Notas iniciais
" ... Uma a uma, as alvas pétalas de rosa se abrem..
As memórias daquele dia, tingem-se..
Como uma estrada marcada por lutas, o tempo corre ao silêncio..
Pessoas que se perderam em seus curtos caminhos, renascem..
Seu sorriso se dissolve em meu coração nublado..
Quantas partes se entrelaçarão como naquele sonho.??
Mesmo se o sol poente for o bastante para você... As sombras de nós dois se mesclam na escuridão..
Distância sem fim e de infinita profundidade... É como o destino em nossas mãos..
Prendendo-se repetidas vezes, perdendo-se repetidas vezes... E então nos encontramos ao acaso..
O céu anseia por sangue, enquanto as flores anseiam por chuva..
A noite transforma o amanhã nesta noite... E aqueles dois corações eram um..
Era isso que você desejava tanto.?
Uma a uma, as alvas pétalas de rosa se despedaçam ao decorrer do tempo..
Nosso amor existira para toda a eternidade ... "

(Abertura de Vampire Knight Guilty)

-- Me lembro que a havia procurado na escola inteirinha, perguntei para todas as pessoas se a tinham visto, mas ninguém soube me dizer. Até que cheguei no zelador para perguntar sobre ela, e ele me disse que a tinha visto passar correndo e ir na direção da estação de trem. Corri como nunca havia corrido antes, na esperança de encontrá-la na estação, mas foi tudo em vão. Foi enquanto corria igual uma louca tentando encontrá-la que acabei esbarrando em uma pessoa. Quando olhei, percebi que era a menina que também estava apaixonada pelo professor, seu nome era Milena, se não me engano. Perguntei se ela tinha visto a Luíza em algum lugar porque ela havia desaparecido, não a estava encontrando em lugar nenhum. Milena então olhou para mim e disse, como se fosse a coisa mais normal do mundo e como se tivesse feito um bem para toda a humanidade: \'Eu contei tudo pra ela. Contei que eu sabia da relação dela com o professor e também disse que havia contado para o diretor do colégio. Na hora ela começou a chorar e me olhou com a cara mais patética do mundo perguntando porque eu tinha feito aquilo. Era tão óbvio. Ela então olhou para mim e saiu correndo. Depois disso, não a vi mais.\' Eu a olhei indignada. Como ela podia sorrir enquanto dizia isso.? Como poderia haver tanta maldade dentro de um só coração, enquanto em outro transbordava amor.? Deixei Milena falando sozinha e corri na direção da casa de Luíza. Aaah... Como eu queria encontrá-la lá... Mas quando estava quase chegando, vi que o trânsito estava parado e que haviam muitas pessoas juntas no meio da rua olhando alguma coisa. Quando fui me aproximando, olhei para o chão e vi, perto da entrada do esgoto, uma correntinha com a letra \"L\" suja de sangue. Era a correntinha que Luíza usava no pescoço. Fui me aproximando daquela multidão na esperança de que meu coração estivesse enganado e que, ali houvesse uma pessoa totalmente desconhecida pra mim. Mas quando olhei o que todas as outras pessoas estavam olhando, minhas pernas ficaram moles e caí de joelhos com os olhos cheios de lágrimas. Caída em meio à uma poça de sangue, estava Luíza.

