Sweet Nothing

5 New hair and new T-shirt


Mais uma semana se passou e eu continuo aqui. Não converso com ele, não sei quase nada sobre ele, não tenho certeza do que estou sentindo, só sei que estou com medo e muita agonia. Nunca imaginei que me apaixonar seria assim, frustrante. É como se eu estivesse à beira de um abismo e preciso pular, mas eu não sei onde isso vai dar. Posso dar com a cara no chão e sair toda machucada ou posso cair em algo profundo, leve e que me traga novos horizontes. Jamais saberei onde vou cair.

Esse final de semana estou indo para casa da minha mãe, a cada quinze dias eu passo um final de semana com ela, coisas de quem tem pais separados... Encontro-me no trem enquanto escuto música. Depois de tanto stalkear o Peter descubro algumas bandas que ele gosta e tive a brilhante ideia de conhecê-las e a hora em que eu tiver coragem eu conversar com ele sobre isso, isso é um avanço. E por fim depois de ouvir umas músicas paulera que você não entende absolutamente nada que o cantor diz, achei umas bandinhas que gostei e estou tentando me acostumar às não tão pesadas. Como alguém gosta de ruídos como esses? Mereço mesmo gostar de um garoto assim.

Chegando na casa da minha mãe, tenho a ideia de pedi-la para me levar ao centro, comprar umas roupas novas e um sapato novo. Sempre uso as mesmas roupas de sempre. Quando entro em casa, me recordo da minha infância, às vezes tenho a sensação de que voltarei... Mas seria impossível, não nos damos bem, não quero ficar ainda mais frustrada. Mesmo assim, sinto falta, sinto falta de ter uma família certinha, meu pai com minha mãe e eu. Éramos felizes, por que tudo aquilo que amamos tanto vão embora um dia?

Deixando a parte triste da minha vida de lado, já peço a ela se podemos sair e ela concorda, como não nos damos bem ela tenta me conquistar de qualquer maneira, sei que é errado fazer isso com ela, tento me manter calma e respeitá-la mas simplesmente não sei como fazer isso. Um dia aprendo, mas não hoje.

Quando estamos no centro, passo pelas lojas e olho jaquetas, blusas de todos os tipos e estilos, sapatos coloridos e de todos os tamanhos. Interesso-me por um moletom e um tênis cor de vinho. Enquanto minha mãe paga eu me olho no espelho e odeio o que vejo. Meu cabelo está enorme e sem cor, sem brilho e sem vida. Como quero chamar a atenção do garoto que eu gosto se eu estou parecendo que sai da caverna depois de anos. Olho pra minha mãe e digo:

–Vamos ao cabeleireiro. Agora. Preciso dar um jeito nessa juba de leão.

Ela olha pra mim, com os olhos semicerrados, inclina a cabeça e diz:

–Você está precisando mesmo. –Me sinto um pouco irritada, mas ela está certa. Por que me irrito tão fácil com ela?

Entro no salão e digo ao cabeleireiro que quero que saia daquele lugar uma nova Mackenzie, dito e feito. Ele cortou meu cabelo em um tamanho médio e uma franja na altura do nariz, pintou de loiro com um reflexo um pouco acobreado nas pontas, deixando a raiz castanha natural, além de ele estar liso. Fiquei muito satisfeita com o resultado estou mesmo com um rosto diferente, pareço até mais velha e com menos cara de acabada e esquecida no canto, pelo menos é assim que eu me vejo, na verdade, que eu me via.

O resto do final de semana foi tranquilo, nem briguei com minha mãe, o que é um milagre. Estou tão ansiosa de ir para escola amanhã que não como e nem consigo dormir, mas sinto uma dor de barriga durante a madrugada que chego a vomitar um líquido amarelo e me sinto como se estivesse “vazia”, também eu não comi. Decido não contar a ninguém, não quero especulações de nada e eu como na escola sem problemas. Estou gostando tanto desse menino que devo estar ficando doente, mas isso dura só uns dias depois passa. É sempre assim.

...

Sempre sou a primeira a chegar à escola, literalmente. Fico na frente do portão esperando chegar alguém enquanto leio Jogos Vorazes que Violet me emprestou. Estou tão vidrada na história que me esqueço de Peter, de dores de barriga e nem vejo que pessoas vão chegando.

