Sweet Sacrifice
13 Capítulo 12
Notas iniciais

Ao anoitecer retornei para o castelo, com minha mente repleta de dúvidas. Eu estava atordoada com aquela situação. Ser casada com Loki não era fácil e toda vez que eu pensava que as coisas poderiam melhorar acontecia algo que destruía por completo minhas esperanças. Enfim, havíamos nos acertado e chegado a um acordo mas agora surgia novamente um motivo para o caos entre nós.
Matar o próprio irmão era uma monstruosidade grande demais até mesmo para ele. Talvez eu estivesse me precipitando em pensar em algo assim, como esposa dele eu não deveria pensar sempre o pior, eu poderia tentar encontrar outra explicação para isso. Era possível que ele realmente tivesse caído, Loki talvez não tivesse conseguido ajuda-lo a tempo. Por mais que eu quisesse não conseguia me enganar.
Eu não conseguia deixar de desconfiar dele, afinal ele havia dito que seria capaz de matar o próprio filho, não me surpreenderia que ele tivesse matado o irmão. Esta situação tornava-se cada vez mais confusa, enquanto vagueava por um dos longos corredores do castelo minha mente se aprofundava cada vez mais em meus pensamentos sobre o meu sombrio marido.
Eu sinceramente adoraria confiar nele, poder entende-lo mas era impossível. Ele era tão fechado e distante, praticamente inalcançável, quando eu começava a pensar que o entendia ele voltava a ser complicado novamente. Estava certa de que não era mais intimidada por ele, mas ao pensar na possibilidade dele ter sido capaz de matar o próprio irmão e desprezar o sobrinho me provocava um certo temor. Ele não tem limite algum.
— Enfim a encontrei! — exclamou Loki vindo em minha direção, senti como se meu coração estivesse parado por um momento. A última coisa que eu queria era vê-lo e ele resolve surgir diante de mim
— Ora! E porque esteve a minha procura? — indaguei com curiosidade, esta era a primeira vez que ele vinha até mim.
— Em breve será o seu baile, se você desaparecer todos irão desconfiar de mim, principalmente Odin, o seu tão fiel protetor. —resmungou ele revirando os olhos, evidentemente incomodado por não poder me azucrinar como antes — Onde você esteve? Eu a procurei pelo castelo todo.
— Bem, já que irei permanecer em Asgard decidi conhecer melhor este mundo e seus habitantes. — suspirei evitando encará-lo. Eu não queria evidenciar minhas desconfianças a seu respeito mas detestava ter perguntas sem respostas.
— Conhecer Asgardianos? Com certeza fez amizades com todos os servos. — zombou ele com extrema arrogância.
— Sabe, enquanto eu passeava por Asgard conheci um garoto muito especial, de sangue real porém desprezado por sua família. —assim que pronunciei tais palavras, Loki ficou visivelmente perturbado, provavelmente a ordem para que nada sobre Rhaegan fosse dito a mim partiu dele — Você conhece o Rhaegan, não é?
— Sim, eu conheço o bastardo. — retrucou Loki, eu não pude deixar de me horrorizar com a frieza que ele se referia ao próprio sobrinho o chamando de bastardo.
— Ele não é um bastardo, só teve a infelicidade de perder seus pais. — me permiti encara-lo revelando por completo minha desconfiança a seu respeito, ele não era nenhum tolo e já havia percebido — E ainda por cima, uma família fria o bastante para negligencia-lo.
— Pobre, Rhaegan! A vida foi cruel com ele, primeiro tirou seu pai, depois sua mãe mas em compensação ele ganhou uma protetora. — repentinamente ele deixou transparecer toda sua irritação sobre tratar daquele assunto ao elevar seu tom de voz. Mas eu desejava respostas, principalmente depois dele demonstrar tamanha raiva pelo garoto.
— O que aconteceu com Thor? — perguntei o olhando desafiadoramente, eu desejava saber a verdade, não me manteria mais silenciosa e temerosa como antes. Se ele mentisse diante de meus olhos eu saberia.
— Thor? Quem foi a adorável pessoa que lhe contou tantas coisas? — sondou ele, porém eu não tinha intenção alguma de me deixar levar por suas armadilhas. Percebendo isso, correu a mão por seus cabelos e me olhou impaciente mas instantaneamente mudou de reação e pareceu ainda mais perturbado — Acredita que eu o matei.
