Sweet Sacrifice
23 Capítulo 22
Notas iniciais

Por Odin! Eu era incapaz de me recordar de já ter vivenciado uma situação como aquela em que me encontrava. Creio que o pânico tivesse me anestesiado em meio a tudo aquilo, nenhuma explicação cabível vinha a minha mente, eu simplesmente não conseguia falar ou fazer absolutamente nada. Tudo o que eu mais queria era poder desaparecer, voltar no tempo e nunca ter ido para Jotunheim. Meu coração regozijava-se de alegria por enfim poder rever Daario, mas por outro lado eu sofria por ter traído Loki, por mais inexplicável que fosse eu o amava e as palavras pronunciadas por mim a pouco prometendo não deixa-lo sofrer latejavam em minha cabeça, atormentando-me. O olhar doce e apaixonante havia desaparecido, ele estava frio e distante como antigamente e isso me assustava.
— Então este é o amor da sua vida. — constatou ele com sarcasmo em sua voz, parando diante de nós a poucos metros de distância. Ele havia retornado a sua forma normal, e não mais parecia um gigante.
— Loki. — murmurei em tom baixo, percebi o susto que Daario tomara ao se ver diante de um dos deuses que ele tanto enfrentava. Estávamos em apuros, eu não esperava que ele nos visse e nem sequer sabia como me explicar, apesar de tudo eu o havia traído após dizer que o amava — Eu... — por mais que eu desejasse não possuía uma explicação decente para aquilo tudo.
— Vamos, diga. Conte-me o porquê de estar nos braços deste maldito depois de dizer que me ama. — gritou ele, completamente irado, seu modo de agir só me deixava mais nervosa, mas eu sabia que naquele momento sua intenção não era me atingir e sim a outra pessoa. Seu olhar maquiavélico estava direcionado ao homem do meu lado. Daario o olhava espantado, ele com certeza não esperava que eu fosse me apaixonar por Loki — Me parece um tanto surpreso, eu não o culpo, vocês podem ter tido um romance de infância. Algo que vocês pensavam ser amor naquela época, mas não passava de uma inocente ilusão. — estranhamente as palavras de Loki pareciam fazer sentido, eu amava Daario quando ainda era uma garota que pensava que a felicidade era algo alcançável, de fato eu não era mais aquela menina iludida — Até você, Dany, sabe que o que estou dizendo é verdade se você o amasse não teria se entregado tantas e tantas vezes a mim. Afinal, não se pode amar duas pessoas ao mesmo tempo.
— Isso... Não pode ser verdade, Dany, diga-me que ele está mentindo. — suplicou Daario, temendo minha resposta, sua mão encontrou a minha e o ódio de Loki tornou-se palpável naquele instante. Eu estava confusa. Ele era ótimo em manipular as pessoas, pensava se eu não estava sendo apenas uma vítima sua. Ele estava cruelmente me convencendo de que eu não amava Daario e sim a ele. Todas as palavras pronunciadas por Loki haviam sido direcionadas a Daario, ferindo-o cada vez mais, eu não poderia permitir que ele continuasse com aquilo. Virei-me para ele, sentindo uma enorme tristeza inundar meu coração, mas eu não suportava mais mentir para ninguém, muito menos para mim mesma.
— É verdade. — admiti, me deparando com seu olhar completamente abismado. Pelo canto do olho fitei o sorriso satisfeito de Loki, ele deveria estar se considerando vitorioso. Eu sabia que mesmo admitindo meu amor por ele não seria o bastante para acalentar sua irá, e uma parte de mim estava enfurecida pela maneira como ele havia falado com Daario. Desviando do olhar confuso de meu amado Daario, encarei meu marido — Você é um monstro. — afirmei, criando uma estranha surpresa em sua íris esverdeada — Mas ainda assim, eu me apaixonei por você. Eu não esqueci em momento algum, a vez que me ameaçou no corredor do palácio, quando me mandou para ser morta por Fenrir, quebrou a minha mão e me torturou por horas naquele quarto. Uma pessoa normal te odiaria por tudo isso, mas eu simplesmente não consigo. Creio que esteja me tornando tão monstruosa quanto você, a minha sanidade se esvai a cada momento que passo ao seu lado. É insano? Sim, no entanto foi inevitável.
