Sweet Revenge - Não temos nada a perder!
14 "Revelando a união" ou "Uma poção mal feita"

Era sábado de manhã e o sol começava a nascer. As garotas estavam reunidas no banheiro. Após verificar todas as cabines, Loren trancou a porta do banheiro com um feitiço. Midori sorria de orelha a orelha, segurando uma grande maleta de metal.
— Midori, trouxe? — a ruiva perguntou. A asiática afirmou com a cabeça.
— Está tudo aqui... Dois anos colecionando e não estou nem na metade. — ela parecia meio satisfeita meio frustrada, colocou a maleta sobre a pia e a abriu, revelando montes de potinhos coloridos, diversas maquiagens, batons, rímeis, de todas as cores. As outras cinco se reuniram em volta do objeto, boquiabertas.
— Mas já estamos perdendo tempo, por isso... — Loren foi interrompida por uma leve batucada na porta. Ela sorriu. — Eu trouxe a melhor ajuda possível. — ela desfez o feitiço, abrindo a porta e revelando uma loira e uma morena, ambas sorridentes e com bolsas.
— Oi meninas. — a loira disse entrando e colocando sua bolsa do lado da maleta.
— Senhoras sem senhores, nossa estilista do dia: Marilyn Meadows. — Loren apresentou apontando a amiga que dera uma piscadela para a ruiva.
— Você não é a... — Carly a olhou de cima a baixo.
— Sim, filha da famosa diva linda e maravilhosa, Dorcas Meadows. Atriz, modelo, designer e... — a ruiva listava.
— Mãe de quatro filhos e uma filha. — Marilyn riu. A morena colocou a enorme bolsa ao lado da outra, fechando a porta atrás de si.
— Meninas, essa é a incrível repórter investigativa de Hogwarts. Ela, que escreve a coluna mais comentada em toda a escola e comanda todo o grupo jornalístico, vai ser nossa cabeleireira hoje, Jeannie McKinnon. — a morena riu e fez uma leve reverência.
— McKinnon? Jeannie McKinnon? — Dorothy animou-se. — Nunca tive a chance de te dizer isso, mas a sua reportagem sobre a importância da adaptação dos livros antigos para a linguagem atual, eu não tenho nem palavras! — Os olhos de ambas brilharam e ambas começaram a falar sobre livros e reportagens, ignorando todo o resto.
— Ok, ok. O papo tá bom, seja lá do que vocês estejam falando, mas temos que agir. — Robbie interrompeu — A missão de hoje não pode falhar. Loren?
— Sim, está certo. A missão de hoje se chama D.I.V.A — Deusas Inspiradoras Vaidosas e Aniquiladoras . — Loren ficou séria — Midori, Jeannie, Mary... Podem começar.
~~~~
Danny, James, Ramon, Joey, Wallace e Thomas estavam, como faziam nos últimos meses, comendo na mesa da Grifinória. Riam. A briga da noite anterior parecia nem ter existido, afinal, assim são os rapazes: se acabou em comida, acabou a discussão.
— James, você precisava ver! — Wallace contava, animado — Ramon voou o campo em um piscar de olhos e pegou a maldita bola! A DEZ METROS DO GOL! — ele se levantou e James riu.
— Espero que você seja bom mesmo, Ramon. Vocês vão precisar de toda a ajuda possível se quiserem ter a chance de nos vencer semana que vem! — ele brincara recebendo um pedaço de pão na cara.
— James vocês não ganham faz dois jogos, Corvinal e Lufa-Lufa. Acha mesmo que... — um silêncio em todo o Salão. Wallace olhou em volta e seguiu o olhar dos demais. — Eu não...
— ...acredito. — Joey completou. Lá estava o maior impossível em frente a seus olhos, algo que eles jamais imaginavam acontecer.
— Isso não pode tá acontecendo. — Thomas parecia assustado.
