Sweet Sacrifice
3 Capítulo 2
Notas iniciais

— Sacrificada. — repeti completamente imóvel — Não podem fazer isso comigo! Nós somos uma família.
— Sim, nós somos. É por isso que você deve se sacrificar e salvar sua família. — explicou meu pai como se ele dissesse a coisa mais racional do mundo, mas para mim aquilo era loucura.
— Daenerys, nós somos uma das poucos famílias que ainda seguem Odin, os únicos capazes de aplacar sua fúria somos nós. Oferendo o que temos de mais precioso. — disse meu irmão também se aproximando de mim tentando me convencer.
— Até você aceitou isto? — indaguei a minha mãe que estava em um canto da sala ainda em prantos. Ela secou o rosto e tentando conter o choro levou o olhar até mim.
— Eu não queria que tivesse que ser você, mas não temos escolha. — lamentou ela voltando a chorar em silêncio. Meu irmão e meu pai permaneciam diante de mim como se aguardassem por uma resposta positiva de minha parte, o que obviamente não iria acontecer. Me virei dando as costas para eles dando alguns passos em direção a porta.
— Odin virá buscá-la amanhã. — informou meu pai. A frieza em sua voz deixava claro que ele não se importava com o que iria me acontecer. Continuei a andar o ignorando.
Ao entrar em meu quarto tranquei a porta e desabei por completo. Eu havia me feito de forte diante deles, mas a verdade é que eu estava morrendo de medo. Eu não queria ser um sacrifício. Havia tantas coisas que eu desejava conhecer, experimentar e viver, mas agora só me restava a morte.
Estava sentada no chão ao lado da porta observando desolada meu quarto, eu nunca mais iria vê-lo, teria que abandonar meus livros e nunca mais veria Daario entrar por aquela janela. Eu nunca mais veria nada. Lágrimas vieram aos meus olhos e eu não fiz questão alguma de reprimi-las e permiti que corressem livremente por meu rosto, revelando minha tristeza imensurável.
✖
Nem sequer havia notado as horas passarem. O sol tinha se posto há muito tempo e o anoitecer chegara. Eu estava deitada em minha cama, apenas olhando para o nada. Apenas em momentos como esse, em que você sabe que irá perder tudo é que se começa a dar valor ao que tinha a sua volta e era exatamente o que eu fazia. Tudo o que eu havia feito ou dito vinha a minha mente, o arrependimento também estava em meus pensamentos.
A saudade já dominava meu peito, eu pensava em minha família que apesar de ter feito algo tão terrível como querer me sacrificar, eles ainda eram importantes para mim e uma parte de mim entendia que o que eles haviam feito era para o bem de todos.... Exceto o meu.
Há tantas horas trancafiada naquele quarto com tantos pensamentos me atormentando nem sequer me dei conta de que havia me esquecido do encontro com Daario na cachoeira. O barulho em minha janela me fez levantar imediatamente a abri rapidamente me deparando com ele, assim que entrou em meu quarto lhe dei um abraço apertado desejando poder me sentir segura em seus braços mas nem ali onde eu julgava ser o lugar mais seguro do mundo encontrei minha paz. Nem mesmo ele poderia me salvar. Eu estava condenada.
Seus braços estavam ao meu redor me abraçando firmemente, mas sem dúvida alguma ele não entendia o que estava acontecendo comigo. Na verdade nem eu conseguia entender, eu apenas sentia medo. Um medo terrível me dominando, me destruindo aos poucos.
— O que houve? — indagou ele enquanto nos separávamos. Seus olhos estavam tão preocupados ao se encontrarem com os meus.
— Eu fui oferecido como sacrifício para aplacar a fúria de Odin. — ao ouvir minhas palavras foi possível ver a surpresa, ódio, espanto, terror e muitos outros sentimentos estampados no rosto de Daario.
— Você não será sacrificada para aquele maldito deus! — exclamou ele furioso. Sua ofensa desta vez não me incomodou, eu começava a odiar Odin também pelo meu cruel destino. — Diga que sim e nós iremos para bem longe amanhã mesmo. — fugir de um deus parecia loucura mas me entregar de livre e espontânea vontade não me agradava nem um pouco.
— Amanhã ele virá me buscar, é melhor irmos ao amanhecer tenho certeza de que ele só virá a tarde. — o informei, era algo totalmente insano mas eu estava disposta a ir com ele.
