Sweet Sacrifice
16 Capítulo 15
Notas iniciais

O anoitecer chegara e com ele o baile se iniciava. Eu tentava observar da janela a chegada dos convidados, depois de algum tempo eu acabei perdendo a conta de quantos eram. Mas com certeza haviam milhares, se não fosse por Mira me obrigar a permanecer no mesmo lugar enquanto ela ajustava alguma coisa em meu vestido eu teria forjado um mal estar, apenas para não ter participar daquele baile. Eu não sei ao certo mas tinha o mal pressentimento de que algo ruim aconteceria.
Estava impaciente de ter que me manter imóvel durante tanto tempo, mas eu aproveitava para observar meus dragões, eles voavam pelo quarto, por serem muito jovens só conseguiam voar a poucos centímetros do chão. No entanto, eu não conseguia parar de pensar em como será quando eles puderem voar além das nuvens, cuspirem chamas tão quentes quanto o próprio sol e se tornarem maiores do que Fenrir. Eu adoraria ver este dia chegar.
— Está pronta, senhora! — exclamou Mira com um sorriso de satisfação guiando-me até o espelho.
Durante todo o tempo estive tão entretida com meu medo da multidão e meus dragões que nem sequer havia reparado em meu vestido. Era um longo vestido azul claro de seda com bordados, meus cabelos estavam levemente presos e pendiam sob meus ombros, e eu carregava o colar que havia ganhado do Lorde Parrish. Ele era magnifico.
Mira não era tão incompetente quanto Guren dizia. Ao olhar novamente minha imagem no espelho me veio o pensamento do que Loki diria ao me ver em trajes tão dignos de uma princesa. Balancei a cabeça afastando o absurdo pensamento. Eu não conseguia entender o que estava acontecendo comigo, involuntariamente ele vinha a minha mente e dominava meus pensamentos. Por que eu estou pensando em Loki?
— Você é uma imbecil! Ele não gosta de você. — murmurei a mim mesma, sem me dar conta de que Mira estava próxima o bastante para me ouvir com clareza.
— Pois eu discordo. Eu suspeito que o príncipe esteja se apaixonando por você, e me arrisco a dizer que o mesmo acontece com você. — afirmou ela com animação, em suas palavras estava claro o desejo que tinha para que eu acreditasse nelas. Virei-me e a encarei com meu ceticismo iminente.
— Ele já me feriu e tentou me matar, porque ele sentiria algo por mim? — indaguei, para mim Mira ainda era inocente demais para entender algo sobre sentimentos. Era impossível que Loki nutrisse qualquer sentimento puro e verdadeiro por mim depois do que ele havia me feito e pelo simples fato dele ser um desalmado cruel.
— Sim, ele fez tudo isso, mas foi quando ele pensou que poderia assustá-la com suas maldades. Porém, a senhora, mostrou-se tão forte e corajosa que o maravilhou. — suspirou ela me surpreendendo com suas palavras — Loki nasceu como um príncipe, durante toda a sua vida teve mulheres se jogando aos seus pés, ninguém nunca ousou desafiá-lo. Creio que homens fortes tendem a amarem mulheres fortes.
— Então, eu sou forte agora? — retruquei incrédula, por mais que eu tentasse demonstrar força eu sabia que na realidade permanecia tão inofensiva quanto antes — Eu suspeito que ele seja incapaz de amar, ele se diverte iludindo e zombando dos outros. Este é um casamento imune a qualquer sentimento semelhante ao amor.
— Sabe, acho que na verdade ele se apaixonou pelo fato de você ser idêntica a ele. Ambos são orgulhosos demais para admitirem, mas não há dúvida de que vocês se amam. — prosseguiu ela ainda insistindo em seu conto de fadas surreal no qual eu e Loki nos amávamos.
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Minhas mãos tremiam e eu suava frio, sentia o palpitar de meu coração cada vez mais acelerado. Eu olhava ao redor com desespero, desejando encontrar uma porta e poder escapar, mas infelizmente, a única porta que havia era a que dava para o grande salão do baile onde uma multidão me esperava. Com certeza todos os olhares estariam voltados para mim, sem dúvida todos me detestariam, afinal eu sou uma humana e ninguém gosta dos humanos. Todos sempre querem nos destruir.
Depois de um tempo eu nem sabia mais o que pensar, tantas coisas passavam pela minha mente naquele momento. Mira com toda certeza retiraria a parte em que sou corajosa ao me ver naquela situação, desde que me entendo por gente tenho um seríssimo problema: Timidez. Eu tenho um ataque só de pensar em ficar diante de uma multidão olhando para mim. No meu casamento isto aconteceu, mas meu medo era tanto de Loki que nem ao menos me recordei disto.
Porém agora eu estava totalmente concentrada naquela imensidão de pessoas atrás daquela porta. Comecei a contorcer meus dedos de nervosismo enquanto andava compulsivamente de um lado para o outro, eu suspirava frequentemente na tentativa de me acalmar, mas era inútil. Sem dúvida um certo alguém debocharia de mim ao me ver em tal estado, presa em meus pensamentos repentinamente trombei bruscamente em algo que me fez cair no chão.
