Sweet Like Cake.
8 1x08.
Notas iniciais

Caminhar pelos corredores do McKinley é algo completamente diferente quando você está usando um uniforme das Cheerios. Ver a cara de espanto dos garotos que jogaram slushies em mim só fazia um sorriso esnobe involuntário crescer em meus lábios. That’s right, bitch. Kurt Hummel está usando algo que vocês definitivamente não podem sujar.
Puxei dois livros de matemática de dentro do meu armário, e assim que o fechei encontrei uma Charlie Fabray com um sorriso malicioso recostada à minha frente.
— Não me devore. – Pedi. Provavelmente Charlie interpretaria nos dois sentidos, e era justamente por isso que agradeci mentalmente por ela não curtir a fruta.
— Quais são os garotos que você acha mais interessantes, Hummel? – Charlie arqueou a sobrancelha fazendo um arrepio percorrer toda a minha nuca.
— O quê?! C-como sabe que sou gay? – Corei e sussurrei a última parte.
— Você é gay, Kurt? – Charlie cobriu a boca com uma expressão surpresa, e que com absoluta certeza me convenceria se a loira não revirasse os olhos segundos depois. – A pergunta certa seria “Quem ainda não sabe?”.
— Acho que só falta eu confirmar isso pro meu pai...
— Você está mudando de assunto. Quais são os garotos que você acha interessantes, Kurt? – Charlie repetiu com impaciência. Senti minhas bochechas ruborizarem.
— A-ah, eu não sei... O Finn tem o sorriso mais fofo de todos. E é alto... E é o único garoto do time de futebol que não joga slushie em mim. O Puck fica excitante quando me joga na lixeira dos fundos. – Mordi o lábio ao relembrar. – O Arthur fica muito sexy quando está com a Santana. O Pedro tem pernas bonitas...
— E o Zach?
Franzi o cenho. Definitivamente Charlie estava tramando algo e eu já deveria ter suspeitado disso assim que vi aquele sorriso satânico. O sorriso de Charlie perdeu a intensidade, esperando uma resposta.
— O Zach é lindo. O sorriso de covinhas dele é perfeito, ele tem braços fortes, me deu um apelido em língua alienígena, tem olhos azuis muito bonitos, o cabelo dele me dá uma vontade indescritível de bagunçar e... – Parei de falar assim que notei Charlie anotando tudo o que eu dizia. – Charlie?
— Continue. – A loira pediu com sua mão em posição de escrever. Cruzei os braços arqueando a sobrancelha.
— O que vai fazer com isso?
Então Charlie fechou sua agenda subitamente e forçou um sorriso ao levantar a cabeça.
— Am... Eu... – A garota pensou por alguns instantes. – Ah, sim, eu percebi que você e a Sophie são os únicos cheerios virgens. Então quis descobrir qual macho fazia o seu tipo e ver quais dos meninos que ficaram olhando pra sua bunda desde que você chegou nesse uniforme fazem ele, pra resolver o seu problema.
Charlie sorriu docemente enquanto eu sentia todo o sangue do meu corpo ir parar nas bochechas.
— O-O QUÊ?! CHARLIE, ISSO NÃO SE...
— Estou brincando, Kurt. Era só curiosidade minha. Não se preocupe. – Então Charlie beijou minha bochecha na ponta dos pés e voltou a caminhar, batendo nos livros de uma garota qualquer e espalhando-os pelo chão. Fechei os olhos e me recostei no armário enquanto meus pulmões se lembravam de como se expirava o ar.
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Rachel se alongava habilidosamente enquanto o instrumental de Bad Romance ecoava do meu rádio. Obviamente não existia música melhor para um aquecimento. Usávamos as mesmas roupas de antes e, para minha sorte, estávamos no meu quarto onde ninguém poderia me ver perto de Rachel.
Depois que meu pai, Burt, me viu dançar tango com Rachel pela sala, ele insiste que estamos namorando. Por isso cedi aos pedidos de Rachel para ensaiarmos no meu quarto, apenas por medo de alguém acabar me vendo dançar com ela e imaginar segundas intenções. Até por que já bastava o mico de ser visto conversando com ela, não precisava de mais motivos pra minha “reputação” ser arruinada.
