Sweet Nothing

8 The Heart Wants What It Wants


Notas iniciais
Meia noite é hora de... Postar capitulo! Uhul! E advinha quem vai trabalhar no domingo?!! Eeeeu! Oláá pessoas, tudo bem?! Enfim, mais um capítulo e... Caminhando aos poucos para o desfecho de tudo. Espero que gostem e boa leitura!

"This is a modern fairytale

No happy ending, no wind in our sails"

A manhã estava cinza como deveria estar, ao seu lado um moreno jazia completamente adormecido, suspirou longamente dando um chute no meio de suas costas que o fez rolar pela cama. Riu ao ouvir os praguejos em italiano e alguns xingamentos, porém logo remontou sua face séria dando a volta na cama com o lençol enrolado na cintura, parando frente ao corpo semi nu estirado no chão frio.

–Vai embora.

–Ah, qual é? -Reclamou xingando ainda mais ao se levantar com uma expressão mal humorada, procurando a camisa onde guardava os cigarros.

–Hei, hei, o que pensa que está fazendo, carcamano?

–Vou fumar. -Respondeu com uma das sobrancelhas erguidas. -Ficou tanto tempo dando pro francês fresco que esqueceu que eu sou homem?

–Homem, não me faça rir. -Reclamou tomando o cigarro das mãos do rapaz e o acertando na lixeira próxima a cama. -No meu quarto não, projeto mal feito de ser humano.

–Dio, má que estresse é esse, Peixinho? -Se aproximou abraçando o sueco por trás e dando-lhe um beijo estalado no pescoço. -Non gostou de ontem a noite?

–Tsc, me solta, Máscara. -Se debateu um pouco virando o rosto e vendo a expressão nada feliz do italiano.

–O que esta acontecendo?

–Nada. -Respondeu seco jogando as roupas do outro em sua direção enquanto fazia os próprios passos para o banheiro. -Só quero que você vá embora, se o Camus chegar agora, vai tudo por água abaixo!

–Tsc, que se dane, eu cansei desse teatro, já estamos nisso há tempo demais. -Revirou os olhos vestindo as calças e a camisa, já atrás de outro cigarro. -Dite. -O chamou pelo apelido que fez o sueco ter um calafrio na espinha. -É só uma encenação, vá bene?

–Claro que é. -Respondeu sem se virar fechando com força a porta atrás de si.

Apenas ao ouvir os passos do guardião de Câncer deixar sua casa, deu-se a liberdade de soltar todo o ar que tinha prendido nos últimos minutos. Era uma farsa, era um teatro para dar um lição no Camus! Isso, estava apenas fazendo um favor para o melhor amigo do italiano, afinal... Camus tinha que aprender a dar valor no Milo.... Bom, foi o que disseram...

"Não consigo me convencer..."

O pensamento cruzou sua mente, e tão rápido que chegou, não se foi. O pisciano engoliu em seco deixando o corpo escorregar pela madeira fria, até cair no chão, abraçou os joelhos escondendo o rosto entre eles. Seu peito doía tanto... "Não acredite em suas ações Afrodite, é uma farsa, tudo uma farsa...", mas então por que na noite anterior, enquanto era envolvido por Máscara da Morte, seus pensamento corriam para o ruivo?! E em sua mente, as mãos que o conduziam, tinha uma textura macia e forte, os lábios eram finos e a pele tão branca... Os cabelos verdes se misturando ao seu, as palavras em francês o fazendo delirar...

Quando deu por si, estava novamente colocando Camus no lugar de Máscara, arregalou os olhos afastando aqueles pensamentos antes que se deixasse levar pela luxúria de seus desejos.

–Para, para. Vamos parar com isso! -Molhou as mãos na pia passando na nuca e rosto, na tentativa de focar-se em outra coisa. -Não, não... O Camus não. Você não sente nada por ele, Afrodite, é só... A convivência, isso!

Levantou-se ligando o chuveiro na água fria e entrou no mesmo instante, deixando que as memórias da tarde anterior viessem lhe fazer refletir -ou se arrepender — sobre suas ações. Milo estava impaciente, não era o acordo inicial fazer com que demorasse tanto, apenas tinha que fazer Camus ver que o grego era o melhor para si, e, para isso, deveria agir como um tremendo cafajeste e não...

–Um doce de pessoa que não consegue lidar com os sentimentos....

Sim, a principio tinha que se mostrar um anjo, mas depois por suas garras para fora e atacar, quando Camus estivesse desestabilizado, Milo viria e o salvaria como o príncipe encantado da donzela indefesa. E... Não estava funcionando.

Estalou a língua no céu da boca encostando a cabeça na parede fria e deixando que sua mente e seu coração tentassem entrar em acordo. Okay, a briga com Máscara tinha sido real e o perdoara, logo, Milo teve a ideia absurda e agora... Quer dizer, gostava do italiano, certo...?

A incerteza o fez tremer, de tudo, tudo que pudesse acontecer, se encantar com o francês era sem dúvidas a pior das desgraças, mas por que Camus tinha que ser tão... Bom? Gentil, amoroso... Onde estava aquela frieza, indiferença? E os sorrisos então... Deuses, como o dia se iluminava quando Camus sorria, a risada parecia o canto dos pássaros de tão rara e, sentia-se um lixo por estar jogando tudo aquilo pelos ares.

