Sweet Illusion
2 Chapter One - Star Eyes
Notas iniciais
Sweet Illusion
Chapter One
Star Eyes
Quarta-feira – 15 de Abril de 2015 – 09 horas e 34 minutos
Localização: High School Lawrence – Lawrence – Kansas
Nota: “Porque não podemos derrubar essas paredes, e mostrar as cicatrizes que estamos cobrindo.”
– Tudo bem com você? – o garoto de olhos de estrelas perguntara para Castiel, assim que o moreno já estava mais calmo. Sua mão continuava a delicadamente e carinhosamente, circulando as costas do Novak e seus lábios grossos trançavam um sorriso acolhedor, afável. Por alguns segundos, Castiel se perdera naquela beleza.
– S-Sim. – forçou a voz em sussurro quase inaudível, por sorte o garoto loiro estava perto de Castiel – ajoelhado ao seu lado, mais especificamente – e não tivera trabalho em entender as palavras quase mudas do moreno.
Logo as mãos do garoto de olhos de estrelas estavam separando-se da pele de Castiel, e o mesmo logo sentira a falta do contato, um frio percorreu Castiel onde antes as mãos do loiro estavam. Não demorou muito e o garoto de fios de ouro estava sentado ao lado do Novak, batucando com os dedos na madeira, alguma música que Castiel não sabia reconhecer.
– Sou Dean Winchester. – apresentou-se, com um sorriso. O agora denominado Dean, tinha o sorriso mais lindo que Castiel tinha visto, parecia ser tão puro – sem remorso, sem tristezas, sem saudades, só feliz – que o moreno não podia deixar de se encantar com a simplicidade daquele gesto.
– Castiel Novak. – antes mesmo que Castiel pudesse perceber, as palavras já haviam escapado de seus lábios. Ele sentia uma necessidade enorme em seu âmago de falar com o Winchester. Talvez pelo jeito relapso e zen. Ou da forma gentil e carinhosa que o acalentara. Não entendia, só sabia.
– É nome de Anjo, não é? – o loiro perguntara, curioso. Inconscientemente fizera um biquinho em seus lábios, cujo qual Castiel observara atentamente, antes de balançar a cabeça em sinal positivo, Dean sorriu pequeno – Combina! – exclamou e gargalhou quando um rubor tomou conta das bochechas de Castiel.
Não era muito normal alguém elogiar Castiel. Normalmente ele só era o problemático da família – esquizoide, louco, idiota, lesado. Tudo de ruim e mais um pouco.
– Então, Cass—Posso te chamar assim? – mal esperou uma resposta do Novak e continuara – O que estava acontecendo antes? – perguntou preocupado, seu timbre denunciava aquilo e Castiel não sabia dizer como o loiro demostrava tanta emoção em sua voz, principalmente com uma pessoa que acabara de conhecer.
O moreno se encolheu em seu lugar e voltou a balançar para frente e para trás, sem saber como responder. Ele não queria que Dean descobrisse sobre a sua doença, se ele descobrisse, provavelmente ficaria com receio de reaproximar-se de Castiel, mas Castiel havia gostado de Dean e não queria que ele se fosse embora.
Sem que tivesse percebido, Castiel estava apertando o sobretudo em seu corpo, com força, ao ponto de seus dedos antes avermelhados, ficassem branco-amarelado, lágrimas banharam seus olhos azuis, escorrendo sem dó ou piedade. Grossas e constantes.
– Hey, Anjo, não chore! – o Winchester pediu, sua mão fora para o queixo de Castiel, com cuidado e zelo, erguendo-o para cima e revelando aquelas safiras brilhantes, agora umedecidas pelas gotas cristalinas de seu choro. Secou-as com os polegares – Desculpe-me, eu deveria ter ficado quieto. Eu não quis te magoar. – Castiel decidiu que preferia muito mais o sorriso relapso e contente nos lábios do Winchester do que o sorriso triste que nascera no canto da boca.
– Tudo bem. – hesitante, encostou suas mãos sobre as de Dean, retirando-as de seu rosto. Dean voltou a dar aquele sorrisinho tímido e puro que ele tinha. Os olhos de estrelas ficavam muito mais bonitos e brilhantes daquele jeito. Castiel gostava dos pontinhos brilhantes que era abrangido dentro daquele olhar.
– Então Cass, o que está fazendo aqui nesse horário? – Dean mudou de assunto, tentando não deixar o moreno novamente triste. Ele gostava da inocência do olhar de Castiel e gostava do jeito temoroso que ele fazia as coisas, davam-lhe uma aparência frágil, dava a Dean, uma vontade imensa de protegê-lo de todo o mundo em um abraço reconfortante.
– Não sei. – Castiel deu de ombros, ele só queria perder a aula e vir para o seu lugarzinho secreto que descobrira a pouco mais de dois meses. Normalmente o lugar era sempre quieto e sempre que precisava ficar sozinho, ele iria para ali. Querer ficar sozinho... Castiel não queria mais aquilo depois de conhecer Dean – E você? – atreveu-se a perguntar, incerto.
– Não queria ver a aula, então vim para cá. – fez novamente aquele belo biquinho ao fim de sua resposta, e Castiel fitou aqueles lábios com atenção. Estava com uma louca vontade de mordê-los. Balançou a cabeça com o pensamento, corando, Dean percebeu e sorriu com um pouco lascivo.