As coisas sempre acontecem quando a gente menos espera, não é? Do nada, Peter chega perto de mim que está acompanhado de seu amigo Johnny, um menino menor que eu que usa óculos e tem uma super cara de nerd. Peter me cumprimenta com um beijo no rosto e vira a capa do meu livro, fechando-o, ele lê o título e balança a cabeça olhando pra mim dando um sorrisinho e fecha de novo. Eu falo sem ao menos pensar:

–Você tirou da minha página. –Ele abre o livro, estava segurando a página com o dedo.

–Não tirei, não. –Diz ele olhando nos meus olhos. -A propósito, eu gostei do seu cabelo. -Eu sou o vermelho em pessoa. -Oh, obrigada. — Abrindo o sorriso dos sorrisos. Devo estar com cara de quem viu assombração. Johnny me cumprimenta e eles saem. Por fora estou calma, fingindo ler meu livro. Mas por dentro meu coração e meu estomago fazem uma festa rave. O portão abre na hora certa, corro direto ao banheiro, quase caio na escada e minhas pernas estão bambas. Entro lá, jogando minha mochila e livro longe e começo a me fitar no espelho. Estou mais branca do que o normal, e olha que eu sou bem branca. Encaro-me enquanto minha cabeça processa tudo o que acabou de acontecer. Ele notou minha presença e ainda notou meu cabelo. Isso fica repetindo na minha cabeça por uns cinco minutos, até eu conseguir me acalmar e agir como se tudo isso não passasse de apenas um ato de gentileza da parte dele. Acontece que minha cabeça não processa a parte da gentileza, meu cérebro quer acreditar que ele está tão perdidamente apaixonado por mim, como eu por ele.

Mackenzie, não e não, Se controla. Respira fundo e vai.

Saio do banheiro e vou até Violet contar o que aconteceu, mas ela nem me escuta direito e fica revoltada por eu ter cortado o cabelo, ela amava meu cabelo cor de nada, comprido e enroladinho. Ficamos conversando até tocar o sinal, passo pelo corredor para ir para minha sala, olhando para frente tem mais uma sala, não qual série é mas só sei que o Peter saiu de lá abraçado com a seu ogro em forma de namorada, Lola. Aquilo me parte o coração e ele olha pra mim, ele me olha e estou com cara de choro provavelmente, mas não consigo controlar, só entro rapidamente na sala antes que eu piore. Ele passa pela minha sala e olha dentro como se estivesse procurando algo e me olha estou com cara de nada, ele me encara por alguns segundos e eu encaro de volta. E então ele simplesmente sai, e volta a pular todo feliz. Sei que é idiota da minha parte... Mas não consegui ficar bem diante disso, na verdade eu até esqueci que ele namorava...

Durante as aulas e o intervalo, fiquei meio quieta, tentando prestar atenção somente na aula, mas sempre me lembrava do que aconteceu e ficava triste. Durante o intervalo estava com fome, mas não comi, já estava com o estomago revirado e só de imaginar comer, me da ânsia. Fiquei sentada ao lado de Violet enquanto ela lia, eu estava somente observando todos e tudo, evitando procurar por Peter e vê-lo com Lola. Mas teve uma hora que ele ficou conversando com umas meninas e estava bem na minha frente e o melhor Lola não estava lá no meio agarrada com ele, eu estava tentando olhar disfarçadamente. Até Violet chegar perto do meu ouvido e me assustar:

–Se olhar arrancasse pedaços, Peter não teria pernas e nem braços. -Ela sussurrou.

–Meu Deus, Violet! Que susto. Ah, fica quieta, não tem nada a ver.

–É ruim gostar de um menino que namora né? -Diz ela observando ele junto comigo.

–É... Pior de tudo é ter que ver isso. -Digo com a voz saindo com um quase choro.