Rachel parou de se aquecer e olhou para a caixa de mármore com um vidro espesso na frente, preso com cadeado, embutido no alto da parede. Era lá onde eu guardava minhas revistas Vogue.
— Pra quê o cadeado, Kurt? – A garota franziu o cenho enquanto ofegava de leve. Notei Rachel encarar as capas das revistas através do vidro.
— Pra não abrirem. Não é óbvio? – Revirei os olhos enquanto fazia a coreografia do refrão de Bad Romance. – I want your love and I want your revenge, you and me could write a bad romance...
— Qualquer um conseguiria abrir o vidro. Até o Arthur. – Rachel gargalhou como se tivesse visto a espinha que estava nascendo em sua testa. Se bem que aquilo não era bem um motivo para rir...
— Ele já tentou e não conseguiu. Isso é vidro maciço, você precisaria no mínimo de uma britadeira para quebrá-lo. – Sorri olhando orgulhoso para meu reflexo no vidro.
— E super-força? Eu tenho, eu conseguiria quebrar... – Zach fez um biquinho entrando no meu quarto e se jogando na cama, fazendo o colchão balançar. Arthur entrou logo depois, segurando uma vasilha de pipocas.
— Rachel, querida... Eu não mandei você trancar a porta? – Sussurrei para a nariguda com um sorriso forçado.
— Sim, mas achei melhor deixá-la encostada no caso de você pisar acidentalmente no meu pé e eu não ter o trabalho de destrancá-la pra só depois descer os degraus quase morrendo de dor e chegar na cozinha para pegar o kit de primeiros socorros. – Rachel franziu o cenho com os braços cruzados.
— Você cairia na escada. – Revirei os olhos e Arthur riu, batendo palmas.
— Você fala como se não fosse você a pessoa que vive tropeçando nos degraus da escada e se segurando nos corrimãos igual uma velha com labirintite. – Ele riu e levou a mão cheia de pipoca à boca.
— Cair é diferente de tropeçar. Me lembre de comprar um dicionário pra você.
— Sem brigas. Vocês vieram aqui pra verem o meu desempenho perfeito nessa coreografia, certo? – Rachel perguntou com as mãos na cintura.
— Na verdade... – Arthur olhou para as pernas da menor com um sorriso de canto. – É. Exatamente isso, Hobbit.
— Até você, Zach? – Me virei para o garoto, que rapidamente desviou o olhar assim que perguntei. Zach se deitou de bruços.
— Ah, sim, Kal El. – Ele assentiu com a cabeça com o rosto levemente corado, fazendo-me franzir o cenho. Olhei para Rachel com um suspiro, vendo que precisaria de mais do que super-força ou uma ligação da polícia para tirar os dois do meu quarto. Se não pode com eles, junte-se a eles.
— Rachel, você tem ideia do que Charlie e Mike possam estar planejando? – Perguntei enquanto me alongava, revirando os olhos assim que Arthur desligou o rádio e colocou um rap qualquer pra tocar em seu celular no lugar de Bad Romance.
— Alguma coisa sem graça e chata. Por favor, eles vão competir contra nós com o tema musicais. Está bem óbvio que ninguém consegue apresentar musicais tão bem quanto eu. — Rachel deu um sorriso largo e fechou os olhos enquanto juntava suas mãos atrás de seu quadril e mexia seus ombros para se alongar. Arqueei a sobrancelha fuzilando-a com os olhos. — E você também, pare de me olhar como eu imagino que está olhando agora.
Forcei um sorriso irônico e voltei a me alongar.
— Vocês vão dançar tango ou imitarem uma senhora fazendo exercícios pra ver se todas as articulações dela estão no lugar? – Arthur perguntou com seu olhar esbanjando desprezo e desinteresse.
— Você está aqui para nos assistir e não para dar palpites. – Rachel comentou enquanto fazia polichinelos pela décima quinta vez. Arthur jogou uma pipoca no rosto da judia.
— Kal El, essa malha valoriza seu bumbum. – Zach comentou ainda deitado de bruços e apoiando seu queixo no travesseiro.
— Você acha? – Dei um sorriso largo colocando as mãos na cintura. Arthur gargalhou puxando minha atenção para ele.
