Sweet Night
1 Untitled
Notas iniciais
Nada a dizer Exceto que é a primeira Yuri
Qualquer pessoa poderia entrar no apartamento que ficava na parte mais afastada do centro de Tokyo pra saber que ali não moravam pessoas esbanjando dinheiro, muito menos pessoas que precisavam de algum luxo pra viver.
E não fazia muito tempo que aquele lugar estava assim. Apesar de fazer relevante tempo que a casa parecia simplesmente inabitada; tão silenciosa que poderia ser ouvido até o som da televisão dos apartamentos vizinhos, carros passando na rua, grilos cantando pro lado de fora.
Na verdade, ela havia chego fazia pouco tempo. Eu havia saído da faculdade, ido para meu trabalho de meio-período pra ajudar nas contas e voltado para casa, na expectativa de vê-la. À noite era nosso único momento a sós.
O fato era que ela já havia chego. E o apartamento – aparentemente – inabitado deixava a mostra que já havia tido uma refeição ali pelas latas de refrigerante sabor uva, a caixa vazia de empanados de frango com queijo e os talheres, posto para escorrer no escorredor improvisado que tínhamos.
Televisão desligada, som inexistente... O local não era grande, não tinha mais do que uma cozinha conjugada com lavanderia, sala, banheiro e quarto, o nosso quarto. Tinha apenas o espaço que nós precisávamos.
Rei estava sentada sobre nossa cama. Sua regata branca e seu short preto lhe davam o ar de frescor, e aquilo eu achava definitivamente perfeito, não tinha como negar. Eu, por outro lado, estava no banheiro, penteando os cabelos de frente para o espelho, olhando-a pelo reflexo, vez ou outra, quando conseguia escapar.
- Yume...
- Diga, koi? – lhe respondi, terminando de ajeitar meus cabelos.
- Vem cá, não tem motivos pra ficar se arrumando toda agora à noite, nee.
Eu ri suave do comentário que ela havia feito. Como a noite já havia caído e já passava das sete e meia da noite, eu realmente não precisava ficar lá, me ajeitando toda. Porém, era impossível não querer ficar bem para ela.
- Okay, okay.
Eu me virei e deixei a escova sobre a pia, então rumei até onde ela estava sentada. Sentei-me calmamente sobre suas pernas e a abracei com carinho, suas mãos envolvendo minha cintura e me puxando para mais pertinho.
- A diferença, Rei-chan, é que eu quero ficar bonita pra você. – eu sorri e disse com a voz mimada – Acho digno. Não acha?
- Ow, minha bebê!
Ela sorriu; aquele sorriso lindo que só ela tinha no rosto, o sorriso que era só meu. O sorriso da minha morena de cabelos repicados e escuros, que eu tanto amava.
Sorri também, ajeitando uma perna minha de cada lado do seu corpo e levando uma de minhas mãos para seus cabelos, afagando-os com carinho. Ela deitou a testa em meu ombro e depositou ali um beijinho suave, estralado, que me fez fechar os olhos e sorrir mais.
Gostava de seu carinho, mesmo que tantas vezes ela tivesse brincado comigo que era má. Não conseguia encontrar onde estava a maldade que ela falava, exceto que eu via essa maldade quando ela resolvia me ver com ciúmes.
Mas nunca me importei, gostava de mostrar pra ela que sentia ciúmes sim, afinal, ela sempre foi bonita e perfeita aos meus olhos.
- Tá frio... – eu murmurei e seus lábios beijaram os meus, sutil – Bem, nem tanto!
- É, né? – ela riu e eu corei, rindo também.
- Nãao, não disse nesse sentido, koi!
- Certo, certo... Vem, vamos deitar; aí a gente se cobre e fica quente.
Saí de cima de suas pernas e me joguei na cama atrás dela, esperando que estivesse deitada ali logo. No quarto, não havia nada além do nosso armário, que era suficientemente espaçoso para que coubessem minhas roupas e as dela. Nada de TV, ou rádio. Uma vez ou outra, dividíamos espaço com o notebook que compramos. E não passava disso.
Me acomodei na cama e me enfiei logo debaixo das cobertas quentinhas, sentindo que ela deitava a cabeça sobre meu tórax e deixava a mão espalmada sobre minha barriga.
Não resisti nenhum pouco ao ímpeto de lhe afagar novamente os cabelos, sorrindo com o que ela fizera. Havíamos falado que um dia faríamos isso, dela ouvir meu coração com a cabeça deitava sobre o meu peito.
- Bate?
- Uhum...
- Ia ser um problema se não batesse, né? – eu sussurrei, ainda lhe fazendo carinho – Viu só? Projeto de você ouvir meu coração bater enquanto eu fazia carinho em seus cabelos está completíssimo, koi!
Continuamos daquele jeito por mais um tempo, aproveitando o momento para conversarmos, colocarmos assunto em dia, discutir sobre compras, presentes para alguns amigos e coisas assim.
Já havia algum tempo que estávamos morando juntas. Alguns meses, poucos. Não fazia mais do que três ou quatro destes. Mas parecia que eu estava ao lado dela quase uma vida inteira, porque eu conhecia cada coisa de seu agrado, cada ato que ia deixá-la mais alegre, relaxada ou descontraída.
Bocejei. O sono era um problema para nós, porque costumava ser por culpa dele que aproveitávamos mais os domingos – isso quando ela não optava por ficar comigo no sofá vendo programas de humor na TV até tarde, dividindo uma caixinha de Pocky de Morango, rindo divertida.
- Hum... sono...
Seu sorriso veio acompanhado de sua movimentação, uma vez que ela havia deitado-se e me virava de costas para ela, me aninhando em seus braços enquanto enlaçava minha cintura com carinho.
Meus cabelos, castanhos e compridos, estavam espalhados sobre o travesseiro entre eu e ela. Seus cabelos, mais escuros que os meus e mais repicados que estes, estavam longe do meu alcance.
- Sabe de uma coisa, Rei?
- O quê?
- Eu te amo, minha morena...
- Ah... Eu também amo você, minha pequena.
- Muito, nee...
- Eu te amo mais.
Pisquei fracamente e logo meus olhos estavam completamente fechados, mesmo que uma de minhas mãos entrelaçava-se na dela e a segurava com carinho.
- Ah, comprei Pocky.
- Quê? E só agroa diz isso?
- Rei, se acalma, koi... Não tem seu pai nem minha mãe pra falar algo, então relaxa aí e dorme comigo, vai...
Ri divertida com a situação e virei o rosto um pouco pra ela ao escutar a risada que ela mesma dava. Roubou-me um selinho e pisquei para ela, sabia que seria cobrada logo pela manhã a respeito do bendito doce que ela tanto amava — por culpa minha.
Mas, por hora... Eu me divertiria mais dormindo em seus braços.
Notas finais
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