Ela volta ao seu livro e eu olho para o teto, fecho os olhos e fico imaginando como seria se eu o namorasse, é estranho pensar nisso, mas isso me deixa feliz de certa forma. É como imaginar conhecer meus ídolos. Você sabe que a possibilidade é mínima, mas não quer deixar de acreditar. Desço a cabeça lentamente até olhar para frente e avistá-lo de novo. E nossos olhos se encontram. Estávamos há pelo menos uns cinco metros de distância, mas foi o suficiente para olhar aqueles olhos castanhos e inquietos. Não durou nem dez segundos tudo isso, até alguém chamar a atenção dele e ele desviar de mim. É como dizem, se alguém te olhar nos olhos por mais de dez segundos ou essa pessoa quer fazer sexo com você, ou ela quer te matar. E as duas opções me assustam.

...

Tocou o sinal e estamos indo para o portão, é hora da saída, finalmente vou pra casa me jogar na cama e chorar tudo o que está se acumulando e doendo dentro de mim. Nunca me senti assim, é tão ruim. Mas, procuro por Violet para me despedir e ir embora logo e ela está conversando com ele e com as outras meninas que suponho serem da sala dele. Ela olha para mim e acena, pedindo que eu me junto à eles. Reviro os olhos e vou até lá e tento não chamar a atenção, mas isso não funciona.

–Olha a menina nova! Cara, eu acho seu cabelo muito lindo, sério!-Diz uma menina com o cabelo preso em um coque e ela tem cara de bailarina, ao lado de uma menina que usa um óculos aviador e uma jaqueta estilo college e outra com cabelos longos e loiros e olho azul, além de alta, parece uma modelo. Peter está me encarando, até parou de falar com elas quando cheguei, mas ficou com cara de criancinha quando é roubada a atenção. Ele queria ajuda para tirar a camiseta da escola, e tem uma verde por baixo que ainda não distingui a estampa. E eu meio que vi, a barriga dele... Não é nada demais, eu só olhei o que devia ser visto na hora certa.

–Ah, obrigada meninas. –Digo tentando parecer o mais simpática possível.

–Gente, eu ouvi dizer que vai ter um grêmio aqui na escola... Será que vai ter alguém que se iria se candidatar? –Diz a menina com óculos aviador.

–Eu participaria. -Eu e Peter dizemos em uníssono, nos olhamos e ele ainda está tentando tirar a camiseta da escola. A menina com cara de bailarina diz:

–Quem estiver interessado tem que vir aqui de tarde e falar com uma garota do segundo ano, eu esqueci o nome dela... Mas é só dizer que é para o grêmio.

–Ah, legal, eu vou virei à tarde- Diz Peter olhando pra mim e ele conseguiu finalmente tirar a camiseta, e a verde por baixo tinha uma estampa de Stroompber, daqueles filmes Star Wars, nunca assisti mas tenho vontade. Ele me olha e pergunta:

–Gostou da minha nova camiseta? -Respondo:

–Sim, ela é muito legal.

–Virá aqui à tarde, então? Vejo se trago o Johnny... Ele deve vir, ele não ousaria me deixar sozinho aqui.- Diz ele colocando as mãos no queixo e sorrindo maliciosamente.

Aaah, claro até por que eu não sou ninguém!

–Eu venho sim.

–Alguém mais vai vir?- Pergunta Peter:

–Não dá, tenho dentista. -Diz a loira.

–Até queria, mas não dá, tenho que ajudar minha mãe com meu irmão. -Diz a garota de óculos.

–Tenho ensaio de Jazz hoje à tarde- Diz a suposta bailarina que acabou de confirmar isso.

–Tô com preguiça, eu não vou vir não. — Diz Violet, enquanto viro para ela e olho com cara de “você não vai me deixar aqui sozinha, vai mesmo?” Mas ela nem liga. Amigos servem pra isso. Nisso Peter me olha e diz:

–Parece que seremos só nós dois, vejo você aqui à tarde, até lá. –Então ele se vira e vai embora, não dá tchau pra ninguém, vou levar em consideração que isso foi um.

–Até. –Digo tão baixo que nem eu mesma escuto e não estou acreditando no que acabou de acontecer. É muita coisa em uma manhã só. Segura na mão de Deus e vai.

Notas finais
Esse ficou meio longo né :P Espero que tenham gostado Deixem críticas, sugestões e tudo mais Beijos, beijos ;*