Sweet Emotion
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Everly havia acordado e Anthony decidiu surfar antes do horário previsto da reunião no “quartel-general”: era assim que eu chamava carinhosamente o pequeno estúdio na casa do Flea, já que os detalhes finais da turnê estavam acontecendo por lá.
Chegando à praia, enquanto eu lambuzava o pobre Everly de protetor solar, Flea chega com a sua filha, Sunny, também devidamente lambuzada de protetor.
- Oi, Mari! Como estamos hoje? – Flea me perguntou alegremente.
- Bem, bem! Ansiosa pra viajar com vocês, mas bem. – respondi.
- Você vai gostar, tenho certeza! Bom, você pode olhar a Sunny pra mim?
- Claro, sem problema algum! – e Sunny já estava com seu baldinho de areia em mãos e já percebi que seria mais um dia de castelos de areia.
Nos acomodamos na areia enquanto os rapazes surfavam. Entre uma onda e outra, um castelo de areia e uma história do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Sim, minha imaginação já havia se esgotado e tive que recorrer aos livros de Monteiro Lobato para acalmar os ânimos deles.
- Vamos, Sunny! Temos que ir buscar a sua irmã e depois almoçar! – Flea disse assim que voltaram de suas ondas.
- Mas eu quero ficar com a tia Mari! Ela vai contar a idéia da Emília para fugir da invasão das onças no sítio!
Flea olhava com seriedade para Sunny e ela sabia o que isso significava: pegou o seu baldinho cabisbaixa, deu um beijo em Everly e em mim e foi para junto do pai, segurando-o pela mão.
Por fim, Anthony se sentou ao meu lado, olhando o filho construir pela quarta vez um castelo de areia e destruí-lo alegremente. Ele me contava sobre os planos da turnê, os países que iriam passar e a satisfação de poder dar essa oportunidade ao filho de conhecer muitos lugares, quando um casal de idosos parou ao nosso lado:
- Que família linda! Deus abençoe vocês! – a senhora falou, cutucando o que deveria ser seu esposo.
- Sim, lembra a nossa, não é querida? Sua esposa é linda, meu rapaz! – e ele deu um leve tapa nas costas de Anthony. – Parabéns pelo filho! – e saíram, sem nos dar a oportunidade de dar uma resposta.
- Ficou vermelha? – Anthony perguntou, tentando segurar a risada.
- É o sol. – respondi, rindo demais.
- Bom, pelo menos aquele senhor tem razão: tenho uma “esposa” muito linda. – ele falou enquanto eu olhava pra baixo, mas logo ele colocou a mão no meu queixo e levantou o meu rosto, que eu sentia arder de vergonha. Não sei quanto tempo se passou, mas encarei seus olhos por vários instantes, e eu sempre tinha essa sensação que o olhar dele dizia mais que as palavras da sua boca.
- Bom, melhor a gente ir, né? – e fui me levantando, arrumando as coisas do Everly, tentando fugir do constrangimento.
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Chegando à casa de Flea, a reunião para os detalhes finais da turnê era uma verdadeira festa: sons de todos os lados, crianças correndo para todos os cantos e Clara, a filha mais velha de Flea, encarregada de registrar todos os momentos da turnê. Eu estava adorando aquele ambiente e a energia de todos era muito positiva, até do tímido Josh.
Eu estava embalada num papo em português com o Mauro, o brasileiro percussionista escolhido pelos Peppers para participar do CD e da turnê quando Chad se aproximou:
- Ah, Mari, você disse que ia ser minha professora particular de português, lembra? – ele foi segurando na minha cintura. – Promessa é dívida!
- Não esqueci não, meu querido! – e apertei mais forte sua mão na minha cintura. – A gente vai passar muito tempo junto, oportunidade pra te ensinar não vai faltar.
- Com certeza, não vai faltar! – e fui surpreendida por um demorado beijo no pescoço.
Sempre era assim com Chad, essas demonstrações gratuitas de carinho e eu nunca sabia quando ele estava sendo apenas gentil, se ele era afetuoso com todo mundo desse jeito ou se ele sentia algo por mim, mas era sempre assim: um beijo no pescoço, uma brincadeira com o meu cabelo, um abraço demorado.
- Ei, estou ficando com ciúmes! – gritou Anthony do outro lado da sala, enquanto Josh estava puxando alguns acordes de “Monarchy of Roses”.
Chad me apertou ainda mais e beijava meu rosto sem parar, só fazendo aumentar a sensação de bochechas vermelhas. Anthony fez uma cara feia e voltou para Josh.
- Parece que ele estava falando sério. – comentou Mauro.
- Bobagem! – Chad não se importou em dar outro beijo no meu pescoço e um flash quase me cegou.
- Clara! O que foi isso? – quase gritei, tamanha a minha indignação.
- Desculpa, não queria assustar. – ela se aproximou. – Mas é que a cena estava tão linda, vocês dois juntos. – e ela nos mostrava a câmera, a imagem de Chad dando um beijo no meu pescoço e sim, eu estava sorrindo na foto, um sorriso muito espontâneo e feliz.
- Também acho, somos lindos juntos. – e Chad não pareceu se importar em aumentar o tom da voz, para que qualquer um ouvisse. Olhei para o outro lado da sala e meu olhar encontrou com o de Anthony, um olhar triste que eu queria esquecer, mas que ficou gravado na minha memória.
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