— Eu... fiquei boquiaberta com sua constatação imediata, no entanto eu já esperava por isso. Não me atreveria a acusa-lo em alto e bom som, apenas assenti com a cabeça.
— Eu direi apenas uma vez. — ele aproximou-se de mim, eu me mantive a todo momento inerte diante dele apenas o encarando, esperando que ele surtasse como da outra vez mas ele não o fez — Eu não o matei. — eu não sei ao certo mas por algum motivo eu pude ver a verdade em suas palavras, ele não mentia para mim. Eu estava enganada a seu respeito.
— Eu não sei porquê mas eu acredito em você. — murmurei ainda sem entender o que acontecia.
— Você acredita porque sabe que é verdade, talvez você me conheça um pouco, Dany. — disse ele sorrindo, eu me negava a aceitar que havia simplesmente acreditado em suas palavras por confiar nele, não duvido que isto tenha sido mais uma de suas armações. Ele decidiu deixar-me a sós com meus dilemas e virou-se mas após dar alguns passos se virou novamente para mim —Não se aproxime mais daquele garoto.
✖
Loki havia ordenado que eu não me aproximasse novamente de Rhaegan, mas eu não estava disposta a receber ordens de ninguém. Aquele garoto havia perdido os pais e foi abandonado por seus familiares, eu não poderia deixá-lo também. Ele era a única coisa boa que eu havia encontrado em Asgard e não abriria mão dele, nem que o próprio Odin quisesse.
Ignorando por completo a vontade de Loki, levei Rhaegan para passear pelo castelo. Ele ficava fascinado com tudo o que via, e não parava em momento algum de me fazer perguntas. Eu não conseguia entender como eles haviam tido a coragem de rejeitar uma criança, Rhaegan era tão adorável e gentil, em momento algum ele soltou minha mão. Eu começava a vê-lo como meu filho e suspeitava que ele já me via como sua mãe.
— Daenerys, você conheceu o meu pai? — perguntou ele com seus olhos brilhantes transbordando curiosidade.
— Infelizmente não. — respondi mas ele não pareceu se desanimar com minha resposta e continuou a sorrir.
— Minha avó disse que ele era muito poderoso e que todos gostavam dele. Ele era invencível. — disse Rhaegan com admiração pela memória do pai. Eu gostaria de ter o conhecido.
— Tão invencível que caiu em um buraco e morreu deixando um bastardo. — suspirei irritada ao ouvir a odiosa voz de Raya aproximando-se de nós com sua arrogância e grosseria de sempre.
— Primeiro, deveria ter mais respeito com o príncipe falecido. Segundo, ele não é um bastardo e sim Rhaegan, o neto de Odin. — a corrigi retribuindo seu olhar furioso.
— O neto bastardo e a esposa rejeitada. Vocês formam uma bela dupla. — zombou ela fazendo com que os dois homens atrás dela gargalhassem assim como ela.
— Eu sou a Khaleesi de Asgard, e você deve ajoelhar-se diante de mim. — disse com tranquilidade apenas a observando tremer de raiva.
— Ajoelhar? Por acaso enlouqueceu? — retrucou ela incrédula.
— Não, agora ajoelhe-se. — ordenei novamente e os homens que a acompanhavam prontamente ajoelharam-se. Porém ela ainda se rebelava contra mim.
— Eu não farei isso! — gritou ela furiosa.
— Ajoelhe-se imediatamente ou Odin saberá de sua desobediência. — disse caminhando até ela e me divertindo com sua raiva. Finalmente poderia me vingar pelo que ela havia feito e dito sobre mim. Eu havia aprendido a apreciar uma bela vingança. Ainda relutante ela ajoelhou-se diante de mim, evitando me encarar, com certeza ela desejava me matar — A propósito, eu não sou mais a esposa rejeitada, pelo contrário, eu sou muito desejada pelo meu marido. — ela levou os olhos até mim com espanto — Eu sou a princesa e você não passa de uma asgardiana imunda. — o ódio dela chegava a ser palpável assim como a minha satisfação.
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