Sweet Emotion Parte 2
29 Capítulo 29
Notas iniciais
Estacionamos o carro perto da mesma cafeteria em que tive meu encontro com Heather, meu coração batendo tão rápido que eu quase podia ouvi-lo.
- Preparada? – Verônica me perguntou assim que paramos o carro.
Suspirei, revirei a bolsa e conferi pela décima vez se o porta-óculos estava lá:
- Sim, e você, Vero?
Agora era a vez dela revirar a bolsa:
- Sim! Agora vamos, Mari! Vai acabar tudo bem!
Saímos do carro e nos dirigimos até a cafeteria e Heather estava sentada na mesma mesa de dias atrás, folheando uma revista de fofocas, os óculos de sol sobre a cabeça e seus cabelos presos num coque:
- Mas você não disse que traria uma amiga, Mari! – ela disse assim que nos sentamos.
- Eu fiz questão de ter uma testemunha, Heather. – respondi enquanto colocava a bolsa e o porta-óculos sobre a mesa.
- Não confia na minha palavra, Mari? – Heather disse sorrindo.
- Isso não vem ao caso! – respondi sorrindo da mesma maneira. – Mas antes de chegarmos ao assunto de fato, eu queria saber se caso eu conte pro Anthony sobre tudo, você realmente seqüestraria o Everly?
- Mas é claro, Mari! Se eu quase fiz uma vez, não me faltaria muito pra fazer de fato!
- Você não seria capaz, Heather! Nós sabemos que você não iria muito longe daqui sem uma autorização por escrito do Tony! – um garçom se aproximou com o cardápio e eu apenas recusei com a cabeça.
Verônica pediu uma água com gás e Heather pediu um pedaço de torta de maçã, assim que o garçom saiu retomamos a conversa:
- Ah, eu consigo sim, queridinha! Do mesmo modo que eu consegui da primeira vez! – ela disse enquanto apertava os olhos pra mim.
- E como foi? Quero dizer, os detalhes de como você conseguiu, afinal, você só disse pro Anthony que seu irmão ajudou, mas como ele te ajudou?
Heather soltou uma risada, tirou os óculos e colocou sobre a mesa:
- Meu irmão trabalha num grande companhia aérea, Mari. Não foi nada complicado conseguir que ele me deixasse entrar naquele avião usando uma autorização antiga do Tony.
Eu arregalei os olhos de surpresa:
- Ele falsificou o documento, se é isso que você está assustada, Mari! E ele pode fazer isso quantas vezes mais, por isso eu digo que sim, eu posso viajar com o Everly quantas vezes eu quiser! Posso viajar o mundo inteiro com ele, Mari! – ela parou de falar assim que o garçom trouxe os pedidos e logo voltou a falar. – Por isso eu digo que não é uma ameaça, Mari! Isso pode de fato acontecer, só depende de você largar o Anthony. Alias, é pra isso que você marcou esse encontro, não é mesmo? Pra me dizer que vai deixar o caminho livre pra mim?
- Seu irmão também falsificou a assinatura do Tony? – Heather se assustou com a pergunta de Verônica.
- Sim! Desde os tempos de escola, em que nossos pais precisavam assinar o boletim que Tom faz isso. – ela respondeu encarando Vero. – E com o tempo e a prática, veio a perfeição!
Ao dizer isso, parecia que ela estava se gabando do feito do irmão:
- Mas Mari, quero ouvir de você: quando você vai deixar aquela casa? – ela virou o rosto pra mim, sorrindo.
Eu sorri do mesmo jeito e agora o sorriso dela era torto:
- Heather, você já imaginou se o que você acabou de nos contar viesse a público?
Ela deu uma risada escandalosa e algumas pessoas a nossa volta nos olharam.
- E como você provaria tudo isso que eu disse? Com a presença da sua amiga? – ela apontou o dedo para Verônica e deu uma risada sarcástica. – Me poupe, Mari!
- Não, não, Heather, você não está entendendo! – me aproximei dela. – Está vendo esse porta-óculos sobre a mesa? – e apontei para o objeto e ela apenas acenou com a cabeça. – Então, Debbie, a noiva do Chad, é repórter e me emprestou um dos instrumentos de trabalho dela: dentro dessa caixinha tem um gravador, que por coincidência está ligado desde o momento em que nos sentamos nessa mesa.
Heather agora estava pálida e imediatamente correu a mão para pegá-lo, mas eu dei um tapinha sobre a mão dela e ela tirou rapidamente:
- Ei, ei! Nada disso! Bem que a Debbie me avisou que essa seria a sua primeira reação. Bom, se quiser, pode pegar: na bolsa da Vero tem outro gravador, então, fique a vontade!
- Falando na Debbie ... – Verônica interviu. – ... dá um tchau pra ela, ela tá ali do outro lado da rua!
Heather virou o olhar para a calçada do outro lado da rua e Debbie estava parada ao lado de uma lata de lixo com uma câmera fotográfica dando alguns cliques na nossa direção:
- Você está me chantageando, Mari? – Heather agora estava vermelha e seus lábios tremiam de nervoso.
- Você me ensinou que todo mundo tem um ponto fraco, Heather! – eu segurei na sua mão e ela ficou mais vermelha. – E o seu é a mídia, não estou certa?
Fale com o autor