Sweet End
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Stefan? Como assim? Levantei-me de súbito, olhando em volta. A cama estava toda desarrumada, o edredom no chão, as cortinas estavam abertas para o jardim, e lá fora, se via uma ambulância ligando suas sirenes e partindo rumo ao hospital, obviamente.
— Bella, o que está havendo? – perguntei a nossa empregada, Isabella.
Ela parecia estar um pouco perturbada, e lágrimas ameaçavam cair de seu rosto...
— Fale mulher! – ela respirou fundo e me encarou nos olhos.
— H-hoje de manhã, quando cheguei aqui para arrumar a casa, vi na geladeira que havia um bilhete, acho que do Sr Stefan... Não havia assinatura nem nada... Nele estava escrito para mim acordá-lo hoje mais cedo... – sua voz começou a ter espasmos – Eu subi até este quarto, e no topo das escadas comecei a ouvir alguém se engasgando, e então um barulho mais alto atingiu-me... Parecia que alguém havia caído, ou algo assim, e logo depois, comecei a ouvir gemidos de dor... Bati na porta e a abri... – um soluço ameaçou escapar de seus lábios – E então vi o Sr Stefan no chão, tossindo muito... A primeira coisa que fiz foi ajudá-lo a se levantar. E então, após ele estar novamente deitado na cama, desmaiou... – lágrimas escorreram por seu rosto – Liguei para a emergência e eles o vieram buscar... – olhou-me nos olhos após respirar fundo – Não sei o que houve com ele, senhor.
Num átimo, peguei meu terno que estava pendurado no armário, os primeiros sapatos que vi em minha frente e a chave do carro. Em questões de segundos, já estava virando a curva do hospital de Forks, depois de ter me vestido em meio a curvas perigosas e a minha direção absurda.
Adentrei o hospital a passos largos, olhando atentamente para os corredores, a fim de ver se Stefan se encontrava em algum deles...
No final de todos aqueles corredores – nos quais vi diversas pessoas, menos Stefan – havia uma sala de recepção. Olhei no crachá da atendente. Ângela.
- Senhorita Ângela, onde está o paciente Stefan Salvatore? – perguntei firme e exigente.
— Hm, no quarto número oito. – já estava na metade do corredor quando a ouvi dizer. – Deixe-me só confirmar...
— Por favor, de pressa... – pedi.
— Sim, é este mesmo! Quarto número oito, Senhor Cullen.
— Obrigado... – murmurei baixinho, mas acho que ela nem ouviu, o que não me importava; só queria chegar logo perto do meu amor...
À longas passadas e empurrando quem estivesse em meu caminho, consegui chegar até onde queria.
Bati na porta e a abri com o cartão. Adentrei o quarto e fiquei paralisado, só conseguindo olhar. Olhar e não acreditar na cena que estava diante de mim. Stefan estava ligado a fios e mais fios, aparelhos zuniam e duas bolsas, uma de sangue e outra de soro, estavam ligadas a cada braço dele. Seus olhos estavam fechados e sua aparência não estava como à de uma semana atrás. Fiquei aflito, porém não sabia o que fazer. Sua imagem debilitada me machucava, me deixava louco, frustrado... Impotente.
— Sr, me desculpe, mas não pode entrar aqui sem nenhum equipamento, por favor, se retire. – no começo nem a olhei, meus olhos estavam parados em meu amor. Olhei para uma baixinha de cabelos curtos que usava uma máscara de ar e só consegui balbuciar algumas coisas...
— P-por quê? P-preciso saber o q-que e-ele tem...
— Não, agora não Sr. Informe-se na recepção, e assim que eles lhe liberarem o cartão... – ela olhou para mim e depois para seus colegas de trabalho, pensando em algo... Virou-se para mim e fez um sinal para que eu a acompanhasse até lá fora; saímos e ela fechou a porta.
Respirei fundo, olhando além da grande janela que havia em minha frente...
Voltei minha atenção à moça, e lhe respondi calmamente.
— Eu fui à recepção, perguntei pelo paciente e Ângela me deu o cartão... – mostrei-o para ela.
— Hm, falarei com a direção do hospital, depois... O Sr. Jamais que poderia ter entrado neste quarto... O Sr. É parente do Dr. Salvatore?
— S-sim... – respirei fundo e fui firme — Sou o namorado dele.
— Ah, sim, então o Sr. é o Dr. Cullen, certo?
— Exato.
— Bom, venha até meu consultório... O Sr. deve querer saber o que há com o Sr. Salvatore...
— Sim, claro. Vamos...