–O que eu faço...?

Deveria dizer a verdade... Pedir perdão... Mas e quanto aos outros dois? Não... Amava o italiano, não iria trocá-lo, nunca... Uniu os lábios novamente em incerteza, estava perdido, muito perdido e a única pessoa que poderia lhe mostrar uma luz, era a mesma que assolava seus pensamentos. A encruzilhada se fechou e agora as paredes se aproximavam tentando sufocá-lo, e se não tomasse uma decisão logo... Seria seu fim.

~

Shion não tinha saído de sua cama ainda, e até para si isso era algo raro, mas... Seu corpo estava tão pesado, seria uma gripe? Olhou para o relógio ao lado que marcava dez e meia, na pressa de terminar seu dia quando este nem havia começado. Suspirou longamente jogando o lençol por cima de seu rosto, lamentando algo baixinho, forçou o corpo para cima sentindo dores que antes não sentia. Odiava a idade.

–Maldita hora que liberaram nosso corpos para envelhecer. -Reclamou ciente de que sua imunidade não estava das melhores, só não sabia se isso era causado pela idade ou... Pela situação emocional em que estava. Cansado. Essa era a palavra que resumia os sentimentos de Shion, exausto, desanimado, triste... Essas derivavam.

Parou frente o espelho do banheiro observando a própria imagem, queria chorar, largar as pesadas vestes de Grande Mestre, usar um chinelo e uma bermuda, como Aldebaran quando voltava de suas viagens para praia... Queria tanto se livrar de suas responsabilidades, tirar um dia para descansar ao menos um pouco... Deixar o mar tocar sua pele, o sol queimar, a brisa bagunçar seus cabelos... Tomar um sorvete e pensar no quanto estaria feliz.

–Acho que preciso de férias.

Saiu do quarto ajeitando a roupa no próprio corpo, estava larga demais, e essa agora?! Não deveria estar engordado? Por que diabos estava tudo tão frouxo em seus braços? Bufou irritado praticamente desabando na cadeira, ficaria ali no hall alguns segundos antes de voltar ao escritório.

–Mestre.

–Mu! -Sorriu abertamente ao ver o garoto de sua origem entrar na sala, acompanhado justamente de quem tinha pensado minutos antes, Aldebaran. -A que lhes devo a visita?

–Shion! -O grande homem se aproximou de jeito descontraído, estendendo uma das mãos que quando aceita, foi chacoalhada com animação. -Viemos reportar nossa missão.

–Havaí, né? -Riu baixinho e discreto ao ver que o discípulo estava vermelho feito um pimentão e Aldebaran, além de sua bermuda e camisa florida, ainda tinha a típica coroa de flores ao redor do pescoço. -Deuses, só Mu se deu ao trabalho de vestir a armadura, mesmo que isso provavelmente tinha sido um sacrificio, ao julgar pelo modo que o rapaz parecia travado dentro dela. -Aldebaran, por gentileza, o lembre de passar protetor na próxima vez... -Sorriu com gentileza ouvindo o gargalhar alto do brasileiro que foi aos santos até o ariano mais novo.

–Esse cara aqui, dormiu no sol, Shion!

–Aldebaran! -O repreendeu com o olhar sentindo-se envergonhado pelas palavras alheias. -Mais respeito! Me perdoe Mestre!

–Se divertiu? -Perguntou baixinho apenas para o lemuriano, enquanto o tourino ainda gargalhava contando as histórias da viagem.

–Sim... -Respondeu ainda tímido, porém feliz ao ver o sorriso do mais velho se alargar com gentileza e carinho, não o via nesse estados há tanto tempo... -Muito.

–Vocês devem estar cansado, façam um relatório escrito, lerei depois. Não há nada urgente, certo?

–Olha, Shion, a única urgência seria em fazer esse carneirinho aqui aprender a não levar caldo! Aposto que Poseidon riu até cair de seu trono! -Tirou sarro do menor que ficava cada vez mais vermelho. -Obrigado pela oportunidade, senhor Grande Mestre.

–Nada como unir o útil ao agradável, não?!

–Sim! -Virou Mu com ambas as mãos o guiando para a saída, mas antes, parou com um meio sorriso para o loiro. Os lábios curvados com gentileza e carinho, notando, que por trás daquela carapuça rígida, havia um ser humano muito ferido. -Aliás, você deveria tirar umas férias também. -Piscou acenando com uma das mãos e logo voltando sua atenção em provocar Mu e suas queimaduras.

Shion observou com aquelas palavras na cabeça ainda, realmente, precisava, enquanto sua mente divagava, Dohko entrou na sala entre risos, acenando para os outros dois que desciam, porém ficou sério no instante que avistou o ariano.

–Shion. -O chamou com frieza fazendo com que o loiro desse um pulo em sua cadeira.

Não iria mentir, os olhos frios e inexpressíveis do moreno fez seu coração se apertar a ponto de curvar um pouco mais as costas, como se aceitasse uma derrota de uma batalha inexistente.