— Viu? Você assume que me ama, então porque perde seu tempo com este desgraçado? — bradou ele, referindo-se com extremo desprezo a Daario que surpreendentemente fez menção de avançar contra Loki, por sorte foi impedido por mim que me coloquei entre os dois, mesmo assim o ato não passou despercebido por ele — Não acredito nisto! Além de tudo ousa se levantar contra mim, eu sou um deus, seu inseto. Eu posso fazer com que desapareça num estalar de dedos.
— Já chega! Eu já disse o que queria, eu te amo e se você me ama como diz deixará Daario partir. — disse esperançosa de que meu pedido fosse atendido, apertando minha mão entre as suas voltei o olhar para Daario.
— Eu não irei a lugar algum sem você. — declarou meu antigo amor para meu desespero. Seu comportamento só estava enfurecendo ainda mais Loki.
— Não se preocupe, meu caro! De uma maneira ou de outra você não irá à lugar nenhum. — ameaçou ele, dando alguns passos em nossa direção com seu amedrontador sorriso sanguinário desabrochando em seus lábios — Mas talvez eu possa poupá-lo se.. — ele refreou o passo ao pensar no que sugerir a Daario, que tornava-se cada vez mais inquieto diante de sua impotência — Ajoelhe-se e me adore como seu deus. — seu pedido havia sido extremamente perverso, eu conhecia perfeitamente Daario e sabia que por mais mortal que fosse ele não iria se curvar a ninguém, muito menos a Loki.
— Loki, por favor não peça isto a ele. — supliquei e fui imediatamente atacada por um olhar furioso de meu marido.
— Não se atreva a defender seu amante, do contrário não hesitarei em lhe dar o que merece. — sua voz soou fria e indiferente, no entanto pude perceber que lhe feria a ideia de me machucar. Apesar do risco que corria precisava impedi-lo.
— Loki... — insisti, indo contra a sua ordem, mas como avisado fui punida ao tentar defendê-lo. Loki olhou de relance para mim e simplesmente senti uma dor agonizante em minhas pernas que me impediam de permanecer em pé. Cai de bruços, impossibilitada de poder me levantar. Daario imediatamente tentou se aproximar, contudo Loki se pôs entre nós.
— Tente se aproximar dela e eu o mato num piscar de olhos. —sua voz era altiva e maquiavélica, Daario manteve-se imóvel a poucos centímetros de distância de Loki, eu torcia para que ele o deixasse ir, mas por dentro eu sabia que isso não iria acontecer. Ele voltou a caminhar, deixando-me frente a frente com Daario, estranhei o fato dele permanecer no mesmo lugar, não era algo habitual dele, seguir ordens. Seus olhos furiosos e os punhos fechados responderam instantaneamente minha pergunta silenciosa. Loki o mantinha imóvel por meio de sua magia.
— Agora mais do que nunca estou crente de que fiz a escolha certa ao me rebelar contra vocês. Deuses mesquinhos e cruéis, acham que nós somos suas marionetes. — aquele era o Daario que eu conhecia, firme e destemido, ele jamais recuaria nem ao menos diante de um deus. Loki deu um sorriso sarcástico ao fita-lo com desprezo.
— Você só pode ser um tolo! — Loki apenas levantou um dedo e pude ver a expressão de dor no rosto de Daario — Meu pai poupou suas vidas e é assim que agradecem, nos desafiando.
— Não seja hipócrita, aquele outro monstro não nos poupou, ele levou a Daenerys como sacrifício. Eu não entendo como pode ter sido tão canalha a ponto de obrigar uma menina a se casar com você.
— Menina? Talvez ela ainda fosse uma se estivesse ao seu lado, mas comigo ela se tornou uma Khaleesi, a Rainha Dragão e em breve será a Rainha de Asgard. Você não passa de um monte de lixo, Nahaaris, então faça-me o favor de calar está maldita boca enquanto o mato.