— Então isso é um "sim" ? — perguntou ele me olhando ansioso e assenti com a cabeça. Ele sorriu animado e me abraçou novamente — Nós iremos conseguir.
— Por favor, Daario, não deixe que eles me levem — supliquei e ele me apertou ainda mais em seus braços.
— Eu não permitirei que ninguém nos separe. — afirmou ele e finalmente pude me sentir segura novamente.
✖
O amanhecer trouxe consigo o mais temeroso de todos os dias de minha vida. Hoje Odin viria a minha casa, eu ficaria frente a frente com um deus. Isso era assustador, ainda mais pelo fato de que eu provavelmente seria morta. Do fundo do meu coração eu desejava conseguir fugir.
Minha mãe havia me feito um lindo vestido branco, ela queria que eu o guardasse para uma ocasião especial mas como este poderia ser meu último dia de vida optei por usa-la de uma vez. Ela o finalizava em meu corpo, fazendo alguns ajustes.
Eu ainda estava magoada por eles terem decidido me sacrificar mas eu não conseguia ignorar a dor de minha mãe, ela já havia ensopado meu vestido com suas lágrimas que não paravam de cair. Aquela cena era de partir o coração. Quando ela se preparava para continuar seus ajustes, segurei sua mão e ela levou o olhar surpreso até mim.
— Não chore. Eu vou ficar bem. — disse a tranquilizando e ela abriu um sorriso triste ao acariciar meu rosto.
— Eu faria qualquer coisa para te salvar, minha filha. — ela secou rapidamente as lágrimas que ainda teimavam em cair. Seus olhos estavam tão avermelhados quanto o meu, eu não havia sido a única que tinha chorado a noite inteira.
— Eu sei que faria. — sorri ao observa-la. Ela sempre foi uma ótima mãe, essa era a última vez que eu iria vê-la, mas não permitiria que sua última lembrança de mim fosse repleta de lágrimas e tristeza. — Então, como estou? — após seu último reparo girei mostrando o vestido.
— Está linda, uma verdadeira deusa. Uma Khaleesi. — sorriu ela.
— Khaleesi? O que significa? — indaguei curiosa.
— Princesa, em Asgard. — respondeu ela guardando as linhas e agulhas. Esse era o momento de escapar.
— Mãe, eu tenho algo para fazer, volto em um minuto. — informei dando alguns passos em direção a porta.
Ela assentiu com a cabeça e antes que o medo de me separar dela me abatesse sai do quarto, indo o mais rápido em direção a porta. Quando eu passasse por ela jamais retornaria. Estava a poucos centímetros da porta, em breve estaria livre de meu destino. Não seria mais sacrificada. Mas antes que pudesse conseguir minha liberdade senti alguém me segurar pelo braço, me impedindo de prosseguir ao me virar me deparei com meu irmão.
— Me solte! — ordenei impaciente.
— Acha mesmo que irei te deixar fugir com o Daario? — indagou ele e senti meu coração afundar. Ele sabia de tudo.
— Não diga bobagens, eu não irei fugir com ninguém. — neguei tentando me desvencilhar dele.
— Não sou um tolo que você possa enganar, eu sei perfeitamente sobre o seu plano e não permitirei que você prejudique a todos nós. — disse ele ainda segurando firmemente o meu braço.
— Por favor, Viserys, me deixe ir. Eu não quero ser sacrificada. — supliquei, mas eu conhecia bem o frio coração do meu irmão nem que eu me ajoelhasse diante dele e suplicasse dia e noite receberia sua misericórdia.
— Já chega! Você será sacrificada e ponto final. — afirmou ele decidido e eu não tive escolha. Apanhei uma faca sob a mesa e fiz um corte superficial em seu rosto mas foi o suficiente para que ele me soltasse.
Corri até a porta, finalmente conquistando minha tão desejada liberdade. Ao abri-la me deparei com um homem alto, de cabelos e barbas embranquecidas, ele tinha um de seus olhos tapadas e parecia ter uma idade avançada, mas ainda aparentava ser tão forte quanto qualquer rapaz, suas roupas também era diferentes. Em poucos segundos finalmente deduzi quem era.
— Odin. — sussurrei espantada. Não havia mais como fugir, estava tudo perdida. Eu estava morta.
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