Sweet Fall
1 Sweet Fall with you
Notas iniciais
Espero que gosten
Nessa fria noite de outono eu só conseguia pensar nela, o ar que eu respirava era cortante sob meu peito, e as lágrimas tinham um gosto amargo como fel e fazia com que eu repassasse em minha mente tudo o que vivemos juntas.
Sai sem rumo pelas ruas, mesmo tendo passado tantos anos, eu percebo que ainda não superei por completo esse nosso amor adolescente, tola eu que achei possível esquecer alguém que habita em meu coração.
A grama que é de um verde vivo parecia-me quase negra por conta da total escuridão, tudo perdia-se o foco por conta de lágrimas excessivas. Ascendi um cigarro, em uma tentativa falha de acalmar-me, traguei-o lentamente. Perdi-me pelas ruas que pareciam sem forma, virei mais uma esquina e vi uma boate no outro lado da rua, entrando sem pestanejar pedi ao barman umas doses, virando cada uma rapidamente, e ao longo que as músicas tocavam eu tentava ignorar meus sentimentos, meus olhos marejados de uma profunda escuridão vagavam pela pista de dança, eu não tinha forças para dançar e sim, apenas, para observar.
Estava um pouco tonta por conta do álcool ingerido, levantei-me e fui ao banheiro lavando meu rosto com suavidade, com olhar fixo em meu reflexo no espelho eu tentava decifrar meu futuro, então me sentindo sem rumo cerrei os punhos. Um barulho me despertou, olhos penetrantes surgiram atrás de mim percorreram meu corpo e pararam em meus olhos, fecho-os dizendo que aquilo era só uma miragem.
— Jenie? — Senti seus dedos em meu braço, o calor de sua pele sob a minha. Abri meus olhos e virei-me lentamente, ali estava ela, não era minha imaginação.
— Noah, eu... – Não sabia o que dizer à ela, não tinha explicação para tudo o que aconteceu. Lágrimas apareceram em seus olhos, comecei a chorar também. – Noah, me perdoa.
Ela caiu em meus braços chorando, abracei-a com força e beijei sua cabeça, ela sempre fora como um pedacinho de mim, me arrependo tanto do momento de decidi desaparecer assim, sem nem ao menos me despedir. Com o tempo fomos nos acalmando, as lágrimas cessando, tínhamos muito o que conversar.
Convidei-a para ir até minha casa, assim poderíamos conversar melhor, ela aceitou depois de alguns torturantes segundos de silêncio, pegamos um táxi e não dissemos nem mais uma palavra, seu olhar era indecifrável e eu estava quase deixando meu coração sair pela boca, demoramos pouco menos de meia hora para chegar à minha casa, não consigo acreditar que andei tanto sem nem ao menos perceber.
Entrando em casa, podia perceber que ela sentia-se como uma intrusa, sentamo-nos no sofá, meu olhar perdido em seus olhos, pensando no que dizer.
- O que aconteceu Jenie?
- Tantas coisas nos últimos tempos Noah, não confiava mais nem em minha própria sombra, eu fugi por medo...
- Medo do que? – Gritou ela com raiva, não poderia esperar menos.
- Nós brigávamos o dia inteiro, não conseguíamos mais ficar perto uma da outra, nós tínhamos incertezas, desconfiança, nada estava se encaixando. Eu fui covarde tá legal? Eu preferi o caminho mais fácil, não pensei nas consequências. Nunca pensei que poderia piorar do jeito que piorou, você esteve em meu coração todo esse tempo Noah, eu não consigo mais parar de pensar em você.
— Foram os dois piores anos da minha vida, sabia disso? – Voltou à chorar, segurei-a em meus braços por mais um tempo, não sabia muito o que fazer ou dizer.
Entre lágrimas e desabafos nós passamos horas conversando, e algumas vezes parecia que nada havia mudado. O destino é tão engraçado, nos prega tantas peças, mesmo eu tendo mudado de cidade, ela acabou se mudando para o mesmo lugar que eu, mal conseguia acreditar nisso. Seus cabelos estavam caídos sobre seu rosto, ela conversava de cabeça baixa agora, parecia estar na defensiva.
— As coisas podem ser diferentes agora, podemos fazer isso juntas – Disse pegando em sua mão, ela apertou os olhos e levantou-se bruscamente
— Não Jenie, você não pode simplesmente desaparecer e depois fingir que nada aconteceu, aparecer assim me dando carinho e pedindo perdão. Não fui feita para você brincar.
- Noah... – Fui incapaz de continuar, apertei de leve sua mão e abaixei a cabeça, não tinha o que dizer para ela, não depois de ter deixado ela sozinha.
- Deixe-me pensar – Ela disse com os olhos, ainda, marejados. Saiu correndo em direção à porta, e eu sai correndo atrás dela chamando pelo seu nome, mas ela parecia não me ouvir
- Noah, cuidado! – Gritei, um carro vinha em sua direção, ela não teve tempo de desviar. O motorista, covarde, foi embora, nem ao menos se preocupou.
Fui até ela, ela não estava muito ferida, apenas alguns arranhões. Peguei-a no colo e nós voltamos para casa, o silencio pairava sob nós. Coloquei ela em minha cama, comecei à limpar os machucados e fazer os curativos.
- Obrigada Jenie.
- Você está bem pequena? – Disse olhando em seus olhos deixando-a tímida, parecia que havíamos voltado aos nossos quatorze anos de idade. Ela assentiu com a cabeça, terminei os curativos.
Fui à cozinha pegar algo para a gente comer, era como se um filme passasse em minha cabeça, cada vez que olhava em seus olhos eu me perdia por completo, não quero deixar ela escapar novamente, não posso cometer esse erro outra vez. Peguei a bandeja e levei para ela na cama, havia feito sanduiches e suco. Acabamos de comer, eu não sabia o que falar, coloquei a bandeja no chão e dei um beijo em sua testa.
- Perdoa-me. – Disse mais uma vez naquela noite, mas ela não respondeu. Passaram-se os minutos e continuávamos com o olhar fixo uma na outra, não pude me conter, selei nossos lábios.
O tempo parou, o ar ficou adocicado como o cheiro de seu perfume e nossos corações batiam como um só. Passei minha mão em sua nuca em um beijo intenso, o amor era visível em cada gesto que fazíamos, terei seu vestido e beije-a pelo corpo todo, ela com sua vez retribuindo os meus gestos com ternura. Deitou-se por cima de mim, levando-me à loucura. Quando tudo acabou, assim como a noite toda, estávamos sem falas, beijou-me novamente.
- Eu amo você. – Disse abraçando-a.
O ar estava leve, minha cabeça descansava em seu peito enquanto ela fazia cafuné. Ficamos ali quietinhas, aproveitando esse tempo juntas sem saber o que o futuro nos guardava, a única certeza que tínhamos era que nosso amor nunca irá morrer. Adormeci em seus braços agradecendo por ter mais um outono ao seu lado.
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