— É por aqui... – retirou a máscara e seguiu por outro corredor. Adentramos numa sala que tinha em sua porta as inicias A.G.
A baixinha retirou todo seu equipamento e sentou-se em sua cadeira.
— Sente-se, por favor, Sr. Cullen.
— Edward. Me chame de Edward. – disse ao sentar-me na cadeira.
— Ok... Bom, meu nome é Alice Gilbert e sou a encarregada de cuidar do Sr. Salvatore. – cruzou as mãos na mesa.
— Sim... Gostaria de saber o que ele tem... Por que está daquela forma... – fechei os olhos momentaneamente e os abri ao respirar fundo.
— Antes de lhe dar o diagnóstico completo, gostaria de lhe fazer algumas perguntas...
— Tudo bem... – assenti.
— Muito bem. – pegou uma pasta em uma de suas gavetas e a abriu. – O paciente trabalha em arquitetura, certo?
— Sim. Ambos trabalhamos com arquitetura.
— Ah, sim. E ele, ou vocês dois, estiveram fazendo algum trabalho fora... Como Austrália, Vietnã... ?
— Na verdade, sim. Voltamos neste domingo da Austrália... Eu de férias e ele fazendo o projeto de uma casa no litoral... mas... por que?
— Sr. Cullen... A Melioidose é provocada pela bactéria Burkholderia, e apresenta letalidade muito elevada os casos graves. A bactéria transmissora da doença está presente no solo... O contágio ocorre através da exposição ao solo e água contaminados. A doença foi registrada pela primeira vez no mundo em países como Austrália e Vietnã... É uma doença rara, Sr. Cullen, portanto ainda não há um tratamento para ela... Nem chance de cura. – suspirou, olhando em meus olhos, já marejados. – Acreditamos que o Sr. Salvatore tenha sido contagiado com melioidose.
— M-mas... Não! Como assim? Ele... Ele não vai se curar? Tem que ter um jeito! Fora do país, então? Tem que ter um jeito... por favor... – a vaga impressão de que eu nunca mais teria o meu Stefan passou pela minha mente, causando-me um transtorno irremediável.
— Sr. Cullen...?
Olhei em seus olhos preocupados.
— O Sr. Mencionou que foi para a Austrália também, de férias... Chegou a ir ao local de trabalho do Sr. Stefan?
Minha testa enrugou-se. O que isso teria a ver? Nenhuma importância...
— Sim...
— Então, por favor... – levantou-se rapidamente, colocando novamente seu jaleco, touca e luvas – vamos para a área de exames.
— O quê...? – e foi aí que eu percebi... Eu também poderia ter sido contaminado. Sorri com a possibilidade... Iríamos juntos. Se fosse para partir, que pelo menos partamos nós dois de uma vez... – ah, claro. Vamos...
Acompanhei-a até a tal sala, onde me fizeram uma bateria de exames, e como a precisão do resultado era imediata, saí da sala, indo à outra para ver os resultados.
Sentei-me novamente na mesma cadeira do consultório da Dra. Alice. Com sorte, eu também teria essa doença... Tudo bem que ainda não apresentou nenhum sintoma, mas... Logo apareceria... Poderia ser um caso diferente... com efeitos mais lentos. Eu estive no mesmo lugar que ele, na mesma data... Obviamente teria esta doença também. Óbvio...
— Pronto, Sr. Cullen? Tem certeza que quer saber o resultado agora?
— Sim... claro.
— Então tudo bem... – pegou vários envelopes que haviam em sua prancheta e os abriu com um estilete. Começou a ler, fazer contas na calculadora e comparar números... Estava me deixando ansioso. Abaixei a cabeça, juntei as mãos e deixei minha mente vagar...
Ouvi um suspiro e levantei meu olhar rapidamente. Dra. Alice continha no pequeno rosto, uma expressão mista... parecia aliviada, preocupada e um pouco curiosa.
— De acordo com os exames, Sr. Cullen, o Sr. não foi contaminado com a Melioidose.
— O quê? Mas... eu estive no mesmo lugar que ele! Por que não eu?
Ela fez um ruído com a gargante.
— Queria ter sido contaminado? O Sr. tem idéia do que está falando? É uma doença sem cura. Irremediável. Letal. – acho que ela percebeu um pouco depois que suas palavras haviam me afetado. Irremediável. Meu Stefan não iria se curar. Lágrimas rolaram pelo meu rosto.
— Desculpe-me... Não medi minhas palavras... – desculpou-se.
— Não... Tudo bem... Posso vê-lo, antes de...?
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