Notas iniciais
Olá, meus queridos! Como estão? Eu sei que demorei legal desta vez, o tempo anda super contra mim ultimamente, mas de agora em diante acho que poderemos deixar a saudade de Sweet Sacrifice de lado, porque vamos voltar pra valer agora. Espero que gostem!

Desci da carruagem e segui em passos largos até a casa modesta a minha frente, eu me deparava com uma parte de Asgard completamente desconhecida para mim. Na verdade, aquele lugar me fazia lembrar das áreas humildes de Meereen, onde se localizavam os mais pobres. Aquele nem de longe poderia ser considerado um lar digno de um príncipe. Era um absurdo um garoto com sangue real ser desprezado de tal maneira e ainda por cima ser proibido de ter contato com outros, era de se admirar que Odin tenha permitido sua presença em meu casamento.

Guren caminhava ao meu lado, repetindo incessantemente o quanto minha atitude estava sendo imprudente, como Khaleesi eu não deveria me deixar guiar pela emoção e que eu havia deixado Loki furioso e com isso se acabaria a minha temporada de paz. Logicamente tudo o que ela dizia fazia sentido, eu estava sendo imprudente, sendo guiada pela emoção e havia acendido a ira de Loki contra mim, mas eu simplesmente não podia me manter indiferente diante do que estava acontecendo.

Rhaegan é apenas um garoto que perdeu os pais, foi rejeitado por sua família, ele fora abandonado no momento em que mais precisava de apoio, assim como eu quando fui condenada a me tornar um sacrifício. Nós éramos iguais, quando estivemos juntos foram os momentos mais felizes que tive em Asgard, não importa quem eu irrite ou tenha que enfrentar nada nem ninguém me impediria de estar com aquela criança.

Adentrei a pequena casa, os móveis eram mínimos, aquela era a única porta da casa e só possuía uma janela, era escuro e abafado, estava longe de ser um lugar adequado para uma criança doente. Andei até o outro cômodo, só havia espaço para uma cama, onde Rhaegan repousava, seus olhos estavam fechados e seu rosto pálido, eu me perguntava o que havia acontecido com ele para estar em tal estado. Não parecia uma simples doença. Ajoelhei-me ao lado de seu leito, sem ousar emitir qualquer som, não desejava despertá-lo, mas ele instantaneamente abriu seus olhos, que pareciam não ter o mesmo brilho de antes.

— Khaleesi…Você é tão linda. — murmurou ele, sua voz soava tão baixa que seria incapaz de entendê-lo se não estivesse tão próxima. Acariciei seus cabelos e sorri com o inusitado elogio.

— Não, você que é lindo, meu príncipe. — ele me olhou assustado, provavelmente não imaginava que eu conhecesse sua história, muito menos quem fora seu pai.

— Não deveria ter vindo, o rei não vai gostar. Eu não quero que ele brigue com você. — me surpreendi em vê-lo tão preocupado comigo estando em tal situação, eu estava disposta a arcar com quaisquer consequências por ele.

— Rhaegan, não precisa se preocupar com isto. Eu não sou mais aquela menina medrosa de antes. — disse orgulhosa, ele imediatamente fez uma careta em discordância comigo. O olhei fingindo estar irritada, sem entender o que aquilo significava.

— Você jamais foi medrosa, é a mulher mais corajosa do mundo. Até o príncipe Loki deve temê-la. — explicou Rhaegan, aparentando momentaneamente uma melhora em seu estado, mas logo uma série de tosses o afligiu, o olhei completamente espantada eu não sabia o que fazer para ajudá-lo. Guren veio ao seu auxilio e lhe deu um copo com algum remédio que acabou com a tosse — Quem diria que uma simples tosse era capaz de assustar a Mãe dos Dragões. — brincou ele voltando ao seu estado de antes.

— Então, até você está me chamando de Mãe dos Dragões? — indaguei, tentando me recuperar do susto que tivera a pouco.

— Sim, todos a chamam assim agora, deve ser incrível ter dragões, quem me dera poder vê-los um dia. Ficaria tão feliz. — murmurou ele, um tanto envergonhado. Talvez, temendo que eu me irritasse com seu pedido camuflado. Me levantei e caminhei até a porta.

— Mira! — a chamei e ela entrou no quarto, carregando meus três dragões que imediatamente foram até Rhaegan, eles voavam ao redor dele e pousavam sob seu pequeno corpo. Ele os olhava completamente admirado e até mesmo começou a rir, quando Drogon pousou em sua cabeça. Voltei a me aproximar de sua cama e o olhei contente, por ver que havia conseguido lhe trazer um pouco de alegria — Gostou da surpresa?