— Daario... — o chamei com a voz falha e seus olhos encontraram os meus, eles me diziam que aquela seria a última vez, era a nossa despedida — Quando eu me casei, eu desejei com todas as minhas forças que fosse você naquele altar. — eu imaginava que aquilo fosse ferir Loki, mas naquele momento eu só enxergava Daario — Por tantas vezes eu sonhei que você vinha me resgatar como prometido.
— Não houve um dia em que eu não pensasse em você, a terra é um lugar terrível sem você, Dany. Me perdoe por ter falhado com você, por ter sido incapaz de salvá-la, se tivéssemos conseguido fugir talvez as coisas fossem diferentes. — diante da morte certa, ele deu um genuíno sorriso para mim, não era um simples sorriso para me acalmar e sim de pura felicidade, finalmente estávamos frente a frente. Nosso sonho de nos reencontrarmos havia se concretizado.
— Não me peça perdão, por favor. Fui eu quem falhei com você, se eu tivesse sido mais corajosa, inteligente, forte... Se eu tivesse o amado mais... Você não estaria prestes a morrer na minha frente. — lágrimas vieram aos meus olhos e tudo o que eu queria era encarar tudo aquilo como um pavoroso pesadelo, não existe dor maior do que ter de se despedir de alguém que ama, ainda mais em tais circunstâncias. Eu sabia que ele ia morrer.
— Você é o amor da minha vida, foi uma honra ter sido o seu. — os olhos de Loki se reviraram neste instante, ele deu alguns passos, se aproximando de Daario. Ele o percebeu, e o fitou com ódio no olhar — Não se engane, pois nós dois sabemos bem como essa história vai acabar, vocês podem se amar, mas ainda assim você é um monstro que a machucou demais. Você não a merece e um dia ela irá se libertar de você, Daenerys é uma verdadeira deusa, o lugar dela é ao lado de alguém de valor e não de um sádico como você.
— Hum, sei! Bom, espero que tenha aproveitado a sua última oportunidade de bancar o durão, você é um homem morto, Daario Nahaaris. Eu sou um deus asgardiano, aquela é a minha rainha e depois que você morrer ela continuará sendo minha, no fim você não foi nada além de um fraco inútil, sua existência nada significou. Poderá se arrepender de seus pecados no inferno. — eu deveria gritar, tentar impedi-lo de prosseguir com aquela loucura, mas eu não tinha forças para isto, eu era incapaz de reagir. Loki pôs uma das mãos sobre o ombro de Daario e levantou a outra mão — Eu venci e você perdeu. Agora aceite seu maldito destino. — Daario olhava para mim, o adeus estampada em seus olhos castanhos, Loki apenas estalou o dedo e era como se uma espada afiada rasgasse Daario do estômago ao pescoço, seu corpo fora dilacerado assim como a minha alma, ele caiu morto sob o chão congelado e eu pude sentir que morria junto com ele.
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Eu estava á beira da morte. Era inexplicável o que eu sentia, era como se cada parte do meu ser estivesse sofrendo, era uma dor tão grande, eu havia visto alguém arrancar meu coração do peito e dilacera-lo sem piedade diante dos meus olhos, automaticamente uma enorme quantidade de lágrimas vinha aos meus olhos, os soluços pouco a pouco tampavam minha garganta e tornava-se cada vez mais difícil respirar. Esticava ao máximo minha mão tentando alcança-lo, mas seu corpo estava distante, porém seu sangue me alcançará tingindo minhas mãos e braços de vermelho, aquilo só estava me deixando mais histérica, minha vontade era gritar e amaldiçoar Loki, se eu fosse capaz de levantar eu o mataria com minhas próprias mãos.
— Desgraçado! Você não tinha esse direito, não podia tê-lo matado. Eu me sacrifiquei para que nenhum humano morresse e você o matou. — gritei irada, enquanto não conseguia deixar de olhar para o cadáver de meu amado, seu único erro foi me amar e agora ele estava morto por causa disto.
— Eu não o matei, foi ele quem se matou ao ousar vir até aqui, atrás de você como se pudesse tomá-la de mim. — sua voz soava como um deboche odioso, ele obviamente não tinha remorso algum pelo que havia feito a Daario, era monstruoso a naturalidade com a qual ele agia após o matá-lo a sangue frio.