Seis figuras femininas que eles conheciam bem entravam juntas, rindo e simplesmente caminhando até a mesa da Sonserina, onde todas as seis se sentaram juntas. Estavam diferentes. Juntas e mais arrumadas que o normal. Carly vestia um short jeans, cintura média com uma regata preta e alguns colares douradas, na maquiagem, nada muito escandaloso, apenas tons nudes; Rock acabou aceitando as ideias de Jeannie e Marilyn, vestindo uma blusa curta com mangas cinza, uma saia fluída preta de cintura alta e finalizou com uma make coral; Loren usava um cropped listrado branco e vermelho, calça jeans skinny, tênis branco e deixou a make leve, usando um boné velho de James como acessório; Dorothy resolveu confiar em Jeannie, que a vestiu com uma regata cinza, que mostrava a orda de um sutiã de renda preto, amarrada onde começava uma saia rodada com listras finas horizontais em preto e branco, uma bolsa de franja e um colar de coração dourado como acessório, um salto nude e a maquiagem leve, com apenas um batom pêssego e bastante rímel; Robbie lutou até o fim, mas perdeu e acabou aceitando usar uma saia preta com a borda branca, uma camisa branca por dentro da saia, sapatos marrom baixos, o cabelo parcialmente presos e uma maquiagem leve com um batom nude; Midori se arrumou rapidamente por último, um cropped estampado com um short jeans de cintura alta, combinados com uma anabela e uma maquiagem claramente bem feita, nada exagerado, porém chamativo o suficiente pra combinar com a roupa simples.
— Minha irmã, ela... — James balbuciava. — Ela deveria...
— Gente, gente, gente! — Joey chamou a atenção para si. — Vocês não percebem? — um silêncio seguiu a sua pergunta — Ramon, você é o inteligente. Me responda: Por quê, da noite pro dia, um bando de garotas que conhecemos há anos e que se odeiam passaram a ser amigas, andar juntas, essas coisas?
— Essa também é nova pra mim, mas eu posso perguntar pra Nora. — o moreno sugeriu.
— Não precisa. — ele negou com a cabeça, olhando as garotas e passando a mão pelos cabelos, nervoso — Elas estão armando pra gente! As cartas, o choro, toda aquela encenação! Merlin... A Rachel. — ele olhou a garota rindo e brincando com a comida.
— Não, cara. Não é possível. — Wallace largara o pedaço de pão que passava sabe-se lá o que era aquela gororoba verde.
— Merda... — James percebeu. Tudo fazia sentido. Todo aquele teatro... — Merda! — socou a mesa com força, fazendo muitos olharem curiosos, elas também.
— Vamos sair daqui. — Danny se levantou saindo do Salão, seguido por Thomas, Joey, Wallace, Ramon e James.
~~~~
Três dias já haviam se passado desde a chocante revelação. James ainda se sentia estúpido por não ter reparado antes, Wallace mal acreditava na pessoa que Midori havia se tornado, Thomas estava desiludido e não chegava nem perto da maldita biblioteca, Joey estava um pouco deprimido, mudava seu caminho assim que via Rock, Ramon estava apenas confuso (ainda não sabia que era Robbie quem o perseguia e lhe tirava o sono) e Danny se encontrava num grande dilema, tentando descobrir se Loren estava com Jack Martin, seu arquirrival, porque gostava do garoto ou para irritá-lo. O sinal batera e os alunos da Sonserina e Grifinória se direcionaram para a aula de Poções. Rock estava concentrada cortando os ingredientes e os medindo, sozinha. Já que Loren dormira demais. Surpreendeu-se com um certo moreno sentando ao seu lado.
— Então, como estão as coisas no lado negro da força? — Ramon perguntou enquanto jogava um líquido púrpura no caldeirão.
— Vocês são o lado negro. — ela riu jogando um besouro esmagado no caldeirão, sem ao menos olhar o amigo.
— Estou começando a achar que você pensa mesmo isso. — ele afirmou jogando dois besouros inteiros e os vendo derreter rapidamente.
— Sabe, Ramon, você deveria nos ajudar ou ficar fora do caminho. — ela cortou um casco de hipogrifo no meio.
— Rock, você sabe que eles são meus amigos, eu não quero me meter nesse assunto. — ele jogou mais dois vidros de líquidos rosa e marrom, respectivamente.
— Isso não faz o menor sentido. Você já é parte desse assunto.
— Como? — ele ergueu a sobrancelha a encarando.
— O nosso namoro falso, você perseguir a Robbie três dias seguidos até ela ver você, sabe? Coisas assim. — ela o encarou de volta.
— Isso não é justo. Você sabe que eu só estava tentando ajudar.
— Ramon, fantasmas não perseguem ninguém aqui em Hogwarts. — ela hesitou — Bem, só o Pirraça. Mas ele persegue todo mundo. — Concluiu voltando a sua atenção a poção que estava vermelho sangue e borbulhando.
— Você não está entendendo, Rock... — ele abaixou o tom de voz — Eu estou sendo assombrado. — completou.
— Isso é ridículo e um absurdo. O Pirraça só assombra o quinto andar agora. Você é da Grifinória, fica lá no sétimo andar. O Pirraça não vai lá há anos. Tenho certeza.
— E como você sabe disso? — ele perguntou jogando um pó dourado no caldeirão.