— Essa bunda gorda cheia de bolo de chocolate não precisa de malha nenhuma pra ser valorizada. Aliás, como conseguiu colocar esse short? Ele não rasgou e você não precisou remendá-lo?
— Tudo o que eu compro é de qualidade. Não rasgam fácil. – Respondi arrumando a faixa de ginástica em meu cabelo. Rachel fazia flexões no chão, aumentando um tom de voz a cada número de flexão que contava.
— Isso aí é feito de titânio?
— Pergunte a sua mãe.
— Pelo menos eu tenho uma.
— Kurt Elizabeth Hummel, será que precisarei tramar alguma coisa pra você ser expulso das Cheerios e ficar longe da Santana Lopez? Essa garota é como cocaína, você se vicia a cada barbaridade que ela diz e não consegue parar até falar coisas no mesmo nível que ela. — Rachel se levantou do chão e cruzou os braços.
— Coca-cola é feita com cocaína? – Zach perguntou coçando a nuca.
— Fale direito da minha namorada, resto de experiência genética. – Arthur disse com o rosto sério jogando outra pipoca em Rachel.
— Pare de jogar pipoca em mim, sabe quantos germes isso tem depois que você pegou?!
— Devem existir muito mais germes dentro do seu nariz.
— Passou pela sua cabeça quantas coisas nojentas você já fez com essa mão?
— Quando vocês vão chegar na parte do “cale a boca e me beije”? – Perguntei me sentando na cama no espaço que sobrara antes do corpo de Zach.
—Quer uns beijinhos, Hummel?
— Arthur! – Rachel batera no braço do garoto com o rosto vermelho.
— Queria que você saísse e deixasse eu e a Rachel treinarmos em paz. Quer dizer, parece que ela está ocupada demais tentando fazer o corpo derreter ao invés de fazer um aquecimento. – Falei pausadamente olhando para a morena. Rachel passou a mãos nos cabelos fingindo que não ouvira o que eu disse.
— He had it coming, he had it coming... – Rachel começara a cantar com um súbito entusiasmo para treinar a coreografia enquanto agitava seus braços no ritmo em que cantava.
— Não, não. Você está fazendo errado. – Me levantei me aproximando de Rachel enquanto recapitulava os movimentos da coreografia em minha cabeça.
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No dia seguinte, eu já desfilara novamente usando meu uniforme das cheerios e o sorriso falso. Era como o acessório principal, afinal, não tem como usar aquele uniforme sem querer se parecer superior ou se sentir superior. Obviamente ainda era traumatizante ver Santana atingindo losers inocentes com slushie, mas eu não achava que deveria radicalizar tanto a esse ponto.
Já estava no Glee Club, sentado ao lado de Sophie enquanto Charlie — de mãos dadas com Emily — e Santana conversavam coisas pervertidas em voz baixa e em particular. Rachel como sempre dava um discurso desnecessário sobre algo que ninguém dava a mínima atenção, enquanto Finn babava quase que literalmente olhando para os seios dela. Chelsey não parecia se importar, já que estava mais preocupada em saber se alguém reparou na sua nova cor de esmalte. Bom, ao menos eu reparei. Arthur e Elena discutiam em voz baixa e eram notáveis as diversas vezes em que Elena revirava os olhos e mudava a direção de seu olhar quando Arthur falava algo. Emily parecia estar pensativa olhando fixamente para um ponto da sala, e logo depois deu de ombros com um sorriso satisfeito. Se meu sexto sentido gay estava certo, Lily concluiu que sorvetes de chocolate são, sim, gostosos. Zach ergueu a mão antes que eu pudesse narrar o que ele estava fazendo.
— Super R, eu quero cantar.
— Sinto muitíssimo Zach, mas agora não dá. Preciso que colaborem com sugestões de solos pra mim! Parece que só o Finn está prestando atenção no que eu falo! – Rachel bufou e colocou as mãos na cintura. Finn escutou o que ela disse?
— Cale a boca Berry, e deixe o garoto cantar. – Charlie interrompeu sua conversa pseudo-pornográfica com Santana e se pronunciou. Rachel abriu a boca para falar algo, porém a fechou assim que viu Santana forçar um sorriso para ela. O famoso sorriso “santânico”.
