- Todos sentados_ pronunciou-se rígida a juíza Jane Vignoli assim que adentrou o tribunal.

Após todos sentarem-se e os primeiros dados serem fornecidos ao escrevente, a juíza pediu que os advogados chamassem as testemunhas, pois ela já iria ouvi-los.

Gerard sentia-se como em um tribunal de acusação, ele estava assustado. Olhou para Angie que abraçava o pequeno Julian e pensou como aquele pequeno ser estaria sentindo-se. A primeira pessoa a ser chamada foi Angie.

- Sra. Angie_ a juíza pronunciou-se_ antes que qualquer pessoa venha a lhe perguntar, eu gostaria de saber. Por qual motivo a senhora quer a guarda do seu irmão?

- Bem meritíssima_ Gerard pode sentir a voz de Angie tremer_ eu quero a guarda do Julian, porque eu quero dar uma vida melhor para ele. Quero que ele cresça e se torne um bom médico, advogado, ou o que ele quiser ser. Quero que ele estude e cresça sem traumas. Quero que ele seja uma pessoa saudável.

- Mas a sra não acha que se ele crescesse com a mãe, ele não teria um estudo digno? E além do mais, uma criança não pode crescer longe de sua mãe.

- Eu sei meritíssima. Minha mãe com toda certeza deixaria ele estudar, mas eu me preocupo mais com a saúde dele. Eu não quero que ele cresça e se torne uma pessoa traumatizada, pois eu sei que se ele continuar naquela casa ele irá ser um adolescente rebelde.

- E o que a faz pensar que ele se tornaria um rebelde?

- Porque eu sou assim. Eu convivi 18 anos com a minha mãe e eu sei mais do que qualquer pessoa nessa sala, o que ela é capaz de fazer. E eu não quero que meu irmão se torne como eu. Eu quero que ele consiga conviver com as pessoas sem medo, e que ele seja uma pessoa normal.

- E de acordo com o que a sra mesmo colocou, você acha que está preparada para cuidar de uma criança? De educá-la, de alimentá-la e de cumprir com todas as necessidades dela?

- Sim, eu creio que estou.

- Muito bem_ ela anotou algo em seus papéis_ os promotores tem algo a colocar ou a perguntar para a sr. Angie?

- Sim meritíssima_ o Sr. Albert Jackson, promotor que defendia a guarda de Julian para sua mãe, pronunciou-se prontamente.

- Prossiga Sr. Jackson

- Sra. Angie. Como a sra mesmo disse, tem apenas 18 anos, acha que, com apenas 18 está pronta para cuidar de uma criança? Pois, sabe, crianças dão algum trabalho e mais, dão despesas. Se tiver a guarda de Julia, como irá sustentar a ele e a si própria.

Era esse o momento. Gerard sentiu-se tenso e ajeitou-se no banco do tribunal. Pode ver Angie olhando-o e mandou-lhe um sorriso nervoso. Ela respirou fundo e falou num tom calmo.

- Eu pretendo trabalhar para poder sustentar-nos, logo depois que montar minha casa. _ ela disse respirando fundo

- E com que dinheiro a sra montará sua casa?

- o Gerar...meu marido_ Gerard sentiu suas bochechas em brasa ao ouvi-la falando dessa maneira sobre ele_ ele tem um apartamento, mas ele acha que é um local pequeno para uma família_ ela sorriu_ então ainda não conversamos, se iremos nos mudar ou não._ disse firme.

Gerard não pode deixar de sorrir ao olhá-la. Ele sabia que ela não se sentia bem, dependendo dele, mas mesmo assim estava disposta a aceitar essa ajuda, nesse momento, muito bem vinda.

- Deixe-me entender os fatos sra. A sra tem 18 anos.

- Sim

- Está casada a pouco tempo.

- Sim

- E quem lhe bancará será seu marido

- Sim

- E no que ele trabalha?_ olhou questionador para Angie

- Ele é músico

- Músico? _ ele soltou um sorriso irônico_ e a sra tem como comprovar que ele ganha o suficiente para sustentar uma casa? Pois como todos sabem, vida de músico não é fácil.

- Ele é vocalista de uma banda conhecida. Garanto que ele pode sustentar uma casa.

- Certo, mas volto a repetir minha questão. A sra tem como comprovar que ele ganha o suficiente para sustentar uma casa?

Angie estava começando a ficar irritada com todas essas perguntas_ bem eu não tenho, já que eu não controlo a contabilidade de meu marido, mas se o senhor pedir a ele, garanto que ele lhe concederá todas as informações que precisar._ disse de maneira pouco agradável e Gerard pode ver que logo ela começaria a perder o controle. Ela estava nervosa. E muito nervosa.

O promotor murchou seu sorriso cínico e voltou a perguntar_ Sra.Angie. Só tenho mais uma pergunta: por que razão a senhora acha que sua mãe não cuidaria bem de seu irmão? Ela é mãe não é? A sra. acha que ela iria maltrata-lo?