O loiro voltou a batucar na madeira destruída, sempre deixando algumas farpas caírem, assim que seu dedo tocava contra a madeira corroída. Aquela música do Metallica estava a um tempão em sua cabeça. O silêncio se instalava à medida que o tempo ia passando, por sorte, era um silêncio confortável, tendo Nothing Else Matters como fundo.
Com o tempo, Castiel acabou dormindo e sua cabeça caiu para o ombro de Dean, que riu ao endireitar o moreno melhor sobre seu ombro, encostando-o mais confortavelmente sobre seu corpo.
Com cuidado, pegou um isqueiro em seu bolso e um cigarro no outro, acendendo-o e tragando da nicotina. A substancia o deixava entorpecido e ajudava-o menos estressado. Tomou cuidado para que a fumaça não fosse na direção de Cass e entre um tempo e outro, já havia ido um pouco menos de uma cartela.
Olhou no relógio — que estava em seu pulso — as horas, constatando que dentro de poucos minutos tinha de ir embora. Não poderia ficar muito mais tempo ali. Murmurou algumas coisas incoerentes, dando mais uma tragada no doce vício da nicotina. Não queria acordar Cass e muito menos deixa-lo. No entanto, não tinha mais tempo.
Levantou-se e com cuidado, segurando a cabeça de Castiel e tento um vislumbre daquela face perfeitamente inocente, encantadora. Sorrindo carinhosamente, retirou o casaco de couro de seu corpo – revelando cicatrizes espelhadas por toda a extensão de seu braço – e colocara no chão, esticada. Repousou o corpo de Castiel por ali – que acabou se mexendo na ação, sentindo falta do contato com Dean – e dando um beijo terno na testa do moreno, saiu.
Gostaria de poder falar com o Novak outro dia – sua jaqueta ali deixada era uma prova de que iria retornar.
***
Quarta-feira – 15 de Abril de 2015 – 12 horas e 17 minutos
Localização: High School Lawrence – Lawrence – Kansas
Nota: “Ele o aceitava com todos os defeitos, algo que nunca pensou ser possível.”
Castiel acordou com o falatório alto de alunos, gargalhadas, gritos e animações. Soltou alguns muxoxos incoerentes, querendo cobrir sua cabeça com o travesseiro. Até lembrar-se que não estava em sua casa e que não tinha um travesseiro no momento. Estava na escola, com Dean – ou ao menos estava.
Abriu seus olhos azuis e rodou seu âmbito inteiro a procura do garoto de olhos de estrelas, mas não o achou. Provavelmente tinha ido embora, sem nem se quer despedir-se – como praticamente todas as pessoas na vida do Novak.
Queria chorar, havia gostado de Dean! Não queria que ele fosse embora, se estivesse acordado com certeza pediria para o Winchester ficar mais um pouco – e uma vida toda. O loiro seria a única pessoa que Castiel imploraria para que ficasse. Por quê? Não sabia dizer, só queria fazer.
Estava quase chorando quando reparou que abaixo de si, amaçado, estava o casaco de couro marrom do loiro. Levantou-se com urgência e pegou a peça de roupa em suas mãos, com cuidado e delicadeza, como se fosse nuvens que poderiam desfazer-se ao menor dos toques.
Apertou o tecido com força em suas mãos, e um sorriso — tímido, meio relutante, com medo de se formar – nasceu em seus lábios, sem que se quer percebesse. Dean voltaria para pegar sua jaqueta, não é?
***
Quarta-feira – 15 de Abril de 2015 – 21 horas e 46 minutos
Localização: Casa dos Novak’s – Lawrence – Kansas
Nota: “Ele é raro sabe? Ele carrega o mais belo punhado de estrelas em seu olhar.”
Castiel estava abraçado fortemente com aquela jaqueta de couro. Ela tinha um cheiro bem parecido com o de Dean — nicotina, álcool e baunilha. E moreno gostava da mistura desses três sabores. Era bom e era único.
O Novak fechou os olhos, lembrando-se do loiro. O sorriso tímido, relapso e zen. Os olhos de estrelas. As sardas salpicando as bochechas. A boca que parecia ser tão convidativa como mel – e Castiel adorava mel. O moreno queria ter certeza se aqueles lábios realmente tinha gostinho de mel.
Pensativo – e com um sorriso bobo nos lábios -, pegou de baixo da cama, uma mochila velha e desgastada, onde guardava seus lápis de cores, giz de cera, tinta guache e outros matérias de pinturas, também arrancou de lá, um caderno com folhas brancas e grossas.
Um lápis preto fora o primeiro utensílio que usara, fazendo traços e sombras, a seguir a primeira arte estava pronta, canetas contornando e dando realce ao desenho, logo após uma mistura de verdes, amarelo-esverdeado, preto, marrom e prata deram cor aos traços bem feitos.
Quando acabara era lá para duas da manhã, mas não se importava, estava feliz com o que havia feito. Belos olhos de esmeraldas que tinham uma galáxia em seu interior, amontoado de grossos e belos cílios negros.
Desenhara os olhos de Dean – olhos esmeraldinos salpicados com os mais singelos e complexos corpos celestes.
Pela primeira vez em anos, Castiel dormiu sorrindo, ao invés de ser banhado por suas próprias lágrimas – ou como muitas vezes, seu próprio sangue.
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