... Bem, ele não ama ninguém além dele mesmo.
— Não deveria dizer tais coisas para uma criança. — olhei surpresa em direção a porta, me deparando com Sif recostada sob a mesma, ela adentrou ao quarto e fechou a porta atras de si — Meus pêsames, Khaleesi. Perder alguém que ama é pior do que a própria morte.
— Você conhece bem a sensação, não é mesmo? — murmurei, ela me encarou confusa, a jovem guerreira nem sequer podia imaginar que Guren me confessara uma pequena parte de sua história — O outro filho de Odin, Thor. Ele era o seu amor e você o perdeu assim como eu perdi Daario.
— Acho que significa que somos duas mulheres infelizes. — sua voz soava tão melancólica quanto a minha, obviamente meu estado não era de alguém disposta a apenas fazer uma cena, mas sim de alguém realmente destruído. Ela deu alguns passos em minha direção e repentinamente deu um largo sorriso — As vezes a vida nos destrói para depois nos reerguer da maneira que ela acha prudente. Ninguém nasce forte ou valente, primeiro temos que ser moldados com dor e sofrimento para enfim encontrarmos a verdadeira força e coragem que se mantém adormecida dentro de cada um, cabe a nós despertá-la.
— Creio que toda a força que havia conquistado se esvaiu dentro de mim. Eu não tenho mais forças para prosseguir.
— Não se engane! Sabe perfeitamente que não é uma simples terráquea, você é a mãe dos dragões, não há mulher mais forte do que você. — suspirou ela, como se cresse em cada palavra proferida de seus lábios. Ainda que eu não tivesse tanta fé nelas — Uma hora você aprenderá a lidar com está dor e fará a escolha certa. — novamente com um sorriso no rosto, Sif curvou a cabeça em reverência e caminhou em direção a porta.
— Lady Sif! — ela olhou em minha direção — Como uma alguém tão admirável como você foi desprezada por Thor? O que está mulher tinha de tão especial? — ela franziu a testa por um momento e pôs a mão sob a maçaneta.
— Ela era uma Targaryen, acho que este é o ponto fraco dos filhos de Odin. — sem mais ela abriu a porta e retirou-se.
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Uma Targaryen. Havia mais segredos de Asgard se revelando, eu costumava acreditar que era a primeira humana a ir para aquela terra de deuses, mas estava enganada. Eu me perguntava se está garota Targaryen havia passado pelo mesmo que eu, será que ela sofreu por amor? Como ela conseguiu sobreviver em um mundo tão cruel como este? Estas eram apenas mais algumas das diversas perguntas que jamais receberiam uma resposta.
A aquela altura eu não me importava com mais nada, as palavras de Sif apesar de carinhosas e encorajadoras não tinham sido o suficiente para me reerguer. Eu ansiava pela morte. Ela estava a baixo dos meus pés, eu me mantinha sob a beirada da ponte Bifrost, o que havia abaixo dela era um grande mar, porém não era apenas água que ele possuía, algumas lendas falavam sobre o portal para outro mundo, mas outros diziam ser o caminho secreto para Helgardh, o mundo dos mortos de onde nem mesmo Odin era capaz de salvar. Eu estava decidida, ao dar mais um passo estaria no mundo dos mortos, livre de toda a dor e sofrimento que tanto me atormentavam. Porém fui interrompida ao ouvir o gunhir de Drogon que batia suas assas seguindo em minha direção, percebi algo preso em suas costas, era uma adaga. A adaga de Daario.
Eu nem ao menos percebera que ele a carregava naquele dia. Como é possível que isso tenha ido parar com um de meus dragões? A desprendi das costas de Drogon e o acariciei me despedindo antes que ele voltasse a bater suas pequenas assas. Apertei o cabo de ouro do punhal, fora a primeira de Daario, ele a recebera quando ainda era uma criança.
Naquela época ele a exibia para todos, até mesmo eu o invejava. Se eu pudesse voltar no tempo não teria poupado esforços para ter fugido com ele, fechei os olhos e dei meu último passo, sentindo a forte ventania que envolvia meu corpo, eu estava livre, despencando para a minha salvação, no entanto repentinamente senti alguém segurar minha mão e me impedir de seguir o curso escolhido por mim.
— O que acha que está fazendo? — gritou Loki, enquanto me segurava. Desde a morte de Daario eu não o tinha visto, nem ao mesmo sabia sobre sua reação ao saber que teria um filho, encarar aquelas íris esverdeadas só faziam com que minha ira se acendesse.