Angie estava impaciente em sua cadeira. Por que será que eles não entendiam? Por que eles não podiam simplesmente deixar Julian com ela? Ela respirou fundo e começou a falar. Soltou tudo que ela prometera a si mesma não mencionar no tribunal:

- O sr. acha que bater nos filhos quando está em depressão é cuidar bem? Acha que ser estapeada na rua é algum tipo de educação? Ou então acordar no hospital com a cabeça machucada é um tratamento adequado?_ Angie sentia seus olhos marejados e pode ver Gerard observando-a, querendo poder abraçá-lo. Ela pedia mentalmente para que tudo aquilo acabasse logo.

O promotor ficou com uma expressão chocada em seu rosto e olhou para a juíza, que, não estava muito diferente dele.

- Mais alguma pergunta Sr. Jackson?_ ela se pronunciou, quebrando o silêncio assustador.

- Não senhora, meritíssima_ele falou, indo sentar-se.

- Muito obrigada Sra Angie, pode descer_ ela disse calmamente.

Angie se levantou e saiu, indo sentar-se ao lado de Gerard, que abraçou-a e beijou-lhe o topo de sua cabeça.

- Tudo bem Angie. Agora está tudo bem_ ele disse fraternalmente, para ela, acariciando seus cabelos, enquanto ouvia ela respirar pesadamente em seu pescoço.

A juíza chamou Thiérry para ser ouvido. Ela perguntou-lhe o motivo dele ter aceitado conceder a guarda a Angie. Ele lhe explicou que, como era muito ocupado não tinha tempo para a família, e disse também que achava que Angie cuidava muitíssimo bem de Julian. Susan foi chamada em seguida, falando que ela não era uma megera como Angie colocara, mas afirmando também que ela já batera em Angie para educá-la, pois, como ela mesma colocara ‘ela é uma menina muito rebelde’.

Após várias perguntas, chegou a hora da última pessoa ser ouvida: Julian. Ele andou calmamente até a cadeira que ficava ao lado da juíza sob os olhares de todos. Ele tremia visivelmente, mas teria que ser forte, Angie o fizera prometer que seria um bom homenzinho e iria responder todas as perguntas que lhe fizesse direitinho. Ele sentou-se e a juíza pronunciou-se.

- Julian, será que eu poderia fazer algumas perguntas a você?_ ela falava suavemente tentando acalma-lo.

- Sim senhora_ ele falou baixinho.

- Você poderia falar um pouquinho mais alto e perto do microfone?_

Ele pos seu corpo para frente e falou audível ao microfone_ sim senhora.

Angie sorriu e olhou para Gerard que sorriu ao ver Julian responder a pergunta um pouco mais confiante.

- Julian você gosta da sua mãe?

- Sim, eu gosto sim._ ele disse balançando a cabeça ressaltando sua resposta.

- Gosta. Mesmo? E por quê?

- Por que ela é minha mãe? _ele respondeu em forma de pergunta, fazendo uma carinha de pensativa.

- E ela é uma boa mãe?_ a juíza perguntou olhando para ele e vendo-o abaixar a cabeça um pouco.

- As vezes.

- Você poderia me dizer então, quando ela é uma boa mãe?

- Quando ela ta de bom humor ela sempre vem brincar comigo_ ele deu um sorrisinho_ ela sempre faz lanche de pasta de amendoim pra mim, mas as vezes ela coloca geléia junto e não é bom_ ele balançou a cabeça negando_ eu não gosto de pasta de amendoim com geléia_ a juíza sorriu pra ele e Gerard apertou mais Angie contra ele vendo que ela sorria.

- E Julian, você poderia então, me dizer quando ela [i]não[/i] é uma boa mãe?_ Julian arregalou um pouco seus olhos e abaixou mais a cabeça.

- Ela não é boa mãe quando ela grita,_ agora sua voz ficava um pouco mais baixa_ nem quando ela bate na Ann, eu não gosto que ela bata nela, porque ai a Ann fica brava e fica machucada.

- E sua mãe já bateu em você?

- Não senhora, ela nunca me bateu. A Ann nunca deixou.

- E da sua irmã? Você gosta da sua irmã Julian?

Ele levantou a cabeça e sorriu_ Sim senhora eu gosto muito

- E por quê?

- Porque ela sempre me ajuda a fazer meus deveres. Ela me leva pra passear e cuida de mim quando eu estou doente. Ela sempre me leva pra tomar sorvete de chocolate_ nesse momento ele fez um pequeno bico com a boca_ mas ela não deixa eu tomar muito não, ela disse que faz mal_ Angie riu baixinho da expressão do seu irmão. Ela sabia que ele sempre ficava bravo quando ela não o deixava tomar mais que duas casquinhas de sorvete de chocolate.

- E a Angie já te bateu ou gritou com você?

- Não, não_ ele negou com a cabeça rapidamente_ ela nunca grita comigo, ela é uma ótima irmã. Ela cuida muito de mim. Eu amo ela_ ele sorriu fraquinho.

- E se eu te perguntasse com quem você gostaria de morar. Você gostaria de ficar com sua mãe ou sua irmã?