— B-bom... Você sabe que o tema é cantar uma música sobre “Rachel Berry”, certo? – Rachel arqueou a sobrancelha com um tom de voz preocupado. Zach balançou a cabeça negativamente mantendo uma expressão de culpa no rosto.
— É mais fácil Finn conseguir engravidar com seu nariz enorme do que alguém querer cantar algo sobre você, Hobbit. Encare os fatos e mude logo essa porcaria de tema. – Santana bufou e recostou suas costas na cadeira. Chelsey a fuzilou com os olhos.
— Então... O novo tema é cantar músicas de artistas do sexo oposto. – Finn disse depois de sair do transe por alguns segundos, e logo após voltando a olhar para os seios de Rachel. Isso até a morena se sentar, vencida, e fazer o maior fixar seu olhar em algum ponto da sala totalmente perdido. Então quer dizer que Finn Hudson conseguia pensar quando não estava tendo pensamentos pervertidos com uma judia que não aparentava ter nem um metro de altura?
— Tudo bem... Zach, o palco é seu. – Rachel comentou com um suspiro no final da frase.
— Palco? Mas eu não quero cantar no auditório, quero cantar aqui. – Ele disse colocando as mãos no bolso e se levantando de sua cadeira.
— Cante logo, idiota. – Pelo tom de voz de Arthur pareceu mais que estava implorando, já que provavelmente queria que sua atenção estivesse longe da discussão com Elena e de todos os hormônios de grávida que ela carregava dentro daquela barriga imensa.
— Eu quero cantar uma música que eu gosto e que é uma mulher que canta. — Zach assentiu com a cabeça assim que se posicionou em frente à sala. Deu um rápido aceno para mim, que retribuí da mesma forma com um meio sorriso.
Zach deu uma falsa tossida antes de começar a cantar. Uma melodia de piano ecoou por toda a sala. Era calma e lenta. Entrelacei meus dedos acima do meu joelho enquanto sentia meu estômago dar voltas. Eu detestava o quanto músicas acústicas mexiam comigo. Elas me lembravam de minha mãe, que perdi quando tinha oito anos. Era horrível sentir todos os sentimentos de solidão e medo voltarem como um sopro gelado e repentino. Era horrível acreditar que, ao invés de ela estar em algum lugar do céu, ela estava a sete palmos do chão com seus restos misturados com a terra de um cemitério. Era horrível ter amadurecido tão rápido. Se eu ainda tivesse minha inocência, poderia acreditar que ela estava cantando de mãos dadas com anjos loiros de olhos azuis e coroas de flores na cabeça. Levantei meu olhar para Zach assim que a voz do mesmo começara a ecoar pela sala.
[ZACH]
Car is parked, bags are packed, but what kind of heart doesn't look back
At the comfortable glow from the porch, the one I will still call yours?
All those words came undone and now I'm not the only one
Facing the ghosts that decide if the fire inside still burns.
Já podia sentir uma vontade indescritível de chorar. Queria tê-la de volta comigo. Ver novamente a mulher no qual meu pai diz tanto que eu me pareço. Havia algo na voz de Zach que me fazia sentir arrepios da cabeça aos pés. Era emocionante e tranquilizadora ao mesmo tempo. Queria saber se eu era o único que podia senti-lo cantar do fundo de sua alma. Seja lá o que Zach sentira, estava se saindo muito bem ao expressá-la por meio da voz.
All I have, all I need, he's the air I would kill to breathe
Holds my love in his hands, still I'm searching for something
Out of breath, I am left hoping someday I'll breathe again
I'll breathe again
A banda começou a acompanhar o som do piano enquanto Zach tinha um sorriso triste no rosto. Sua voz era quase hipnótica. Meus olhos mantinham-se fixos nos dele enquanto eu movia meus ombros lenta e inconscientemente no ritmo da música. As sensações ruins pareciam desaparecer quando ele cantava, como um cobertor que protege as criancinhas de monstros debaixo da cama. Arrepios gélidos percorriam minhas costas quando o ouvia cantar.
Queria entender o porquê de eu não ter ficado assim quando o ouvi cantar pela primeira vez, com a Vic. Talvez fossem efeitos diferentes. Talvez Vic conseguisse quebrar o feitiço que Zach conseguia criar com sua voz. Assim como a kryptonita e o Superman.
