Sweet Emotion
20 Capítulo 20
Notas iniciais
Chegando ao hotel em Barcelona, não encontramos ninguém: Anthony e Flea foram para mais uma maratona de entrevistas e Clara estava passeando com as crianças.
Minha intenção era convidar os meninos para uma volta pela cidade, mas o nosso cansaço falava mais alto e cada um se trancou a tarde inteira em seus quartos.
Enquanto eu terminava de desfazer a mala, uma batida na porta:
– Pois não? – e um dos mensageiros do hotel estava parado com um enorme pacote na mão e um buquê de rosas na outra.
– Sra. Mariana Albuquerque?
– Sim, eu mesma.
– Pediram para entregar assim que a senhora chegasse. – e ele me estendeu o pacote e as rosas.
– Oh, obrigada! – e fechei a porta na cara do infeliz, ansiosa demais para saber se os presentes eram de quem eu pensava que fosse. Junto ao buquê, um cartão com uma caligrafia conhecida:
“Espero que seja do seu tamanho. Acho que vai realçar a sua beleza e também a sua tatuagem. Quero que você use hoje, temos um jantar especial. Com amor, Anthony.”
Abri desesperada o pacote, me fazendo lembrar de Everly ao abrir o presente do pai, e lá estava um lindo e decotado vestido na cor vinho, com uma enorme fenda nas costas e, realmente, minha tatuagem ganharia destaque com esse vestido.
Me deitei na cama, ainda recordando os bons momentos ao lado de Tony, a alegria de ter me acertado com Chad e ansiosa demais para o jantar.
Parecia que eu havia acabado de fechar os olhos para dormir quando escuto batidas na porta. Olhei para o celular para ver a hora, mas verifiquei duas chamadas perdidas do Tony. As batidas continuavam e eu me levantei da cama, meio sonolenta ainda.
– Ah, você ta aí! Por que não me atendeu? – era Anthony.
– Desculpa, eu tava dormindo e deixei o celular no silencioso, só vi agora. Entra. – e dei espaço para ele entrar no quarto.
– Te acordei, foi? Me desculpe. – ele beijou a minha testa.
– Tudo bem, Tony! Sem problemas. – e ele me segurava pela cintura, nossos corpos próximos novamente.
– Recebeu as minhas encomendas? – ele perguntou depois de um longo e demorado beijo.
– Sim, sim. Achei de muito bom gosto. Escolheu sozinho? – minha mão passeava pela sua nuca.
– Tive a ajuda da Clara, mas a decisão final foi minha. – deliciosas chupadas em meu pescoço começavam a me causar arrepios.
– O Chad veio conversar comigo enquanto esperávamos pelo nosso vôo. – e de repente os chupões cessaram, Anthony me encarava sério. – Ele disse que o Flea conversou com ele ontem, me pediu desculpas e entre outras coisas, disse que na realidade nunca sentiu algo por mim, sempre foi tesão, mas nada de amor.
– O Flea me disse que tinha conversado com ele, mas não imaginei que teria surtido efeito tão rápido. Bom, então tenho o caminho livre, não preciso mais me preocupar com ele, tenho você só pra mim. – e sua mão começava a brincar com o meu cabelo.
– Sim, sou toda sua. E você, é todo meu? – e entrelacei meus braços em volta do seu pescoço.
– Sim, de corpo, alma e coração. – e nossos lábios se encontraram novamente delicadamente, mas aos poucos os beijos se tornaram sedentos e violentos.
Anthony começou a me empurrar e por fim deitamos na cama, seu corpo pressionando o meu, seus beijos ora escolhiam minha boca, ora escolhiam o meu pescoço. Enquanto eu brincava com o seu cabelo, sentia sua mão descobrindo meu corpo, passeando por debaixo da minha blusinha, acariciando meus seios sem nenhum pudor.
– Que horas são? – ele parou os beijos de repente.