— Deveria olhar por onde anda. — aquela voz mal humorada era a última coisa que eu gostaria de ouvir. Milagrosamente Loki estendeu a mão e me ajudou a levantar.
— Obrigado. — murmurei sem lhe dar atenção alguma, e retornei aos meus medos. Ele obviamente percebeu e não pareceu nem um pouco satisfeito em não começarmos a discutir como sempre.
— Qual é o seu problema? Normalmente você faria um escândalo por eu ter lhe derrubado? — observou ele com precisão, mas de fato ele estava exagerando eu não faria um escândalo apenas por isto — Ora! Não me diga que... A valente Khaleesi de Asgard tem medo de multidões. — minha reação ao ouvi-lo mostrou que ele havia deduzido perfeitamente a situação.
— Loki, seja sincero, tem muitas pessoas aqui? — indaguei receosa com sua resposta. Eu esperava que ele zombasse de meu medo mas pelo contrário ele pareceu momentaneamente preocupado comigo.
— Não. — respondeu ele para o meu alivio, mas seu sorriso perverso que se seguiu mostrou claramente que não havia preocupação alguma comigo — Vieram apenas os habitantes de Vanaheim, Nidavellir e Alfheim, bem não convidamos ninguém de Midgard, por que ninguém gosta de humanos. Mas temos você representando este mundo sem graça.
— Por que você não me faz o favor de calar a boca? — bravejei irritada, ele tinha o poder de transformar o meu nervosismo em uma imensa raiva direcionada a ele.
— Pelo que vejo o seu problema é sério. Sabe, eu não deveria pois você tem sido muito malcriada ultimamente. — revirei os olhos diante de seu comentário imbecil — Mas eu vou ajuda-la com isso.
— Me ajudar como? — e novamente passei por uma metamorfose onde minha raiva tornou-se curiosidade, se existia uma maneira de acabar com aquilo eu precisava descobrir qual era.
— Por acaso se esqueceu que eu sou um deus? E deuses costumam resolver facilmente problemas impossíveis para criaturas inferiores como vocês humanos. — disse ele grosseiro e arrogante como sempre. Ele deveria estar apenas me iludindo e não faria nada para me ajudar.
— Me deixa em paz. — suspirei lhe dando as costas, mas ele me puxou pelo braço me fazendo ficar frente a frente com ele e tocou minha testa com um dedo. Por um momento senti como se uma leve brisa passasse por todo o meu corpo — O que você fez?
— Nada de mais, foi apenas um truque de mágica. — respondeu ele com desinteresse enquanto passava a olhar-se no espelho próximo a porta.
— Como assim um truque de mágica? — ele permanecia admirando-se, parecia mais interessado em sua própria imagem do que em me dar uma resposta — Então além de malvado você é egocêntrico. O que eu fiz a Odin para ser castigada com um marido como você?! — ele imediatamente virou-se para mim, coloquei as duas mãos sob a boca sem acreditar no que havia dito — Por que eu disse isso?
— O feitiço que lancei em você remove temporariamente qualquer medo ou insegurança. A sua timidez desapareceu assim como o medo que tem de dizer o que realmente pensa. — disse ele com satisfação, eu de fato havia detestado este feitiço, dizer o que penso não seria nada bom.
— Sem duvida isso foi uma péssima ideia. Eu não quero fazer papel de ridícula diante de tantas pessoas. — estranhamente eu não temia fazer papel de ridícula ou coisa alguma, eu não tinha medo de nada. Talvez, este feitiço não fosse tão ruim quanto eu pensava.
— Não seja medrosa, este baile é em sua homenagem. — suspirou ele ficando ao meu lado e subitamente segurando minha mão. Em poucos segundos notei o porquê de seu gesto inesperado.
A grande porta se abriu e Loki e eu caminhamos alguns centímetros, adentrando ao majestoso baile que era realizado. Quando surgimos todos os olhares foram voltados para nós, e para o meu azar Odin estava do outro lado da sala acompanhado de sua esposa. Meu medo havia desaparecido por completo, e eu não via mais problema algum em atravessar o salão em meio à multidão.
Ele ainda permanecia ao meu lado segurando minha mão e por algum motivo eu me sentia segura e aliviada por estar com ele. Conforme caminhávamos pude notar que realmente estavam outros povos presentes no baile, grande parte deles pareciam decepcionados por verem que a Khaleesi de Asgard era uma humana, sem dúvida todos desejavam que a escolhida fosse um membro de seu povo, mas de certa forma eu me divertia com suas caras invejosas.
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Estava sentada no trono ao lado de Odin e Frigga, a todo momento vinham até nós pessoas me presenteando e parabenizando. Meu casamento com Loki já havia sido há semanas e mesmo assim eu não conseguia me acostumar com tudo aquilo, eu não nasci para ser uma princesa. Olhei ao redor e como antes o trono de Loki estava vazio ele havia desaparecido há muito tempo. Como era de se esperar ele tinha me abandonado, ele não suportava ficar muito tempo perto de mim.
