Notas iniciais
Oi oi, como estão, meus queridos? Voltei trazendo para vocês o primeiro capítulo, espero que gostem.

Hoje seria um belo dia se não fosse pela poeira cinzenta que invade o céu. Da janela eu vejo, mais uma estátua de Odin sendo derrubada. Com o passar do tempo todo o respeito se foi, antigamente ninguém seria capaz de se virar contra ele mas agora é uma blasfêmia atrás da outra. Estátuas derrubadas, templos saqueados e ofensas ditas em praça pública com uma multidão ao redor concordando com cada insolência pronunciada.

Eu estava farta de assistir a insanidade tomando conta deles. Fechei a janela e me afastei caminhando em direção a grande estante de livros em meu quarto. Apanhei o mais antigo dos livros, meu pai costumava lê-lo para mim quando eu era criança " As Crônicas do deus Odin".

Me sentei na cama, abrindo o livro na primeira página li a seguinte frase: " O poderoso e invencível deus Odin..." Nem sequer dei atenção as palavras seguintes, a única coisa que vinha em minha mente era: Por que estão fazendo isso? Por que se voltar contra Odin? Por acaso se esqueceram de sua força? Com certeza pagaremos muito caro por esta rebelião terrível.

Desde criança meu pai ensinou a mim e ao meu irmão o quão importante era obedecer a Odin. Ele é um bom deus que sempre nos protegeu. Ele costumava dizer que se fôssemos respeitosos com Odin seriamos recompensados, recebendo uma vida feliz e longa. E foi isto o que sempre fizemos, jamais realizamos algo que fosse contra ele, está é a coisa mais importante para a casa Targeryen, obedecer Odin. Porém eu temia que todos nós acabássemos sendo prejudicados pelos atos impensados daqueles ao nosso redor.

Um estranho som vindo de minha janela me chamou a atenção, imediatamente me levantei assustada. Caminhei até ela e a abri calmamente, temendo que fosse alguns dos rebeldes. Outro dos inúmeros defeitos dos hereges era que eles estavam se voltando contra aqueles que diferente deles ainda continuavam acreditando em Odin e o respeitando, até mesmo os atacando brutalmente, invadindo suas casas e tentando obriga-los a mudar suas crenças. O mundo havia se tornado um caos, mesmo correndo tal risco abri a janela.

Para minha sorte e alivio não era ninguém tentando me matar ou me fazer mudar de crenças, apesar de se tratar de um rebelde, ele era um bom amigo, Daario. Nos conhecíamos há anos, quando ainda éramos crianças, ele nunca concordou com o que eu acreditava mas mesmo assim nunca me questionou ou tentou me convencer do contrário.

Ele estava sorridente quando abri a janela, eu não entendia como ele conseguia subir até uma altura tão grande como aquela, mas para um guerreiro como ele não deveria ser esforço algum, pelo contrário acho que ele gosta de fazer isso se não entraria pela porta como as pessoas normais fazem.

— Daario, o que houve? Por acaso enlouqueceu? — indaguei enquanto ele entrava em meu quarto. Tranquei a porta temendo que meus pais ou meu irmão notassem que ele estava ali, mesmo sendo amigo da família há tanto tempo foi considerado um inimigo quando se tornou rebelde e por isso eu havia recebido ordens para me manter distante dele.

— Eu estava com saudade e queria te ver. — respondeu ele, dando um sorriso cínico enquanto andava pelo meu quarto se dando a ousadia de se jogar em minha cama — A vida longe de você é terrível.

— Vejo que não mudou nem um pouco nestas últimas semanas, se você tomasse juízo e abandonasse essa rebelião não teríamos que nos afastar. — o repreendi enquanto ele me observava pensativo, ele fez sinal para que eu me aproximasse dele e ao dar alguns passos em sua direção ele me puxou pela mão me fazendo cair na cama ao seu lado.

— Eu não posso, sou o líder deles. Esta é a nossa chance de nos libertarmos do temor que todos têm por um deus injusto e cruel. — aquelas palavras me enfureceram, não entendia como alguém tinha a coragem de dizer uma mentira tão imunda como aquela. Mesmo o amando eu não podia simplesmente aceitar que ele o ofendesse na minha frente.

— Como ousa dizer isso? Eu sempre soube que não era devoto a Odin, mas ele é o deus que vem cuidando e protegendo a todos nós desde o início dos tempos.

— Quem te garante que ele nos protege? Basta olhar para o povo, ninguém está cuidando deles estão todos jogados as traças, ninguém se importa com eles. Pregam que devemos respeitar e adorar Odin, mas ele não tem feito absolutamente nada por nós. — disse ele tão convicto, era capaz de convencer a qualquer um até mesmo a mim.

— Seja o que for, acabaremos sendo punidos por essa desobediência. — murmurei temendo o que estava por vir. Daario me envolveu em seus braços e acariciou meu rosto com as pontas dos dedos.

— Não importa quais sejam as consequências eu irei protege-la. — afirmou sorrindo. Ele aproximou seus lábios dos meus e me beijou suavemente.

Por alguns instantes me esqueci de sua teimosia e sua insolência em se virar contra Odin. Naquele momento era apenas eu e ele, um casal apaixonado. Eu temia pelo que estava por vir mas em seus braços me sentia tão segura, o medo desaparecia quando ele estava comigo. Sabia que independentemente do que acontecesse ele me protegeria custe o que custar.

— Daenerys! — a voz feminina me fez despertar imediatamente. Me afastei de Daario, que rapidamente se levantou.

— Só um instante! — gritei para minha mãe do outro lado da porta, enquanto corria até a janela abrindo-a para que ele pudesse escapar sem ser visto.

— Não faz ideia do quanto eu lamento ter que ir. Se eu pudesse jamais me afastaria de você. — murmurou ele relutante em sair.

— Você sabe que eu sinto o mesmo. — disse o beijando rapidamente — Ao anoitecer nos encontraremos na cachoeira.

— Eu estarei esperando por você. — respondeu ele. Num rápido movimento saindo pela janela e chegando ao solo.

Rapidamente coloquei tudo em ordem para que minha mãe não percebesse que mais alguém havia entrado em meus aposentos, caminhei até a porta e a abri observando o rosto aflito de minha mãe.

— O que houve? — indaguei confusa com sua expressão.

— Venha, querida. — ela segurou meu braço e me guiou até o primeiro andar, chegando a sala onde meu pai e meu irmão nos esperavam. Ambos tinham em seus rostos olhares preocupados e pensativos, assim que entrei no cômodo eles se viraram para mim.

— O que está acontecendo? — eu estava extremamente confusa. Não conseguia entender o porquê daqueles olhares e o estranho modo de agir.

— Uma mensagem veio a nós. — disse meu pai finalmente quebrando o silêncio.

— Que mensagem?

— Odin se enfureceu ao ver o modo desrespeitoso dos humanos e tomou a decisão de nos extinguir da face da terra. — agora sim eu podia entender suas expressões. Isso era terrível, eu nunca imaginei uma punição tão severa como esta.

— Isso é terrível! — exclamei horrorizada — Não há nada que possamos fazer? — ao dizer essas palavras, repentinamente minha mãe começou a chorar desesperadamente.

— Nós já tomamos uma atitude. — respondeu meu pai caminhando até mim e colocando a mão sobre meu ombro — Você será sacrificada para o bem de todos, Daenerys.

Notas finais
Não se esqueçam de dizer o que acharam :)