— Tire suas mãos imundas de mim. Me solte! — gritei, tentando a todo custo me desvencilhar, notei que atrás de Loki estava Drogon. Aparentemente eu havia sido traída pelo meu próprio dragão.
— Sem chance, eu não vou deixar que faça uma besteira dessas. — com apenas um braço ele foi capaz de me trazer de volta a Bifrost, deixando-me sentada sobre ela, ele levantou uma das mãos como se tencionasse me tocar, mas imediatamente virei o rosto — Se está com raiva, tristeza ou sofrendo tanto assim, desconte em mim, não em você. Eu morreria se te perdesse.
— É exatamente por isso que eu queria morrer. — murmurei friamente, sem sequer o olhar.
— Agora já chega! Não podemos mais continuar assim, essa guerra entre nós já chegou ao extremo.
— Foi você que a fez chegar neste estado quando matou Daario. — bravejei liberando toda a minha ira para cima do homem que parecia completamente perplexo com minha reação, normalmente era ele que costumava ser o irado do nosso casamento.
— Eu sei. — admitiu ele, me deixando boquiaberta ao vê-lo confessar tão facilmente — Eu estava cego de ciúmes, não queria aceitar a ideia de que você poderia amar outro homem além de mim. Na minha mente perturbada eu achava que se ele morresse você o esqueceria e seu amor seria apenas para mim, mas eu me enganei...
— É claro que se enganou. — elevei ainda mais meu tom de voz ao me levantar, brevemente tive uma leve tontura e ameacei dar alguns passos para trás, mas assim que senti Loki me segurar me recompôs e me afastei — Tudo o que fez só foi despertar meu ódio por você.
— Está bem, se quiser me odiar, me odeie. Eu aguento. No entanto, não culpe essa criança pelos meus crimes. — como eu suspeitava, ele já havia sido informado sobre a existência da criança, por mais que eu o detestasse, concordava com suas palavras, mas ainda não estava pronta para aceitar nosso filho de braços abertos.
— Eu não quero falar sobre esse assunto. — suspirei, sentindo minha cabeça latejar, tudo ao me redor parecia rodar, eu precisava voltar urgentemente para o meu quarto. Lhe dei as costas, sem sequer me despedir, caminhei em direção ao castelo.
— Hoje eu sei o quanto errei, é melhor ter uma parte do seu amor do que nada. — disse ele, continuei a caminhar, porém o olhei de relance, ele havia permanecido na Bifrost e admirava a paisagem. Eu não queria nada daquilo, uma parte de mim o odiava, enquanto a outra desejava correr até ele e confortá-lo. Talvez fosse melhor assim, este sofrimento era necessário para ambos.
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Aos poucos a tardinha se despedia dando lugar ao anoitecer sereno, mais uma vez eu me via escorada sobre o parapeito admirando o luar. O castelo Asgardiano estava lotado, como sempre um baile estava sendo realizado, de todas as celebrações está era a que eu mais odiava: A chegada do neto de Odin, o primogênito de Loki. Todos faziam uma algazarra por conta de um bebê que ainda nem se formara. Eu era a mais infeliz com toda está situação. Por inúmeras vezes fui visitada por Frigga, Sif, Mira e Guren insistindo para que eu comparecesse ao baile, até mesmo Loki tentou falar comigo, porém dei com a porta na cara dele.
Quando vivia na terra eu costumava pensar no meu futuro, ele sempre incluía Daario, nele nós éramos casados, vivíamos felizes em nossa cidade ao lado de nossos amigos e familiares, tínhamos vários filhos tão indomáveis quanto o pai. Todos nós passaríamos a cavalo, nadaríamos no rio, faríamos piqueniques, brincaríamos na praça, eles visitariam meus país, ao anoitecer lhes contaria histórias fascinantes e os faria dormir. Daario e eu nos amaríamos para sempre e poderíamos assistir as sementes do nosso grandioso amor florescer. Deslizei a mão sob meu ventre e suspirei sentindo a brisa gélida tocar minha face.
— Eu deveria estar celebrando a sua vida, mas eu ainda sou incapaz de fazer isso. — murmurei — Eu estou de luto, depois de tantos dias eu ainda sofro por ele, eu o amava. Sabe ... Loki pensa que eu o enganei, que nunca o amei, mas eu também o amo. Não da mesma forma, mas ainda assim eu amo demais aqueles dois. No momento eu tenho sofrido duplamente, a morte de Daario e a distância de Loki estão me matando aos poucos. — senti uma lágrima escapando de meus olhos e molhando minha mão e sorri —Me perdoe, você não merecia uma mãe tão complicada.