–Dohko.

–Não gostei do que você disse ontem sobre o Afrodite.

–É? Eu também não gostei de ser xingado...

–Por que... Por que está sendo tão cruel com ele? -Se aproximou ignorando as palavras alheias. -O que o Afrodite te fez?

–Eu já não disse, Dohko? Não quero repetir as mesmas palavras de anos atrás.

–Eu não acredito em você.

–Eu sei. -Deu de ombros erguendo o olhar para os castanhos que lhe encaravam com firmeza. -Mas eu não me importo... -Desceu de seu trono espalmando ambas as mãos nos ombros do amigo de longa data, com um falso sorriso nos lábios. -Eu pareço me importar? Acredite no que quiser....

–Shion... Dê uma chance a ele...

–Mais uma? -Riu em escárnio balançando a cabeça negativamente. -Não... Não dessa vez, eu já deu mais chances a ele do que o bom senso permitiria... Aquele, homem... Ele, é mesquinho, arrogante, mentiroso, manipulador... Você sabe disso! Mas o esconde atrás da sua proteção!

–Não... Ele não é assim. Por favor Shion... -Pediu tentando controlar suas palavras, sabia que no fundo, o loiro era sensível, e tentava convencê-lo todos os dias de que o pisciano era um ótima pessoa. -Olha, ele é gentil, okay, todos temos erros, você tem erros! Mas ele é carinho, gentil, educado... Sabe lidar com pessoas, é fiel...

–Fiel? -Ergueu uma das sobrancelhas cruzando os braços frente o corpo e balançando a cabeça desacreditado. -Quer que eu creia que o homem que ajudou a planejar minha morte, é fiel? É isso Dohko?

–Shion...

–Quer dizer então, que está tudo bem? Ele só culminou para me matar junto com o Saga e o Máscara da Morte... Nada demais... Ele planejou a morte do seu melhor amigo. Ou será que eu nunca signifiquei nada pra você? -Engoliu em seco sentindo a dor no peito se intensificar cada vez mais, entendia agora... Entendia muita coisa, baixou o rosto novamente deixando o ar entrar em seus pulmões com calma... -Tudo bem...

–Shi-...

Ergueu uma das mãos calando o moreno que sabia ter dito coisas que não deveria, mas hora! Por que Shion simplesmente não poderia virar amigo de Afrodite e deixar que tudo ficasse bem?! Mas que diabos!

–Pode se retirar.

–Shion.... Ouça...

–Pode se retirar. -A frieza na voz fez com que Dohko fechasse a expressão e desse as costas para o loiro sem olhar mais uma vez para trás.

Quando a imagem do chinês desapareceu de sua frente, seu corpo desabou para trás caindo em um baque na grande cadeira, sentia vontade de chorar.... Seu coração queimava tanto... Entendia agora... Era o único que se importava, que sentia, que sofria... E, deuses, como aquele sentimento era terrível... Sentia tanta inveja do pisciano, tanto ciúmes... Tanto... Ódio.

Ficou longos e longos minutos remoendo aquele sentimento, até que algo estalou em sua mente, pulou da cadeira correndo até seu quarto, despiu-se das vestes da responsabilidade, colocando a primeira coisa que viu em seu guarda roupa limitado e desceu até a casa de aquário.

Sem pedir licença invadiu os cômodos privados o procurando por toda parte, apenas relaxou quando avisou o ex ruivo deitado em sua cama, acordado, porém em outro mundo.

–Camus!

O francês ergueu o corpo se assustando com quem estava ali, acompanhando com o olhar e as sobrancelhas unidas os passos acelerados de Shion, porém o que mais o impressionou foi o olhar determinado, que por momentos achou que nunca mais verias nas orbes arroxeadas.

–O que houve? -Perguntou curioso descendo o olhar de cima abaixo no loiro.

–Acredita em mim? Em relação ao Afrodite?

–Mais do que você imagina... -Mordeu o lábio ainda tentando afastar de sua mente tudo que Shaka tinha dito, e o pior... O que pessoalmente presenciou.

Shion sorriu vitorioso puxando o rapaz pelas mãos e o fazendo se levantar, ficando ambos na mesma altura, porém aquele sorriso morreu aos pouco, e de certa forma se sentiu intimidado pela frieza do templo de Aquário. "Não perca seu foco..."

–Afrodite tirou de mim, o que eu mais prezava... E eu não vou deixar por isso.

–Shion?

–Você... Você...

–Eu já entendi. -Vingança. Era a palavra que as ninfas sussurravam docemente no ouvido de ambos ali, acenou com a cabeça, ciente de que era disse que o sueco precisava, uma boa e terrível lição. -Ele vai ter o que merece.

Notas finais
Wow wow wow... O que irá acontecer?! É, boa pergunta viu... Lol, brincadeira, enfim, espero que tenham gostado, pretendo postar mais uma vez no final de semana e... Obrigada a todos que leram, que estavam halloenzando por ai e, não deixem de comentar *-*!! (Apareçam fantasminhaaas!!). Abraços e muito obrigada a todos! See ya ~ Tia Evye.