— Um dia você irá sentir o mesmo que eu, dor e decepção, o seu coração vai estar completamente esmigalhado, não lhe restará forças para reagir, assim como eu nem sequer poderá se manter em pé. Quer saber porque? Porque você enfim terá encontrado a paz, a felicidade terá se tornado sua companheira e você irá pensar que tudo está simplesmente perfeito e é neste exato momento em que arrancarei tudo o que você mais ama, eu irei dilacerar o seu peito e estraçalhar o seu maldito coração. Eu te odeio, Loki. — todo o seu humor desapareceu naquele momento, ele encarava seriamente meus olhos repletos de mágoa e raiva, a dor falava mais alto naquele instante eu queria que ele sentisse o mesmo que eu. Ele me havia causado todo aquele sofrimento, eu precisava fazer com que ele pagasse de alguma forma.
— Pare de chorar. — disse ele em tom baixo, mas parecia ter sido uma ordem. Eu não o obedeci, e continuei a me degulhar em lágrimas, aquilo o enfureceu de uma forma catastrófica, uma de suas mãos foi de encontro ao meu queixo que me obrigou a fita-lo — Se derramar mais uma lágrima por aquele bastardo eu juro que irei imediatamente até seu mundo matarei todos, começando pelos Targaryen. — ele me soltou e voltou a caminhar irritado a alguns metros de distância de mim, eu tinha certeza absoluta de que aquilo não se tratava de um blefe, ele matou Daario, não seria sacrifício algum matar mais alguns bilhões de humanos.
Fechei aos olhos e segurei por alguns instantes a respiração, na tentativa de cessar com as lágrimas e soluços, mas uma estranha sensação veio até mim, sentia uma queimação brotando de meu peito e subindo até a minha garganta e as lágrimas que eu tanto me esforçava para extinguir escapava de meus olhos, ao secar uma delas me assustei ao ver que não eram feitas de água e sim sangue, a queimação em meu interior era cada vez maior, Loki estava a minha frente, porém eu não conseguia chamá-lo, eu apenas era capaz de gritar. E foi exatamente o que fiz. Involuntariamente um som alto e agudo dominou toda a Jotunheim, fora um grito tão poderoso capaz de ensurdecer um humano. Loki imediatamente veio até mim, primeiramente ele colocou a mão em meus braços, mas rapidamente as tirou, suas mãos estavam vermelhas apenas por tocarem em mim, ele havia se queimado ao me tocar.
— Qual é o seu problema, Daenerys? Sua pele está tão quente quanto fogo. — olhei vagamente para mim mesma e novamente presenciei a aparente escama de dragão dominando meu corpo, mas desta vez ela estava mais escura e densa, uma dor intensa me atordoava como se algo aprisionado dentro de mim desejasse se libertar, aquilo era forte demais para que eu pudesse suportar, por mais uma vez gritei como se de alguma maneira aquilo fosse fazer com que eu me sentisse melhor — Não me diga que tudo isso é por causa do humano. — resmungou ele, entredentes.
Apesar do ferimento que lhe causara e da alta temperatura em que meu corpo se encontrava Loki me tomou em seus braços e caminhou até o exato lugar onde a Bifrost havia me deixado, apesar de toda a dor física que me afligia meu coração ainda era o mais prejudicado, eu observava Daario como se me despedisse dele, eu nunca mais iria poder vê-lo, ouvir sua voz, me encantar com seu sorriso, beijá-lo ou tocá-lo, ele estava fora do meu alcance ele agora havia se tornado uma lembrança, uma relíquia preciosa guardada para todo o sempre em meu coração.
Loki me apertou contra seu peito e quase pude me sentir segura, se não fosse pelo fato dele ter feito exatamente a mesma coisa segundos antes de me jogar a Fenrir há poucos meses atrás. Uma luz brilhante cegou meus olhos por um breve momento e quando voltei a enxergar, estávamos de volta a Asgard, sem demora Loki seguiu em direção aos nossos aposentos, a lua já brilhava intensamente no céu cercada por uma vasta quantidade de estrelas, era como se eu estivesse alheia a tudo ao meu redor, a dor parecia cada vez mais fraca assim como as batidas do meu coração. Eu praticamente não compreendia nada do que estava acontecendo, quando dei por mim estava estirada sobre a minha cama, cercada por Loki, Mira, Frigga e Guren todos me olhavam assombrados, eu começava a me questionar sobre o que estava acontecendo comigo, nunca havia visto ninguém morrer de tristeza. Será que serei a primeira?