Julian olhou esperançoso para a juíza_ eu posso mesmo escolher?_ todos no tribunal soltaram pequenos risinhos com o menino, mas a juíza apenas negou com a cabeça.

- Não Julian, eu só queria saber qual das duas você escolheria, se pudesse.

- Ahhh_ ele disse decepcionado_ Sabe_ fez uma carinha pensativa_ eu gosto muito da mamãe. Mas eu gostaria de ficar com a Angie. [i]Eu amo ela[/i]_ ele enfatizou suas últimas palavras.

- Obrigada Julian._ ela então virou-se para os dois homens a sua frente._ os senhores gostariam de perguntar algo a ele?_

- Não meritíssima. _ os dois responderam em uníssono.

- Muito bem. Então teremos um recesso de 15 minutos e logo voltaremos com o veredicto.

~*~

Gerard andava de um lado para o outro na ante-sala do tribunal. Julian estava sentado num banco ao lado de Angie que o abraçava.

- Hey Gee_ ela falou calmamente para ele, que continuou andando sem ouvi-la_ Gee_ ela chamou-o novamente e ele ainda assim não a ouviu_ Gerard!_ ela se exaltou e pode vê-lo olhá-la com seus olhos arregalados.

- Oi_ ele parou na sua frente meio ofegante, como se tivesse corrido.

- Ta tudo bem?_ ela riu do estado dele.

- Ta...ta...ta sim_ disse apertando suas mãos que suavam

Ela sorriu_ calma Gee_ ela pegou nas mãos dele e fez com que ele sentasse ao seu lado. Ela segurou em seu rosto fazendo com que ele a olhasse em seus olhos_ olha, vai dar tudo certo, né?

- Vai? _ ele levantou uma sobrancelha vendo Angie censurá-lo com o olhar._ Vai! Vai mesmo!_ ela riu.

- Eu acho que você que deveria estar me confortando e não o contrario._ ela riu

- Desculpe, mas eu estou nervoso por você. São essas esperas que me deixam ansioso.

- Não fique ta?_ ela se aproximou dele e selou seus lábios docemente. Gerard passou sua mão pelos cabelos dela e sorriu pra ela após o beijo.

- Obrigado.

- Não Gerard eu que agradeço.

Ele sorriu e mordeu seu lábio suavemente, se levantando e indo para junto de Bob que sorria ao ver a cena.

- Você está mesmo apaixonado Gerard_ ele disse rindo da cara de bobo do amigo, que observava Angie de longe arrumando os cabelos de Julian.

- Que?_ perguntou sem prestar muita atenção.

- Você, Gerard, está realmente apaixonado_ Gerard virou para ele e sorriu.

- É cara eu to começando a achar isso também.

~*~

- Depois de ouvir todos os fatos e depoimentos, cheguei a uma decisão_ disse a juíza olhando seriamentepara todos os presentes.

Angie apertou a mão de Gerard que estava ao seu lado e ele massageou a mão dela. Julian respirou alto e abraçou mais forte a cintura da irmã.

- De acordo com a legislação, os pais das crianças têm a obrigação de cuidar, alimentar e proporcionar a eles uma educação adequada, e a guarda delas estará única e totalmente sob suas responsabilidade. Porém, quando o estado vê que a lei não está sendo cumprida tem a obrigação de intervir. Por isso, depois de todas as circunstâncias aqui apresentadas, ficou decidido que: a guarda do menino Julian Purot ficará com sua irmã Angie Taylor Way e para seu marido Gerard Arthur Way.

Angie soltou um pequeno gritinho, virando e abraçando forte seu irmão. Gerard sorriu involuntariamente e viu Angie beijar de forma maternal a têmpora de seu irmão.

- O menor Julian Purot poderá visitar os pais de quinze em quinze dias, o réu não tem direito a recorrer a sentença, de acordo com o estatuto da criança e do adolescente. Audiência encerrada_ a juíza levantou após bater seu martelo, retirando-se da sala momentos depois.

- Ane_ Julian levantou a cabeça para a irmã_ eu não sei se entendi.

- O que pequeno?_ ela sorria, com lágrimas em seus olhos.

- Agora você não é mais minha irmã?_ ele franziu o cenho

- Não pequeno. Eu ainda sou sua irmã, mas agora, você vai ser meu filho também. _ ela sorriu.

- E o Gerard?_ ele olhou para o Gerard que olhava pra ele sorrindo_ agora ele vai ser meu pai também?

- Sim Julian, agora o Gee é seu pai também._ Julian sorriu e correu para o colo de Gerard, abraçando-o forte.

- Gerard, eu acho que eu vou gostar de ter você como pai.

- E eu também vou gostar de ter você como filho_ Gerard sorriu e beijou a cabeça de Julian. Angie apenas sorria.

Os três saíram do tribunal juntos, Gerard segurando a mão de Angie que segurava a mão de Julian.

- Até que eles formam uma bonita família_ David comentou ao lado de Bob, vendo os três, lado a lado.

- Realmente. Até parece que eles estavam destinados a se conhecer._ Bob riu e foi andando para o carro junto com David.