No entanto de repente a multidão dividiu-se e ele surgiu entre eles, caminhando até mim. Frigga o olhava com um grande sorriso no rosto, ela parecia pensar que nosso casamento ia às mil maravilhas. A pouco tempo atrás ela falava animadamente o quanto desejava tornar-se avó. Creio que o sonho dela não irá se realizar tão cedo.
— Aproveitando o baile? — indagou Loki parando diante de mim com um sorriso debochado, ele com certeza esperava que o seu feitiço tivesse me feito dizer alguma bobagem diante de Odin, mas por sorte isto ainda não tinha acontecido.
— Muito. — respondi o fazendo desmanchar seu sorriso — E por onde você esteve?
— Por aí. — disse ele, evasivo — Bem, pelo que vejo ganhou muitos presentes. Está na hora de lhe dar o meu, diga-me o que deseja. — ele soou tão cordial que quase não o reconheci.
— O que eu desejo... — murmurei pensativa, de repente me recordei de algo que havia lhe pedido há algum tempo atrás — Quero que dance comigo.
— Dançar? Não seja estúpida! — disse ele com seu tom grosseiro de sempre.
— Loki, honre sua palavra. Você disse que a presentearia com o que ela desejasse. Vamos, dance com sua esposa. — ordenou Odin para minha surpresa, eu não esperava por um reforço do pai de todos para fazer com que meu marido aceitasse dançar comigo. Mas pelo jeito funcionou perfeitamente.
Mesmo a contragosto, Loki segurou minha mão e me guiou até o centro do salão, ele levou uma mão até a minha cintura e a outra permaneceu segurando minha mão, eu repousei minha mão sobre seu ombro e começamos a dançar, eu permitia que ele me guiasse, estava maravilhada ao ver como ele dançava bem. Estávamos em perfeita sincronia com a melodia.
Eu observava a todos, alguns já dançavam no centro do salão, uma música bela e suave tocava e inundava todo o castelo. Loki estava extremamente mal-humorado, eu não conseguia entender por que ele detestava tanto dançar, ele fazia isso tão bem.
— Você dança muito bem. — o elogiei mas mesmo assim isso só fez com que ele ficasse ainda mais irritado comigo.
— Calada! Você só está me dando mais um motivo para te detestar. — resmungou ele, evitando me olhar.
— Eu sempre sonhei em dançar no meu casamento. — suspirei, ele imediatamente deixou de me ignorar e voltou a olhar para mim, surpreso.
— Não me diga que era aquele tipo de garota que sonha em se casar com um príncipe encantado?! — indagou ele, mais sarcástico do que nunca. Permaneci em silêncio, desta vez era eu quem estava irritada — Mas você não casou-se apenas com um príncipe, mas sim com um deus.
— Que sorte a minha! — revirei os olhos diante de seu momento de deboche.
— Está bem, não serei mal, apenas hoje. Está noite serei o marido que você merece. — prometeu ele, e por algum motivo inexplicável assim como da outra vez, eu acreditei em suas palavras — Quem sabe o seu conto de fadas se torne realidade.
Dançamos por um longo tempo, mesmo que isso o irritasse muito. Loki estava cumprindo com sua promessa e comportava-se como um marido exemplar. Há algum tempo ele havia se afastado para tratar de algum assunto com Volstagg.
Enquanto isso, eu observava os que dançavam pelo salão e os outros que conversavam incessantemente, naquele dia eu parecia ser o assunto principal. Eu havia até mesmo recebido novos títulos, como: A Não Queimada, Mãe dos Dragões, Rainha Dragão e Noiva do Fogo. A notícia sobre o nascimento de meus dragões havia se espalhado por toda a parte. Eu me perguntava se os humanos também sabiam disto.
Ao olhar novamente o salão percebi que Volstagg já havia retornado, mas Loki não estava com ele. Odin e Frigga estavam entretidos em uma conversa com alguns lordes, aproveitando a situação decidi levantar-me e ir à sua procura. Passei pelo salão e caminhei pelos corredores do castelo que estavam vazios, todos haviam ido para o salão. Eu não entendia o que ele poderia estar fazendo naquela parte deserta.
Ao passar pelos corredores, ouvi um barulho vindo de um dos quartos, aquela era a voz de Raya, seguida pela de Loki. Eu não pude entender o que eles falavam mas se eles estavam juntos podia deduzir perfeitamente o que acontecia. A porta estava entreaberta, ao me aproximar me deparei com a dolorosa visão dos dois se beijando. Senti meu sangue ferver, meu desejo era fazer algo e acabar com aquilo, mas usei todo o autocontrole que possuía para não me revelar.
Me afastei e continuei a caminhar, a imagem dos dois juntos me provocava um sofrimento terrível. Desde o dia em que a conheci eu soube o que acontecia entre eles, e até então não me importava, mas agora isso era tão doloroso para mim. Eu me recuso a acreditar nas palavras de Mira, mas suspeito que ela esteja certa, pois, se eu não sentisse nada por ele não estaria sofrendo tanto. Um dor exorbitante domina meu peito, sinto algo se quebrando dentro de mim, é o meu coração que está em pedaços.
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