Sweet Sacrifice
2 Escolhida
Notas iniciais
Se não fosse o constante atrito do surreal com as coisas reais talvez ela considerasse sua vida um verdadeiro conto de fadas. Alaíde sempre fora uma caçadora das sombras, até mesmo antes de ser gente.
Sua família segue uma linhagem de mais de 800 anos de legítimos filhos do anjo. Começou com seu descendente Elijah, que tendo Jonathan achado graça sobre ele, deu-lhe e também à sua esposa, a taça para que bebessem do sangue neplhim. Assim, seus filhos e filhos dos seus filhos seguindo primeiramente uma ordem de se casar apenas com outros caçadores deram origem a uma das famílias mais tradicionais de todo o mundo shadowhunter: os Sweet.
Conhecidos por sua pureza e por serem umas das primeiras famílias, atualmente contam, porém com apenas uma descendente viva: Alaíde. Sozinha no mundo e não pouco preparada, agora tem que decidir se se dirige ao Instituto mais próximo ou se continua na mansão ocupada pelos fantasmas das memórias de seus pais mortos e termina com o nome da família.
Por que apenas um de todos aqueles primos não foram bravos e continuaram vivos? Por que tinham que morrer na última batalha? E logo todos eles? Se perguntava a garota agora enquanto passeava pelas vias de seus pensamentos. Um ruído qualquer a despertou, aliás, não um ruído qualquer.
Desde que seus pais morreram na última batalha em Alicante ela começou escutar ruídos perturbadores pela mansão. Eles estão mortos. Longe daqui. Foram cremados em Idris e estão na Cidade dos Ossos. Essa era a missão da vida deles. Eles lutaram até o fim. Como deve ser para um caçador das sombras. Fim.
Este ruído era diferente: Petruchio, seu cão albino, não latiria a toa assim. Uma caçadora não dorme de pijama, ela está sempre pronta. Por isso foi apenas calçar as botas e pegar sua estela e ela já estava lá fora. Procurou por todos os lados tendo o cuidado de não fazer barulho. Não precisava de uma runa silenciadora, seu sangue era tão puro e sua linhagem tão acostumada as runas do anjo que não foi assustador quando ela já nascera com pequenas cicatrizes esbranquiçadas e finas em sua pele. Sem contar com seu treinamento exaustivo e contínuo que a prepararam para andar tão silenciosamente quanto uma alma. O cão agora uivava e lutava para se soltar da corrente que o prendia. Não havia ninguém aqui, ela conferira. Mas por que ele continuava latindo? Ela se perguntou, então decidiu soltá-lo para ir ver o que tanto o incomodava; talvez fossem apenas os malditos grilos que tanto cantavam.
“Calma garoto, calma!” pedia, mas ele parecia inconformado até ela o soltar e este sair correndo em direção à floresta. Ela o seguiu é claro, em outras circunstâncias não, pois o cão era treinado o suficiente para saber ir à China e voltar sozinho, mas agora Alaíde sentia que era diferente. Quando seu melhor amigo ficava assim, quem era ela para desconfiar de seus instintos? Correu para alcançá-lo.
Foi quando algo inesperado aconteceu. O caminhou a levava até uma arvore em especial. A árvore que simbolizava sua família, uma enorme e muito antiga Sequoia gigante havia adquirido curiosamente uma abertura do tamanho de uma pequena porta pela qual Petruchio latindo enlouquecidamente entrou.
Cada vez mais curiosa Alaíde foi atrás e entrou pela fenda que se fechou quando passou. Ela não entrou em desespero, pegou sua pedra de bruxa e foi atrás do cão. Ele não a trairia e traria para uma cilada, disso tinha certeza. E suas suposições sobre o que a estava levando até ali nem chegaram perto do que de fato aconteceu em seguida.
Depois de chegar até determinado ponto dentro do labirinto que se formava dentro da grande árvore, ela encontrou seu cão latindo para um pequeno lago que se encontrava ali dentro mesmo. Uma vez encantada com o lugar e com a abertura que deixava uma pouca luz noturna entrar e refletir uma lua cheia na água.
E ela se lembrou de poesia e se amaldiçoou por isso. As águas refletem os céus e os céus contêm os segredos do Universo. Para seu espanto os acontecimentos seguintes só lembraram-na mais da poesia. Junta a esta lua se formava tremulante e reluzente uma enorme sombra na água. A figura de um anjo. Mas não qualquer anjo.
Um anjo muito parecido com o das figuras que ela passou horas e mais horas observando quando ficava lendo e estudando sobre seu próprio mundo. Raziel. O anjo pai dos caçadores das sombras, aquele que ficou conhecido como anjo guerreiro contra os cavaleiros das sombras.
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