– Ahaaa. – e me estiquei para pegar meu celular sobre o criado-mudo. – São 18h40. Por quê?
– A reserva no restaurante é às 19h30. – e ele se levantou. – A gente precisa se arrumar, não tomei banho ainda, o Everly também não.
– Nããooo! – e puxei seu braço numa espécie de pedido de súplica. – Deixa esse jantar pra outro dia, fica aqui comigo!
Ele riu da minha situação e senti meu rosto corar.
– Calma, temos muito tempo juntos ainda. – ele me puxou para perto dele, seu beijo selando a promessa. – Te espero no saguão em meia hora, okay?
– Okay! – e acompanhei-o até a porta.
Tomei um banho rápido, finalmente coloquei o vestido e ele acertou no tamanho, mas confesso que me assustei com a abertura nas costas, era algo muito escandaloso, porém logo me acostumei com ele e até gostei do modo como exibia a minha tatuagem. Pra escandalizar mais, prendi o cabelo num rabo de cavalo bem alto.
Ao encontrar com Anthony no saguão, ele estava vestido com uma camisa, calça social e blazer preto, me deixando sem ar.
– Uau! – e ele me cumprimentou com um beijo. – Caprichei na escolha, não? Você está linda, Mari!
– Obrigada, Tony! Você também está lindo! Nunca te vi vestido assim. – e ajeitei o seu blazer.
– É para ocasiões especiais. – ele estendeu o braço. – Vamos?
– Mas e o Everly? – perguntei enquanto entrelaçava meu braço no dele.
– Está bem cuidado. – e achei vaga demais a resposta, mas achei melhor não perguntar mais.
O restaurante que Anthony escolheu ficava numa área bem tranqüila de Barcelona, era um sobrado de dois andares, com algumas mesas na sacada do segundo andar, que estavam vazias, mas no andar térreo era quase impossível de transitar de tanta gente que havia por lá.
O maitre do restaurante nos recebeu com muita simpatia e logo foi nos indicando que a nossa mesa estava reservada no segundo andar, pois se tratava uma área mais privativa do restaurante.
Subimos às escadas, Anthony logo atrás de mim e logo eu não conseguia enxergar muita coisa, as luzes iam diminuindo de intensidade, até se apagarem por completo no topo.
– Tony, não to enxergando nada. – eu falei, enquanto subia com cuidado degrau por degrau.
– Estou bem atrás de você. – e ele me segurava pela cintura.
Quando finalmente alcancei o pé da escada e entrei no salão, algumas velas nas mesas iluminavam o ambiente e uma gritaria ao mesmo tempo:
– FELIZ ANIVERSÁRIO, MARI!
E as luzes se acenderam e lá estavam todos com chapéus de aniversários, bexigas e tudo mais que se tem direito em um aniversário.
Tony parou ao meu lado e Josh surgiu com um bolo com velinhas acessas, ao mesmo tempo em que todos entoavam o “Parabéns a você.” Everly se soltou rapidamente do colo de Clara e veio correndo ao meu encontro, me dando um abraço apertado. Segurei-o pelo colo e ele me ajudou a assoprar as velinhas.
– Eu te mato, Josh! – falei assim que ele veio me cumprimentar.
– Não, mate o Chad, ele que espalhou pra todo mundo! Você mal virou as costas lá no aeroporto e ele sacou celular, contando pro Anthony, que contou para o Flea, aí você já sabe o resto, né? – ele riu.
– Chaaaaddddd!! – e gritei pra ele, que estava do outro lado do salão e ele apenas acenou com a mão.
Anthony e Josh acharam graça e riram.
– Não estou vendo graça nenhuma! – resmunguei e Anthony me abraçou.
– Se você continuar bravinha assim, não vai ter surpresa quando a gente voltar pro hotel. – ele sussurrou ao meu ouvido enquanto Josh se afastava.
– Surpresa? Que surpresa? – perguntei.
– Na hora certa você vai saber. – e ele me deu um beijo molhado.
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