— Muito obrigado, mãe. — ele colocou seus braços ao meu redor e me deu um forte abraço, repleto de carinho, mas logo enrubesceu ao perceber a última palavra que havia dito. Ele voltou a se encantar com os dragões que não o deixavam quieto por um segundo sequer. Eu por outro lado disfarçava a emoção que aquela pequena palavra havia me causado. Naquele momento, a minha felicidade estava diretamente ligada à de Rhaegan.

Subia tranquilamente pelas escadas do castelo, me sentia revigorada por ter podido alegrar Rhaegan. Havia tomado todas as providências para que ele deixasse aquele lugar e se instalasse em uma residência nobre próxima ao castelo, assim poderia ir visitá-lo todos os dias. Agora precisaria me preparar para aguentar a ira de Loki, porém ao chegar a entrada do castelo me deparei com alguém muito pior que Loki.

— O que você quer? — indaguei irritada, a olhando com desconfiança, aquela mulher estar esperando por mim não podia de maneira alguma ser coisa boa. Ignorando por completo a minha evidente recusa em dialogar com ela, Raya se aproximou de mim.

— O príncipe me pediu que lhe comunicasse sobre o baile de celebração do aniversário da Rainha. — respondeu ela secamente, estava claro em sua face o quanto ela me detestava, de fato ela considerava uma tortura ter que me dirigir a palavra. Evidentemente o sentimento era mutuo, principalmente depois dela ter tentado me matar descaradamente e não ter recebido uma punição digna. Mas ainda assim nada superava o fato de que entre milhares de pessoas, Loki pediu justamente a ela que me desse a notícia, aquele infeliz já havia começado sua guerra contra mim — Ah! E por favor, não se esqueça de deixar aquelas feras trancadas dentro de seus aposentos.

— Para você tentar queimá-los como fez comigo? Além do mais, a única fera que vejo é você. — retruquei, a contrariando, eu a detestava e não era esforço algum para mim começar uma briga ali mesmo — Como Khaleesi tenho o direito de fazer o que bem entender, porém não se preocupe jamais voltarei a permitir que meus dragões toquem em algo tão podre como você.

— Não deveria ser tão arrogante, pois em breve deixará de ser Khaleesi. — ameaçou ela, no entanto eu não tinha medo algum dela, pelo contrário meu corpo inteiro estava sendo dominado pelo ódio que a muito venho nutrindo por ela.

— Por que, Raya? Por acaso pretende me matar? — palavras não eram necessárias, apenas seu olhar sanguinário era o bastante, mas meus olhos estavam iguais aos dela — Pois bem, você pode tentar e até quem sabe conseguir se livrar de mim, mas cá entre nós acha mesmo que Odin permitirá que se case com o filho dele? Ou que Loki a queira? Suponho que o caso de vocês não começou agora, então porque ele não a pediu em casamento antes de minha chegada. — mesmo, sem querer aceitar, ela sabia que minhas palavras faziam sentido — Ele nunca a quis como esposa, comigo viva ou morta ele nunca será seu.

— Você se engana, agora que não é mais a queridinha de Loki ele voltará a odiá-la, tanto quanto antes. Seus dias como princesa estão contados. — ela deu um sorriso perverso ao se recordar de algo — Graças a poucas palavras ditas em seu ouvido Odin não pensou duas vezes em condenar seu filho preferido e até mesmo o neto, pense bem o que ele poderia fazer com você se lhe fossem ditas as palavras corretas. Em breve você irá parar na mesma lata de lixo que o bastardo de Thor.

Ouvi-la falar daquela maneira de Rhaegan foi a gota d’agua para mim, ela poderia disparar qualquer ofensa contra mim, mas contra ele eu não iria tolerar. Sem pensar duas vezes, lhe dei um tapa na cara, deixando transbordar toda a minha ira, de fato eu não era uma boa Khaleesi, eu não podia agir com frieza ou me deixar guiar sempre pela razão. Pois diferente deles, o que corria em minhas veias não era veneno ou gelo, e sim o verdadeiro sangue humano que quando afrontado queima tanto quanto o fogo.

Obviamente, ela não se demorou em revidar o ataque, eu estava tão irada que nem ao menos senti, Guren e Mira correram até nós tentando nos separar, mas já era tarde demais, Raya e eu estávamos presas uma a outra por tapas e socos. Vendo que não poderiam nos impedir de prosseguir com nossa guerra, as duas começaram a gritar desesperadamente por ajuda.

