Sweet Dreams
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Tom havia percebido os tiras! O homem atirou em dois dos agentes presentes e derrubou os outros três. Correndo para fora do quarto em desespero, ele não se preocupou com o menino do qual era responsável. Clint e mais alguns agentes correram atrás do traficante, Natasha faria o mesmo se Fury não a parasse no meu do caminho.
– Fique aqui, tome conta do menino. Nós cuidamos disso!
– Eu? — Indagou surpresa.
– Será rápido, Romanoff. Não há nada para se preocupar. — Fury saiu às pressas, dando as costas para a ruiva e seguindo os outros agentes.
– Certo! — Natasha acenou com a cabeça.
Voltando-se para criança, ela sorriu. Um sorriso cheio de medo, que ao invés de transmitir segurança, transmitia ao pequeno temor. Seis anos ao máximo, ele não passava desta idade, a agente tinha certeza. Ela só precisava bloquear sua mente, não pensar em nada do passado, e levar o garoto até o abrigo da Shield. Nada além disso.
Ela tentou reparar no pequeno, mas não conseguiu definir o comportamento dele, apenas fixara a aparência dele em sua mente. Não era uma criança magra, era forte e loirinho, com grandes olhos brilhantes e castanho.
A moça perguntou ao menino seu nome, da forma mais carinhosa possível e o levantou nos braços. Tyler estava tremendo, tiros e mais tiros haviam sido disparados e, apesar de ter nascido no mundo da máfia, ele não passava de uma criança assustada.
Natasha o ajeitou no banco de trás do carro, os dois corações aflitos. Por um momento ela pensou que a melodia de ambos soava o mesmo ritmo e que era impossível distingui-los, o que os tornava um só. A Viúva Negra dirigiu preocupada, ela não podia pensar, ela tinha que bloquear os pensamentos, caso contrário um acidente poderia acontecer.
A ruiva não sabia o que estava fazendo. O abrigo ficava a leste da cidade e ela estava dirigindo em direção a oeste, onde seu apartamento de Nova York se encontrava.
Quando chegaram, o menino olhou para ela sem entender o que acontecia, totalmente perdido em meio a tanta confusão.
– Que lugar é esse?
– Você irá passar uns dias aqui, tudo bem? — Quando ele balançou a cabeça em afirmativo, a agente exclamou. — Ótimo!
Natasha o pegou no colo com cuidado, logo em seguida Tyler passou as pernas em sua cintura e passou os braços no seu pescoço, escondendo ali o rosto também. Ela sentiu o aperto forte do pequeno e emocionou-se. A única criança que havia confiado nela desta forma acabara morta, ela não podia deixar isto ocorrer novamente.
Ao entrar em casa, recordou-se que Clint iria a encontrar mais tarde. Não era uma rotina, mas vez ou outra depois de algumas missões ele vinha até ela ou ela iria até ele e ambos passariam a noite juntos. Tentou não se importar com isso, ela precisava se preocupar com Tyler.
Romanoff se aproximou do garotinho e começou a pergunta-lhe algumas coisas. A idade, o sobrenome, a cidade e o local onde ele nascera. O pequeno respondeu que tinha apenas um sobrenome e que este era Pace, disse também que tinha só cinco anos e que provavelmente nascera na Holanda, já que morava em uma casa de mulheres lá junto da mãe, mas que esta adoecera e por esta razão ele viera com o pai para Nova York.
Natasha gemeu de desgosto, ela conhecia a história do menino. E pensar que o garoto realmente passara por aquilo a fez estremecer, claro que a inocência dele deixava tudo mais fácil de se ver, entretanto nada de bonito possuía aquela história.
A mãe dele, Penny, havia sido enganada e vendida como escrava sexual para uma "empresa" na Holanda, o chefe majoritário da boate criou um gosto especial por ela e após alguns meses a jovem já se encontrava grávida. Tyler nascera e crescera lá, rodeado por mafiosos e prostitutas. A mãe dele havia sido morta há pouco menos de um ano atrás pelo próprio pai do menino e o mesmo o trouxera para Nova York as escondidas, tentando fugir da justiça de lá.
Após banhar o pequeno e colocar a mesma roupa nele, Natasha o deitara em sua cama, já que o quarto extra em seu apartamento não possuía um colchão, e deitara ao seu lado. Tyler disse que estava com fome e disse que queria tomar água, fazendo a ruiva levantar para preparar algo comestível para uma criança.
