Notas iniciais
Sofri de bloqueio criativo nesse capítulo! Mas deixem review mesmo assim, please?

Meus dias de contos de fada terminaram e logo estávamos na estrada para mais uma etapa da turnê, mas que dessa vez aconteceria por várias cidades dos Estados Unidos.

Depois de passar por Miami, Orlando e Washington, chegamos em Nova York para dois shows na cidade e minha rotina não era muito diferente de quando eu era babá: meninos em entrevistas, eu e Clara cuidando das crianças e explorando a cidade com agora meu olhar de fotógrafa.

No primeiro dia em Nova York, Anthony e Flea foram para uma entrevista, enquanto eu, Josh e Everly saímos para conhecer a Estátua da Liberdade.

– Ontem a Vero me ligou ... – Josh foi dizendo enquanto eu tirava algumas fotos de Everly. — ... ela ta pensando em vir morar aqui nos Estados Unidos.

– Mas que ótimo, Josh! Vocês vão poder passar mais tempo juntos! – eu vibrei de alegria com a noticia.

– É ... – ele respondeu meio cabisbaixo.

– Que foi? Achei que você tinha ficado feliz com a notícia.

– Não, eu fiquei. – ele coçou a cabeça. – É que a idéia dela vir morar aqui me assusta um pouco, sabe?

Fiz cara de quem não estava entendendo nada e ele continuou.

– Eu tenho medo! Ela vir morar pra cá é um passo a mais pra ...

– Pra?

– Pra ... – ele abaixou a cabeça. — ... pra casar, você não acha?

Tentei segurar a risada e apenas sorri, achando graça do medo de Josh de ter um compromisso mais sério com Verônica.

– Josh, geralmente quando a gente começa a namorar, a gente quer algo mais sério. Você não pensa nisso, em casar com a Vero? – perguntei enquanto nos encostávamos numa mureta.

Ele corou um pouco e me respondeu de cabeça baixa:

– Claro que penso! Eu quero casar com ela, mas tenho medo de não ser um bom marido, um bom pai. E quase não passamos muito tempo juntos, por causa da distância, tenho medo dela se decepcionar comigo, sei lá.

De algum modo, comecei a achar essa insegurança dele uma coisa tão fofa que não resisti e tive que abraçá-lo.

– Ai, Josh! Por que vocês não moram juntos antes de decidirem qualquer coisa? – eu sugeri depois do abraço. – Acho que vai ser uma experiência boa, saber como vocês se dão convivendo 24 horas juntos.

Ele sorriu e parecia que ele gostou da idéia:

– Liga pra ela e conversa sobre isso, de vocês morarem juntos, aí você vai sentir como as coisas vão ser. Conhecendo a Verônica de longa data, tenho certeza que ela vai adorar a idéia

– Mari, eu nem sei como te agradecer! – ele corou depois de me dar um beijo no rosto.

– Mas eu sei!

– Como? – e seus olhos estavam brilhando.

– Pague um sorvete pra mim! – eu disse e ele riu.

– Eu também quero, Mari! – Everly puxava a barra da minha blusa e peguei-o no colo, seguindo para a sorveteria mais próxima.

Sentamos numa mesa do lado de fora, curtindo o dia ensolarado de Nova York, eu ajudando Everly a tentar se lambuzar o menos possível com o sorvete quando Josh me cutuca:

– Ei, ta vendo aquela ruiva ali naquela mesa? – ele apontou para umas quatro mesas depois da nossa. – É a jornalista do Chad!

– Daquela vez em que ele sumiu depois do show, igual você e a Vero?

Josh corou ao lembrar das escapadas dele e concordou com cabeça, e nesse momento eu percebi a possibilidade de tentar encontrar um par para Chad. Pedi para Josh cuidar de Everly por alguns instantes, peguei um bloco de notas da bolsa, anotei o endereço do hotel numa caligrafia correndo e me dirigi até a mesa da jornalista.

– Oi, com licença! – fui pedindo quando me aproximei e ela se assustou. – Você é amiga do Chad Smith, não é?

Os olhos verdes dela brilharam quando eu disse o nome dele e algo me dizia que eu estava no caminho certo.

– Sim, eu sou. Me chamo Deborah, mas pode me chamar de Debbie. – ela fez sinal para eu me sentar mas recusei o pedido. – Posso ajudar?

– Sim, pode sim! É que ele me pediu pra te entregar o endereço do hotel em que ele está hospedado, ele está na cidade para dois shows, fica até depois de amanhã por aqui. – respondi enquanto entregava o papel e pude perceber o seu sorriso ao ler o endereço.

– Obrigada! – ela respondeu. – Estranho ele não ter me ligado ...

– Ele perdeu seu telefone! E foi muita sorte te encontrar aqui, pois ele queria muito falar com você, mas não sabia como! – menti na tentativa de que ele caísse na minha conversa.

– Pode deixar, vou procurá-lo! Mas ei, eu te conheço! Você é a esposa de Anthony Kiedis, não é? A babá que virou a Sra. Kiedis!

Senti meu rosto arder em brasa e por mais que todos digam que eu vou me acostumar com esse assédio, isso ainda me incomodava.

– Sim, eu mesma! – respondi sem graça.

– Será que você me concederia uma entrevista, contando sobre a sua vida e como conquistou o coração de Anthony? – seus olhos brilharam e ela tirou um gravador da bolsa.

– Ai, desculpa, Deborah, mas ainda não estou preparada pra isso!

– Oh! Tudo bem! Fique com o meu cartão. – ela estendeu um cartão de visita com seus dados de contato. – Quando você estiver a vontade para falar, não hesite em me procurar!

– Tudo bem! Pode deixar! – peguei o cartão e coloquei no bolso da calça. – Bom, obrigada e até mais!

Voltei para a mesa e Josh não entedia nada do que eu fiz e quando expliquei a ele o meu plano, ele começou a rir.

– Deixe de ser fotógrafa e vire cupido, Mari!

Chegando ao hotel, Everly estava cansado e deixei-o dormindo no quarto e fechei a porta conjugada que dividia o quarto dele com o meu e Tony.

Eu tinha acabado de deitar na cama quando a campainha toca e me levanto para atender, e ao abrir a porta, uma visita que eu não sabia se era agradável ou não:

– Oi, Mari! Lembra de mim?