— A menina está muito fraca, temos que ser rápidos do contrário ela não irá sobreviver. — Guren sentou-se ao meu lado e acariciou ternamente minha mão, como se tentasse me acalmar.
— Eu não entendo, o que está acontecendo com ela? — bravejou Loki, a maneira como ele se dirigiu a Guren me enfureceu de uma maneira anormal. Novamente aquela sensação de que havia algo dentro de mim veio a tona, eu apertei os lençóis enquanto gritava, Asgard inteira poderia me ouvir.
— Sua presença aqui só está fazendo com que ela piore é melhor que o senhor saia. — aconselhou Guren tendo seus olhos voltados para Loki, que contrariado seguiu sua sugestão e retirou-se. Ele atravessando a porta foi a última coisa que pude ver, meus olhos se fecharam caindo em um sono profundo.
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— Dany, Dany... Dany, por favor, acorde. — uma voz suave e longínqua chamava meu nome, minhas pálpebras ainda estavam pesadas, mas usei todas as minhas forças para reagir. Abri com dificuldade meus olhos, por um momento vi a imagem de minha mãe. — Mãe...? — murmurei, ao passo que minha visão clareava e eu reconhecia o sorriso aliviado de Guren.
— Como você está, querida? — indagou ela, acariciando meus cabelos.
— Eu não sei ao certo. O que... Aconteceu comigo? — finalmente eu havia voltado ao normal, mas ainda não entendia o que tinha acontecido.
— Você tem sangue de dragão, mas não é apenas isto, há muitos poderes adormecidos dentro de você ao passo que você sofre eles despertam. Houve uma época que isto aconteceu a muitos Targaryen. — a olhei confusa, eu não imaginava que ela soubesse algo sobre minha família, por fim eu começava a entender o que se havia passado comigo — Você é muito forte, Daenerys, poderia se tornar tão poderosa quanto Odin, por isso deve tomar cuidado pois ele sabe do que você é capaz.
— Se ele quiser me matar eu não tentarei impedi-lo, por mim eu fecharia meus olhos e não os abriria mais. Eu simplesmente não suporto mais viver sem ele. — virei o rosto, encarando o vazio eu podia ouvir a voz de Daario, a saudade e culpa começavam a me atormentar.
— Eu tenho certeza que ele não fará mal algum para você. — afirmou ela. Eu começava a duvidar disso, Loki, Odin, Raya todos os asgardianos eram monstros.
Eles não possuíam compaixão alguma, sua única motivação era morte e sangue, meu sacrifício havia sido em vão, eles não poupariam ninguém e eu teria de presenciar a minha falha. Além disso aparentemente eu tinha me tornado uma ameaça ao poder do pai de todos, não demoraria até que ele me eliminasse e quando isto acontecesse eu saberia que tudo o que fiz fora inútil, acreditei num amor inexistente, desprezei o verdadeiro amor da minha vida, sem dúvida Daenerys Targaryen era o maior dos fracassos. O que mais poderia me acontecer de pior?
— Você já contou a ela? — os gritos de Mira ao adentrar o quarto me arrancaram de meu devaneio, ela ajoelhou-se ao lado de meu leito com um sorriso enorme. Guren negou com a cabeça.
— Do que ela está falando? — minha fiel amiga não parecia disposta a me revelar do que se tratava, ela se virou para o sofá e começou a ajeitar as almofadas.
— Ora! Do príncipe é claro. — respondeu Mira, eu estava irada com Loki, nada a seu respeito me importava.
— Eu não quero saber nada sobre Loki.
— Mas, Khaleesi, não estou falando de Loki e sim do novo príncipe em seu ventre. — encarei Mira, sem compreender o que ela dizia, era como se eu a ouvisse em outra língua. Guren por fim largou seu falso afazer e se voltou para mim, com um olhar sério e duro.
— Você está grávida, Daenerys!
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