— Porque eu uso o banheiro dos monitores toda semana e eu sempre tenho que me esconder do Pirraça. — ela olhou a poção, confusa. — Isso era pra ser verde.
— Ora, então tem um novo poltergeist na escola. — ele cruzou os braços.
— Honestamente, Ramon, você ficou com a fase mais fácil. — ela misturava o líquido que agora esa rosa-choque.
— Como assim a fase mais fácil?
— Você não devia estar na sua aula, com a sua turma, do seu ano? — retrucou.
— Está bem, então. Eu descubro sozinho. — ele bagunçou o cabelo da garota e saiu andando pela sala até a saída. Afinal, Slughorn havia se retirado da sala por algum motivo relacionado ao estoque de poções particular dele, então Ramon não teve problema algum em entrar e sair da sala. Robbie se aproximou da amiga.
— Rock? — chamou, a metamorfomaga a olhou rapidamente, ainda concentrada na poção.
— Fala.
— O que ele... queria? — Robbie perguntou cutucando uma lesma presa em uma bacia de metal.
— Relaxa. Ele não sabe que foi você. — ela riu mas logo fechou a cara percebendo que a poção não estava funcionando — Mas, o quê...?
— Que bom, então. — ela comentou — Ele disse mais alguma coisa?
— Tipo o quê? — Rock tentavar salvar a maldita poção.
— Ah, não sei... — a ruiva deu de ombros.
— Roberta Weasley — ela se virou para a garota, apoiando o braço na mesa — Você gosta do Ramon? — ele perguntou sorrindo. Robbie quase derrubou a pobre lesma com a pergunta.
— O quê? Não! — respondeu rapidamente. — Eu só... Só queria saber se ele suspeitava da missão, sei lá. Vai que... né... — ela desviara o olhar.
— Não acredito em você. — a morena concluiu voltando sua atenção à poção. — É tão óbvio... — murmurou.
— Como assim? — a ruiva ergueu uma sobrancelha.
— Olha — ela voltou sua atenção para a amiga. — Pensa bem. Você foi perseguida por um cara, depois descobriu, ele começou a namorar comigo e parou de te seguir, você achou que estávamos namorando de verdade até eu ir falar com você sobre o Joey. Desde então, a Loren te deu a ideia de pregar uma peça nele o fazendo acreditar que estava sendo assombrado. O que leva muito tempo e dá muito trabalho, considerando que você precisa seguir ele por aí sem ser vista. Você provavelmente já sabe mais sobre ele do que eu. — ela listava — Sem falar que eu não imaginaria nunca que você ficaria tão incomodada com um cara curioso já que vocês se gostam e o orgulho de vocês é tão grande que não caberiam num armário de vassoura sem explodir. Agora... — ela respirou fundo. Robbie já estava da mesma cor que seus cabelos. — Eu te conheço o suficiente para saber que você tem coragem o suficiente pra dizer que tá afim de um cara, então por que você não para de assombrar o coitado do menino e fala pra ele?
— Isso não é...
— Verdade? — interrompeu. — Robbie, de todas nós, você é a que menos teve motivo pra fazer parte dessa missão. Você sabe disso. Precisa admitir que só tá nessa por ele, não por você. — ela misturou a poção, que começara a ficar azul.
— Rock você não precisa descontar em mim. — respondeu segurando pra não gritar.
— Descontar o quê?
— Tudo. — ela respirou fundo, voltando ao normal — Você e o Joey, essa história. Eu posso até ser a única que não tem motivos, mas você é a única que não quer fazer mais isso.
— Não, Robbie. Não importa se eu quero ou não. — Rock abaixou a cabeça segurando com todas as forças a vontade de chorar ali mesmo — Ele não liga. Não liga pra mim ou pro que eu faço. Eu sou um objeto. Só mais alguém pra ele manipular. Mas agora é a minha vez de fazer isso, de provar pra ele que eu nunca fui mais uma. — ela fechara o punho. — Agora é ele quem é o objeto. Ele que está nas minhas mãos. Eu finalmente estou um passo na frente. Eu chamo ele quando quero e vou embora quando quero. Eu controlo tudo agora.
— Rock... — Robbie a abraçou. A morena começou a chorar. — Tá tudo bem. Calma. — ela passara a mão pelos cabelos da amiga — Rock?
— Oi? — ela disse com a voz um pouco embriagada pelo choro.
— Sua poção... — ela olhara o caldeirão. Rock cutucou o conteúdo com uma colher.
— Ficou... Sólido. — as duas riram. O sinal do fim do horário havia batido. Era a última aula então Robbie e Rock voltaram pro dormitório para descansarem um pouco.
Fale com o autor