Open up next to you and my secrets become your truth
And the distance between that was sheltering me comes in full view
Hang my head, break my heart built from all I have torn apart
And my burden to bear is a love I can't carry anymore.
All I have, all I need, he's the air I would kill to breathe
Holds my love in his hands, still I'm searching for something
Out of breath, I am left hoping someday I'll breathe again.
It hurts to be here
I only wanted love from you
It hurts to be here
What am I gonna do?
A banda cessou os sons e então a sala inteira foi tomada por um silêncio enquanto a voz de Zach se sobressaía, tendo o piano como acompanhamento. Seus olhos encontraram os meus e nesse instante senti meu corpo inteiro se arrepiar. Meu rosto foi tomado por um rubor e então desviei o olhar para as mãos em meu colo. Um gesto grosseiro, talvez. Algo que fazia eu me sentir totalmente desconfortável era alguém olhar no fundo dos meus olhos.
All I have, all I need, he's the air I would kill to breathe
Holds my love in his hands, still I'm searching
All I have, all I need, he's the air I would kill to breathe
Holds my love in his hands, still I'm searching for something
Out of breath, I am left hoping someday I'll breathe again
I'll breathe again.
A música terminou e pude sair do transe quando as palmas repetitivas ecoaram pela sala. Pisquei os olhos algumas vezes tentando me situar e então olhei para Zach. Ele estava chorando.
— O amor dói. – Ele disse com voz baixa enquanto esforçava-se para esboçar um sorriso. O moreno então se sentou em uma das cadeiras mais afastadas enquanto todos o seguiam com o olhar. Finn sentou ao lado dele e bateu levemente com seu cotovelo no braço do mesmo, para chamar sua atenção.
— Você tá legal? Isso foi ótimo!
— Eu estou bem. Só acho que estou gostando de quem não devia.
Isso foi o suficiente para eu sentir o olhar malicioso de Rachel me atingir como um tiro. Passei a mão no rosto com um suspiro, na tentativa de sentir alguma lágrima que escorrera do meu rosto. Felizmente ele continuava seco. E, o mais importante, livre da oleosidade. A morena sentou-se do meu lado.
— Senti um clima. O bolo de chocolate fez efeito. – Ela sussurrou cutucando a lateral de minha barriga com um sorriso.
— Rachel, por favor. Não é hora pra me deixar com fome...
— Eu também to com fome de bolo e ninguém mais me dá bolo. – Zach disse, cruzando os braços sobre o peito e fazendo um beicinho que derreteria o coração até de Santana em seus piores dias de TPM.
— O Kurt dá, Zach. – Sophie disse, cutucando o ombro do garoto com um sorriso malicioso. Virei meu rosto para ela com a expressão “O-que-diabos-você-pensa-que-está-falando?”.
— Acho que eu super que entendi isso, Sophie. – Ele disse envergonhado, com o rosto tão corado quanto o meu.
— Quando terminarmos aqui... – Anunciei, e logo vários pares de olhos curiosos pairaram sobre mim. –... Eu compro um bolo de chocolate. Pra nós dois. Q-quer dizer, depois do que a Rachel disse eu senti fome do nada.
— Bolo nenhum! E o regime das Cheerios?! – Charlie interviu apontando o indicador no meu rosto.
— Alguém mais quer participar da tarefa? – Finn perguntou, olhando ao redor. Santana pegou meu pulso e o ergueu ao alto, antes que eu pudesse me defender sobre a dieta.
— Nós. – Ela deu um meio sorriso e se levantou, me puxando de minha cadeira e indo parar em frente á sala. – Como ensaiamos, Hummel.
Concordei com a cabeça e logo a orquestra iniciou a música, fazendo Santana e eu nos posicionarmos.
[KURT]
Come on boy, I've been waiting for somebody to pick up my stroll, uh
[SANTANA]
Now don't waste time, give me a sign, tell me how you wanna roll
[KURT]
I want somebody to speed it up for me then take it down slow…
There's enough room for both
[SANTANA]
Boy I can handle that, just gotta show me where it's at.
Are you ready to go? Are you ready to go?
