Sweet Sacrifice
12 Confusões II
...Acabou que meus instintos e modo mecânico tomaram conta e quando vi já estava caminhando em direção a cozinha — vestida.
“Olha quem pulou da cama! Bom dia Angel – disse Sr. Green em tom amistoso quando me viu e eu pensei até você? Quando ele me chamou como chamou – E eu pensando que garotas de cidades como Los Angeles fosse algo mais como dormir até as onze, sem ofensas é claro.”
“Não ofendeu senhor e bom dia também. É que eu costumava me acordar cedo a essa hora para treinar ou matar demônios, o senhor sabe...” Dei de ombros com um orgulho pouco fingido
Ele riu. “Eu sabia que você era das minhas – disse simplesmente – Agora venha, estávamos lhe esperando...”
Cherry praticamente voou para cima de mim quando me viu e me puxou para sentar no lugar que tinha reservado especialmente para “sua amiga”. Todos perceberam que eu estava sob efeito algum tipo de feitiço e me olharam espantados ao me saudarem.
Uma vertigem perigosa voltou e me perguntei se seria apenas o clima me fazendo ficar assim ou se eu já estava grávida do meu irmão – que por sinal não tirou os olhos contemplativos de mim, ou das minhas runas, não sei. Evitei o outro garoto, aquele ruivo, mas quando olhei de soslaio percebi que este estava nem “tchum” para mim, o que foi bem ofensivo para meu super ego.
“Ângela querida, desculpe comentar, mas não pude deixar de notar todas as suas marcas hoje. Alguma ocasião especial?” perguntou a Sra. Green
“Oh – fingi que só agora tinha percebido isso – na verdade nenhuma ocasião especial, apenas senti um pouco, humm, não sei explicar bem. Acordei com uma vontade de lutar e me senti revigorada também para ir até o centro em Alicante ...”
“O QUÊ?” perguntaram todos os filhos Green que se olharam como se isso fosse incomum de acontecer, não sei o quê exatamente, mas algo incomum.
“Bem, se vai sair terá de me levar. Você sabe... somos amigas, certo?” perguntou Chery e pensei no meu cão, Petruquio ao olhar para a garotinha, aquele olhar de que vai balançar o rabinho se apenas fazer um pouco de carinho...
“Por mim...”
“Claro que não, você é muito chata. Angel precisará fazer compras, minhas roupas não servem para ele, isto está óbvio. E além do mais, isso já estava programado a muito, digo, sobre eu ir as lojas comprar roupas, poderíamos até fazer um portal e ir para Los Angeles e...” tagarelou Cat até ficar vermelha de excitação
“Na verdade...”
“Nada disso mocinha, você não vai sair por ai em portal nenhum, é perigoso e você mesma se pôs nessa situação quando recusou treinamento e tem mais...” começou Jesse, com as narinas infladas de raiva
“Pensei que você tivesse dito que cavalgaria comigo hoje.” Disse Will por cima do barulho que tinha se iniciado na mesa que parecia, literalmente, uma feira, cada um vendendo sua tese e argumentando
Sr e sra. Green pareciam exaustos e sem saber o que fazer para acalmá-los. Não sei o que me deu, tentei falar várias vezes o que foi inútil e então não aguentei, mal tinha tocado na comida, mas acabei vomitando um pouco no meu próprio colo. Não havia nada para vomitar, claro, só um liquido ácido e fedorento que, por incrível que pareça, fez todos calarem a boca e pausarem sua atenção em mim. E me olharem como se, conveniente aos meus pensamentos de momentos antes, uma segunda cabeça tivesse acabado de surgir em meu pescoço.
“Me... me des-cul-pem. Com licença” foi o que consegui dizer antes de me levantar e sair correndo para fora da casa pela porta dos fundos
Agradeci ao anjo pelas runas, senão acho que não teria conseguido correr tão rápido e do jeito que corri. Em segundos estava bem longe, descendo uma colina ao oeste e desesperada por ar, que parecia insuficiente apesar de saber estar cercada por O2.
Eles me odiariam, eu sabia. Pensariam que era louca e me mandariam ao Conclave que me reconheceriam e me mataria, uma morte lenta e dolorosa, ou pior, uma morte pública, bem no meio da praça do anjo com todos os caçadores olhando. Ansiando pela morte da traidora, daquela que matou ao Inquisidor e toda uma bancada de membros. Eu não seria cremada e meus ossos nunca fariam parte da cidade dos ossos.
Serei condenada impura e o nome da minha família lançado ao leu, como se não fosse nada. Uma vergonha, uma dor... me inclinei e vomitei, dessa vez desconfio que consegui externar algumas tripas ou talvez aquilo tenha sido apenas meu intestino saindo pela boca.
Acho que dar socos no próprio estômago não seja a melhor maneira de fazer as borboletas saírem.
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