Finalmente responderam o chamado delas, Loki juntamente com Fandral e Hogun, os outros dois seguraram Raya tentando afastá-la de mim, eles encontraram certa dificuldade na tarefa, ela estava decidida a continuar nosso combate. No entanto, diferente dos outros, Loki não encontrou dificuldade alguma em me controlar, ele pôs seu braço ao redor de minha cintura e me manteve junto a ele, por mais que eu tentasse não conseguia me livrar dele, afinal, ele ainda era um deus.

— Como você ousa levantar a mão contra a sua Khaleesi? — gritou Loki, sua voz estava carregada de raiva, aquela era a primeira vez que eu o via gritar com Raya. Na verdade, suspeito que eu não fosse a única a se surpreender com aquilo, os outros três também o olhavam boquiabertos.

— Ah.... Bem, não foi minha intenção, senhor…Eu... — gaguejou ela, toda a arrogância de agora a pouco havia dado lugar a um terrível ataque de pânico, de fato ele estava extremamente assustador.

— Agora não sabe o que dizer, não é? Sabe perfeitamente que isto é um crime punível com a morte. — sua voz tornou-se mais baixa, mas nem por isso menos amedrontadora, suas palavras saiam como uma clara ameaça, eu suspeitava que ele fosse condená-la e até mesmo senti pena — Hogun, Fandral, levem-na daqui. Está noite ela ficará com Fenrir.

A contragosto os dois obedeceram a ordem de Loki, eles a seguraram e a guiaram até o monstro. Eu me recordava bem do encontro que tivera com ele, e por mais que a detestasse não desejava tal fim para ela. Porém suspeitava que Raya não seria a única a ser punida, de uma maneira nada cortês ele me arrastou até meu quarto, ele praticamente arrombou a porta e me jogou com tanta força que me fez cair no chão.

— Desgraçado. — gritei furiosa, me levantando, tudo o que havia acontecido tinha sido por culpa dele e agora ele achava que tinha o direito de me tratar daquela maneira.

— Eu não acredito, como pude ter sido tão tolo com você? Agora acha que pode me xingar? Eu sou um deus, sua pirralha metida. — ele me puxou pelo braço, me obrigando a permanecer de joelhos — Por acaso não sabe que diante de um deus você deve se manter de joelhos?

— Não deveria descontar sua raiva em mim. — resmunguei, me enfurecendo com tudo aquilo, ele estava mil vezes pior do que antes, aquilo não era normal. Ao me ouvir ele soltou uma gargalhada de deboche.

— Em quem mais eu poderia descontar além de você? Desde que chegou é só isso que você tem dado a mim, raiva, ódio, desgosto. Sem falar da vergonha, por acaso não percebeu o povo assistindo a briga nos degraus do castelo de Odin. Seremos vistos como fracos e bárbaros graças a você. — de repente senti uma enorme dor, ele puxou brutalmente meus cabelos e abaixou seu rosto até o meu — Eu tenho sido fraco demais com você, talvez tenha me deixado levar por seu charme, mas isto acabou. Sinceramente, eu tentei ser diferente, por um momento eu pensei que poderíamos ser felizes juntos, mas como eu posso ser feliz com alguém como você? Daenerys, você é a ruina de qualquer homem. Uma fera que eu estou disposto a domar.

— Você pode até tentar, mas não vai conseguir. — retruquei o encarando, eu não tinha forças para enfrenta-lo e isso só me deixava mais irada. Um familiar sorriso perverso surgiu em seus lábios.

— É claro que vou. — afirmou ele, passando um de seus dedos sob o corte que Raya havia feito em meu rosto, senti uma leve ardência, mas não deixei transparecer emoção alguma — Eu já te fiz ter muito medo, não será sacrifício algum te fazer entrar em pânico. — senti uma estranha sensação, algo subir em meu braço, perdi o ar ao ver uma cobra subir em meu braço vindo de encontro ao meu ombro e ela não era a única, haviam centenas no chão me rondeando. Dei um grito do horror, no entanto não pude me mover, com certeza era a sua maldita magia — Direi a minha mãe que está indisposta, mas que mandou seus cumprimentos. — informou ele com tranquilidade, ignorando por completo o fato de que eu estava cercada por cobras de todas as espécies — De hoje em diante não sairá deste quarto, e não verá seus dragões tão cedo, no entanto não precisa se preocupar com a solidão, elas ficarão por um bom tempo aí lhe fazendo companhia e em breve lhe mandarei mais novos amigos. — zombou ele caminhando em direção a porta.

— Loki, por favor, não faça isso. — implorei, tremendo ao sentir mais daqueles bichos nojentos se aproximando de mim.

— Já é tarde demais, querida. — disse ele, sorrindo — Essa será uma noite muito divertida.

Notas finais
E ae, estavam com saudade do Loki malvado? Pois bem, ele está de volta pior do que nunca, Dany se cuida!