– O que você costuma comer de noite? Eu tenho macarrão instantâneo, lasanha de microondas e... deixe me ver, uma novidade, macarrão instantâneo!
O pequeno riu, fato que fez a moça rir também.
– A senhora é divertida! — Constatou sorrindo. — Eu quero lasanha, pode ser?
– Claro, vai demorar um pouquinho, tudo bem?
Ele assentiu e começou a brincar com o chaveiro de Natasha que estava em cima da mesa. O "jantar" ficou pronto minutos depois, Tyler comeu rapidamente e pediu para repetir duas vezes.
A agente passou as mãos na cabeça da criança, espalhando, assim, o cabelo dele.
– Satisfeito?
– Muito! Estava uma delícia, a senhora cozinha muito bem!
Romanoff teria argumentado, explicando ao menino que ela não fizera nada, apenas fora ao supermercado, comprara a lasanha e colocara ela no microondas. Mas o pequeno não conseguia manter os olhos abertos por muito mais tempo, sendo assim, ela fora obrigada a levá-lo no colo até sua cama. Após arrumar o cobertor nas pernas de Tyler e deitar ao lado dele para, finalmente, dormir, a moça ouviu ele sussurrar.
– Obrigado, moça.
– Natasha, meu nome é Natasha, Tyler.
Antes de dormir, no entanto, Natasha ponderou. Talvez Fury deixasse ela cuidar do menino por um tempo, nunca é tarde para superar seus medos, já havia se passado tanto tempo desde que ela perdera Dimitri, e esta ligação estranhamente maravilhosa que ela sentira com Tyler jamais ocorrera.
Alguns minutos depois ambos já se encontravam dormindo e o mundo parecia rodar somente para eles, duas almas solitárias em busca de um conforto.
Natasha foi acordada com fortes batidas na porta. Ela olhou rapidamente para si e viu que acabara dormindo com o uniforme. Também fitou Tyler e, após garantir que ele estava bem, foi em direção a porta.
– Onde ele está? — Clint entrara nervoso no apartamento e falava um pouco mais alto que o normal. — Você tem ideia do que fez? Ele devia estar no abrigo, esperando uma intimação para depor.
– Ele só irá depor se eu ver que ele estará seguro lá. E o que você queria que eu fizesse? Abandonasse outra criança? Como eu fiz com Dimitri?
– Mas este menino não é seu filho, Natasha!
Ela parou por um momento e suspirou. Barton reparou que havia falado algo extremamente errado. Ela riu de modo forçado para não chorar, mas a tática não funcionou desta vez. Logo as lágrimas vieram e o pequeno apareceu na porta do quarto com uma carinha de sono.
– Natasha, quem é ele? Por que vocês estão brigando?
– Nós não estamos brigando, querido. Ele é um amigo meu e se esqueceu que não conhece tudo sobre mim. — Ela sorriu reconfortando o menino e o pegou no colo. — Venha, ainda é cedo, você pode dormir mais um pouquinho, quer? — Após ele acenar com a cabeça, a ruiva virou-se para Clint. — Espere aqui, eu volto logo.
O arqueiro estava impaciente, Natasha sempre fazia loucuras e ele a amava por isso. Mas roubar uma criança não era o estilo da moça. Sem saber o porquê da demora, o loiro seguiu até o quarto que ela levara o menino e precisou se segurar para não soltar um suspiro de espanto.
Natasha estava deitada na cama, encostada na cabeceira e com o garoto nos braços, este dormia serenamente, enquanto ela cantarolava uma canção de ninar em russo para ele.
– Сладких снов, мой ангел.
Clint não conseguiu traduzir aquilo, mas se emocionou com a cena da mesma forma. Ele nunca havia visto Natasha desta maneira. Ela já havia percebido a presença dele ali e, por esta razão, deixou Tyler no quarto enquanto continuou a conversar com o Gavião.
– Tasha, queria te pedir desculpas. É só que Fury me ligou furioso dizendo que você havia sumido com uma das testemunhas e que não atendia o celular de maneira alguma, e, como você sempre segue às ordens, fiquei preocupado.
– Então você veio até mim, viu que eu estava bem e que eu o havia preocupado à toa....
– E explodi! — Ele deixou escapar um riso sem jeito. — Exatamente isso, perdão.
– Tudo bem, Clint. Essa não foi a primeira vez e nem será a última. Só fiquei chateada que Tyler acordou, só isso. Como foi ontem? Vocês prenderam o pai dele?
– Sim, ele responderá por todos os crimes, não se preocupe.
Natasha pareceu entristecer e Barton rapidamente percebeu.