Ouvi outra batida na porta, deveria ser mais alguém na missão falha de me fazer mudar de ideia e ir ao baile, eu sei que deveria ser algo bem estranho celebrar a vinda de alguém que estava ausente na comemoração. Era admirável a insistência daqueles que me cercavam, virei para a porta decidida a dizer pela milésima vez um "não", mas meu novo visitante nem sequer me deu a oportunidade de abrir a porta, quando dei por mim ele já vagueava pelo quarto, com seu ar altivo, arrogante, presunçoso e imponente, a coroa em sua cabeça deixava bem claro a forma com que eu devia me portar diante dele, curvei-me em respeito ao Pai de Todos que me fitava tão ameaçadoramente quanto em nosso primeiro encontro.
— Srtª Odinson, poderia me dizer o porquê de não estar no baile que está sendo celebrado em sua homenagem e de meu neto? — indagou ele, sua voz era tão intimidadora que me causava arrepios, aquela era a primeira vez em que me chamavam pelo sobrenome " Odinson " o que fazia com que eu me sentisse ainda mais desconfortável.
— Eu não estou bem disposta para comemorações no momento. — respondi, dando um breve sorriso.
— Ainda de luto pelo seu amante? — ele finalmente parou de examinar o quarto e ficou frente a frente comigo, suas palavras haviam me pegado completamente de surpresa, minha confusão inexplicavelmente fez com que ele sorrisse — Deve estar se perguntando como sei disso, menina, não se esqueça que sou Odin. Eu possuo muitos poderes, entre eles está a leitura de mente, mas é muito raro que eu o use. Daario Nahaaris, este era seu nome, ele era um inimigo em potêncial, Loki fez bem em matá-lo. Pelo jeito você fez direito o seu trabalho, exatamente como eu esperava.
— Mas do que é que está falando? — eu não o reconhecia, a maneira ameaçadora e maléfica que ele agia era muito semelhante ao Loki de antigamente.
— Eu sabia que apenas outra garota Targaryen seria capaz de amansa-lo, nem mesmo eu com todo o meu poder seria páreo para aquela jovem fera. Se não fosse por você ele ainda estaria com aquela ideia absurda de me matar. — era inacreditável o que eu estava ouvindo, Odin estava ciente de absolutamente tudo, até mesmo dos planos de Loki de acabar com sua vida. Então era Loki o apaixonado pela outra Targaryen? Mas Sif havia dito que garotas Targaryen era o ponto fraco dos irmãos... Será que os dois amavam a mesma mulher?
— Então eu fui trazida aqui propositalmente, apenas para acalentar a fúria de Loki?
— Exatamente, você é uma jovem brilhante. Tenho certeza que meu neto será um garoto genial. — ele uniu as mãos e deu um largo sorriso — Bem, agora vá se aprontar estão todos te esperando lá embaixo.
— Mas eu não... — ele me interrompeu ao levantar o dedo diante de meu rosto, indicando que não desejava que eu continuasse a falar.
— Está é uma ordem e é aconselhável que você a obedeça, do contrário o seu povo sofrerá as consequências por sua rebeldia. — Odin voltou a fechar o rosto, restabelecendo sua habitual expressão fria.
Ele me deu as costas e saiu do quarto sem ao menos me dar a oportunidade de respondê-lo, como se não bastasse o filho, agora teria de lidar com o gênio ruim do pai também. As pouquíssimas vezes em que havia lhe dirigido a palavra ele me pareceu alguém completamente diferente. Como eu fui tola! Vivi minha vida inteira pensando que Odin amava a humanidade e zelava por ela, na verdade ele nos despreza, somos apenas servos que podem ser facilmente descartados.
Eu já não sabia como lidar com a toda aquela crueldade e frieza, mas não há como desistir ou fugir, meu destino foi traçado. O sangue de dragão corre em minhas veias e eu devo honrá-lo. Após alguns segundos Guren adentrou meu quarto, eu já havia começado a me aprontar, ela logo percebeu que eu tinha mudado de opinião quanto ao baile.
— Qual vestido usará hoje a noite, senhorita? — ela abriu o grande armário de vestidos, nele haviam vários vestidos de variadas cores, um mais belo e elegante que o outro. Todos expressavam alegria, porém não existia um pingo de felicidade em todo o meu ser.
— Quero um vestido preto. — Guren me fitou em choque, está não era uma cor que se deveria usar em uma celebração, Loki e Odin ficariam furiosos se eu me apresentasse assim, naquele momento o que eles pensavam não me importava nem um pouco — Eu estou de luto e esfregarei na cara de todos a minha tristeza.
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