Sweet Nothing
10 Learning and Discovering
Notas iniciais
POV Amanda
Ainda era difícil de acreditar que estava no mesmo carro com a pessoa que mostrou a felicidade e depois a tomou da pior maneira possível, restando apenas dor. Com a pessoa que eu queria ver sofrer na minha frente e fazer implorar por piedade.
– Posso saber ao menos para onde estão me levando? – Foi a mesma coisa que eu não ter dito nada. E o silêncio tenso de antes voltou, só que dessa vez, mais forte.
O tempo nublado impedia de ser ter uma ideia da hora, mas por chute, seria meio dia, isso significa que, no mínimo, estávamos três horas na estrada. Eu não tinha a mínima ideia de onde estávamos indo. Comecei a desconfiar de Carlos. Será que ele tramou algo com James? Não! Ele não faria uma coisa dessas, muito menos Logan de me levar pra lá sabendo que algo de ruim iria acontecer comigo.
Talvez tudo que estava ocorrendo deixara minha mente preocupada. Talvez tudo isso fizera com que eu desconfiasse de todos.
James parou o carro em frente à uma floresta, na verdade, a estrada toda ficava ao lado de uma enorme floresta.
Encontramos uma mulher virada de costas para o carro, aparentemente já nos esperava.
– Vocês esqueceram o que significa compromisso? – Perguntou ao virar-se.
– Helena! E eu tinha pensado que você não viria. – James disse surpreso. Logo ela o puxou para um beijo. Não entendi absolutamente nada. Namorada dele? Ficante? Ou próxima vítima?
– Por que você a trouxe, James? – Carlos o fuzilava com o olhar.
– Minha convidada. Pois há algum problema? – Perguntou ironicamente abraçando-a.
– Sim, existem muitos problemas... – Carlos disse para si próprio, mas pude perceber que James ouvira.
Carlos puxou-me pelo pulso.
Enquanto adentrávamos a floresta, mais a visualização do céu ficava mais difícil, as copas das árvores estavam formando um extenso dossel.
– Para onde estamos indo? – Pergunto à Carlos.
– Uma espécie de treinamento. James é o único que pode te auxiliar, pois ele tem os equipamentos certos para isso e um local também.
Enfim chegamos. Um grande espaço, do tamanho de um campo de futebol, com uma “casinha” ao fundo, e ao meio, uma espécie de “curso de tiro defensivo”.
– Amanda. Dou-lhe o prazer de escolher uma arma para você. – James disse entrando em minha frente
– A-arma? – Gaguejo.
– Sim. – Ele direcionou-se para a casinha.
Encarei Carlos com um olhar duvidoso. Ele assentiu, mas não gostei muito da ideia. Eu e James sozinhos.
Encarei o chão e iniciei minha travessia por todo o campo. A cada passo, uma angústia diferente tomava meu corpo e minha cabeça. Lembranças que eu não queria voltar a lembra. Dores começaram a percorrer meu corpo, mas eu tentava ao máximo ignorá-las.
Ao chegar à casinha, paralisei na varanda com a porta aberta. Não era uma “casinha”, mas sim uma cabana que não estava em perfeitos estados, de certo modo, “quebrava o galho”.
Iniciei meus passos para dentro da cabana. Minha vontade de voltar e sair correndo de perto dele era imensa, mas do outro lado, meu corpo me mandava ficar nem que seja para lhe dar um soco.
– Eu disse que você poderia escolher. – Ele foi abrindo as gavetas e os armários. Meu susto foi imenso ao ver que em todos os moveis só havia armas, munições e vários equipamentos de tortura. Era uma chance perfeita de ele tentar alguma coisa que colocasse minha vida em jogo.
– S-sério?
– Amanda, por que você acha que estou brincando? – Ouvir sua voz dizendo meu nome é uma coisa totalmente assustadora. Um monstro pronunciando meu nome.
– Por que eu te conheço e não confio nem um pouco em você. Eu sei sobre o que você já me fez.
– Você quer conversar sobre aquilo? Então vamos. Para mim, foi apenas uma diversão! Nem me lembro mais daquilo se você quer saber! Agora dá para você prestar atenção no presente? Tem um cara atrás de você e você fica aí, sofrendo: Ai, sou uma garotinha e fui estuprada! Acorda Amanda! – Ele se acalmou e colocou as mãos em punho sobre uma mesinha.
– Pra você falar é fácil! Não foi você que teve de sofrer a vida inteira! Não foi você que viveu a vida inteira ao lado de dois estranhos que era obrigado a considerar como pais! Não foi você... – Ele me interrompeu.
– E o que você sabe da minha vida, Amanda? – Seus olhos expressavam sofrimento, dor e infortúnio. Ele mandou-me o mesmo olhar que eu o lancei quando acabou comigo. Só ai que percebi que eu realmente não sabia nada sobre ele.
– Já que vai ficar nessa frescura toda, eu vou escolher pra você. – Ele disse pegando qualquer revolver e colocando em sua cintura, logo me deixou sozinha na cabana.