[AMBOS]
If you want it
You've already got it
If you thought it
It better be what you want
If you feel it
It must be real just
Say the word and
I'ma give you what you want
[KURT]
Time is waiting
[SANTANA]
We only got four minutes to save the world
[KURT]
No hesitating
Grab a boy
[SANTANA]
Grab a girl
[KURT]
Time is waiting
[SANTANA]
We only got four minutes to save the world
[KURT]
No hesitating
[SANTANA]
We only got four minutes huh four minutes
E então Zach se levantou, pronto para sair da sala. Charlie segurou-o pelo pulso e arqueou a sobrancelha.
— Onde pensa que vai sem dar um abraço na mamãe? – Ela perguntou, e então me lembrei da pequena “família” dos Fabray-Cooper-Jorden. Como Zach e Emily eram melhores amigos e Emily e Charlie eram namoradas, acabaram criando uma mini-família na qual Zach era o filho das duas. E parecia que eles levavam isso muito a sério.
— A Sophie está me assustando, mamãe. – Ele disse. E então dirigi meu olhar para Sophie, que o olhava com um sorriso malicioso como se dissesse ”Eu sei o que está fazendo”.
— Deixa disso, vem aqui. – Charlie então o puxou fazendo Zach se sentar novamente.
— Devemos parar, Kurt? – Santana disse, interrompendo nossa coreografia improvisada e colocando as mãos na cintura enquanto a música ainda tocava. Balancei a cabeça parando de dançar e encarei a morena, corando rapidamente.
— Parar? Por quê? Eu desafinei? Eu pulei alguma parte? Fiz alguma coisa estranha?
Santana revirou os olhos.
— Você é tapado ou o quê?
— Continua aí, bagaça! – Charlie gritou, cruzando os braços.
A latina deu o dedo do meio para Charlie, que cobriu a boca com a mão parecendo ofendida.
— Tem razão. É melhor eu ir comprar o bolo do Zach logo, certo? Acho que preciso poupar um pouco minha voz hoje. Só vou cantar novamente no dia do Duelo das Divas. – Pisquei para Rachel que levantou os polegares com um sorriso largo. Charlie deu uma risada maldosa e cruzou as pernas. Me virei para Zach assim que a orquestra se deu conta de que não íamos continuar a droga da música. – Quer ir comigo comprar o bolo?
Zach olhou para Charlie e logo em seguida para Sophie, que mantinha seu sorriso malicioso. Dessa vez, um bem mais largo.
— Sim, vão lá! Vão comprar o bolo! – Santana bufou empurrando-me em direção à Zach, quase me fazendo cair por cima do mesmo.
— Kurt! Vão logo comprar o bolo de uma vez. Vai que vocês não comem outras coisas... – Charlie deu uma risada maldosa e então entrelaçou seu dedo mindinho com Santana; ambas fazendo a cara de safada que eu detestava e que fazia meu rosto corar mais do que o normal.
Zach se levantou e então segurou minha mão, guiando-me até a porta. E então a abriu.
— Primeiro as damas. Q-quer dizer, quase-damas... – O maior franziu o cenho, claramente confuso com as próprias palavras. Ri e então passei pela porta.
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Não demorou muito para que eu e Zach chegássemos no Breadstix. Por todo o caminho eu via-a tentando puxar assunto, e minhas tentativas de estendê-los fracassavam todas as vezes. Parei em frente ao balcão e bati algumas vezes em uma pequena campainha que estava sobre o mesmo, vendo que as atendentes ou lixavam as unhas ou fofocavam sobre alguém enquanto mascavam chiclete. Entendo que o lugar estava vazio, mas assim que precisei tocar a campainha pela segunda vez entendi claramente que estavam nos ignorando.
— Moça, você é surda? – Perguntei puxando a revista da mão de uma das atendentes. Ela revirou os olhos. Zach segurou a risada e desviou o olhar.
— O que vão querer?
— Um bolo de chocolate para viagem e atendentes mais qualificadas. – Sorri ironicamente e devolvi a revista à garota, que entrou para os fundos do restaurante logo em seguida para, assim espero, buscar o pedido. – Me desculpe por isso. Talvez ser o melhor amigo da Santana tem lá suas vantagens.
— Tudo bem, Kal El. Chocolate, eu adoro chocolate. Será que tem refrigerante? – Ele perguntou mantendo seu sorriso. Aquele sorriso de canto que, por favor, tenho certeza que não fazia só o meu coração disparar. Não é possível.
