Sweet Emotion

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Tá bobinha, mas espero que gostem. E por favor, review! =)

Eu era sempre a primeira a acordar naquela casa, mas nesta manhã foi diferente: ao chegar à cozinha, encontro Anthony de avental, preparando omeletes.

- Bom dia! Caiu da cama? – perguntei enquanto me aproximava do fogão.

- Na verdade, não consegui pregar o olho. – e ele apontou o prato sobre a mesa.

- Seria muita audácia a minha saber o motivo? – perguntei enquanto entregava o prato.

- Você foi o motivo. – e graças a Deus o prato já estava nas mãos dele, senão teria caído no chão e se espatifado.

- Como? – perguntei incrédula, procurando pela cadeira, minhas pernas amolecendo.

- Bom .. eu ... – ele não tirava os olhos da frigideira. – Eu estou preocupado com você, esses sonhos freqüentes com os seus pais. Amanhã vamos começar a turnê, você vai viajar pelo mundo com a gente, tenho medo de você entrar em depressão, algo do tipo.

Meu coração estava contente em saber que ele se preocupava comigo, mas ao mesmo tempo estava apertado, querendo contar toda a verdade pra ele, expor meus sentimentos.

Me aproximei dele, puxando-o pelo braço, pedindo para ele me olhar:

- Tony, agradeço a sua preocupação, mas eu já te disse, eu sei lidar com isso. Passei um ano morando na Europa, estou acostumada com isso. De vez em quando passo por períodos de saudades, mas logo passa, é só ocupar a mente, e acredite, inventar histórias para o Everly todos os dias ocupa bastante a minha mente.

Ele riu lindamente e por fim olhou nos fundos dos meus olhos e parecia que eu sentia a sua resposta nesse olhar: “Sim, eu acredito em você, Mari.”

- Okay. – e um forte suspiro. – Vamos esquecer isso, se você disse que basta ocupar a mente, a turnê vai ser excelente pra você.

- Com certeza! E matar a fome também seria excelente! – falei, tentando mudar de assunto. – E o Everly, quer que eu o acorde?

- Não, deixe ele dormir a vontade. Depois que ele acordou com o seu grito, foi difícil fazê-lo dormir novamente. – me senti culpada por isso, não pensei em nada agradável para responder.

Nos sentamos à mesa para o café da manhã, alguns minutos de silêncio, apenas o barulho de garfo e faca. Odeio esse silêncio, mas eu não sabia como começar uma conversa, pensei no clássico “será que chove?”, mas o sol lá fora não denunciava nenhuma chuva, até que finalmente o silêncio é quebrado.

- E seu namorado, como está? – Anthony perguntou, encarando o prato.

Suspirei. Não de saudades, mas de pesar, de culpa por não ter coragem de terminar esse namoro. Marcos e eu namoramos há quase 2 anos, nos conhecemos em Londres, onde nosso namoro começou. Voltei para o Brasil e depois decidi tentar a vida nos EUA, nosso namoro era à distância e ele se mostrava muito apaixonado por mim, mas eu já não sentia o mesmo por ele, eu ia levando esse namoro em banho-maria, sem coragem de terminar, ou pelo simples fato de ter me acomodado.

- Nossa, que suspiro foi esse? – ele me olhou, mas dessa vez era eu quem encarava o prato.

- Ah, ele ta bem, eu acho. Não falo com ele desde ontem.

- Ele ligou ontem, te procurando. Você não ligou de volta? – Anthony se mostrava espantado.

Outro suspiro.

- Não, não liguei. Não estava no clima.

- Ultimamente você não tem estado no clima. Brigaram?

- Não. Eu só acho que ... – será que eu conto a verdade?

- Acha que? – e ele se mostrou curioso.

- Acho que vou terminar com ele. – precisava desabafar com alguém e o escolhido tinha que ser justo Anthony?

- Hum. — e ele deu uma garfada num pedaço da omelete. — Nossa turnê passa por Londres, vai ser uma boa oportunidade para vocês se encontrarem e conversarem. Talvez nem precise terminar. Mas se for para o bem de vocês não ficarem juntos, talvez seja a melhor solução.

Agora eu encarava a janela da cozinha, o quintal dos fundos com uma grama verde e alguns brinquedos de Everly pela grama. Sua resposta só me deixou mais confusa ainda.

- O que você faria no meu lugar? – perguntei.

- Eu? – e ele se surpreendeu com a pergunta. – Bom, eu seguiria o meu coração. Tenho obedecido ele de uns anos pra cá, parece clichê, mas tem funcionado.

- Então é isso o que vou fazer, seguir meu coração. – me senti como na vez que tomei coragem para aprender a andar de bicicleta.

- E seu coração diz o quê?

- Na hora certa, você vai saber. – e me fiz de misteriosa.

- Promete me contar? De verdade? – e ele segurou na minha mão, acariciando-a.

- Prometo! – e ele apenas sorriu, daquele jeito lindo que só ele sabe fazer.