Demorei trinta segundos para absorver aquela cena. Talvez ele esteja certo, eu estou me prendendo em fatos que não posso voltar atrás, tenho que viver o presente. Quem sabe tudo que aconteceu entre mim e ele foi culpa minha? As pessoas sempre dizem para não confiarmos em estranhos, pois nunca há um final feliz. E eu ignorei isso.
POV James
Ela acha que sabe de tudo.
Se eu soubesse que era ela a tal Amanda que eu teria que ajudar, não teria nem pensado duas vezes para largá-la. Mas quando eu soube, já era tarde demais. Eu não sei se me arrependo do que fiz, não que eu vá parar, mas sim por ter feito com ela. Por que eu sempre erro? Erro sempre com as pessoas erradas?
Meu passado. O passado mais sujo de qualquer outra pessoa.
Fui pisoteado por todos, até eu aprender a me defender.
Adoravam ver-me sofrer, deve ser por isso que agora, eu que faço outras pessoas sofrerem sem me importar com qualquer tipo de consequência. Logan, Kendall e Carlos acham isso totalmente errado. Eles não perdem a razão, isso vai contra tudo de ser um ato bom, mas eu ligo para isso? Nem um pouco!
Mas se eu tivesse prestado atenção nas palavras dos meus próprios amigos, dos meus únicos amigos, até porque hoje em dia é difícil de encontrar bons amigos, eu não estaria nessa situação: Tendo que ajudar a minha própria vítima.
O tempo nublado e o vento batendo em meu corpo faz com que eu me sinta bem, eu gosto desse tempo escuro e sombrio, me identifico muito com ele.
Os cabelos loiros de Amanda bagunçando com o vento a ofuscava enquanto andava em minha direção.
Carlos e Helena conversavam à minhas costas. Não ligo para os dois, agora o mais importante é eu e Amanda.
Ela parou à minha frente, não tão longe, mas também não tão perto. Entreguei-lhe a ponto 40 que eu escolhi para ela. Não era uma boa para se começar, mas foi a primeira que achei, não iria ficar prendendo-a naquela cabana que trás arrepios até para mim.
Ajeitei meus braços por cima dos seus e a senti estremecer com meu toque. Adorei essa sensação. Coloquei minha cabeça sobre seu ombro direito e minha respiração em seu ouvido, queria que se arrepiasse mais ainda. Isso só foi possibilitado por causa de sua altura, não é tão baixa e nem tão alta, por volta dos 1,69, levemente mais alta que Carlos.
Passei as coordenadas e mirei junto com ela no alvo. Acertamos em cheio, claro, minha mira sempre foi a melhor da equipe.
E por duas horas eu fiquei ali com ela, treinando-a, irritando-a também com meus atos de aproximação. O que posso fazer, se adoro isso?
Eu e Carlos decidimos levá-la para descansar, já que era tarde para pensar em almoço. Não estávamos mais em Los Angeles, estávamos parando em lugares na estrada. Estavamos indo justamente para o problema, para a casa de Bryan: Nova Iorque. Helena fazia questão de me beijar a todo o momento na frente dela, foi exatamente para isso que eu a convidei.
Logo percebi que estava anoitecendo, Bryan deveria já estar em NY, deve ter pegado um avião.
Careta. Mal sabe que pegar estrada é mais divertido. Logan e Kendall também já devem ter pegado estrada.
– Ah não! – Ouvi Helena ao meu lado murmurar. Percebi que no encostamento da pista, cinco caras com capuz entraram na frente do carro. Não queria matar ninguém, pelo menos não com o carro.
– Preparados para a diversão? – Pergunto à todos.
Eles assentiram. Só Amanda que ficou meio duvidosa, era o momento perfeito para ela colocar o treinamento em prática.
Descemos do carro deixando com que a chuva nos molhasse por completo. Eles assustaram com nossa atitude, só queriam nos saquear.
– Bela Mercedes. – Disse um deles. O carro era de Carlos, mas insisti o suficiente para ele me deixar dirigir.
– Sim, muito bela. Vocês gostaram? – Os cinco assentiram.
– Só que o dono não esta muito a fim de doá-la. – Carlos respondeu por mim atirando e matando o que estava mais a frente.
– Cara não faz isso! – Disse um deles.
– Vocês são um bando de medrosos, têm medo de encrencas. – Eu disse em um tom desprezível. Saquei minha arma mirando em um deles. Amanda ainda estava assustada com as nossas atitudes.
Naquele clima chuvoso e deserto estávamos prestes a começar uma chacina, agora os dois times igualados. Amanda nem tirou a arma que lhe dei de “presente”. Eu, Carlos e Helena que agimos matando toda a ganguezinha. Helena recebeu um tiro no braço, foi a única que se feriu. Faltava eu e Amanda para entrarmos no carro, Carlos estava no banco de trás junto com Helena.
– Parem! – Outro cara saiu do matagal ao lado apontando uma arma para mim. Se eu tentasse pegar a minha já estaria morto. Carlos e Helena estavam ocupados e não daria tempo, somente Amanda conseguiria fazer alguma coisa. Mas pra que ela faria se ela me odeia?
Droga.
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