Sweet Insanity
3 Aquele Garoto Problematico
Notas iniciais
Desculpe a demora, sabe como é nééé hehehe
Não sabia por que duas pessoas tão legais como Miley e Demi estavam fazendo aqui, nesse começo de hospício. Elas, junto com Fred, me apresentaram a clinica inteira. Levou muito tempo, mas foi divertido.
Miley é a brincalhona. Demi a palhaça que fazia todos rirem. Gostaria de me aproximar de pessoas assim... seriam bom voltar como era antes.
- Ai, já era... – disse Demi desviando o olhar para trás de mim.
Estávamos sentadas em um dos brancos do Campo de Relaxamento, junto com Fred.
Me virei e havia um garoto cercado por três rapazes um pouco mais velhos de Fred com o mesmo uniforme.
- Mais já? – reclamou Fred.
- Quem é ele? – perguntei confusa.
- É o Jared. – respondeu Miley, baixando a voz. – O filho do dono da clinica.
- Ele também é doente? – disse eu. – Quer dizer, tem problemas?
- É pora isso, ou melhor, para ele que a clinica foi criada. – continuou Miley. – E, desde o começo ele vem criando problemas.
Virei-me novamente para o garoto.
Ele vestia uma calça jeans branca e uma jaqueta de moletom azul com a toca sob a cabeça, os cabelos loiros espetados e rebeldes pouco amostra.
- Poe problema nisso. – reclamou Fred. – Eu adoro essa clinica, mas só de pensar que terei que agüentar ele eu já desanimo.
- O que ele tem? – perguntei, me voltando para as meninas.
- Ninguém sabe. – respondeu Demi. – Ele é muito descontrolado, não suporta que as pessoas nem mesmo toquem nele. Nós suspeitamos de algum tipo de fobia, mas... esta quase impossível saber. As vezes achamos que é louco.
- Louco acho que não é. – disse Fred.
- Sabe o que aconteceu dessa vez? – disse Miley.
- O que? – questionou Demi curiosa.
- Foram arrumar o quarto dele e mexeram naquele caderno dele. Sabe aquele com capa verde? – Demi assentia interessada. – E ele viu. Eu ouvi a confusão do meu quarto, e olha que é meio longuinho.
- As vezes eu penso que o pai dele vai mandá-lo para um hospício. – disse Demi.
- Ele quer. – contrapôs Miley. – Mas, quem não quer, é a futura madrasta do Jared.
- Mas ele não a odeia? – perguntou a de cabelos pretos.
- Odeia. Mas ela não. – Miley estralou os dedos.
- Onde você consegue essas informações? – perguntei surpresa.
- Boa pergunta. – disse Fred.
- Eu tenho minhas fontes. – Miley levou um cutucão de Demi. – Nós. Nós temos nossa fonte.
- Ontem ele tentou se matar de novo. – comentou Fred, atraindo a atenção de todas nós.
- De novo? – perguntei. – Ele já tentou isso?
- Nossa, muitas vezes. – disse Miley.
- Miley, não fale assim. – repreendeu Demi.
- Ele tentou cortar os pulsos. – continuou Fred. – Bem, ele não tentou, ele realmente os cortou. Quando nós demos falta dele, já estava quase morto no chão do quarto. Foi por muito pouco.
Miley tinha uma mão tapando a boca, como Demi e eu.
- Me dói ver ele assim. – Fred olhava para frente, os olhos vibrados. – Sinto tanta pena. A mãe morreu, o pai praticamente o aprisionou aqui para viver la vida loca com a nova namorada... presumo que a morte seja a única saída para ele de tudo isso.
- O que leva uma pessoa a tirar a própria vida? – perguntei incrédula.
- Quando uma pessoa percebe o quão futil sua vida é, ainda mais quando se descobre problemas e mais problemas emocionais, é só nisso que ela pensa. – dizia Demi hesitante. – Pensa que o mundo ficara melhor sem ela.
A olhei confusa.
- Como você tem tanta certeza? – também estava hesitante, prevendo uma possível resposta.
Ela me mostrou os pulsos quase cicatrizados.
- Pois é... – ela parecia envergonhada de seus atos.
Miley a abraçou amigavelmente por trás.
- Calma amiga. – dizia ela.
- Por que vocês estão aqui? – perguntei.
- Eu tenho problemas com... vícios. – disse Miley, soltando-se vagarosamente da amiga. – Um “amigo” meu apresentou-me as drogas, então, quando percebi oq eu estava fazendo para te-las me internei aqui. Por livre e espontânea vontade.
Ela sorriu ao final da frase, confortando Demi a falar.
- Sou bipolar. – começou Demi, ainda insegura. – Bipolaridade fraca, nas palavras de psicólogos e transtornos alimentares, mais precisamente bulimia. Eu tinha essa... obsessão em ficar magra.
- Não se culpe amiga. – disse Miley. – Foi culpa do bullying, não sua.
Demi sorriu.
- Eu já passei dessa faze de ficar me culpando. – ele riu, junto com Miley.
Suas risadas eram tão contagiosas que eu e Fred entramos na brincadeira.
Olhei desconfiada para elas, enquanto Miley limpada embaixo das unhas percebi que Demi ainda observava o garoto.
- O que foi? – perguntei.
- Não sei... – disse ela, sem desviar o olhar. – Eu só acho que ele precisa encontrar uma pessoa que possa ver o que ele esta passando. Você sabe, ver pelo ponto de vista dele. As vezes me pergunto: o que se passa por sua cabeça. Ele tem de achar a pessoa que consiga ver isso.
Desviei meu olhar para o garoto novamente.
Não era uma rapaz feio. Tinha os cabelos loiros, os olhos claros que refletiam ao longe, a face pálida com linhas delicadas, mas, ao mesmo tempo másculas.Sentado embaixo de uma arvore, apoiado na mesma. Agarrado a seu famoso caderno verde. Seu olhar era irritado. A testa contraída ao maximo, os lábios franzidos... percebia sua vontade de gritar e destruir tudo.
Demi tinha razão. Ele precisava de ajuda, mas da pessoa certa.
Espero que encontre-a logo.
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