\"Ao que parece, ela havia atravessado a rua correndo e não vira que, na sua direção, vinha um caminhão numa velocidade muito alta. Foi uma questão de segundos. Num momento Luíza estava correndo, no outro estava estirada no chão banhada pelo seu próprio sangue. Ela foi levada para o hospital, mas não resistiu. Ela morreu durante uma cirurgia. Sua família estava inconsolável, e eu estava tão mal que decidi não ir ao velório nem ao enterro. Não queria ficar no meio de tanta gente, e também não queira ver o rosto da minha melhor amiga pela última vez, naquele estado. Queria me lembrar dela com seu mais belo sorriso estampado no rosto. Esperei que toda aquela cerimônia acabasse, estava escondida atrás de uma árvore que havia perto de onde fora a sepultura dela. Quando todas as pessoas já tinham ido embora, decidi sair do meu esconderijo e ir até lá para, pelo menos, dizer adeus à minha amiga e dizer que a amava muito. Mas quando fui sair percebi que uma pessoa estava se aproximando do túmulo de Luíza. E era ele. Estava cabisbaixo e triste como eu nunca tinha visto antes. Ele se aproximou lentamente e se ajoelhou. Olhando para a lápide com uma fotinha de Luíza ele começou a chorar. Chorou por um bom tempo, depois enxugando as lágrimas, colocou um lírio branco na sepultura e disse exatamente com essas palavras: \'Minha pequena menina, não sabe como eu estou triste por não ter mais você em meus braços, por não poder mais te beijar ou deitar em seu colo. O som da sua voz era a melhor música que já ouvi. Você era tão linda, e agora não posso mais colocar as mãos em seu rosto e olhar em seus olhos. Mas eu vou te dizer uma coisa, não importa quanto tempo passe, não importa aonde, como e nem quando, mas eu prometo que vou te encontrar. O meu amor por você nunca vai morrer, e de um jeito ou de outro, nós seremos felizes juntos.\' Dizendo isso, ele tirou do bolso um pequeno objeto, abriu-o e colocou sobre a terra da sepultura uma aliança, e colocou outra em seu dedo. Havia algo mais dentro daquele objeto, mas não consegui identificar o que era. Só vi que parecia ser um pequenino frasco de vidro. Ele abriu o frasco, e engoliu o que havia dentro, depois tampou olhou para a foto dela e disse: \'Me desculpe por não poder te proteger. Mas eu te disse, não disse.? Eu vou pra onde você estiver. Não me importa se é o céu ou o inferno, mas eu irei. Eu te amo e será sempre assim. Espere por mim, pequena. Eu irei até você.\' Quando terminou de falar, ele se deitou sobre o túmulo e ficou ali. Durante muito tempo fiquei escondida esperando ele se levantar e ir embora, mas isso não aconteceu. Pensei que ele estava dormindo então caminhei até ele, e quando toquei seu rosto para acordá-lo, percebi que estava gélido como uma pedra. Ele estava morto.\"

Melissa olhava atónita para sua avó, enquanto ela contava a história e algumas lágrimas escorriam pelo seu rosto. Agora ela entendia, agora tudo fazia sentido. Ela nunca foi supersticiosa nem nada disso. Mas, de alguma forma, ela sentiu que todas as peças daquele quebra cabeça se encaixavam. Ela deu um abraço em sua avó e disse:

-- Obrigada vovó, por me contar toda essa história, e me desculpe se te fiz lembrar de coisas que queria esquecer.

-- Tudo bem, Milli querida. Mas me diz, porque queria saber de tudo isso.?

-- É apenas curiosidade. A mamãe tinha me contado que você tinha tido uma amiga com o nome de Luíza e eu quis saber mais sobre ela. Obrigada por tudo, vou dormir agora. Estou um pouco cansada e amanhã tem aula.

-- 0k querida. Boa noite e durma bem.

Melissa foi para o seu quarto mal conseguiu dormir, e o pouco que conseguiu, sonhou com a história que a avó contara.

No dia seguinte ela foi acordada por Felipe que estava ao lado de sua cama com um sorriso lindo, como sempre é claro. Tomaram o café da manhã juntos e foram para escola juntos. No caminho da escola Melissa estava um tanto quieta, o que deixou Felipe curioso sobre o que estava acontecendo.

-- Milli, você está bem.?

-- Hum. Estou sim.. Por quê.??

-- É que está diferente, está mais quieta do que o normal.

-- É que estou com um pouquinho de sono..

-- Hum... Entendi.

E continuaram andando em silêncio, até que Felipe falou:

-- Milli. Vamos sair hoje.?