– Por que tão triste? Não vai me dizer que queria outro desfecho...
– Não, Clint, é claro que não. É só que... se ele tivesse sido morto, seria tudo mais fácil.
– O que seria mais fácil? Natasha, estou preocupado contigo, não está agindo como você mesma.
– Você não entenderia...
– Apenas me dê algumas respostas. Talvez eu possa lhe ajudar. É sobre o menino?
– É sim, eu pretendo adotá-lo. — Um meio sorriso se formou nos lábios da mulher.
Ela esperava que Clint fosse ficar mais surpreso, contudo ele parecia esperar por isso.
– Por causa do Dimitri, certo? Você vê o seu filho neste garoto. Tasha, não é certo substituir uma criança por outra.
– Mas eu não estou fazendo isso! Eu o perdi há muito tempo, décadas atrás, você sabe... Eu só quero preencher esse vazio que ele deixou.
– Bom, então eu acho que vamos finalmente ter um filho! — Ele disse animado, o rosto de Natasha se iluminou ao perceber que ele havia se incluído na frase. Clint já havia cogitado a ideia anteriormente, mas a agente sempre dizia que ainda não era a hora, que precisavam de mais tempo.
– Sim, vamos ter um filho! — Ela pulou em cima dele e começou a destruir beijo no pescoço do homem.
Logo os beijos se aprofundaram e os uniformes se encontravam no chão. Barton foi em direção aos seios de Natasha, no entanto ela o interrompeu.
– Eu só tenho uma cama e a mesma está sendo ocupada no momento, acha que podemos comemorar no jantar hoje a noite?
Ele se separou dela e começou a rir, logo a moça fez o mesmo e os dois se vestiram novamente.
– Jantar, né?
– Os homens tendem a gostar da minha sobremesa.
– Natasha! — Ele a repreendeu, todo vermelho de ciúmes.
– Sério, minha torta é uma delícia.
Ela riu alto e logo tampou a boca para conter o riso, temendo que acordasse Tyler mais uma vez.
– Você já falou com ele? Sobre a adoção.
– Ainda não, vou levar ele para comer um Mc Lanche Feliz e lá conversaremos.
– Se quiser, eu posso ir junto.
– Não precisa, amor. Acho que só nós dois a conversa renderá mais, ele ainda é meio acanhado. — Ela o chamou de "amor", pela primeira vez.
Então eles estavam entrando em um relacionamento sério mesmo. Barton sorriu.
– Certo! Eu passo para pegar vocês depois então. — Os dois deram um beijo rápido de despedida e Natasha voltou para observar o filho.
*//*
A Sala Vermelha nunca fora lugar para uma criança, eles nunca permitiram que nenhuma das jovens prosseguissem com a gravidez, mas com Natalia havia sido diferente. Romanov teve seu filho ali, sozinha e presa. A moça prometera cuidar da criança e quando um dos muitos guardas revelara o objetivo que eles possuíam, ela se apavorou.
Todas as mulheres que haviam recebido o soro haviam morrido, exceto ela. De alguma forma o bebê a protegia e neutralizava todos os ingredientes prejudiciais. Eles queriam pegar o menino para fazer experiências, extrair algo dele, a ruiva não tinha ideia do que eles fariam. Então ela mudara de nome, agora ela era Natasha Romanoff e recebera o codinome de Viúva Negra.
Conseguira escapar da Sala Vermelha e Dimitri estava ao lado dela, nada poderia dar errado.
– Mamãe, olhe! Eu consigo fazer um anjinho, venha, a senhora também consegue! — Ele estava deitado na neve, mexendo as perninhas e bracinhos. Natalia fez o mesmo e quando ambos se levantaram, o formato de anjo estava estampado na neve.
– Dimitri, vem aqui... — O garoto chegou perto dela, enquanto a mãe limpava a neve dos seus ombros. — Você gosta de viver aqui na Rússia?
– Gosto, mamãe. Por quê?
– Você não gostaria de morar em outro lugar? Nova York ou França talvez...
– Não, aqui é bom, há doces maravilhosos! — Ela sorriu e pegou o filho nos braços. — Nós podemos passar para comprar um pastilá no caminho?
– Claro, podemos sim.
– Mamãe?
– Fala, meu anjo.
– Eu te amo. — Ele apertou Natalia com força e lhe deu um beijo na bochecha.
– Eu também te amo, muito! — Em forma de retribuição, Romanov o beijou na testa e seguiu para casa, tudo continuaria como sempre.
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