— Eu... Eu também adoro chocolate. Chocolate é perfeito, eu me casaria com um chocolate. – Concordei com a cabeça e corando com a facilidade que as palavras escaparam de minha boca. Zach riu, fazendo eu me sentir mais patético ainda. – Ah, quanto ao refrigerante... Acho melhor pedir um também. Não sei se ainda tem algum sobrando em casa. Provavelmente Arthur tomou tudo. Garçonete, mais um refrigerante! – Gritei me debruçando um pouco sobre o balcão.
— Refrigerante é super. Kal El, você ainda vai arrumar meu guarda-roupa?
Guarda-roupa. Talvez eu tenha mencionado à Charlie, em uma das visitas que fiz ao seu apartamento, que arrumar o guarda-roupa por ordem cronológica ou por cor ou por preço era a atividade que eu fazia quando me sentia carente. E isso acabou se tornando ótimo para ela, pois ter preguiça de arrumar seu guarda-roupa + um amigo solteiro que vê filmes de romance o tempo todo e arruma guarda-roupas para saciar sua carência era uma combinação difícil de dar errado. Posso ter mencionado isso a Zach sem querer, e culpo totalmente aquele seu sorriso que não me capacitava de filtrar as minhas palavras antes de falá-las. Talvez fosse outro poder do Super Z, nunca se sabe. Ele me dizia que sentia falta de abrir seu guarda-roupa e vê-lo sempre arrumado quando ainda morava com sua mãe. Dizia que seu guarda-roupa era mágico por isso, então não me culpem por falar algo tão desnecessário em uma situação como essa.
— Claro que arrumo, Zach. Charlie adora quando arrumo o dela. — Adora mesmo. Eu deveria ser pago por isso.
E então Zach se calou por alguns segundos, tornando o silêncio entre nós insuportável. Desconfortável. Aqueles silêncios que fazem você pegar seu celular e ficar admirando seu papel de parede até que algo, por mínimo que seja, fosse capaz de tirar sua “atenção” daquilo tão importante que fazia antes, como admirar o seu papel de parede.
— Alguma das garotas disse... Algo pra você?
E então me lembrei de Charlie e sua lista de “candidatos à arrancar a virgindade de Kurt Hummel”. O que quer que eu tenha dito sobre ele, tinha noção de que Zach já sabia. Corei rapidamente.
— Disseram. Quer dizer, não. Não disseram. – Balancei a cabeça. – Disseram sim. Ou não.
Zach franziu o cenho e me encarou com uma expressão confusa. Era muito fácil confundi-lo, e me senti satisfeito por ter feito tudo isso em um momento de improviso. Ignorei o “aqui está o seu pedido” da atendente, colocando o dinheiro sobre o balcão e recolhendo as sacolas rapidamente. Segurei a mão de Zach e me dirigi até a porta, por mais que minha vontade fosse voltar até lá e buscar meu troco. Aquelas atendentes claramente não estavam merecendo gorjeta.
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Preferi ignorar todo e qualquer sentimento que estava nutrindo em mim por estar caminhando de mãos dadas com Zachary Cooper nas calçadas de Lima. Pude senti-lo mexer sua mão contra a minha de forma que ficasse mais confortável, já que eu estava a dois passos à frente dele caminhando apressadamente para evitar que ele visse meu rosto corado. Essa era uma das desvantagens de ser tão branco: não poder se envergonhar nenhuma vez sem parecer que esbofetearam suas bochechas.
Já parando em frente à minha casa, pude escutar uma discussão que de longe eu saberia que se tratava de Rachel e Arthur.
— Vocês não conseguem conversar como pessoas normais? – Perguntei ao abrir a porta e, finalmente, soltando a mão de Zach.
— A culpa é dessa nariguda que não sabe se controlar! – Arthur gritou apontando para Rachel, que estava vermelha de raiva.
— Olha quem fala, o maior produtor de lixo da humanidade!
— Ei, não briguem. – Zach interviu abraçando Rachel enquanto eu levava as sacolas até a mesa.
— O que aconteceu? – Perguntei cruzando os braços e encarando Arthur, que ofegava.
— O Finn saiu do Glee Club por causa dela.
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