Melissa o olhou e percebeu que ele estava um pouquinho encabulado. Ela sorriu e disse:

-- Claro que sim. Aonde vamos.?

-- Se lembra daquele parque que íamos brincar quando éramos crianças.?? Que tal irmos até lá.? É um lugar muito bonito e eu quero passar a tarde com você num lugar assim.

-- Eu vou adorar, Lipe.

Ele sorriu, ainda não tinha se acostumado com o \"novo\" apelido. O dia na escola foi o mais normal possível e passou bem rápido, para a alegria de Melissa e Felipe. Como o combinado, eles foram até o local e ficaram lá a tarde toda, conversando, rindo e às vezes brincando como se fossem crianças. A noite chegou rápido e eles estavam deitados olhando as estrelas, junto com a grama verde haviam várias florzinhas que fizeram Melissa se lembrar da história que a avó lhe contara. Ela chegou bem perto de Felipe e deitou a cabeça no peito dele. Ele sentiu o coração dela bater forte juntamente com o seu, que estava como se quisesse saltar pela boca. Ele colocou um braço em volta do corpo dela e com a outra mão começou a acariciar os cabelos negros e lisos daquela menina que parecia tão indefesa se protegendo em seus braços. Ela se encolheu para ficar mais pertinho dele e, sem tirar os olhos das estrelas, perguntou:

-- Lipe... É verdade que... — ela respirou fundo. — É verdade que está saindo com a Stephanie.?

Ela sentiu que ele estremecia. Demorou um pouco até que ele apenas disse:

-- Sim.

Ficaram em silêncio por um tempo até que Milli perguntou:

-- Felipe, você acredita em reencarnação.?

Ele riu..

-- De onde tirou essa idéia.??

-- De uma história que a vovó contou, sobre uma amiga que ela teve e que morreu por amor, assim como seu amado, que era seu professor. Você não acredita.?

-- Acho que não acredito Milli. Não gosto de pensar que coisas como \"reencarnação\" existam. Vovó nunca me contou essa história.

-- Mas você acredita em amor maior do que a morte.?

-- Não sei Milli, realmente não sei. Mas por que todas essas perguntas agora.??

Ela se soltou dos braços e ficou sentada ao seu lado. Felipe notou que ela estava com a bochechas vermelhas e que fitava o chão sem desviar o olhar. Até que ela olhou nos olhos dele e disse:

-- E-eu... Felipe, eu amo você.!!!

Ele sentiu o coração bater tão forte que pensou que morreria naquele momento.

-- O que está falando, Melissa.? Por que isso agora.?

-- Eu realmente te amo.

-- Eu... Eu também te amo, Milli, afinal, você é minha irmãzinha. — disse ele tentando não demonstrar o quanto estava nervoso e surpreso, e tentando contornar a situação.

-- Não estou falando desse tipo de amor. Eu te amo como mulher, e não como uma irmãzinha. E não te vejo como meu irmão. Estar ao seu lado, ser abraçada por você, estar em seus braços, tudo isso faz eu me sentir a menina mais feliz do mundo. É uma felicidade que não consigo explicar. Você pode não acreditar nessas coisas, mas eu sei que sim. Sei que fomos feitos para nos amarmos e não para sermos irmãos. O nosso amor é maior do que todas as coisas no mundo todo. Ele foi capaz de vencer até mesmo a morte. Felipe, olhe para mim, olhe nos meus olhos, e me diga que também me ama.!!!

Dizendo isso, Melissa se aproximou dele lentamente e lhe as segurou as mãos, depois colocou seus lábios no dele e lhe deu o seu mais suave primeiro beijo. Depois se afastou e sem soltar as mãos dele, ficou em silêncio olhando para aquele rosto assustado.

Notas finais
Desculpem pela demora..
Espero que gostem deste capítulo..
^^

OBS.: A música de abertura de Vampire Knight Guilty é linda né.??
*-----------*

^^
Beijinhos..
=*